julho 22, 2013

Convivendo com um passivo-agressivo

Mimi and Eunice cartoons.

Esta foi a dúvida do leitor anônimo sobre o post passivo-agressivo.

- "É muito difícil conviver com uma pessoa negativista na vida pessoal (coisa que depois de ler seus posts e fazer algumas metáforas do mundo corporativo com a vida pessoal foi fácil identificar quem são os amigos passivo-agressivos) tenho pouquíssimos colegas com essas características e, felizmente, convivo apenas de longe.

Na vida pessoal acho que o maior problema está aqui: "Saiba que fazer com ela o que ela faz com você é chamar para um confronto direto. Isso é perigoso e o caminho mais curto para a sua loucura." Leia mais aqui no post anterior.

Mas como lidar com a situação se você procura evitar a pessoa e ela continua "enfrentando" você e não "se toca" que a única coisa que você quer é distância? digo isso tanto no pessoal quanto no corporativo, será que tem um "jeito fácil" de mostrar pra pessoa que a atitude dela incomoda e está afastando as pessoas dela?"

Minha resposta e respectivas dicas.

Antes de qualquer outra coisa preciso colocar um gráfico simplificado de comportamentos.



Nenhum deles é tão simples assim, mas o passivo-agressivo é pior que o agressivo. Não se iluda com a palavra "passivo", ela faz com que você pense que não é tão ruim assim. Mas a sabotagem é a pior situação dentro de um relacionamento.

Para facilitar eu caricaturizei (fatos verídicos com uma pitada de drama) os exemplos abaixo. Quatro pessoas na lanchonete, cada um pede um sanduíche. Mas na cozinha trocaram todos os pedidos. Todos os clientes percebem logo de cara. Como cada um deles reage?

- Passivo: não reclama, come até o picles, tendo dificuldades para engolir empurra com a bebida.

- Assertivo: avisa o garçom, troca o pedido ou pede o dinheiro de volta, vai embora sem excessos.

- Agressivo: de longe grita com todos os funcionários, joga o sanduíche no lixo fazendo barraco, sai sem pagar deixando um clima de humilhação no lugar.

- Passivo Agressivo: faz cara de nojo para o picles, não come, não reclama, não pede o dinheiro de volta, paga. Escreve um bilhete na mesa e antes de sair vai no banheiro, joga papel higiênico molhado pelas paredes, ou pior.


A pergunta é muito pertinente e você tem toda a razão quando diz que é muito mais complicado lidar com um passivo-agressivo na vida pessoal. A falta de comunicação e as sabotagens tornam o relacionamento impraticável mesmo.

Fico satisfeita que depois de ler os posts você tenha conseguido identificar este comportamento. Espero que seja só uma atitude casual que todos já usamos vez ou outra na vida. Afinal quem nunca fez uma greve de silêncio para mostrar que não gostou do que aconteceu? Mas se você está desconfiada de algo pior, seguem dicas mais profundas.

1. Esse comportamento acontece também porque a outra pessoa, sem saber, colabora com ele. Até mesmo quando não abandona o relacionamento. Por exemplo, se a pessoa está “batendo” as gavetas ao invés de pedir ajuda, não dê atenção. Ela vai parar de fazer ou vai arrumar outro jeito de se comunicar.

2. Não mostre que ela afasta as outras pessoas, um passivo-agressivo não vai admitir que está errado. Isso já é o tal confronto direto e vai fazer ele se voltar contra você.

3. Estabeleça os seus limites. O melhor jeito de mostrar que algo incomoda é falar sobre isso com a tal pessoa. Escolha uma hora tranquila, respire fundo e fale! Dê exemplo do que você não gosta e peça para não fazer mais.

Importantíssimo: Se depois desse pedido, ela (ou ele) não parar, ou pior, começar a fazer mais vezes ou inventar uma desculpa para continuar com a atitude... não perca seu tempo. Corra para longe, o mais rápido que puder.

Além disso reveja essas amizades, porque para mim, você merece um tratamento melhor!
Boa sorte.

Cartoon Mimi and Eunice ♡2010 by Nina Paley. Copying is an act of love. Please copy and share


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Esse artigo não tem a intenção de divulgar comercialmente produtos de nenhuma marca, até porque não ganho nada com isso. A não ser o fato de compartilhar ideias interessantes que fazem a vida de uma designer tão divertida.

Isabela: designer, estudou psicologia clínica, especialista em tecidos automotivos, trabalha inclusive com análise de tendências de design e comportamento humano. Está morando fora do país, por isso tem coisas interessantes para compartilhar.

11 comentários:

  1. Anônimo1/1/14 10:52

    Gostei desse artigo, que principalmente ensina o "não confronto" . Fica parecendo uma covardia deixar de pontuar os fatos assim que vão acontecendo, mas o silêncio nesse caso é coragem.

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  2. Tenho uma mãe assim louca e a maneira que encontrei para lidar com ela é : confronto sempre , bato de frente mesmo. Jogo na cara tudo o que ela faz, digo que não vou tolerar tal comportamento e que não me importa se ela vai ou não vai assumir responsabilidade por ele. Me afasto completamente e vou viver a minha vida. E não é que tem dado certo ? É a tal história : se não pode mudar o outro , mude você mesmo ! O outro só vai fazer pirraça ou sabotar se tiver alguém com ele se sujeitando a isso. Caso contrário, terá que suportar a si mesmo ! hahahaha.... pode haver algo pior pr aum passivo agressivo do que ser ignorado ? Nauuummm !!!

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  3. Tenho Transtorno de Personalidade Passivo - Agressivo. Fui diagnosticado de acordo com DSM V. Consegui superar boa parte dos maus hábitos de meu comportamento na terapia. Fui muito apoiado pelos meus amigos, mesmo não querendo. Hoje agradeço a eles pela paciência que tiveram. Eles não correram pra longe, como você sugeriu no texto. Seria interessante você questionar-se sobre algumas ideias antes de fazer publicações com ideias equivocadas.

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    1. Oi Lucas, Fico muito feliz que tenha superado inclusive para falar abertamente aqui no blog! No meu caso, trabalhei anos com passivos-agressivos (plural) e nesse caso a relação é outra, não tinha amizade. Você deve saber que esses maus hábitos machucam e fazem adoecer quem está ao redor. Sim, esse foi o meu caso. Tive consequências físicas, um estress adrenal e uma doença autoimune que acordou depois disso, fora os traumas. Fiz terapia também, anos. Eu tenho amigos que agem assim, mas há um relacionamento e um sentimento envolvido. Alguns deles ouvem e tentam melhorar sozinhos (muito difícil sem terapia, eu acho) e outros que não sabem e não querem saber o que causam nos outros. Hoje posso dizer que estou do lado dos que estão dispostos a mudar. Na época tive que me salvar, ou haveriam um PA e um doido no mundo. Isabela

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  4. Eu casei c um,nunca tinha escutado falar nisso,minha psicóloga o apontou c psicopata,mais n via nele esse traço,busquei até encontrar o perfil dele exatamente descrito c passivo agressivo, todos amaram a chegada dele,familia,amigos,conviví por 3 anos,já no final comecei a perceber crueldade nele,sabotagem,comecei a n conseguir ficar perto dele,passei a dormir em outro quarto,ele cuidava dos cães,passei a sair e n mais me prender por ele n querer ir,foi quando finalmente descobri oq estava fazendo c os cães,resolveu ir embora sozinho,até q ao sair ví o estado do cachorro dele,cheio de buracos,cheios de bichos,maus tratos,ele n me deixava cuidar,fiquei horrorizada c o estado do cão,dei graças a Deus q se foi e espero nunca mais ve-lo.

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    1. Oi Kátia, sinto muito saber que você passou por situações tão ruins. Ainda bem que acabou! Às vezes penso que é mesmo um traço psicopata, porque não há empatia com o outro ou o sofrimento alheio, humano ou de animais. O senso comum diz que crianças que abusam de animais são psicopatas potenciais... vai ver é isso mesmo. Uma dica, não se culpe por ter caído no "conto do vigário", por ser fraca ou não ter percebido antes. Esses tipos são extremamente habilidosos, no mal sentido, conseguindo enganar facilmente muitas pessoas ao mesmo tempo. Um abraço, Isabela

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  5. Muito bom artigo, gostaria que tivesse ainda mais tópicos porque me deparei numa situação com um namorado recente, onde acabei fazendo com ele o que ele vinha fazendo comigo e a coisa virou um inferno, quase enlouqueci...passado o periodo pior(quando disse que nao aguentava mais e ia sair fora) ele voltou ao normal no dia seguinte...estou apavorada pois gosto dele, mas ele esta minando minha auto estima, sua tática é me deixar sem saber porque ele me namora, ja que nunca demosntra carinho e muito pouco interesse ....triste demais, nao sei como mudar a situação

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    1. Oi, eu gosto muito do tema, mas também tenho muita dificuldade em encontrar referências. Outro dia ouvi algo bem interessante que está relacionado, mas não consegui anotar na hora e agora não consigo encontrar. Vou procurar melhor... enquanto isso, não desista! Um abraço

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    2. Olá, tive um insight que pode te ajudar. A ideia é essa que você descreveu... Minar a sua auto estima para você se achar um lixo e ficar com ele. Ele vai fazer isso sempre e assim você fica presa. Sobre o porquê ele namora você, em geral o pensamento é o oposto. Não digo que é o seu caso, mas pensa se faz sentido. Sendo acostumada desde criança aos relacionamentos onde você precisa se esforçar muito para receber pouco ou quase nada de carinho em troca você acaba buscando uma situação parecida nos relacionamentos amorosos da vida adulta. Simplesmente porque é um tipo de relacionamento familiar. Nesse caso, o passivo-agressivo se atrai como um imã e ali vai ficando. Ele não vai te dar mais carinho (a não ser que reconheça e resolva fazer uma mega mudança de vida, terapia, sei lá. Como disse para um outro leitor, nunca vi isso, mas não quer dizer que não exista) porque assim te mantém, vamos dizer... enfeitiçada. O fato de saber fazer como ele faz indica que você viveu isso antes e aprendeu como se comportar assim também. Como sai desse enrosco e não cair em outro? Também não sei, mas morrer tentando pode ser o sentido de uma vida. ** Achei um livro e logo vou postar um resumão dele. XOXO

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  6. Isabela, parabéns pelas definições sobre o passivo-agressivo. Me identifiquei em cada detalhe. Estava me relacionando há cerca de dois meses com um homem de 39 anos - que admitiu sofrer desse transtorno. Hoje tive uma decepção muito grande. Quando pisquei os olhos me vi culpada, definitivamente culpada por tudo que havia acontecido. Nós tínhamos um encontro para jantar às 8 da noite. Pela terceira vez ele atrasou.. Me aborreci e resolvi tomar um café para esperá-lo chegar pois estava frio na rua. Telefonei para a minha mãe para comentar do terceiro atraso, que na minha visão liberal não teria problema, mas achava estranho porque moro no Reino Unido e aqui todos costumam ter pontualidade britânica. Quase meia hora depois vejo a mensagem dele dizendo que me procurou por toda parte, não me achou e estava indo embora porque não tolerava esperar meia hora por alguém! Três dias atrás - num domingo - esperei por ele cerca de uma hora num parque. Ele disse que confundiu o nome do parque e foi parar em outro lugar. Não me importei e até brinquei com ele: vou aproveitar para dormir enquanto você não chega. Nesse meio tempo reclamou de uma turista que tinha pisado no pé dele dentro do trem. Chamou ela de "merda" e tal. Apenas observei o comportamento dele sem criticas ou questionamentos. Depois encontramos e andamos de bicicleta.. passamos o resto do dia bem. Ele parecia carinhoso! Um fofo. Voltando ao encontro de hoje.. No final, ele foi embora. Eu disse que se não voltasse essa seria a última vez que eu esperaria por ele. Falou que não tolerava aguardar meia hora e me deixou em estado de choque com frases fortes como --"Não quero mais te ver.... etc.. e saiba que você não é a única". Minutos depois me bloqueou do zap, Face e até do Instagram. Disse que não queria me ver nunca mais! Tentei dialogar, mas não consegui. Foi bem duro. Estava gostando de verdade dele, mas talvez tenha sido melhor assim porque demonstrou suas atitudes cedo. Chegou a me contar que fazia terapia e que o psicologo identificou o transtorno passivo-agressivo. Também fiz há um tempo atrás.. Sempre acreditei que todos nós precisamos de terapia. Mas ele transpareceu raiva. O que me impressionou foi esse sentimento horrível... desnecessário -- quando tudo poderia ser resolvido com uma conversa amigável.

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    1. Olá, vivendo nos Estados Unidos há 6 anos posso te dizer o seguinte, a não ser que ele seja latino (brasileiro ou mexicano principalmente) os repetidos atrasos são um forte indício de qualquer coisa muito errada com ele, com a vida dele, sei lá. O fato dele ter se mostrado para você me parece um outro indício de que ele estava com muito medo da situação. Então é uma boa notícia que tenha acontecido, mesmo sabendo que vc gostava dele. Melhor terminar um relacionamento com pouco tempo (só 2 meses) do que se meter nessa enrascada por anos a fio. Siga em frente e lembre-se esse tipo de pessoa não pode resolver tudo com uma conversa amigável, infelizmente. Veja os novos posts sobre o assunto. Um abraço,

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