agosto 16, 2019

Babitonga

Por Elisabeth Santos


Seja “terra em forma de morcego” ou “coisa na cor vermelha da pitanga” o nome soa engraçado, divertido como a “tonga da mironga do kabuletê”. Busco o significado para não escrever a bobagem de significado ignoto. Hoje a internet oferece meios de consulta rápida e eficaz. Ninguém precisa preocupar-se em desconhecer assuntos que não fizeram parte de seu currículo escolar. Vai à enciclopédia virtual, solicita ajuda dos demais navegadores, lê opiniões diferentes e faz uma média pessoal e intransferível, posto que, opinião é para ser assim mesmo. Cada qual tem uma, e defende a sua!

Estou tentando escrever sobre minhas idas a Joinville, cidade por onde passei em algum dia de turista, e passeei em dias de visita à pessoas muito queridas nos últimos cinco anos.

Lá eu tenho: onde hospedar-me; guia especial de excursão; tratamento preferencial, diferenciado e carinhoso. Imaginem só quantos motivos tenho, para sair de Minas e chegar ao estado de Santa Catarina numa boa, disposta e feliz seja de ônibus, carro ou avião! Pra que haveria de querer voltar a pé pra Minas Gerais como já cantaram em músicas sertanejas?

Cada vez que chego a Joinville surpreendo-me com uma programação diferente. Só me intriga o fato de estar na cidade e não ver o mar. Até que um dia fomos todos juntos ao Mirante. Do telescópio enxerguei, lá longe, uma faixa horizontal mais clara do que a vegetação. Era o Atlântico! Ainda não me dei por satisfeita.

O guia turístico gostava de surpreender a mim e ao restante da turma. Se ele nos perguntasse “aonde iremos hoje?”, a maioria ia responder: “tanto faz”. Assim sendo, pelas experiências anteriores, ele só dizia: _ Hoje almoçaremos fora!- e lá íamos nós soltando a voz nas estradas.

O restaurante é a beira mar, mas fica em outro município. Tá valendo! Comida muito boa e variada. Churrasco ou peixe, ou churrasco e peixe, como pedir o freguês.

E o mar de Joinville eu vi nesse ano de 2019!

Acho que foi para despistar... Passamos primeiramente no Parc de France. Apreciamos a paisagem do morro Boa Vista, o lago, os jardins bem cuidados, a arquitetura das mansões, e as aves bem à vontade ciscando pelo verde natural ou subindo nas árvores. Tudo perfeito!

Já no Bairro dos Pinheiros, um cheirinho de mar entrando pelo meu nariz, mesmo da janela do carro passei a observar o manguezal. Não sendo época da caça ao siri e caranguejo, havia poucas pessoas observando à beira do bioma ou “grande caldeirão”, o movimento dos bichinhos em crescimento. Se a maré estivesse alta, a água salgada estaria por ali. Como não estava, pude notar flamingos bem vermelhos, garças alvíssimas, outras aves em preto e branco tentando catar algum alimento. Ao meu olhar atento, mas desacostumado de litorais, não escaparam as árvores magras, desfolhadas, escuras contrastando com outras ainda verdes.

As construções, do lado oposto a esse, margeando a avenida, diferenciam bastante do que vira há pouco. Esse trecho é bem comercial com restaurantes, lanchonetes e bares para todo gosto. A maioria dos residentes por ali presta algum serviço nas marinas lotadas de embarcações, nos estacionamentos, pontos turísticos etc.

Almocei com apetite depois de andar pelo local, conversar com pescadores no píer, mirar a baía da Bitonga, idealizar outras visitas à localidade que é muito interessante. 

Tenho que ressaltar o bom atendimento recebido no restaurante de deliciosos pratos de frutos do mar. A variedade e fartura oferecida no cardápio bem temperado.

Afinal eu não fui ali só para ver e ouvir o mar de Joinville, mas também sentir seu aroma e gostinho peculiar.

Valeu!




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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

agosto 13, 2019

Bons livros


Por Elisabeth Santos


Recebi de presente dois bons livros de poesias e curti ambos. Bráulio Bessa é o autor de “Poesia que Transforma”. Ele poeticamente fala de um recomeço para todos que desejam um novo tempo em suas vidas. Inicia pela vontade de fazer diferente, de não ficar somente na vontade, e realmente tentar! Bem próprio do nordestino brasileiro que nunca desiste.

O poeta apareceu nas redes sociais para valorizar as diferenças da população brasileira, a ocupar enorme território. Todos tão semelhantes, assim mesmo vítimas de desconfortável preconceito que tentava fracionar a Nação, jogando uns contra outros por nada de concreto.
Tive um pouco de experiência em ver, ou sofrer preconceito por ter família vinda de Aracaju (SE) para Campanha (MG).

Aconteceu de eu ter nascido no Sul de Minas. Poderia ter nascido em Sergipe, pois dois de meus irmãos pouco mais velhos são naturais de lá, e o seguinte foi trazido no ventre de minha mãe. Enfim... meus pais trouxeram muito de onde estiveram: um pouco da cultura, boas recordações do povo, transmitindo aos filhos o que aprenderam de melhor no período em que moraram no menor dos estados brasileiros. E ainda ensinaram a mim e minhas irmãs mais novas: o alfabeto de lá, o sotaque e linguajar comum; sobre as belezas do nordeste, a maneira livre de bem viver numa cidade litorânea, a simplicidade de conviver junto à natureza, o tanto que tudo isto pode ser verdadeiramente saudável para o corpo e a alma de cada um de nós!

Acho que isso me tornou meio nordestina, apreciando cordel, tapioca, coco, rapadura; o balanço de uma rede, o canto do corrupião se juntando à gritaria do papagaio; até a sobrevivência com trabalho farto e água potável escassa aprendi!

Li com muito gosto “Poesia com Rapadura” (2017), e não saberia escolher um texto para citar aqui. Então, e por tudo descrito acima, uso de permissão poética para compor meu versinho:

Pode ser que eu vá pra frente devido a uma topada,

Mas não me esqueço de ser feliz por vitória conquistada,

Mesmo sendo sonhadora, e meu sonho não ter preço,

Quero que chegue a mensagem que lá vai sem endereço:

Acredito na amizade, que é amor com fraternidade,

Quando todos se dando as mãos

Fazem do cordel uma canção...

Em formato de coração!




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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".   

agosto 11, 2019

Dia dos Pais no Brasil

11 de agosto de 2019

Hoje é domingo, Dia dos Pais no Brasil e uma frase chamou a minha atenção quando passava os olhos numa rede social.

"Vocês são a ração do meu viver."

Eu sei bem o que são essas agruras de um corretor ortográfico que não sabe bem o inglês, nem o português, e muito menos quando uma palavra estrangeira é colocada no meio da frase escrita na língua nativa.





***

Há uns 25 anos atrás, quando a culpa dos equívocos era só nossa, uma menina em idade escolar (não eu) escrevia no dever de casa.


"O cão comeu a razão."

Durante a correção dos cadernos a professora foi ao âmago da consciência psicológica para responder à criança.

_ Atenção, pois se o cão comer a razão ele fica doido!



ID 954545
 
 

Uma boa noite aos pais brasileiros!




Convivendo com um passivo-agressivo, o livro, capítulo 7



agosto 09, 2019

De supetão


Por Elisabeth Santos

Pegaram-me de surpresa hoje. Ouvi e atendi o interfone: _ Oi Arlete, sou eu Cristina. Preciso muito falar com você!

Não acionei o trinco eletrônico do portão, mas fui ver se era a Cristina que eu estava pensando. Pela tela do circuito fechado pela câmera de segurança seria difícil identificação sem zoom. Era uma desconhecida. Aproximei-me dela através do portão e escuto esta:

“_ Pelo amor de Deus, me ajude. Minha filha tomou veneno, foi levada pro hospital de Varginha e eu preciso ir pra lá. Não tenho trinta reais pro ônibus, o Serviço Social da prefeitura já fechou. Pedi naquele comércio ali e eles disseram para eu pedir emprestado à senhora, que me socorreria.”

Eu tinha reparado que ela tremia muito, pois seus braços estavam bem perto de mim, atravessados na grade de metalon da entrada do jardim. A única coisa que consegui responder com lucidez foram as seguintes palavras: _ Não precisa pedir pelo amor de Deus. Vou ajuda-la.

Entrei em casa a procurar uns trocados porque costumo usar débito em cartão. Gastei uns minutos, voltei a entregar os trinta reais à desesperada pedinte, que ainda nervosa mostrou-me a perna com uma veia “pulando” e... sumiu.

_ Deus lhe pague, Deus lhe pague! – Foi o que consegui ouvir. O esperado: _Devolverei qualquer dia desses!- Eu não ouvi não!

Aí... o pessoal de casa perguntou-me sobre o que aconteceu e respondi-lhes o que escrevi acima. Também falei para olharem a gravação na câmera.

_ Conheço essa larápia velha de guerra. Vive de trambique. - disse um.

E eu, a vítima, tive de ouvir algumas admoestações, reprimendas ou pitos mesmo.

O que vimos juntos na câmera foi a veracidade dos fatos por mim narrados; e mais o antes, e o depois do “conto da vigarista”. Antes de tocar o interfone no portão da casa, posto que, veio preparadíssima pro golpe de mestra, comprimiu com as duas mãos a veia da panturrilha direita. Está lá no filme. Isto deve ter causado a tremedeira necessária para que eu cresse em seu palavrório, talvez tenha até provocado as lágrimas que brilharam em seus olhos.

E eu?

Eu fiquei naquela de: _E agora Maria José? Você, tão experiente, tão alertada pra esse tipo de coisa... cair que nem uma patinha na lagoa?

Não tenho justificativa a não ser esta: _ Fui pega de supetão!


Elisabeth Santos / Fevereiro de 2019




Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".   

agosto 02, 2019

Pois é e Sei lá

Por Elisabeth Santos 




_ Meu bem, a luz do porão dormiu acesa.


_ Então não dormiu.


_ Pois é...


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_ Meu bem, por que você saiu da sua oficina à noite,e não apagou a luz?


_ Sei lá...


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Num certo dia o “SEI LÁ” e o “POIS É” resolveram ficar amigos e andarem juntos na mesma frase, ditos pela mesma pessoa. Não deu certo. Soavam contraditórios.


Depois de inúmeras tentativas frustradas pareceu que aquela amizade haveria de vingar.


_ Será?


_ Pois é...


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“Pois é” é uma afirmação inconformada!


Quem a diz aceita, que aquilo não vai mudar mesmo, então sacode os ombros num “QUE IMPORTA-ME LÁ”. Quem é entendido de colocação de pronome e sabe que o “que” o atrai, tem que saber também das minúcias do linguajar popular. Nunca que um _ “TÔ NEM AÍ” (acompanhado de chacoalhar de ombros) será o mesmo do “QUE ME IMPORTA LÁ”! Até mesmo porque ali, naquele determinado momento, ninguém está na importação ou exportação de alguma mercadoria.


“Pois é”... ou Pois foi... ou Pois será... Enfim, a língua é móvel (e os odontólogos que o digam) acompanha o povo, o momento histórico e a região em que cada qual nasceu.


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Se algum dia, alguém nascido e criado na tradição mineira estiver a escrever um Cordel, e o nome dele for José... logo, logo poderá também ser conhecido por ZÉ do CORDÉ. Então um forasteiro chegando ali nas Minas Gerais a indagar do senhor José do Cordel provocará risos na rodinha de indivíduos a prosear na pracinha da igreja.


Vai bem aí um “sei lá” ou caberia melhor a expressão “pois é” ?


_Vai saber...





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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".