novembro 17, 2017

Simples, simplório, simplista.

Por Elisabeth Santos

Vista das montanhas mineiras.

Era simples.

Tornou-se simplório.

Hoje é simplista.


Simples e natural, era simplesmente descomplicado!

Simplório, quando se esqueceu dos seus direitos, lembrando-se apenas do que tinha de deveres.

Simplista ao resolver que poderia ser muito mais ao reduzir aquele mundo de senões, exceções, adendos, entrelinhas da leitura que sempre fez de Humano/Humanidade.


Seu pai detestava a teoria simplista. Lembrava-o de Darwin, mas não era nada disto que o pessoal ao seu redor falava, posto que desconhecesse a pesquisa do tal cientista.

Então, depois dessas preliminares, quem nasceu simples: aprendendo o amor, o respeito, a educação... em família, num lar...

Prosseguiu sua formação em uma escola, que passava também princípios éticos...

Conviveu numa sociedade justa.

Esteve pronto para enfrentar desafios naturais da convivência sadia com seus ajustes diários, pois cada ser humano tem suas particularidades. A  índole, a personalidade, a consciência, o livre arbítrio!

Nada disso se encaixa numa teoria simplista.

Restou ser simples ou simplório. Poderá ser as duas coisas, ou não ser nem uma, nem outra. E qual será escolhida como primeira? Qual ficará como segunda ou última opção?


A teoria simplista cai por terra por não funcionar onde existe o interesse próprio. E este, pelo que se tem conhecimento no nosso mundo, nunca deixou de se fazer presente. 



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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

novembro 10, 2017

Coração

Por Elisabeth Santos

De vez em quando, um bom exercício para a memória é tentar repetir versinhos que se decorava na primeira escola:

“Armas, num galho de árvore, o alçapão; E, em breve, uma avezinha descuidada, Batendo as asas cai na escuridão.” (da literatura infantil brasileira, O pássaro cativo)

_ O que mais tu te lembras, garoto?

“...Eu me lembro! eu me lembro! Era pequeno E brincava na praia; o mar bramia E, erguendo o dorso altivo, sacudia A branca escuma para o céu sereno...” (Casimiro de Abreu)


_ Está valendo, vamos em frente!

“Oh! que saudades eu tenho Da aurora na minha vida, Da minha infância querida, Que os anos não trazem mais!” (Casimiro do Abreu - A saudade da pátria e da infância)

_ Esse exercício está muito nostálgico. Passemos para a segunda etapa.



_ Não entendo o porquê de tanta nostalgia numa pessoinha tão jovem...

E a resposta veio rápida como uma flecha a surpreender o interlocutor:

_ “O coração tem razões que a própria razão desconhece” (Blaise Pascal)

_ Sim eu sei bem. A tarefa de hoje é pesquisar onde a memória falhou ao reinventar esses versos, e justificar citando as razões, que seu coração teria para tal.


***

“Coração, és como o sino
Na Egreja do Sentimento:
Ora bates de tristeza,
ora de contentamento.

Se queres saber do meu peito
Seu coração ouve um dia,
Pelo tocar do sino
Se sabe da freguezia.

Sino, coração da aldeia.
Coração, sino da gente.
Um a sentir, quando bate,
Outro a bater quando sente."

Auto do fim do dia de Antonio Corrêa D'Oliveira




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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".


novembro 08, 2017

Já assistiu ao Seriado Lúcifer?

Por Amanda Jardim
Seriado Lúcifer

Um pouco de meu discorrer sobre a Série levando para o lado da Ética e Filosofia. Aviso: pode conter spoilers leves. 


Lúcifer cujo significado do nome é aproximado de “portador da Luz” e “Luz da manhã” diz alguns escritos era um dos Anjos mais queridos de Deus, seu criador. 

Podemos tratar esse assunto como algo fantasioso, mitológico ou Religioso, mas também supondo que há pessoas que acreditam na existência real do que é isso na representação desse personagem e de outros envolvidos na trama. 

A série mostra que no início, Lúcifer Morningstar (traduzindo ficaria mais ou menos -> “portador da Luz, Estrela da manhã) foi condenado a governar o inferno... Até que “resolveu tirar umas férias...” Então temos como protagonista no início da série Lúcifer como um Sr. "Playboy", boa pinta com muitos carros, dono de uma boate em Los Angeles se divertindo e envolvido em, digamos coisas e fatos “superficiais”; sexo, drogas e mulheres que regam seu cotidiano em abundância. Ele tem um demônio que é condenado à obedece-lo personificado no papel de uma mulher forte e lutadora, sem paciência que também está ainda para entender o sentido de sua existência.

Hammmm, chegamos no ponto: Lúcifer, o guardião do inferno, que foi condenado a punir os pecadores, resolveu tirar umas férias no mundo dos humanos, desse modo, ele precisou se personificar como um humano, como o corpo de um (assim como o demônio que se personificou como mulher para acompanha-lo e protege-lo na jornada, ele precisou e assim se fez como um homem poderoso e popular). 

Pois bem, os Demônios são anjos caídos, mas não deixam de ser anjos, criados pelo pai, Deus. A todo o momento Lúcifer menciona “meu pai”, seja para culpa-lo, ou para tentar explicar algo que ocorre com ele ou com a humanidade. O Fato é que Lúcifer entende que é filho e entende que seu Pai é maior e mais poderoso. 

Passando isso, ao decorrer dos episódios, nosso personagem principal começa a se perguntar e se sentir instigado sobre os humanos -> Eles não têm as mesmas capacidades/propriedades (matéria, forma de pensamento, sentimentos, emoções etc.), mas, uma vez que esses anjos caídos resolveram a se personificarem como humanos, eles acabam também se sensibilizando e enxergando a vida com outros olhos, não à toa Lúcifer se sente necessitado à consultar sempre uma psiquiatra, que além de virar uma amiga, o ajuda em todas as ocasiões, principalmente quando é para ele entender o sentido de algo em seu cotidiano. 

É fato que o Sr. Morningstar, assim como todos os seres divinos que vem procura-lo (sim, outros anjos, não caídos, entre outros, vêm tentar resgatá-lo da terra e leva-lo de volta para o inferno) trata a humanidade, os humanos, cada ser humano como se fosse uma verdadeira escória, é assim como eles enxergam os humanos, como menos capacitados, como atrasados que só pensam em si mesmos cometendo pecados até morrer, sem se importar com mais nada. Roubar, matar, mentir etc. Então começa a perceber que não são todos os humanos assim, que existem humanos que se importam genuinamente com o BEM, em fazer o Bem ao próximo, se importam com o outro, se dedicam a isso. O que deixa toda a divindade da trama muito confusa. Por algumas vezes vemos Lúcifer tentando entender o outro, se entender e entender seus sentimentos (já que agora também é um ser humano, não se safou de sentimentos ruins, estranhos e também dos bons/ superar sentimentos ruins e chegar aos bons) ele até começa a entender o que é empatia, se apaixona, sofre por alguém que não seja ele mesmo, protege alguns, quer se vingar de outros, ou seja; é tomado por paixões mundanas e humanas, não só pecados superficiais, desde as que fazem bem às que fazem mal. 

Umas das curiosidades engraçadas é que toda vez que ocorre algo de MAL ou ruim e o argumento de justificativa é usado em seu nome ou como quando o culpam por crimes, querem dizer: culpam o capeta, tinhoso, lúcifer, Sr. do inferno, demônio; ele se revolta e quer fazer justiça: julgar e castigar os responsáveis e o faz com maior facilidade trabalhando com o departamento de Polícia de Los Angeles. 


Georg GroszCain, ou Hitler in Hell, 1944

*Interessante -> Ocorre no cotidiano, por costume, de quando algo de ruim acontece, ou alguém faz algo muito errado, no sentido ético/moral ou pela da Lei, de colocarmos a culpa no demônio. Pois então, o Demônio fica furioso com isso, porque entende que cada um age como bem entende, tendo a Liberdade de Escolha para fazer o bem ou o mal. E somente quem comete esses erros são os verdadeiros responsáveis pelas consequências.

Além disso, outra questão relevante é: toda vez que Lúcifer tem o poder de voltar ao inferno ou colocar alguém lá, o inferno se mostra de uma forma muitíssimo pertinente para nossa reflexão, isto é, para quem já pensou ou se interessa por esse tipo de assunto mais “filosófico” ou de ponto de vista ético, ou teológico, é que quando a pessoa morre e vai para o inferno, o inferno seria basicamente o eterno retorno dos sentimentos de culpa e arrependimentos maiores de sua vida. A alma – no caso - ficaria sujeita ao castigo de reviver aquelas situações que mais lhe causaram remorso/culpa/ira e por fim o arrependimento, e ela não pode voltar, aquelas situações ficam se repetindo infinitamente. Esse seria o Inferno ou o castigo dado pelo “príncipe do inferno” para todos que ali estão, no caso até para ele mesmo. (Posso estar sendo ousada em escrever isto, mas há embasamento em interpretação de textos de alguns autores filósofos e outros para fazê-lo).

Ilustração de Sebmaestro

A questão da CULPA vem sendo trazida na série de forma sutil, porém muitíssimo relevante. O que há por baixo dos panos, não se engane, é o que há de mais valoroso, pois o que mais vemos é festa em boate, mulheres de corpos magníficos, drogas, suspense e drama policial com bastante tiros e tudo mais que ganha holofotes e chama atenção do grande público, porém, não podemos deixar de lado as questões mais intrínsecas da trama que o autor gostaria de trazer. Sua genialidade demonstra muitas leituras e pesquisas em Filosofia, Ética e Teologia no mínimo).

O Grito de Edvard Munch e Depressão de Vincent Van Gogh

A leitura do inferno por alguns autores é exatamente essa, a de não estar bem consigo mesmo e com os outros por ter cometido erros e se sentir e conseguinte ser culpado por ações ou falta delas. Esse seria o inferno, o estado desse sentimento de culpa, se sentir culpado e por consequência se auto punir em um mar de lamúria, arrependimento e tristeza, onde não se consegue enxergar um céu azul significando a liberdade com pássaros a voar, nem mesmo um verde de grama e esperança a simbolizar, apenas as trevas e escuridão a remoer o que fez e se arrepende e o que gostaria de fazer diferente se pudesse voltar naquele instante. Não à toa ouso eu mesma dizer que desde KANT à Nietzsche e também outros filósofos mais contemporâneos como Dworkin -> é importante que se pense e se viva Ética, uma Ética onde você não se arrependeria de suas ações ou falta delas. Na Ética se deve pensar que é realidade que você vive concomitante com os outros, e a partir disso, o que você fará com a sua vida (sendo que ela está interligada a outras vidas) de modo que não se arrependeria quando “chegasse a hora de partir” e houvesse a possibilidade de ir para o “inferno”.

Como você está vivendo a sua vida? Está vivendo de forma que estaria satisfeito se chegasse a um ponto onde a vida parasse e ficasse voltando e voltando infinitamente em sua mente e coração no ponto desse momento? Você age consigo mesmo e com os outros de forma que te deixe agraciado, satisfeito e orgulhoso de si mesmo?

Essas são algumas questões que ficam em aberto para cada alma que teve a paciência de ler este artigo até o final.

Agradeço:
O Seriado Lúcifer está em sua terceira temporada no Brasil. Pode ser assistido pela Netflix ou pela Fox.

Outros posts da Amanda você lê aqui.

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Amanda estuda Filosofia e mora em Ouro Preto – MG. Lança no mundo um olhar contemplativo e é por isso que gosta trocar informações e curiosidades sobre tudo o que admira e experimenta. Acredita que as perguntas movem o mundo e o conhecimento pode ser um remédio para a alma. Escrever no Caderno de Perguntas é uma forma de passar um pouco da sua bagagem adiante.

novembro 03, 2017

Recebendo visita

Por Elisabeth Santos


São Cosme e São Damião, quadro naif da Beth

Chegou e já foi dando bom dia, apertando a mão, perguntando como estava: se havia dormido bem à noite, alimentado direitinho e tomado o remédio na hora certa.

O amigo vai respondendo cada uma das indagações e ainda conta como a vida hoje está diferente, e para melhor. Quantas coisas ele próprio tem ao seu dispor que trazem mais qualidade ao seu dia a dia. Quanta novidade surgiu desde os tempos em que residia e trabalhava na roça.

Sim, a natureza é, e sempre foi grandiosa, principalmente para quem depende da chuva, do sol, das quatro estações do ano para plantar e colher. Às dificuldades que surgiam, esforço e dedicação de sobra.

Resignação se fosse o caso, pois contra as forças da natureza não tinha como lutar.

Se lhe era designada uma tarefa em sua comunidade rural, fosse festa ou trabalho duro de mutirão; se chamassem ao trabalho de conferência na Cooperativa, ou outra atividade conjunta, lá estaria para somar!

Onde aprendeu? Foi vivendo, e vendo, seus pais, seus avós, toda a gente dali.

Os filhos seguiram a mesma trilha. Era natural, e visto com naturalidade: o respeito pela propriedade do outro, honrar a palavra dada, dizer a verdade, estudar, trabalhar, e trabalhar pela família!

Quase uma troca honesta, com o que a vida lhe oferecia generosamente: saúde, solo, sol, água etc.

Uma pausa para o remédio... e a finalização do assunto:

_ O mundo continua bom, o que está acontecendo com as pessoas é o que não dá para a gente entender.

Já na despedida dizia o visitante de sua alegria em ver o amigo tão bem. E que voltaria na próxima semana para saber de sua saúde.

_ Venha sim, estarei aguardando. Aliás, sua longa tarefa está sendo desempenhada com sucesso.

_ Ah é? E qual seria essa “longa tarefa”?

_ Vir vigiar de perto, se sigo as prescrições médicas direitinho.

O aperto de mão da despedida veio acompanhado de sonora risada.



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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

novembro 01, 2017

Pare de reclamar! Comece a fazer alguma coisa.


Final de ano chegando, muito estresse no encerramento dos projetos da empresa, agendamento das férias para lugares paradisíacos onde as filas são sempre monumentais, sem contar com a priorização das festas e reuniões familiares que vai comparecer. Então aqui vai um planejamento simples para te ajudar com os descontentamentos da vida.

Está certo que às vezes precisamos desabafar e lamentar sobre as desavenças alheias, mas isso é bem diferente de ser um reclamador compulsivo. Além de afastar pessoas boas, o reclamão ainda corre o risco de acabar com próprio ânimo de viver. Reclamar modestamente e pontualmente é o que recomenda o professor Robin Kowalsky que dá aulas aqui da Clemson, uma Universidade Carolina do Sul. 

Na primeira semana você deve se monitorar
- Comece investigando as coisas que fazem você reclamar e o quanto reclama delas.

Mantenha-se atento
- Coloque um objeto em seu braço (uma pulseira ou um relógio) e o mude de pulso cada vez que lamuriar.

Tome nota de seu humor
- Escreva sobre seus descontentamentos e sobre a pessoa que te irritou. Anote o seu humor antes de depois do encontro.

Entenda os padrões
- No final da semana reveja sua lista. Você xinga cada vez que o vizinho de cima faz um barulho? Quem é o seu colega que ouve a maioria das suas reclamações a respeito do seu chefe? Destaque os pontos principais dessas anotações para começar a atacar os problemas.

Na segunda semana, escolha suas batalhas
- Segundo esse professor, existem 2 tipos de reclamações; 1. as instrumentais, que fazem você resolver coisas e 2. as expressivas, que fazem com que você alivie uma emoção reprimida. A meta é ter cada vez menos dessas últimas, as catárticas.

Seleção
- Separe as reclamações expressivas das instrumentais em listas, por ordem de importância. Assim você vai conseguir entender quais são as mais triviais no seu dia.

Continue contando
- Faça um total das reclamações diárias e concentre em reduzi-las 1/3 todos os dias. Isso quer dizer que deve ficar de boca fechada quando atingir o limite do dia.

Chegue no extremo
- No último dia da semana tente ficar 24 horas sem reclamar. Se precisar descarregar a pressão, faça isso no seu diário. Se estiver bem seguro de si, peça para os amigos te cortarem quando começar a lamentar.

Na terceira semana faça mais coisas da sua maneira
- Agora é hora de ficar ciente das vezes que precisa mesmo reivindicar e o faça do jeito mais produtivo possível. Conseguir algo depois de uma reivindicação é algo que empodera!

Tenha um objetivo
- Pense na solução ideal para o problema. Se você não conseguir achar uma, mude de foco ou escreva mais sobre isso no diário.

Escolha sua audiência
- Converse com a pessoa mais capaz de te ajudar e resolver a questão. Por exemplo, se estiver insatisfeito com um produto, ligue para o serviço de atendimento ao consumidor ao invés de se queixar com o colega de sala.

Pratique o diálogo
- Primeiro valide o que a outra pessoa pode estar sentindo, depois explique seu problema. Se estiver frustrado com o marido que não coloca comida para o cachorro, fale isso para ele. "Sei que é uma tarefa chata, mas você faria meus dias mais fáceis se dividisse essa tarefa comigo."


E você tem outras sugestões para enfrentar as situações e pessoas estressantes do final do ano? Escreva suas dicas nos comentários.


Outros posts que vai gostar.

Convivendo com um passivo-agressivo, o livro, introdução



Como alguém se torna passivo-agressivo?


outubro 27, 2017

O livro: Turma Quevedo

Por Elizabeth Santos

 “Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba; verdes mares que brilhais como liquida esmeralda aos raios do sol nascente, perlongando as alvas praias assombradas de coqueiros; serenai, verdes mares, e alisai docemente a vaga impetuosa para que o barco aventureiro e manso resvale à flor das águas”.

José de Alencar

Há quase sessenta anos nossos verdes mares se abriram para a Turma Quevedo da Marinha brasileira adentrar no Navio Escola Custódio de Melo. Hoje 23/09/2017 essa mesma turma, reunida em excursão, vem conhecer as montanhas de Minas Gerais, cidades turísticas, e históricas. Numa parada em Campanha visitam a casa do colega Milton Xavier. Casa onde este algum dia morou com seus pais e irmãos. E a turma de setentões, com suas esposas, descansa um pouco do ônibus, enquanto lancha, se refresca do inesperado calor da entrada da primavera, conversa sobre como é bom estar no sossego do interior mineiro.

Justifica-se! Estão chegando do Rio de Janeiro onde acontece a guerra de traficantes de drogas, e o exército tem tido que marcar presença.

Incrível o que a Turma Quevedo realizou, desenvolveu, enfrentou depois da formatura, e descreveu no livro do mesmo nome que me foi presenteado. Um trabalho corajoso desde o início, quando em 1962 guarneceram navios mercantes na GREVEMAR, abastecendo o país de norte a sul. Uns com o agravante de terem pego navios sabotados, sucateados, e outros até sem instrumentos básicos de navegação como: radar, ecobatímetro ou hodômetro. Sem contar os que tinham a agulha magnética descompensada, e navegantes tendo de orientar-se pelas constelações.

Em 1963 enfrentaram a Guerra da Lagosta, incidente entre Brasil e a França, que veio pescar em litoral nordestino. Foi necessária a força aérea juntar-se à marinha para o enfrentamento. Terminou com o cansaço dos pesqueiros franceses, não antes dos EUA pedir ao Brasil desistência da briga pela valiosa lagosta.

NPaFlu Rondônia (P-31), em operações.

Essa mesma turma teve intensa atividade, e enfrentou grandes desafios na Flotilha do Amazonas elaborando croquis de navegação, e cartas de praticagem; dando assistência às populações ribeirinhas, treinamento para alunos da Marinha Mercante, apoio à Força Aérea, e ao Exército. Aquela centenária Flotilha foi criada para garantir o exercício da soberania e dos interesses nacionais na Amazônia Ocidental.

Em 1964, as tropas foram reunidas para ouvirem as novas ordens do Governo Militar. Posteriormente o Pres. Castelo Branco passou em revista a tropa.

Impossível descrever minuciosamente tudo o que uma boa equipe passa no período que vai dos primeiros aprendizados no exercício de sua profissão, aos quarenta anos de trabalho para se chegar à aposentadoria. Cada qual vivenciou da sua maneira, guardou na memória, relembrou relatando nas linhas do livro, o que mais significado teve em sua convivência profissional com a imensidão do mar: pororocas, tempestades, ventanias, salvamentos, encalhes, içamentos, reboques, avarias, improvisações etc.

E sobrou tempo para as famílias, hobbies, amizades, voluntariado, compor músicas, escrever poesias; para o lazer e o turismo.  

Valeu!


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Não tendo a pretensão de resumir, ou fazer sinopse do livro, quero deixar registrada minha admiração por essa valorosa turma que continua unida até hoje (2017) e através de sua “Associação Turma Quevedo” ter chance de ser lembrada para sempre.



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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".  

outubro 23, 2017

Convivendo com um passivo-agressivo, o livro, capítulo 2.1

Continuando com o resumão do livro do Dr. Scott no qual ele combina experiências de consultório, de amigos e observações sociais sobre a convivência com um passivo-agressivo.

Capítulo 2 Na gangorra emocional com o passivo-agressivo

Um projeto inacabado rodeado de desculpas esfarrapadas é a tática clássica do passivo-agressivo. A porta de entrada da casa de uma das pacientes do Dr. Scott está há dois anos com a pintura pela metade e ela responde com humor aos amigos que questionam o motivo. "Foi porque o telefone tocou", diz ela sabendo que é apenas uma maneira de dissimular a frustração e a raiva.

Susan sabe que insistir não vai fazer seu marido terminar a pintura, chamar um pintor vai deixá-lo furioso e terminar a pintura por ele aumentará a hostilidade dele contra ela. Então ela se pergunta: Como tudo isso pode ser minha culpa? Por que isso é um problema meu?

Para o passivo-agressivo tudo é sempre sobre você, nada é sobre ele! Pela perspectiva dele, as acusações sempre fazem sentido SE você pode ser culpada de algo, nunca ele. Na cabeça dele as coisas são organizadas para você não mudar nunca e para ele conseguir o que quer. Às vezes essas situações funcionam também para você, em outras só te causam irritação.

Não, você não é responsável pelo comportamento passivo-agressivo dele. Isso não é sua culpa! Entretanto, nesse livro ele vai mostrar como você começa a duvidar de si mesma, como você pode estar favorecendo a passividade-agressiva dele e como se proteger disso.

Como ele consegue te deixar em dúvida

Ele tem o dom de fazer as pessoas duvidarem de si mesmas, de ignorarem seus próprios sentimentos, de fazer os outros abrirem exceções para, basicamente aceitar os abusos dele. Um filme de 1944 mostra, com exagero é claro, a convivência com um passivo-agressivo. Ele é recomendado pelo Dr. Scott e o nome do filme em português é À Meia Luz.


É esperado que você desenvolva um temperamento ofensivo perto desse tipo de pessoa, ao ponto de ficar agressiva como nunca havia sido antes. Depois, pode ser que se sinta envergonhada das coisas que fez nos momentos de raiva e então, finalmente, concorde com o passivo-agressivo deixando para lá suas reivindicações. Pedir desculpas para ele também é algo comum.

Duas realidades operam nesse relacionamento, a que vocês vivem e a que ele quer que você acredite que vive. Sua intuição te diz que ele é hostil, mas então você se acha sensível demais. Deixe disso e confie na sua intuição! Ele é insensível e vai te dar um empurrãozinho  sempre que estiver na dúvida sobre em quem confiar. "Por que você está tão chateada? Assim vai morrer logo."

Outras artimanhas das conversas podem ser: "Você tirou do contexto o que falei sobre sua aparência". Quando ele é indelicado sobre sua roupa. "Você não aceita uma crítica construtiva." 

Esses exemplos do Dr. Scott servem para você se reconhecer e entender as suas reações emocionais. O autor acredita que confiando em suas percepções e sabendo os motivos das atitudes dos passivo-agressivos, finalmente você vai superar a situação. Visto que o passivo-agressivo não vai admitir que está errado e também não vai ter empatia por você. Esqueça os pedidos de desculpas siceros, eles não sabem que isso sequer existe. Se o fizer, vai ser vazio.

É frequente observar um casal onde o passivo-agressivo aproveita-se da ética do parceiro para não cumprir com as próprias responsabilidades. Quando o relacionamento é intenso, quer seja entre marido e mulher ou colegas trabalhando num projeto, a falha de um recai também sobre o outro. Neste caso o passivo-agressivo sempre machuca o parceiro que só consegue confrontá-lo quando toma distância da situação (nem sempre essa distância é física).


Antes de mais nada, você deve ser a pessoa a restabelecer os limites deste relacionamento. Saiba definir os sentimentos que ele desperta em você. O autor ainda sugere você apontar as mentiras, apresentando as ambiguidades dele. Assim você está no controle e mostrará como deve, ou não ser tratada.

Como você encara a passividade-agressiva

Nas consultas do Dr. Scott, muitos pacientes reclamam "ele é distante",  "ele não fala que horas ou que dia vamos nos encontrar", "ele não coopera", "tudo que tento fazer com ele se transforma num jogo de cabo de guerra entre crianças onde o que importa é vencer", "ele não tem respeito por mim". "Será que a culpa é minha?" é uma pergunta frequente entre as pacientes dele

Entretanto, ao mesmo tempo que você não é culpada da passividade-agressiva do outro, lembre-se que as atitudes dele não podem ir para frente sem a sua participação. A convivência com outros passivos-agressivos durante a infância podem fazer você inconscientemente, aceitar mais facilmente outras pessoas com o mesmo problema. Por exemplo, quando no começo do relacionamento você arruma desculpas para as atitudes inconsistentes e incoerentes dele.

Exemplo do livro: Neal pergunta à Bárbara como foi o começo da carreira dela em marketing. Ela, então conta emocionada que num momento difícil de sua juventude um de seus cunhados a encorajou muito e ainda arrumou a entrevista para o primeiro emprego dela. Neal ouve, toma um gole de cerveja e então conta uma história engraçada de quando foi esquiar com amigos. Ela se pergunta, o que isso tem a ver com o que eu falei? Nada! A história de Neal serviu para afastá-lo de um momento empático onde ele deveria contar seu início de carreira. Ele poderia também contar uma história de superação com a qual se aproximaria de Bárbara, mas ele só a confundiu.

Provavelmente você pensou, "ele é tímido", "não demonstra os sentimentos tão facilmente" e isso é exatamente o que ele quer. Mais cedo ou mais tarde, Scott afirma, que você vai se encher de arrumar desculpas para o comportamento dele. O que antes era fácil de ignorar vai pular na sua frente, bem na sua cara.

Como você vai se proteger é algo que vou falar na segunda parte deste capítulo.




Leia a introdução do livro aqui.

Aguarde os próximos capítulos.

O livro: Living with the Passive-Aggressive man; Coping with the Personality Syndrome of Hidden Aggression - from the Bedroom to the Boardroom, de Scott Wetzler, Ph.D. Em tradução livre Vivendo com o homem passivo-agressivo; Lidando com a Síndrome de Personalidade da Agressão Encoberta - da Cama à Sala de Reuniões. Autor: Scott Wetzler, Phd., New York, 1992.

Carol Tavris, Anger: The Misunderstood Emotion, 1989.








outubro 20, 2017

É sim

Por Elisabeth Santos

Artur e sua turma da 3a idade.

O grupo de sexagenárias, uniformizadas devidamente, aguardava a apresentação da nova equipe do trabalho específico com Saúde do Idoso. De repente aparece, atrasado, um rapaz de regata e bermuda; magro; com um sorriso bonito, e todos se perguntam... o que aquele menino estaria fazendo ali.

Ao se apresentar, disse algumas palavras expressando o quanto gostava de exercícios físicos, e ali estava como professor concursado, a dar aulas de ginástica aos idosos. Saldado com palmas, agradeceu a cada um de seus alunos com um aperto de mão.

Ficamos pensando como aquele jovem de vinte e dois anos haveria de impor respeito e disciplina naquela turma que gostava de conversar alto, e fora de hora. Além disso, metade das alunas saia para fazer almoço, antes que começasse a bateria de exercícios adequados à terceira idade. Não ia haver boa frequência naquelas aulas, era o que alguns pensavam.

Mas o rapazinho se deu bem em menos tempo do que esperávamos, conseguindo aumentar o interesse de todos por suas aulas. Sua descontração cativou vovós e vovôs. Permitiu que estes sugerissem jogos e brincadeiras. Levou-os a caminhadas, e ginástica ao ar livre, ganhou a confiança do pessoal. O mais difícil mesmo foi impor ritmo aos exercícios, principalmente o de panturrilhas. Se era para ser, uma bateria de trinta por três vezes seguidas, negociávamos para vinte, e o pobre professor Artur Henrique aceitava vinte e cinco. E as aulas continuaram animadas.

 Nos intervalos entre aquecimento, flexões, alongamento etc. sempre rola uma conversa interessante sobre benefícios de cada movimento repetido, para combater dores costumeiras de idosos. E o Artur se mostra estudioso e atualizado!

Certo dia a curiosidade da maioria pergunta-lhe o porquê de haver escolhido a faculdade de Educação Física. Poderia estar seguindo o exemplo de algum familiar; poderia fazer parte do “culto ao corpo” (a ideia vinda das fotos dele nas redes sociais); modismo, e outras coisinhas mais...

_ Eu? Eu queria mesmo unir o agradável ao útil. Uma profissão na qual pudesse: lutar, dançar, praticar esporte, conviver com pessoas de todas as idades, e assim continuar jovem para sempre._ resposta do mestre.

Diante dos olhares espantados, e risos da sua turma mais aplicada e assídua... o “prófe” completou:

_ É sim!

Que pena não sabermos disso antes... Foi algo que passou pela cabeça da Terceira Idade naquele momento.

Olha a Beth toda sorridente aí na foto!



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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".