abril 28, 2017

Movida à prosa

Por Elisabeth Santos
Olha a Beth tagarelando em Nova Iorque.

Ouvindo este termo, muito bem colocado, liguei minha “antena” para descobrir a que outras situações corriqueiras poderia se aplicar.

Se existe uma ladeira íngreme a se alcançar o topo, arranja-se companhia e vai-se proseando. Sem perceber-se... chega-se onde se pretende chegar.

Se existem abacaxis a serem descascados, envolvidos em boa conversa, descascadores nem sentem as dificuldades.

Movida à prosa, a tarefa rende e fica bem feita. Uma pessoa a mais ali, poderá dar palpite certeiro sobre a qualidade do serviço.

Entretanto, tarefas que exigem atenção exclusiva, não devem utilizar o recurso da “prosa”. A prosa, nesses casos, prejudica ou, até paralisa a ação a ser desenvolvida.

Italianos, não devem fazer reparos mecânicos conversando, porque proseam gesticulando muito, arriscando a esparramar parafusos em todas as direções.

Em compensação, poderão atravessar facilmente um mar “conversando”, com outro italiano em igual situação.

N’água, braços e mãos indo e vindo numa boa prosa, nadam, que nadam...



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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

abril 24, 2017

Convivendo com um passivo-agressivo, o livro, capítulo 1

Voltando ao livro do Dr. Scott no qual ele combina experiências de consultório, de amigos e observações sociais sobre a convivência com um passivo-agressivo. Vou logo avisando que o primeiro capítulo é longo. Entretanto muito necessário construção da base para o entendimento do problema.


Capítulo 1 - Anatomia da agressividade-passiva

Não importa profissão ou a classe social, eles nunca falam exatamente o que querem. As pacientes do Dr. Scott descrevem o passivo-agressivo como "ele é um cara difícil"', "tudo o que decidimos fazer se transforma em uma negociação entre dois países em guerra, nada a ver com o relacionamento de um casal que se importa um com o outro".

Você se sente atraída por ele provavelmente porque ele é brilhante e persuasivo ao se "vender". Elusivo, irresistível, charmoso, misterioso, ele atrai seu interesse também por demonstrar carência. Os problemas começam quando ele expressa hostilidade sob um manto de inocência, generosidade ou passividade. Por isso ele te confunde e te deixa com raiva. Isso É a passividade-agressiva!


Por dentro da passividade-agressiva

Parece paradoxal, pois a pessoa alterna entre os dois comportamentos, certo? Entretanto, não é ser agressivo hoje e passivo amanhã. Não! É ser simultaneamente passivo & agressivo, ao mesmo tempo.

Por isso esta é uma criatura fundamentalmente complexa, contraditória, ambivalente e difícil de ser lida num primeiro momento. Você fica recebendo mensagens dúbias porque ele quer que você adivinhe o que ele quer, mas enquanto isso ele te faz de boba.

Aqui ele coloca alguns exemplos para guiar você:

- Ele fala, "Por que você está sempre grudada em mim?", mas ele quer dizer "Morro de medo de você me deixar."

- O chefe comenta "Você é uma excelente funcionária, por isso vai fazer um treinamento na matriz." Nunca mais você ouve falar da tal viagem. Ele na verdade pensou, "Eu não acho que ela seja capaz de fazer esse curso fora do país."

- "Eu acho que posso buscar isso para você, talvez amanhã..." enquanto pensa "Por que ela continua me pedindo para fazer essas coisas?"

- Uma amiga falaria, "Eu vou te dar um presente bem bonito, tipo aquelas roupas brilhantes que você usa para ir trabalhar na segunda-feira." Enquanto pensa, "Quem sabe assim você percebe seu péssimo gosto para roupas."

- O marido sussurra, "Eu não estou muito a fim hoje", mas quer dizer "Eu quero ser seduzido."

O fator comum em todas as citações é a diplomacia. Uma pessoa normal diria, "Me desculpe, hoje eu não posso." Enquanto o passivo-agressivo vai continuar mentindo até ser forçado a falar a verdade. Por isso você sente que está sempre discutindo as mesmas coisas e se pergunta por que continuo correndo atrás do osso que ele joga na minha direção?

Um passivo-agressivo pode pensar que não fez nada de errado com você. Aliás, ele espera ser recompensado por te tratar tão bem e ainda te ajudar, enquanto você o chama de ingrato. Ou seja, não interessa quem ele seja, esse homem vai sempre te deixar insegura, confusa e se perguntando por que você sente numa constante encruzilhada com ele? Além  de passar dias pensando como poderia melhorar sua vida com ele.

Analisando a passividade

Como já deu para perceber, os 2 componentes básicos do passivo-agressivo, o modus operandi são a passividade e a agressividade. A questão é como a falta de ação de alguém pode irritar tanto? Veja bem, um comportamento passivo é algo amplo e vai desde o fraco, perdedor até o tipo conformista que não faz nada para melhorar, nem tem uma opinião firme sobre coisa alguma porque odeia a responsabilidade. Tanto o passivo quando o passivo-agressivo têm aversão à assertividade porque ela pode ser desafiadora, discordante e te deixar sem a ajuda dos outros. (Leia esse outro texto para ter mais insights sobre a assertividade e a passividade-agressiva.)

O autor conta o caso de Larry, um engenheiro civil que trabalha com construção de imóveis. Ele nunca se lembra de levar a carteira quando sai para jantar. Não que ele seja pobre, mas ele quer que os outros paguem a conta para ele. Larry precisa ser alimentado por um adulto poderoso e isso o torna passivo. O que ele faz para conseguir que os outros paguem por sua refeição e o que o torna passivo-agressivo.

O passivo-agressivo tenta ser passivo,
mas ele não é assim de jeito nenhum!

A personalidade passiva não te deixa indignada, ao contrário do passivo-agressivo que mostra sua hostilidade o tempo todo.

Analisando a agressão

A agressividade é para a psicologia um impulso básico do ser humano que quando mal gerenciado se transforma em raiva, tirania, antipatia, dominância e ódio. Os comportamentos de uma personalidade agressiva nos fascina porque poderiam ser usados para construir coisas boas, mas somente se estivessem alinhados nessa direção. (Leia esse outro texto para saber mais sobre a agressividade.) 

O passivo-agressivo é tão violento quanto o agressivo.

Ao contrário do que acreditava Freud, o autor afirma que liberar a raiva não a diminui. Pelo contrário, para Scott, extravasar a raiva te deixa com mais vontade de ser agressivo. O gerenciamento da cólera consiste em transformar sua frustração na conquista de algo produtivo e melhor. Um exemplo simples é o aluno que depois de tirar uma nota baixa, passa a ser o melhor aluno da classe. Outro exemplo é o casal que não pode ter filhos, mas decide adotar uma criança.

Como lidar com a raiva? Ele cita o livro da psicóloga Carol Tavris*. Verifique as decisões contidas no episódio de raiva e use alternadamente essas táticas: 1. Saia de perto da situação e vá fazer outra coisa, por exemplo um trabalho manual artístico, limpar alguma coisa, ou se recompense por não passar dos limites. 2. Fale sobre seus sentimentos enquanto a situação ocorre e porque se sente assim. Ou seja, faça qualquer coisa para manter a sua raiva sob seu controle.

Passividade-agressiva adequada

O comportamento é considerado uma resposta adaptativa justificada em casos onde a pessoa é objetivamente desprovida de poder e não possui outros meios de resistência. Diplomacia e sutileza demonstram uma tenacidade não violenta. Um exemplo extremo é o do estudante chinês na frente dos tanques de guerra numa série de protestos na China em 1989.

Protesto na Praça da Paz Celestial também conhecido como massacre de 4 de junho de 1989.

Existe uma clara distinção entre passividade-agressiva saudável e doentia que pode ser comparada com a diferença entre tato e esquiva, jeito e indelicadeza, desobediência civil e bloqueio direto. Uma pessoa saudável usa a passividade-agressiva para conquistar objetivos, ao invés de nublar a situação e não permitir que se chegue a lugar algum. A questão não é se a pessoa usa ou não essa ferramenta, mas se usa inadequada ou excessivamente para causar problemas.

Identificando o homem passivo agressivo

É um homem como qualquer outro, capaz de fazer planos, trabalhar, ter um romance e ser presidente de um país. Richard Nixon é um exemplo, considerado brilhante e competitivo, foi o único presidente americano a renunciar o cargo.

Ele é raramente um "cara mau", mas também não é genuinamente um "cara de bem". Em vez disso, ele é aquele homem que vai te deixar frustrada. Um homem que sofre uma interna e profunda dissimulação destinada a afundar vocês dois. Enquanto isso perde seu tempo fazendo coisas para manter o relacionamento com ele.

Isso nos dá uma perspectiva interessante sobre o passivo-agressivo precisar constantemente de um adversário -você- para ser o alvo da hostilidade. Ele expressa antipatia através do relacionamento por isso a passividade-agressiva é, muitas vezes tratada como um problema do relacionamento.  Entretanto, é mais provável que seja problema de uma pessoa só, ele.

Vic é um cara que às vezes "esquece" um encontro com Wendy, mas no outro dia aparece na casa dela sem avisar. Ele quer que ela se sinta feliz com o aparecimento dele, mas fica satisfeito que a pegou de surpresa. Ele é mais carinhoso quando percebe que ela reconhece ter sido injusta com ele. Então, no dia seguinte, ele age como se tivessem acabado de se conhecer. Quando Wendy fala que está magoada ele responde: "não tenho culpa se você se ofende à toa". Enfim, ela não consegue se aproximar, nem se afastar definitivamente dele.

Pontos importantes da situação descrita. 1. Você entende que Wendy está frustrada, mas Vic demonstra pouca consideração por ela. 2. Ela acredita nele, mas duvida de si mesma. 3. Ela passa mais tempo tentando entender o que se passa na cabeça dele do que ele. 4. Wendy está fascinada e frustrada ao mesmo tempo. 5. Vic se esconde num véu de boas intenções e inocência.

Passivos-agressivos causam confusão e dor em quem se relaciona com eles, mas você não precisa se sentir uma fracassada por não conseguir se relacionar com ele. Isso não é problema seu e você não é a única a se sentir assim. Identificar o passivo-agressivo é o primeiro passo para lidar efetivamente com ele.


Quando seu colega pensa que ele é sempre positivo e solidário,
mas destribui bilhetes passivo-agressivos sobre você.

Identificando o perfil do passivo-agressivo

Nem tão bom quanto pretende ser, nem tão mau quanto ele pensa que é. O passivo-agressivo tenta ser doce e compreensível, mas é egoísta, invejoso, raivoso e mesquinho. Quanto mais você entender sobre ele, menos será vitimizada ou ameaçada por ele. Lembre-se que entender o problema não é aceitá-lo. Então como reconciliar esses opostos?

Pode ser que ele não tenha todos traços do comportamento, mas ele terá vários deles. Eles também não são a personalidade como um todo, além de ter outros traços não citados aqui.

- Medo da dependência. Ele é um tipo que duvida da própria autonomia e tem medo de ficar sozinho. Ele reluta para não depender dos outros e geralmente faz isso controlando você.

- Medo da intimidade. Relutante em mostrar suas frágeis emoções, ele nega os próprios sentimentos. Constantemente cria conflitos para se distanciar de você.

- Medo da competição. Não consegue competir com outros homens no trabalho nem no amor. Usa a autossabotagem para justificar o fracasso, ou tirania para se mostrar perfeito e eliminar a competição. Dica, poucos passivo-agressivos são bons esportistas.

- Bloqueador. Basta falar que você quer algo para que o passivo-agressivo faça e-xa-ta-men-te o contrário. Ele vai bloquear qualquer progresso que veja em relação a você atingir sua meta.

- Fomentador do caos. Ele prefere deixar o trabalho incompleto, pegar mais responsabilidades do que dá conta até não atingir mais nenhum objetivo na vida. Ofereça sugestões para resolver esses problemas e vai ver o ressentimento dele aumentar ainda mais.

- Sentir-se vítima. O passivo-agressivo protesta das injustiças ao invés de assumir a responsabilidade por seus equívocos. É uma eterna vítima da sua excessiva tirania.

- Arruma desculpas e mente. Fabrica desculpas por não chegar no horário, finalizar projetos, ir aos encontros e cumprir qualquer tipo de promessas que tenha feito. É um verdadeiro gênio ao ignorar a realidade bem como um virtuoso deformador da realidade.

- Procrastinador. Os horários funcionam de um jeito diferente, pois os prazos não existem para ele. Consome a paciência de qualquer um perdendo oportunidades e desperdiçando o tempo.

- Esquecido e sempre atrasado. Esse é o mais irritante dos defeitos dos passivos-agressivos, sua inabilidade de chegar no horário em certos eventos. Manter você o esperando expõe as regras do relacionamento (lembre-se bem disso), além de evitar uma obrigação.

- Ambiguidade. Mensagens dúbias é a cereja do bolo e nenhuma resposta será específica. Ele é o master do "não sei", "talvez eu vá", "a gente se vê no fim de semana"... e você nunca vai saber se o encontro vai acontecer.

- Mau humorado. Vivendo sob um constante sentimento de não cumprir promessas e obrigações, ele constantemente se vê acuado, de cara amarrada e distante.

Com essas descrições, o autor espera que você reconheça o passivo-agressivo pelo que ele é, ao invés do que espera que ele seja.

Leia a introdução do livro aqui.

Aguarde os próximos capítulos.

O livro: Living with the Passive-Aggressive man; Coping with the Personality Syndrome of Hidden Aggression - from the Bedroom to the Boardroom, de Scott Wetzler, Ph.D. Em tradução livre Vivendo com o homem passivo-agressivo; Lidando com a Síndrome de Personalidade da Agressão Encoberta - da Cama à Sala de Reuniões. Autor: Scott Wetzler, Phd., New York, 1992.

Carol Tavris, Anger: The Misunderstood Emotion, 1989.








abril 21, 2017

Minguinho

Por Elisabeth Santos

Minguinho, seu vizinho, pai de todos, fura bolo e mata piolho são os dedos das nossas mãos. São irmãos, estão próximos, um auxilia o outro, mas não são iguais.

Minguinho, magrinho, miúdo, não aprecia trabalhos pesados e na hora de segurar a asa da xícara de café, auxilia fazendo pose.

Seu Vizinho gosta de se enfeitar, e aparecer!

Pai de Todos é mandão, dá ordens, e é ajudado pelos outros.

Fura Bolo há de sempre estar presente mesmo onde não é chamado.

Mata Piolho, parecendo desajeitado, faz toda a diferença na irmandade.

Não estando a postos, pouca coisa é bem feita ali.

As pessoas crescem, os nomes dos dedos das mãos mudam.

Dedo Mínimo, ficando mais alto, aceita responsabilidades. Compõe no teclado, por exemplo.

Anular mostra sua seriedade nas alianças amorosas.

Dedo Médio, bem no meio, continuando no comando, une-se aos outros.

Indicador, aponta sem acusar, e dispensa a alcunha de dedo duro balançando nas negativas para ser bem entendido.

E o Polegar se fortalece. Mesmo sendo o baixinho obeso, comparado aos outros irmãos, é bom na pegada.

Só quem machuca um dessa importante família que temos nas mãos, fica sabendo a importância da união de todos, cada qual na sua função!



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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

abril 17, 2017

Convivendo com um passivo-agressivo, o livro, introdução

Descupe-me por perder seu post passivo-agressivo no Facebook.
Eu estava muito ocupado ganhando a vida e chefiando.

Depois de mais uma pausa, voltemos com a série sobre como conviver com um passivo-agressivo, ou como eu os chamo agressivos-passivos. Se você quer entender o por quê, veja este texto aqui. Se quiser saber mais sobre esse transtorno, fique atento aos próximos textos que vão falar sobre um livro muito interessante do psicólogo Americano Scott Wetzler.


O Dr. Scott percebeu que várias de suas pacientes descreviam os detalhes de seus relacionamentos com homens de uma maneira recorrente. Eles nem sempre eram namorados ou maridos, mas colegas de trabalho também. Identificou que havia uma dificuldade permanente em resolver qualquer coisa com eles, seja na hora de fazer o pedido no restaurante, ou na apresentação de um projeto na empresa. Então esse livro é dedicado ao assunto.

Introdução

Ele começa com 3 histórias simples com as quais você pode se identificar.

1. Jack é um funcionário designado a colaborar com uma colega num projeto para a empresa que trabalham. Ambos estão no mesmo nível dentro da firma e também são considerados funcionários exemplares, apesar dela ter entrado na empresa há pouco tempo. Com o tempo ela descobre que Jack está omitindo informações cruciais para o sucesso do trabalho. Ela decide confrontá-lo num almoço, mas ouve "ninguém joga melhor em time do que eu" como resposta. No dia seguinte, ouve dizer que ele foi até o chefe de ambos reclamar que ela não vai às reuniões, é lenta no trabalho e nunca responde os telefonemas de Jack.

2. Mark mora com sua namorada há um ano, mas ultimamente ele está se mostrando incerto no relacionamento intimo. Não demonstra interesse, mas também não deixa claro que há algo de errado.

3. Eddie é o filho mais velho da família, ele faz muitas horas extras no trabalho. Sua irmã é mãe solteira e trabalha também. Ambos prometeram aos seus pais fazerem uma festa de aposentadoria, mas tem sido muito difícil coordenar os dias e horários. Finalmente Eddie concorda com a data e sua irmã começa os preparativos. No dia da festa, uma hora antes do horário combinado ele liga dizendo que vai se atrasar por uma hora. No final da festa, quando todos já haviam ido embora, Eddie chega sem pedir desculpas. Ela o chama de egoísta e ele responde dizendo que ela deveria estar feliz por ele quase conseguir um furo de notícia no jornal e afinal "eu nunca lhe pedi para fazer festa alguma".

O que acontece nessas histórias é que uma pessoa afasta a outra do relacionamento, mas de uma forma passiva-agressiva. Neste caso, assim como as mulheres dessas histórias, você tem todo o direito de ter raiva, mas o dilema persiste. Parece ser inútil confrontá-los, mas enfurecedor aceitá-los.

O homem passivo-agressivo hoje 

O termo foi usado pela primeira vez pelo Coronel Psiquiatra William Menninger durante a Segunda Guerra Mundial especializado em lidar com reações muito negativas no quartel. Ele notou que alguns homens viam a estrutura e submissão da vida militar como uma forma positiva de desafio enquanto outros protestavam pela falta de reconhecimento de opiniões  e escolhas pessoais.

Entretanto, um batalhão do exército começou a se comportar de maneira a serem expulsos por desobediência. Eles ignoravam ordens, resistiam, se afastavam ou simplesmente desertavam. Nesse momento ele descreveu esse tipo de resistência como passiva-agressiva e contextualizou como "uma reação imatura".

Instituições com grande burocracia e pouca valorização da expressão pessoal são locais perfeitos para o nascimento de personalidades passivo-agressivas. (Um insight sobre o grande estado socialista brasileiro, afinal esse é um comportamento comum nos dias de hoje. E eu acho que ocorre ainda mais no Brasil, comparando com Estados Unidos. Veja um exemplo interessante aqui. Outro insight para o homem moderno que se vê a cada dia menos empowered. Hum...)

Ele continua, essa é a tragédia contemporânea de um homem que se vê como alguém desprovido de poder. Uma coisa que o autor promete é te ensinar a corrigir essa percepção e fazer esse homem se sentir mais empoderado.


Eu sei que você está nervosa.
Por que você não posta qualquer coisa passiva-agressiva no Facebook sem explicar o motivo para ninguém?
Isso geralmente ajuda.

Importante

1. Nesse ponto ele ressalta que o comportamento não é exclusividade masculina. Não senhora! Ele explica que neste livro ele resolveu focar nos homens porque eles atormentam a si mesmos, as esposas, as colegas, as funcionárias e o mundo. Dr. Scott acha que porque as mulheres têm menos testosterona elas são menos perigosas no assunto. (Respeitosamente, eu discordo com ele.)

2. Ele explica que resolveu escrever sobre o assunto porque passivos-agressivos fraturam relacionamentos que poderiam ser muito felizes. Se você está num relacionamento desse tipo você sabe que esse homem nunca corresponde, ele promete, mas nunca realiza. Ele tem tantas camadas que fica difícil saber se ele repele os momentos de intimidade, a responsabilidade ou você.

De tanto conviver com agressivos-passivos seu cérebro vai se dessensibilizando, ou seja, você para de dar ouvidos para a mensagem: "Algo está errado, fuja!" Você vai se sentir confusa e duvidar de si mesma.

Ele acredita que o passivo-agressivo é tão confuso quanto sua vítima e reafirma que com este livro você vai deixar de se enganar. Você entenderá que este é um homem guiado pela raiva que esconde seu medo como um segredo. Ele ainda promete que você ainda vai conseguir dar boas risadas dos joguinhos e malabarismos das situações. Entretanto, se você continuar presa na isca é sinal de que você está emocionalmente muito machucada para se divertir.

Última dica do capítulo é: se você foi fisgada por um tipo desses, ou se convive com um familiar assim e não consegue se desvencilhar... Pense que além dos truques de um mágico, existe a fraqueza de quem cai por eles.

Ainda na introdução ele avisa que a meta dele para você ao final do livro é:

1. Descobrir como um passivo-agressivo pensa, sente e age; além de entender como ele ficou assim.

2. Explicar porque você sente o que sente por esse tipo.


3. Finalmente, dar uma nova perspectiva para esse relacionamento com um passivo-agressivo. Além de fazer você examinar suas expectativas oferecendo estratégias para resolver os problemas dessa parceria e tecer um novo começo.

Leia o capítulo 1 aqui.


O livro: Living with the Passive-Aggressive man; Coping with the Personality Syndrome of Hidden Aggression - from the Bedroom to the Boardroom, de Scott Wetzler, Ph.D. Em tradução livre Vivendo com o homem passivo-agressivo; Lidando com a Síndrome de Personalidade da Agressão Encoberta - da Cama à Sala de Reuniões. Autor: Scott Wetzler, Phd., New York, 1992.

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Como alguém se torna passivo-agressivo?

abril 14, 2017

Como organizar sua festa

Por Elisabeth Santos
Festa de Bodas da Beth. Parabéns!

Aniversário sem comemoração? Nem pensar! Que sejam três pessoas, felizes, em volta de um bolo com velinhas, já está valendo como festa! Nas famílias numerosas podem acontecer mais de uma comemoração por mês dando em média uns vinte encontros festivos por ano. De batizado a centenário, passando por formaturas e casamentos; sem esquecer natal, dias das mães, dos pais, das crianças... Quem quiser fazer regime emagrecedor passa aperto. Há quem diga que só sai da dieta em ocasiões como essas mencionadas acima, mas se a família é grande fica bem difícil... embora bem gostoso.

Vejamos então como se organiza uma comemoração onde todos saiam satisfeitos: primeiramente contamos os que estarão presentes. A partir desse número, escolhe-se o local da reunião familiar/festiva.

Quando o cardápio estiver decidido, com bebidas, sobremesa e lembrancinhas lembremo-nos das porções light e diet, pois família geralmente tem criança, adolescente, adulto ou idoso.

E quando tudo isso for lembrado, parte-se para música, decoração e a programação dos momentos: vai ter discurso? (quem será o orador). 

Número musical? (quem estará cantando ou tocando?). Oração final? 

Agradecimento público? Despedida no portão?

Não querendo tais responsabilidades... desiste-se?

De jeito nenhum!

O resultado é tão gratificante, quando a família está reunida, que vale a pena as preocupações anteriores. Até o que não saiu de acordo com o programado, passado um tempo vira uma boa piada no folclore familiar, ou quem sabe uma doce lembrança?




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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

abril 10, 2017

Imposto no Brasil é roubo a mão armada!

Mais fotos do gatinho fofinho aqui.

Mais um post rápido para a série, IMPOSTO é ROUBO!

Acabei de comprar os bilhetes de uma viagem do Brasil para os Estados Unidos. Usei as milhagens acumuladas nesses anos morando fora. Afinal, são muitas idas e vindas para rever o país que a cada dia me surpreende mais, mas não no bom sentido...

Como de costume, ao final da compra pagam-se algumas taxas aplicáveis à utilização de serviços de aeroportos e afins aqui e acolá. Então foi quando meu querido país me espantou ainda mais.

Vamos logo as "contribuições" de hoje, ou como dizem os gringos, shall we?

Total de vezes que vou passar por aeroportos americanos = 6 (porque serão vários destinos)
Total de impostos americanos aplicados no bilhete = $27.66 USD

Total de aeroportos brasileiros = 2 (o mesmo na ida e na volta, mas em dias diferentes)
Total de impostos brasileiros = $36.70 USD

Qual seria a explicação insana para cobrarem mais de 135% para eu usar um aeroporto que é infinitamente pior que qualquer um dos aeroportos que vou usar aqui no exterior? Não sei, ninguém sabe, ninguém sai...

Novamente, repitam todos:
IMPOSTO é ROUBO!
IMPOSTO é ROUBO!
IMPOSTO é ROUBO!

Seguem os valores detalhados para esquartejamento de quem possa interessar.

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CHARGES
Air Transportation Charges
Base Fare
$0.00 USD
Taxes, Fees and Charges
United States - September 11th Security Fee(Passenger Civil Aviation Security Service Fee) (AY)
$11.20 USD
Brazil - Embarkation Tax (BR)
$36.70 USD
United States - Animal and Plant Health Inspection Service Fee (APHIS User Fee - Passengers (XA)
$3.96 USD
United States - Immigration and Naturalization Fee(Immigration User Fee) (XY)
$7.00 USD
United States - Custom User Fee (YC)
$5.50 USD
Total Charges$64.36 USD
TOTAL TICKET VALUE107,500 Miles and $64.36 USD


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abril 07, 2017

Quaresma e Páscoa


Por Elizabeth Santos

Quaresma significava os quarenta dias mais chatos do ano para as crianças.

Parecia que as únicas pessoas que ficavam felizes na quaresma eram as mães dos que tomavam bebidas alcóolicas. Nesse período, filhos adultos delas faziam o sacrifício de não beber.

Mães amam seus filhos, mas não amam bebidas que os fazem ficar bêbados, fazendo coisas erradas, falando besteiras, ou saindo pelo mundo afora sem rumo.

Então, eu com meus nove anos de vida, sabia que quaresma não era temporada de brigar com os coleguinhas, xingar nome feio, cantar música de carnaval, dançar e mais uma porção de coisas que crianças estavam sempre fazendo.

O pior era que quaresma demorava muito a passar.

Ouvi minha tia dizendo que foi pedida em casamento e ia apressar a data para não coincidir com os quarenta dias de penitência cristã. O templo costuma ficar sem seus enfeites, flores coloridas e luz, muita luz. Eu também achava, que não combinava com a alegria da união matrimonial essa coisa de pano roxo encobrindo tudo.

Para culminar chegava (e chega) primeiro o domingo de Ramos iniciando a Semana Santa, para vir depois o tão aguardado domingo da Páscoa.

Para cada um dos sete dias havia de se fazer uma penitência. Só os adultos, mas criança que quisesse poderia experimentar. Em algumas localidades existe até hoje: o dia de não se comer carne; o dia de ficarem todos calados; o dia do jejum completo e até o dia de não trabalhar de jeito nenhum! Ou melhor, não trabalhar para se ganhar dinheiro.

No meio rural, existe um serviço inadiável: tirar leite das vacas. Então o dono do rebanho distribuía o leite para quem fosse buscar. Muitas vezes acompanhei meus primos e tios, levando vasilha para trazer o leite de fazer o Arroz Doce, que nesse dia era sagrado. Uma delícia que só comíamos depois de muito descanso da longa caminhada. Essa era uma tarefa divertida, já que ia muita gente caminhando pelas trilhas, passando por baixo de arame farpado, trocando ideias, alertando sobre touro bravo e outros perigos da roça.

Enfim o tão aguardado domingo da Páscoa chegava, cedinho e barulhento de sinos e Aleluias. O dia era de vestir a melhor roupa, ver procissão, ir à igreja, cumprimentar a todos lhes desejando feliz Páscoa!

O almoço em família era especial e a sobremesa... de chocolate, é claro, mesmo que não fosse em forma de um ovo.

Certa vez até fui verificar nos ninhos, se os ovos estavam diferentes, mas não.

Nem coloridos, nem doces ou maiores, conforme os desenhos dos livros. Apenas ovos, e assim mesmo vovó os achavam ótimos. Afinal, com tanta omelete que comíamos substituindo carne nos pratos quaresmeiros, agora poderia gastá-los à vontade nos doces maravilhosos que só ela sabia fazer!


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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".