julho 28, 2017

Era uma vez

Onde os cavalos limpam as calçadas comendo o mato.

Por Elisabeth Santos

Era uma vez um pasto verde cheio de éguas e cavalos, todos muito bem cuidados.

Dois desses muares decerto tinham espírito de aventura, pois não é que combinaram de ir dar umas voltas pelo mundo?

Certo dia, à noitinha, trocaram ideias:

_ Você acha que existe vida de gente como nós além desses mourões que nos cercam de arame farpado?

_ Olha... Até onde minhas vistas alcançam, parece que não, mas se lhe passou pela ideia, a mesma que tenho tido, poderemos pular pro outro lado e ir sondar.

_ Combinado!

Era uma vez dois amigos de quatro patas cada, que foram conhecer outras paragens. De campo a capão; de colinas a locas; de morros a grotas; de matas a estradões cobertos de poeira... chegaram a uma cidade nunca dantes conhecida por eles. Cavalgando pra ali e pra aqui, sem cela, sem freio, sem marca de dono nas ancas... vagaram livres comendo capim, bebendo das poças encontradas, sem a ninguém assustar.

Era uma vez dois cavalos!

Solto pela vida.

Estamos sem saber qual dos dois vai comprar a moto.

Passeando a pé ou a patas?



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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

julho 26, 2017

Parabéns pelo dia dos avós.

Por Elisabeth Santos

Para todos os avôs e avós, dedico essas inspiradas linhas.

Lucas & Beth.

_ Vovó, você tem 63 anos, já tá meio velha... Será que você já vai morrer?

_ Espero que não, menino. Não estou pensando em morrer.

E o "sabe-tudo" responde:

_ Mas todo mundo vai morrer, vó. Até eu!


...

A vovó:

_ Menino, olha lá no céu, a lua. Em pleno dia. São duas horas da tarde!

_ Vovó, é porque no inverno os dias são mais curtos e as noites são mais longas.

...

_ Vovó, você teve infância?

_ Tive sim, querido. Brinquei muito. Todo mundo teve infância.

_ Vó, eu conheço uma pessoa que não teve infância. Foi ela mesma quem me contou.

...

_ Pai, mãe, por que vocês dois não se aposentam igual ao vovô e a vovó para a gente brincar bastante? O dia todo, todo dia?

...


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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

julho 21, 2017

A fotografia

Por Elisabeth Santos
As irmãs.

Dia da foto das oito irmãs, com cinco de seus filhos, e oito de seus netos, na escadaria da Penha, comemorando a lavagem do Bonfim, se tudo isso fosse possível!

Rápido não iria ser; Muitas poses também não; Todo mundo de cara boa, olhando pro mesmo lado, só gritando GIIIZ.

Para formar a unidade do grupo, cada qual dava seu comando:

Do alto da escada postou-se a mais velha, sugerindo que ia ser tudo por ordem de idade. A segunda queria que a fileira fosse por ordem de tamanho. A próxima sugere que intercalassem cores das roupas para não saírem emendadas no retrato. Mais um palpite diferente: _Todas de ladinho, quase perfil, no disfarce das abomináveis gordurinhas. Quem sabe uma com a mão no ombro da outra? Talvez apontando sua descendência no patamar abaixo? E os pequeninos nos ombros dos primos mais velhos, também poderiam fazer daquela uma foto memorável... Eram ideias, e ideias que não acabavam mais, para dar nisso aí que estão vendo.

Se durasse mais um minuto a organização da foto, ia ser um branco total radiante: todos retornando ao que estavam fazendo.

Aconteceu, virou manchete, bem no dia do “Clube do Bolinha” em Colônia de férias dirigido só por pais. Nenhuma mãe pajeando no pedaço!

Muita bola, bambolê, banho de mangueira, pebolim, pingue pongue, etc. e tal.

Zap zap? Só ao final do dia, todos arrumadinhos para dormir acampados no casarão da grande família!

_ “É nóis!”



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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

julho 14, 2017

O amigo do meu amigo

Por Elisabeth Santos
Dia 20 de julho é o Dia do Amigos, essa é a Beth entre amigos.

Para melhor memorizar a questão dos números positivos e negativos nas adições, o professor passava este macete aos alunos:

Imaginemos que o sinal positivo (+) corresponda à palavra AMIGO, e o sinal negativo (-) corresponda à palavra INIMIGO. 

_ O amigo do seu amigo é o que seu?

_ É meu amigo! - Respondia a sala toda em alto e bom som.

Professor: _ Então mais com mais dá mais.

E continuava seu raciocínio:

_ E o inimigo do seu inimigo é o que seu?

_ O inimigo do meu inimigo é meu amigo!

E o professor concluía:

_ Então menos com menos dá mais também.

...

E para terminar:

_ O amigo do seu inimigo é o que seu?- perguntava o mestre.

_ Amigo do meu inimigo é meu inimigo. - respondiam seus alunos.

_ E então mais com menos dá menos.

Professor: _ Inimigo de seu amigo?

Alunos: _ Meu inimigo! 

...

Entretanto na vida pode ser tudo diferente, pois existem os amigos falsos e os inimigos que fazem “jogo duplo” (viram a casaca diante da possibilidade de uma vantagenzinha).

... E o macete também poderá não funcionar, quando tratar-se de uma AMIGA/AMADA... da sua amada.

E não funcionará também em outras tantas situações da vida.

 _ E não é?



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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

julho 07, 2017

Esperto

Por Elisabeth Santos

O menino ajudava a tia quanto às dúvidas sobre uso do computador.

A cada indagação dela, respondia prontamente com seus dedos ágeis no teclado.

Tia Benedita continuava sem entender o caminho das teclas, tamanha era a ligeireza do Estevão. Bem que ela tentava repetir sua façanha. Tentava, treinava, mas só conseguia dominar as manobras simples. Se aparecesse intercorrências, lá ia ela buscar ajuda. 

Estevão sentia-se um sábio em sua esperteza ligeira, ao mesmo tempo em que a tia sentia-se exatamente o inverso.

Numa quente tarde de primavera parecendo verão, o espertinho correu a mostrar à tia uma sacolinha, repleta de cigarras, resultado de sua “caçada”. Tia Benedita, pacata e cautelosa contou-lhe que um rapaz, apanhador de grãos de café, levou um jato líquido de cigarra no olho direito, e...

Titia não conseguiu completar seu relato. O “Esperto Estevão Ligeirinho” concluiu o raciocínio dela vaticinando:

_ Já sei! O apanhador de café ficou cego!

E a Benedita: _ Nada disso, menino.

E completando sua sabedoria “internáutica”:

_ Vicentino tirava tarefa nos cafezais todo ano, e já estava acostumado com cigarra que se alimentando de seiva, põe fora o que não é aproveitado pelo seu organismo. 

O líquido não sendo tóxico, assim mesmo poderá irritar a pele de quem tenha alergia. Ainda bem que este não era o seu caso. Então lavou bem os olhos nas águas límpidas da mina mais próxima e...

De novo o menino, impaciente, quis completar a narrativa da tia:

_ E ficou tudo bem, pois esses bichos não tem veneno!

_ A cigarra não tem veneno, mas o marido dela sim!

_ Quem? _ perguntou o sabe tudo.

E a tia bem séria, muito calmamente falou:

_ O cigarro, ué!




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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".