outubro 15, 2018

Convivendo com um passivo-agressivo, o livro, capítulo 5.2


Atendendo a pedidos, cá estou eu dando continuidade ao resumão do livro do Dr. Scott no qual ele combina experiências de consultório, de amigos e observações sociais sobre a convivência com um passivo-agressivo.

Lembrando que nada substitui a leitura do livro do próprio autor. Esse texto tem a intenção de ser a base introdutória para um assunto complexo que merece ser relido várias vezes durante o longo e duro processo de amadurecimento.


Eu sei que eu posso ser passiva-agressiva, mas você devia agradecer que passivo existe.

Falta de iniciativa


Quando colocado em check (mate) o homem mais passivo, dentre os passivos-agressivos, vai esperar que outros resolvam os problemas dele, ou que a coisa mude de figura por si só, ou que alguém que o resgate. Porque afinal de contas ele acredita que forças externas mudam as coisas. Nesse momento você vai ignorar os problemas fundamentais de personalidade e o socorrer, ou lhe dar estrutura para resolver a situação.

As mulheres do tipo salvadoras são especialmente atraídas por ele. Todavia seus esforços passarão desapercebidos perto das queixas e do intencional negativismo dele. Com tal, ele consegue usar a sua energia contra você.

Falta de iniciativa também indica outra objeção pela dependência e revela a preferência pelo conforto do status quo. O passivo-agressivo está sempre com um pé dentro e outro pé fora da relação. Assim sendo, ele nunca deixa o *relacionamento, não importando o quão incômodo ele se torne.

Porém, numa eventual retirada, ele vai fazer você ser a responsável pela falência do relacionamento. O que dará a ele a oportunidade de se vitimizar e de você se sentir culpada por deixá-lo.

A paciente do Dr. Scott resolveu investir no negócio do irmão que tem um fraco senso de prioridades e gerenciamento, ele não confia nos empregados. Ela conta que Jorge tem amigos mais inteligentes que ele, mas não pede ajuda e se pede, não as usa. O rapaz arruma várias desculpas para o fracasso, às vezes é o mercado, outras vezes é porque seu negócio é diferente de todos os outros, ou porque as pessoas cobram demais dele.


Pecado da omissão

paradoxo da dependência (passividade) e hostilidade (agressão) trazidos à tona pelos pecados da omissão de quando ele se recusa a te dar o que você precisa ou quer. Seja afeição, empréstimo, atenção, assistência, você verá o viés dele, mas essa é a real manifestação de raiva.

Ele resiste a você, te rejeita e você nem sabe o porquê. Ele te deixa do lado de fora no frio e sem alimento e com seus sentimentos machucados.

O passivo-agressivo vai te desapontar, ponto final. Ele é do tipo que está sempre uma hora atrasado, um real negativo ou a um quarteirão de distância*. Ele prometeu te ajudar na mudança, mas ele te falou que tem problema nas costas e por isso não pode te ajudar. - A palavra-chave aqui é prometeu.


Eu queria poder, mas eu não quero.
- Comprei essa camiseta em homenagem aos meus queridos PA.

A agressividade do namorado da Laura é escorregadia e ele a faz pensar que ela foi mal tratada por causa de algo que ela fez. Frequentemente ele "esquece" das tarefas diárias, mas quando confrontado ele vira as costas e não responde. Ela lembra que é falta de educação dar as costas quando outra pessoa está falando com você - uma criança educada sabe disso. "Eu não respondo porque você diz coisas absurdas." O Dr. explica que é um direito dela ficar com raiva quando foi desapontada.


Encontrando o equilíbrio

A pergunta que vale um milhão de dólares é: "como fazer ele mudar depois de tantos anos seguindo o mesmo padrão?" E a resposta é: encontrando o equilíbrio entre dar a ele uma noção de poder, independência e escolhas na vida ao mesmo tempo que o ajuda nos momentos em que ele se sente fraco e dependente. Quer seja em casa ou no trabalho, as consequências de cada decisão devem ser avaliadas por ele - talvez com sua ajuda.

Um jeito prático de fazer isso é lembrá-lo que ele tem escolhas - às vezes muitas - e que você não o está forçando a fazer algo. Ele já é um homem e deve ser responsável por sua vida, suas capacidades de sucesso e intimidade. Lembre-se também que não importa o quanto ele é despreparado, você não é a mãe dele! Não caia nessa armadilha, por favor.

Tomar decisões por ele só fazem ele jogar mais frustração sobre você. O melhor jeito então é devolver a responsabilidade para ele. No caso de Laura ela o lembra que ele vira as costas sem responder porque quer e que isso não tem nada a ver com ela. Outras pessoas conversam para chegarem num ponto comum, ou até decidirem por algo que é menos pior para ambos.

Diga coisas como: "se você se sente tão seguro a respeito disso (negócio, cinema, investimento) você deve decidir". Ele vai desanimar, atrasar a entrega, demorar a responder para testar a sua paciência, mas não há um atalho para a solucionar esse problema.

SE você tende a ser a gerentona, deixe ele resolver as coisas. Quanto mais decisões ele tomar sozinho, menos passivo-agressivo ele será.

No próximo capítulo ele vai falar da agressividade.

*Minha livre tradução de "an hour late, a dollar short or a block away."

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O livro: Living with the Passive-Aggressive man; Coping with the Personality Syndrome of Hidden Aggression - from the Bedroom to the Boardroom, de Scott Wetzler, Ph.D. Em tradução livre Vivendo com o homem passivo-agressivo; Lidando com a Síndrome de Personalidade da Agressão Encoberta - da Cama à Sala de Reuniões. Autor: Scott Wetzler, Phd.

outubro 12, 2018

“Criança feliz, feliz a brincar...”

Por Elizabeth Santos



Chegaram as férias escolares! Criançada em casa, na colônia de férias, na casa da vovó, esbanjando energia a rimar com alegria.

O mais novo, exibindo uma mamãe que crê seja só dele! Afinal, ela se encontra de férias também.

E lá vai a turminha pra ‘qui e pra ‘li. Seja a pé, de bicicleta, de carro, ônibus, avião ou barca... Barca?

A tia avó sugeriu o passeio para relembrar o tempo que era este o transporte mais utilizado entre a capital do país e a capital do estado da Guanabara. Menores de idade não entenderam direito, mas gostaram da possibilidade de conhecer a Praça Quinze, no Rio de Janeiro com prédios históricos contrastando com o comércio colorido dos ambulantes. A caminho no balanço das ondas, viram a ilha onde aconteceu o último baile imperial; navios e embarcações diversas; máquinas que reparam plataformas de petróleo; terra firme rica em relevo, com paisagem de muito verde e muito prédio. Comeram o lanchinho natural escolhido na estação Charita, idealizada nada mais nada menos do que pelo genial Niemeyer, para a terra de Araribóia! Uma inesquecível turnê com curiosidades diversas e muita alegria.

As brincadeiras em casa, em tardes chuvosas abrangiam da tradicional “casinha” aos desfiles de “modelos” em passarela imaginária; das “adivinhas” aos jogos eletrônicos; do “chá das cinco” feito e servido pelas crianças ao lanche especializado do Mc Donalds.

À noite histórias contadas pela tia avó, dramatizadas pelas crianças, traziam o sono, os sonhos, a reposição de energias...

....

No casarão colonial de Campanha, é o balanço de pneu pendurado na velha árvore que gera disputa entre os pequenos, a formar fila. Cada qual quer ir mais alto que o outro. O vôlei e a “pelada” nos campinhos do quintal servem para todas as idades, independente do tempo estar bom ou ruim. O jogo na lama, embaixo de chuva tem platéia garantida das janelas da sala. A barriga dói de tanta risada.

E o baralho? Todo dia é dia. Já virou tradição. Na faixa etária de oito a oitenta, muitas vezes o interesse supera o dos “games”.

E lá a galera tem primos e mais primos. Aliás, na casa da praia do tio Gilson também tem: Primo irmão, primo do primo, por parte só de pai ou de mãe e ainda os amigos deles que descem pro litoral em janeiro.

....

Assim chegou o dia da “despedida das férias”. Todos no atelier desenhando, pintando ou colorindo os convites. Era só este o assunto: encerramento festivo com brincadeiras e jogos coletivos de deixar vontade de reunir de novo; tudo por uma finalização marcante para a “volta às aulas”.

A lista dos “combinados” foi elaborada por e para todos se divertirem sem palavrões, encrencas, desobediências e disputas inúteis; o cardápio idealizado de comum acordo, voltado para atrair olhares e agradar paladares!


Pena não ter sido possível reunir todos os primos na mesma localidade, mas na “rede social” e em tempo real apareceram: a cidadezinha, o campo, a metrópole e o litoral, invadidos por música, conversas, e sorrisos de felicidade de uma temporada de lembranças mil.   




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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".  

outubro 08, 2018

Convivendo com um passivo-agressivo, o livro, capítulo 5.1

Atendendo a pedidos, cá estou eu dando continuidade ao resumão do livro do Dr. Scott no qual ele combina experiências de consultório, de amigos e observações sociais sobre a convivência com um passivo-agressivo.

Lembrando que nada substitui a leitura do livro do próprio autor. Esse texto tem a intenção de ser a base introdutória para um assunto complexo que merece ser relido várias vezes durante o longo e duro processo de amadurecimento.


Passivo-agressivo (adj)
1. Ser ou indicar ou demonstrar um comportamento caracterizado por expressões de sentimentos negativos, ressentimento e agressividade de maneira não acertiva - através de procrastinação e inflexibilidade.
2. Alguém fingir que está "pouco se fudendo" quando, na verdade, está se fudendo, e muito.

Subindo na esteira da dependência


O autor conta uma história antiga sobre um velho que durante uma tempestade viu uma árvore cair sobre sua calçada. Ele então decide pegar emprestada a serra do vizinho para cortar o tronco em pedaços. Pelo caminho ele segue ruminando. "Afinal de contas o cara pode achar que eu não devolverei a ferramenta, vai pensar que eu vou quebrar o equipamento. Ele não me conhece. Que tipo de pessoa esse sujeito pensa que ele é?"

Logo a elucubração toma conta da cabeça dele. Agora, indignado, ele tem certeza que o vizinho não emprestará a serra. Chegando à casa do vizinho ele bate na porta com violência. Ao abrir a porta o velho grita: "Tá bom, pode ficar com a sua porcaria de serra!"

Moral da história: O passivo-agressivo tem medo de ser dependente e se atordoa com o quão submisso ele pode ser. De qualquer maneira, ele tem raiva disso tudo.


Um olhar detalhado sobre a dependência

A dependência é uma característica inerente ao ser humano. Detalhadamente o autor descreve a relação de dependência do filhote humano, e o compara aos outros animais. 

Quando a criança aceita a diferença entre o "eu"
o "não eu" ela aprende a cuidar de si mesma.

A independência de um adulto para com seus pais, irmãos e cuidadores, mostra o quão maduro ele é para lidar com as tensões e os conflitos de separação e individualização. Entretanto, o passivo-agressivo se sente do fraco, inseguro e amedrontado, quer ele tenha 4 ou 40 anos. Pior que isso, ele se sente incompetente e carente.

conflito atinge em cheio o passivo-agressivo porque ele não consegue aceitar o que Scott chama de dependência mútua. Para ele, quando aceitamos essa condição humana conseguimos nos livrar da solidão, conquistamos parceiros mais generosos que, voluntariamente irão nos complementar.

Um pouco menos saudável, o passivo-agressivo faz de tudo para não se sentir fraco. Ao demonstrar carência ele acredita que outros vão tirar vantagem dele. O antídoto aqui não é ser mais independente, mas aceitar a dependência como algo natural.


O dilema da dependência

Se existe alguém que te coloca automaticamente - mesmo que não consciente - como uma figura de autoridade esse é o passivo-agressivo. Do mesmo modo ele, automaticamente se coloca numa posição abaixo, sem poder e dependente. Se sentindo inferior e com raiva a sua passividade-agressiva será reforçada.

O que ele vai fazer então? Encenar para ganhar poder e procrastinar por meses. Ou destruir que estiver por perto. Falar meias verdades ou mentir de vez em quando para se certificar de que você não terá a informação que precisa, ou ainda, irá se proteger contra o compromisso do relacionamento. *Veja a referência abaixo.

Ele acredita que está cercado de pessoas mais fortes que controlam o meio em que ele vive como se fosse uma criança.  Não importa o que ele faça, os outros não o protegerão nem darão o que ele precisa. Qualquer lembrança de que ele não está certo o lembrará de: ou você ou ele controlam a situação, nunca os dois!

Não se iluda, ao mesmo tempo que ele se rebela contra você, ele te coloca no poder antes de tudo. Ele pode brigar contra um adversário (você) para no final te vencer pela passividade-agressiva. "Aha, peguei você!" é o tipo da coisa da qual ele gosta. 


O passivo-agressivo se conhece através do que
os outros falam dele ao passo que se pergunta
"Quem você é para me dizer quem eu sou?" 

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O livro: Living with the Passive-Aggressive man; Coping with the Personality Syndrome of Hidden Aggression - from the Bedroom to the Boardroom, de Scott Wetzler, Ph.D. Em tradução livre Vivendo com o homem passivo-agressivo; Lidando com a Síndrome de Personalidade da Agressão Encoberta - da Cama à Sala de Reuniões. Autor: Scott Wetzler, Phd.

outubro 05, 2018

Criança Feliz

Por Elizabeth Santos 

Pinturas de crianças que convivem com a Beth.

Sempre no mês de outubro convido algumas crianças para o meu atelier de pintura. Organizado para recebê-las fica bem mais interessante: mesas recobertas, tintas laváveis, pincéis pequenos, telas, muitos papéis e pedaços de panos para as limpezas nas tigelinhas inquebráveis, com água. A cada uma das crianças empresto camisetas em tamanho único, pequenas para alguns, grandes para outras de modo que não se preocupem com respingos em suas roupas. Mal começo as primeiras instruções, e já tem gente iniciando seu quadro na maior empolgação. Dali a pouco, todas trocando ideias, um copiando o outro, miscigenando cores para ver a novidade, fazendo perguntas ou tagarelando. Na finalização da obra de arte espontânea, a maioria concentrada quer, orgulhosamente, assinar.

Juntas vamos então organizar a exposição nuns cavaletes enfileirados na varanda que recebe mais luz do sol. A expectativa é grande para a chegada das mamães, papais ou titias. As expressões de ansiedade, perguntam se o que fizeram está bonito. Algumas nem tiraram a camiseta vestida por cima da roupa.

Gosto imensamente deste momento!

A menina mais nova tem apenas três anos, e chorou por querer vir acompanhando o irmão. Sua mãe não queria traze-la receando que desse  muito trabalho, mas arranjei uma voluntária e ficou tudo bem. As idades variaram até doze anos, assim como os temas foram diversificados: de flores a carros de corrida; de casinha de boneca a picadeiro de circo; de paisagens de coqueiros a enormes prédios de incontáveis janelinhas (porque nas paredes que não apareciam havia janelas também, explicava o pintor mirim).

Ainda não sei quem ganhou mais naquela alegre tarde de férias...

Se as crianças, expressando suas vivências e mundo interior.

Se a mestra improvisada, diante de tanta espontaneidade e alegria.


Só saiu perdendo quem não viu, mas terá a oportunidade de imaginar nessas mal traçadas linhas, e nas ilustrações captadas nas fotos das pinturas originais.




 
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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

outubro 01, 2018

Convivendo com um passivo-agressivo, o livro, capítulo 4.2

Atendendo a pedidos, cá estou eu dando continuidade ao resumão do livro do Dr. Scott no qual ele combina experiências de consultório, de amigos e observações sociais sobre a convivência com um passivo-agressivo.


Lembrando que nada substitui a leitura do livro do próprio autor. Esse texto tem a intenção de ser a base introdutória para um assunto complexo que merece ser relido várias vezes durante o longo e duro processo de amadurecimento.

Não brinque comigo.
Eu posso passivo-agressivamente fazer você comer maionese estragada.

A metade da infância: crescendo e se adaptando

Scott começa falando da visão que esse garoto tem sobre o turbulento casamento de seus pais. Muitas vezes eles se comunicam atravez da criança, ou então falam como se ele não não estivesse presente na sala. Assim esse menino aprende a fazer guerras frias, pois ele se sente (e é) fraco perante o grande conflito familiar.

Existe uma taxa altíssima de alcoolismo entre os pais do homem passivo-agressivo, afinal o álcool é um meio de amenisar os confrontos. Especificando o problema, ele cresceu sem um modelo masculino adequado quer seja por ter um pai ausente, ou então, por este ser constantemente humilhado pela esposa.

Portanto, esse garoto se identifica melhor com sua mãe. Competir com o pai (referência ao Édipo de Freud) é um grande tabu para ele. Neste sentido, o menino vacila entre a identificação com um homem que ele não respeita totalmente e o afastamento de um pai apático, frio, ou ressentido.

Um dos pacientes do autor o procurou depois de rejeitar uma promoção que o faria mudar de estado. A decisão parecia ser acertada no primeiro momento, mas algo passou a incomodá-lo depois que contou para sua mãe.

John se lembra de aos 8 anos de idade ter ouvido a primeira comparação dele com seu pai. Sua mãe queria ser a mãe do futuro presidente do país enquanto dizia que o pai do garoto era um fracassado - contrariando as evidências dele ser muito bem sucedido na sua profissão.

Era comum ver John se sabotar por inibição ao decidir algo, além de ser reativo ao que a mãe queria para ele. Como não conseguia atingir as expectativas dela, ele deixou de tentar expondo dois problemas que ele deveria abordar:

1. Liberar a vontade de competir, ao invés de represá-la.
2. Firmar suas decisões ao invés de atender todas as vontades de sua mãe.

É claro que outras famílias terão problemas diferentes, mas esse é um cenário típico do início da vida do passivo-agressivo. Ou seja, a mãe dele é do tipo que toma conta da cena familiar. Ela se tornará o modelo para os relacionamentos amorosos desse homem que depois de alguns anos tende a se relacionar com mulheres sedutoras, mas controladoras e perigosas.

A distância emocional será extendida aos irmãos e irmãs, pois esses naturalmente implicam competição e inveja. Muitas crianças não gostam da ideia de um irmão, o problema é o fato dos pais do passivo-agressivo não deixarem ele demonstrar essa raiva. Por isso, ele usa de muitas artimanhas para não demonstrar raiva.

Os pais de um garoto passivo-agressivo terão vários motivos para levá-lo á terapia, entre eles: enurese (fazer xixi na cama), preguiça, se recusar a falar, a comer, rebeldia, desobediência, mal humor, teimosia, notas baixas, bagunça na escola, etc. Aliás, a escola será o segundo lugar onde ele terá problemas perante as figuras de autoridade. Sua baixa performance acaba por machucar ainda mais a própria autoestima.  

Continua no próximo post.



Aguarde os próximos capítulos.

O livro: Living with the Passive-Aggressive man; Coping with the Personality Syndrome of Hidden Aggression - from the Bedroom to the Boardroom, de Scott Wetzler, Ph.D. Em tradução livre Vivendo com o homem passivo-agressivo; Lidando com a Síndrome de Personalidade da Agressão Encoberta - da Cama à Sala de Reuniões. Autor: Scott Wetzler, Phd., New York, 1992.

setembro 28, 2018

Chuveiros

Por Elisabeth Santos


© Raphaelgunther

Ah que delícia uma chuveirada num dia quente, num chuveiro bom! Não sendo exigente em matéria de marca, chuveiros novos são todos bons.

É o que muita gente pensa, porém um dia repensa. Pois até o melhor desses aparelhos poderá entupir devido a problemas com a água que estiver caindo dentro dele. O problema complica quando qualquer um de nós, “os chuveiristas”, tenta tomar um bom banho no inverno, e uma gota teimosa desviando caminho cai gelada em nossas costas. Aprendendo a manha, sabendo de antemão que dali sai o pingo que causa arrepio, a gente entra no banho pelo outro lado. A gota teimosa bate no vitrô. Nossa esperança é que o vidro fique limpinho.

Com a continuidade do uso desse útil aparelho elétrico, acrescido da água barrenta do tempo chuvoso poderão aparecer outros jatos fininhos em direções diversas. Uma tortura em qualquer estação do ano.

A gente quer se banhar, e na verdade tem que pular de cá pra lá e de lá pra cá, para assim conseguir molhar o corpo. No momento da ação da bucha espumante, fechamos o registro d’água. Com esse tantinho caindo... Questionamos se seria mesmo necessária a tal manobra.  

Soluções amadoras descartemos todas: sopro, escovação, palito, desentupidor de fogão a gás, nada disso resolverá. Melhor trocar o chuveiro.

Quem fará o serviço será o bombeiro hidráulico. A escolha do objeto elétrico, na loja especializada ou mesmo no supermercado, poderá ser feita por qualquer um de nós que temos o hábito de boa chuveirada diária. Escolheremos pela quantidade de fileiras de orifícios que o aparelho tiver. Quanto mais melhor. Estaremos garantindo o banho molhado porque banho a seco... ninguém merece.



Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

setembro 24, 2018

Convivendo com um passivo-agressivo, o livro, capítulo 4.1

Atendendo a pedidos, cá estou eu dando continuidade ao resumão do livro do Dr. Scott no qual ele combina experiências de consultório, de amigos e observações sociais sobre a convivência com um passivo-agressivo.


Lembrando que nada substitui a leitura do livro do próprio autor. Esse texto tem a intenção de ser a base introdutória para um assunto complexo que merece ser relido várias vezes durante o longo e duro processo de amadurecimento.

Eu faço o que eu quero.

O homem passivo-agressivo: como ele amadurece desse jeito

O Dr. Scott escreveu este capítulo para todas as pessoas que vivem perguntando como esse homem ficou assim? É claro que cada pessoa é única, mas algumas teorias serão detalhadas por ele.

Paisagem e linhagem

Estímulo e genética são as responsáveis por quem somos hoje. Vários psicólogos aceitam o equilíbrio de forças entre os dois componentes formando temperamento e depois o caráter adaptativo.

A natureza se baseia em genética, DNA e trata do aspecto determinante do ser humano, ainda que não contem a nossa história completa. Existem linhas psicológicas que estudam características físicas que podem ser futuros determinantes de traços de personalidade. O social é trazido pela também pela família, mas ainda pela escola, pela igreja, pelos modismos e outros componentes do cotidiano. Os psicólogos investigam quais estruturas sociais criam essa personalidade e por isso focam no desenvolvimento infantil para descobrir essas influências.

A criança é o "pai" do homem adulto.

O passivo-agressivo ficou parado no passado. Emocionalmente frágil, ele tem essa falta de sensibilidade com os outros sendo que a auto defesa é o escudo de proteção dele contra o mundo.

Como ele se tornou passivo-agressivo: um resumo

Raramente um só incidente é a causa de uma situação complexa como essa. As histórias de vida de pessoas costumam carregar vários elementos memoráveis como: abandono, humilhação, o encontro com um herói, se casar ou receber um prêmio. Como essas histórias são contadas pelo próprio paciente, os psicólogos entendem que elas são muito passíveis de distorção. Vamos seguindo...

Outro ponto de ponderação do autor é nos lembrar que as histórias de infância desse homem são ainda uma percepção sobre o acontecido. Isso quer dizer que não necessariamente foi o que os pais dele fizeram. É fácil culpar os pais, mas eles não podem ser 100% culpados pela pessoa que esse homem se tornou.

O mais importante então é saber como ele se comporta com eles. deixando para segundo plano o relacionamento dele com irmãos e outras pessoas. Por exemplo, se ele "te dá uma gelada" - fica sem falar com você por um tempão - pode ter certeza que isso é um hábito que vem desde a infância o protegendo dos pais numa conduta adaptativa às situações do dia-a-dia.

Mais especificamente assim... O pai o manda obedecer uma regra dizendo "Quem você pensa que é para discordar de seu pai?", ou a mãe o humilha "Esses meninos de hoje pensam que sabem das coisas.". Machucado por seu pai, ou sua mãe, ele nega o problema ficando em silêncio e se expressando da única arma que dispõe, pois suas palavras não valem nada e ainda são usadas contra ele. Dessa maneira ele aprende que não demonstrar sentimentos aos amigos, colegas de escola e professores.

Com o tempo ele vai usar o mesmo tratamento com o marido, a esposa, o chefe, os colegas de trabalho, pois ele acredita que eles têm o poder de o machucar tanto quanto seus pais o fizeram. Agora temos um comportamento entranhado na personalidade do ser humano.

O autor dá um exemplo que pode ser passar desapercebido de muitos. Numa entrevista de emprego o rapaz fica em silêncio, encarando você criando um ar de desconforto entre as perguntas. A mulher então fala desenfreadamente tentando desfazer a parede de gelo que ele criou. Ela na verdade queria dizer: "Você não precisa ficar aí como uma peixe morto olhando para mim. Eu não sou a sua mãe."

Primeiras pistas: Começo da infância e passividade-agressiva

O primeiro problema que muitas mulheres enfrentam com ele é a inconsistência. Ele é autosuficiente, mas também é assustado e precisa que você o ajude. É o conflito pessoal entre a dependência e Scott promete falar mais sobre isso no próximo capítulo.

Este homem se lembra de ser incompatível e contrariado desde muito pequeno, justamente numa fase da vida onde somos totalmente dependentes. Inconscientemente ele espera ser tratado por outros assim como ele foi tratado na infância, com discordância. Nada é suficiente e as desilusões provam exatamente isso, ainda que elas sejam armadilhas criadas por ele. De alguma maneira ele acha que é merecedor de tratamentos especiais. Obedecer é pedir demais dele já que seus pais o controlavam demais, ou o castigavam sem pesar os motivos.

O passivo-agressivo começa sendo "o do contra",
especialmente perante as figuras de autoridades.


Outro exemplo bacana que abrange a possessividade é descrito nesse momento. Digamos que a mãe dele tenha sido muito controladora - esse é o fato que ficará na cabeça dele. Agora ele está com você e acredita que você seja igual a ela. O que ele faz então? Ele se mostra vago sobre quando vocês vão se encontrar no sábado. Pede que você aguarde um contato com os detalhes de horário e local para se verem. Perto do final da tarde, sem ter recebido nenhuma mensagem dele, você tenta ligar, mas ele não atende. Você deixa mensagem para que ele ligue de volta para você. Depois de algumas horas ele te liga nervoso porque você ligou várias vezes... pronto, aí está a prova de que você é possessiva!

Esses tipos criam relacionamentos insatisfatórios somente porque eles são muito familiares a eles. Enquanto criança ele se sentia inseguro ao ficar longe de sua mãe, como adulto ele vai ter vergonha de sua dependência. Assim começam os jogos de dependência versus poder que ele vai jogar até que se torne um adulto.

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O livro: Living with the Passive-Aggressive man; Coping with the Personality Syndrome of Hidden Aggression - from the Bedroom to the Boardroom, de Scott Wetzler, Ph.D. Em tradução livre Vivendo com o homem passivo-agressivo; Lidando com a Síndrome de Personalidade da Agressão Encoberta - da Cama à Sala de Reuniões. Autor: Scott Wetzler, Phd., New York, 1992.




setembro 21, 2018

Amamentando

Por Elisabeth Santos

Estando no tempo certo do desmame de sua filha, Sulamita teve alguma dificuldade. A criança não querendo largar o leite do peito, também não aceitava o alimento na mamadeira. Conversando com sua comadre, esta lhe deu a ideia de estar sempre vestida com blusa não decotada, e na cama usar só camisolas abotoadas até o pescoço. Sulamita, entusiasmada, seguiu o conselho da amiga contando com o resultado positivo. Quanto às blusas, deu tudo certo. Não vendo o peito da mãe e a mãozinha não o alcançando, aceitou outros tipos de alimentação.

Aconteceu que de manhã, saindo de seu berço, vendo a mãe dormindo, subiu em sua cama, e engatinhou até a altura do peito. Estava tampado pela camisola! Tentou desabotoar sem conseguir. Puxou a roupa da mamãe, mas não conseguiu abrí-la. Tentando outras táticas sem êxito, engatinhou até o fim da camisola longa e entrou por baixo ficando ali a mamar sossegada.

Sim, a jovem mãe tinha acordado e prestado atenção nas peripécias da filhota, se segurando para não rir.

Passados uns meses o leite secou totalmente e a menina já havia aprendido a comer frutas com suas próprias mãos e assentar-se à mesa de refeição com os pais, comendo de tudo.


Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".