janeiro 29, 2021

A primeira primavera

 Por Elisabeth Santos


_ Já se passaram as quatro estações do ano e eu completo um ano de vida!

A gente sente e lê no brilho dos seus olhinhos, o quanto ele está feliz com a grande aventura que é viver. Rafael não sabe se expressar com palavras, mas dá a entender aos que estão ao seu lado, o quanto gosta do nosso mundo.

Passou pelo período de cólicas, experimentou vacinas doídas, fez controle de desenvolvimento na clínica, foi ungido na pia batismal...

Atentou, e se encantou com outros seres vivos a quem foi apresentado. Divertiu-se bastante.

A cada novidade pareceu perguntar: - O que é isso?

A cada resposta ouvida, mas não compreendida, fez sua própria classificação através do contato com a boca. Aprendeu o sim e o não, imitando a cara da “gente grande” cuidadosa de sua integridade física. Aprendeu e imitou, mas não conseguiu ainda obedecer. A gente sabe que ainda não é a hora certa, mas não deixa de dar exemplo, e se alimenta junto com ele para mostrar-lhe... como crescer saudável.

E daí que o Rafael fez careta para algumas frutas, comeu bem os legumes, e com a própria mão levou à boca ovo cozido e carne em pedacinhos. Sem dispensar totalmente o leite materno, bebe água, suga a mamadeira para o complemento alimentar.

Quando o menino, segurando na grade do berço ficou em pé, mesmo que meio bambo, foi uma festa para os fotógrafos de plantão: madrinha, tios e avós corujas de carteirinha!

Ao seu balbuciar ininteligível todos foram interpretando o que gostariam de ouvir:

- O neném pronunciou meu nome!

- Não. Ele me chamou, isto sim!

- Que nada. Até bico fez para dizer “vovô”.

E todo mundo entendeu o que quis, e ficou certo disto.

Só sei que o filhote de gente é muito esperto mesmo. Sabe quando alguém vai sair, e estende os bracinhos para ir junto passear. Pede um pedaço do que estão a mastigar perto dele. Engatinha para perto de objetos não identificados como brinquedos. Enfim, se sente atraído por coisas diferentes.

É um explorador nato, que vai aprender através de uma curiosidade que parece não ter fim.

Parabéns criançada que faz um ano de vida no mês de agosto! Tudo há de ser ao gosto de vocês. São os meus votos!



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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

janeiro 22, 2021

Escrevendo novela

Por Elizabeth Santos

   


Se o produtor de um filme quer sucesso de bilheteria tem que estar atento às imagens que precisa mostrar; as necessárias a passar realismo ao espectador; às que apenas sugerem acontecimentos, e por fim, aquelas imagens misteriosas a despertar a curiosidade, e manter o interesse para assistirmos até o final.

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Então aparece um cara montando cavalo, escondendo um punhal no cano da bota, e pegando a estrada no galope ligeiro... e a gente deduz que vai haver briga.

Dali a pouco, num suntuoso cenário interno, de adornos, flores e jóias surge uma família de três gerações, e a conversa é sobre uma mudança de país. Fácil, fácil quem assiste ao filme sabe que ali estão pessoas ricas, e novidades surgirão.  

Se em determinada cena é mostrado o galã roubando um beijo da mocinha é para o público daquele filme entender, que ali está um personagem ousado. Nem precisará roubar outros beijos.

E daí, numa escuridão chuvosa, um vulto se move sorrateiramente, esbarra e derruba algo que pode ser uma lixeira! No cinema ninguém consegue disfarçar o susto, aliviado somente quando em determinada janela brilha uma luz, e...

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_ e... o quê?

Nestas poucas linhas, temos elementos suficientes para desenrolar um filme completo de, mais ou menos, duas horas de duração.

Novela não é assim! Novela é algo enovelado semelhante a um novelo de fio que poderá desenrolar e tecer tramas de todo e qualquer tipo sob um título, ou uma etiqueta só.

Novela tem várias horas de duração, é dividida em capítulos recheados de episódios, muito mais personagens, histórias dentro de uma história maior, e diversos tipos de enfoque.  Ela vai ao sabor da onda, digo ao gosto do(a) diretor(a), segundo o índice de audiência. Tem muitos patrocinadores, pois existem alguns embutidos que ofertam indumentárias, adereços, produtos perecíveis, serviços e marcas, que aparecem aqui e ali, e até inoportunamente.

Uma novela poderá surgir de um fato corriqueiro. Aos roteiristas caberá a contextualização, a continuidade, a finalização etc. O imprevisto está à espreita. Pode acontecer de um personagem secundário crescer na preferência popular e passar para primário. De um outro ter que sair de cena, mudando-se para local ignorado, ou até morrer de mal súbito, por não estar merecendo audiência.

Se o problema é prender a atenção do público, filma-se mais de um final. Daí algum meio de comunicação divulga o que será desvendado no último capítulo, e é só surpreendê-lo utilizando a segunda, a terceira ou a quarta opção, já pronta.

Outra coisa, que às vezes acontece é a novela precisar ser emendada devido à data propícia ao início da outra, que irá substituí-la. Mal (ou bem) comparando, pensemos no fio de uma linha fina, sedosa, de uma cor resplandecente emendado num fio de outro novelo, sem nada em comum com o inicial, só por falta de matéria prima... Pode acabar em um terrível desastre! Por isso mesmo, inicio de novela é tão monótono. Aparece um mundo de coisa que poderá gerar a liga com a extensão necessária naquele momento crucial: alguém mexendo numa velha caixa de fotografias, bem lá no iniciozinho dará origem a um assunto novo; ou uma simples paisagem; pessoa que retorna; ponto de vista, opinião, ou mesmo um sentimento que mude. Quase tudo será válido desde que se respeite o espectador.

Não vale mudar o que o personagem demonstrou ter como característica principal e virá-lo do avesso, para desvirá-lo em dez dias, só para seguir o calendário.

Seria como encher linguiça com carne estragada.



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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

janeiro 15, 2021

Sociedades Protetoras

Por Elizabeth Santos


Embora difícil, ainda encontramos pessoas altruístas, que se preocupam com animais domésticos abandonados. Creio serem aquelas em muito menor número que estes, e por essa razão ainda nos deparamos com tantos casos sem solução.
Por Elisabeth Santos


Embora as soluções para tais problemas venham surgindo, e sejam bem divulgadas nas redes sociais, parece estarmos longe de um “basta definitivo” no abandono. Quem possui cães ou gatos em idade adulta terá que sujeita-los à castração, se não deseja responsabilizar-se pela metade da ninhada. Eles, os filhotes, irão aparecer em algum local das proximidades, e tem chance da paternidade reconhecida sem DNA.

Gatos são bem mais difíceis de serem mantidos confinados. Ágeis e doidinhos por liberdade vão sair namorando pelo mundo afora, ao menor descuido dos seus donos.

Parabenizo Organizações Não Governamentais, que a cada dia tem novas boas ideias na proteção dos bichinhos sem teto, sem alimento, sem tratamento de saúde, sem donos responsáveis enfim.

Esses seres humanos munidos de compaixão, que colocam alimento e água às criaturas da natureza; montam casinhas a serem distribuídas em pontos estratégicos de áreas urbanas; recolhem animais de rua em canis; promovem feiras de adoção; cuidam deles como se fossem seus pets queridos!



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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

janeiro 08, 2021

Juro que vi e vivi

Por Elisabeth Santos

Não tive o gosto de conhecer meus ‘vôs paterno e materno que faleceram jovens, por assim dizer. Avó, só conheci a materna. Tínhamos contato apenas viajando de Minas para São Paulo, e vice versa. Quem nunca experimentou férias na casa da vovó, deve imaginar a coisa melhor do mundo infantil. Já disseram que avós são mães com açúcar, e eu afirmo que sim. Nos idos de 1950 a 60 minhas inesquecíveis férias foram com ela. Até na hora de passar iodo no machucado da gente que caia da jabuticabeira, vovó Mariana achava um sopro para amenizar a dor. Ela era doce, mesmo quando ralhava. Aquele tanto de neto e neta correndo de lá para cá em seu jardim, quintal e porão, de vez em quando esbarrava em suas orquídeas, e merecia o pito. Muito raro de acontecer, mas no desajeito da pré-adolescência, quando desconhecemos a extensão de braços e pernas, aconteceu sim.

 Ir à casa da vovó, acompanhando mamãe numa visita de fim de semana só para matar saudades, era um importante acontecimento. Eu curtia desde o momento de arrumar mala, acordar às quatro horas da manhã a pegar o trem de ferro, a viagem todinha pela serra da Mantiqueira, e... (suspense) a chegada à estação donde tomávamos lugar numa charrete e mamãe coordenava: - Rua Cinco, passando pelo centro, por favor.

Já existia táxi com cavalos dentro do motor a gasolina, mas criança que eu era, preferia o bicho de carne e osso a puxar minha condução. Acho que, naquele instante, por poucos minutos me identificava com aquele personagem ilustrando livro infantil, numa montaria, ou carruagem. Era de uma emoção vibrante jamais esquecida, percorrer os extensos quarteirões até o destino certo.

 Tocando a campainha, a porta se abria num clique.

Era minha querida vovó aparecendo no alto da escada de entrada, que simplesmente puxando um barbante, destrancava a porta lá embaixo. O truque estava no barbante que acompanhava o corrimão, e acionava o trinco a que estava amarrado. Como esquecer a magia desse instante?

As conversas de mãe e filha eram intermináveis, e eu ia direto ver a Benedita a cozinhar o almoço, arrumar a mesa, e ajudá-la a carregar mala e frasqueira para nosso quarto.

 Sempre levávamos ovos caipiras, queijos e doces da roça para Cruzeiro, que com ares de cidade grande já os tinha poucos a oferecer à população. Em troca trazíamos para nossa casa em Campanha roupas compradas prontas, enxoval e até sapatos.

Vovó era muito católica e tinha um terço que rezava com os netos todas as noites, quando eles já estavam em suas camas para dormir. Se, ao término, algum insone continuava acordado puxando prosa com um(a) primo(a), ela voltava com o terço. Depois do segundo, antes que completássemos o rosário, quem não havia pego no sono fingia dormir.

Tínhamos carinho e respeito por ela por todo o tempo que convivemos, mas não deixávamos de lado as traquinices e ‘vó Mariana parecia entender isto muito bem. Foram quarenta e três netos e netas a passarem pelo colo dela ao longo dos anos!

Para o meu enxoval pedi-lhe de presente, que fizesse uma toalha de crochê para meu novo lar. Passadas cinquenta primaveras cá está a toalha guardada com muito amor. Só a utilizei em ocasião especial como reunião de família e alardeava: -Vovó teceu para mim.

Quanta saudade!

Ela quem me ensinou a fazer o doce denominado Miscelânea, depois de uma reunião de família, quando sobrou uma tigelona de salada de frutas. Melhor explicando: -Minha mãe já havia morrido. Fui administradora da casa por uns meses. Não sabendo o que fazer com aquela sobremesa meio murcha, muito aguada, e ainda assim boa, perguntei à vovó Mariana como poderia aproveitar aquilo. E ela, criada em fazenda com pomar, e muitos irmãos ávidos por doces foi para a cozinha comigo. Juntas calculamos o açúcar cristal proporcional às frutas, despejamos num tacho de cobre e nos revezamos na colher de pau até encorpar.

- Que delícia!



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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

dezembro 25, 2020

Passagem de Ano

Por Elisabeth Santos

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A noite mais comprida do calendário anual acontece do dia trinta e um de dezembro ao dia primeiro de janeiro, pois vara a madrugada com muitos fogos de artifício colorindo o céu sem acordar os anjos. Sim, usamos beleza sem barulhão. Até que enfim deram um jeito de diminuir os decibéis que atormentavam seres vivos do nosso planeta.

Muitos sons e ruídos vamos ouvir nesta noite festiva: estouros de champagnes, músicas, cantorias, risos, e até algum beijinho estalado.

E as comemorações da virada do ano velho para o ano novo continuam. Seja com carnaval e samba; Folia de Reis e desfiles folclóricos; Rezas e orações; amigos e famílias reunidas; bebidas e comilança até o dia amanhecer... Cada qual como desejar, ou puder comemorar a entrada do ano que começa.

Hora de repensar, analisar, fazer médias. Momento de planejamentos, de resoluções e tomadas de atitude. O que queremos realmente? Afinal o que muda mesmo, se o sol irá nascer e morrer a cada dia?

Ano novo pode ser encarado de uma forma boa para todos e cada um: conservar com carinho tudo que foi bom; refazer o que precisar ser refeito; tentar atitudes novas, que estavam encruadas... enfim serão muitas as possibilidades, porém nem todas dependem só de nós. Assim mesmo vamos ser corajosos e não desistir facilmente do que nos faz bem.

De nada vai adiantar almejarmos um ganho extraordinário de dinheiro caído das nuvens. Não que seja impossível. Dependerá de muita sorte. Lembremo-nos então que seriam muitas sortes ao mesmo tempo: estar no local, no momento, com malas, força e disposição. Bem comparando seria... buscar uma estrela qualquer num céu de brigadeiro, e na noite seguinte acha-la no mesmo lugar em um segundo!





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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

dezembro 18, 2020

Vendo

Por Elisabeth Santos

Azaleias

Vendo o meu quintal!

Você aí que está a ler esse anúncio, preste bem atenção: o preço é módico para que o pagamento seja a vista. A vista é linda de cada um dos quatro lados que você olhe estando no centro do retângulo equilátero. De duas laterais você poderá ver campos, morros, algumas ruas, e casas o suficiente. Da terceira lateral, percebe-se a existência dos quintais vizinhos. E na quarta erguendo o olhar, você pretenso comprador, verá a varanda dos fundos da casa onde resido há vinte anos. No jardim de entrada existe passagem da rua para o quintal.

 Sendo um terreno em declive, e não sendo temporada de estiagem, a enxurrada desce sem empecilho e por um vão deixado no muro para isto, se espalha no pasto de cavalos de sela, e bois de puxar carro. Todos bons de serviço, não perdem tempo com namoricos!

  O quintal em questão, motivo do anúncio, tem a seguinte medida que eu mesma conferi: setenta por trinta e cinco passadas largas. Tem as seguintes árvores: meu limoeiro e meu pé de jacarandá versejados e cantados; encantado pé de uvaias; muitas cactáceas de belas flores, e saborosas pitayas; e duas preciosas nogueiras a produzir pecans.

 Aqui não falta: banana, goiaba, abacate e laranja. Cada qual em sua época, tem-se frutas o ano todo. Com elas vem: saís e sanhaços de cores variadas; as patriotas maritacas vestidas de verde, e uma seleção de canários amarelos. Sabiá laranjeira, o senhor João de barro, rolinhas e pardais formam a corte de sua majestade o sabiá. Gente, a melodia do sabiá, se junta ao chamado do bem-te-vi, ao trinado de tantos outros pássaros, que parece mesmo uma orquestra. Revezam-se do nascer ao pôr do sol trazendo alegria a todos.

Na hora da refeição reforçadora da passarada tem disputa perto do cocho de alpiste. Observo que os maiorzinhos ameaçam os pequenos. Não lhes dão sossego até que chegue outro que os enfrente.

 Quando o gato sem dono passeia em cima do muro, sabendo muito bem o que quer é o momento certo de todos baterem asas em fuga, numa revoada só.

Tucanos vem visitar-me para bicar e derrubar abacates ou comer a parte verde das nozes. São lindos em suas cores e aquele bicão, que a gente não sabe como consegue equilibrar no voo.

Também tenho andejos diurnos que nem meu lagarto teiú, e os noturnos parentes próximos da linhagem do gambá. Não me amolam, principalmente porque não tenho criadouro de galináceos.

Há um bom mostruário de fauna e flora a ser apreciado nesse quintal, e sobra espaço para caramanchão, churrasqueira, mesa e bancos fixos no chão de terra e gramíneas. Numa das árvores poderá ser amarrado um balanço feito de pneu. Em outras, é possível colocar a “rede de malha branquinha e dois a sonhar dentro dela”.

O perfume de rosas se espalha, juntamente com as borboletas.

A terra é fértil, e a dezoito metros de profundidade sei da existência de água potável.

Finalizando o anúncio afirmo ter o IPTU e toda documentação em dia para a venda de porteira fechada.

Tudo certo, para receber o(a) comprador(a)!

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A tempo: Relendo o anúncio de venda...RESOLVI NÃO VENDER MEU QUINTAL, POR NENHUMA OFERTA POR MAIS TENTADORA QUE SEJA!


Hibiscus



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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora resolveu escrever e já publicou dois livros. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia"


É teatro II

Por Elisabeth Santos

O aranha ataca outra vez.


A gente cá na Terra pensando em bomba atômica depois de tantos atos terroristas, e a chegada de um inimigo invisível trouxe espanto generalizado. Como pôde acontecer? Não temos espiões eficientes que poderiam ter trazido a notícia de uma ameaça biológica de humano para humano? Nossos avanços científicos, eletrônicos, de chips a inteligência artificial não deram conta de avisar-nos com antecedência sobre perigos que poderiam vir por costumes simples já arraigados na maioria da civilização e ora abandonados?

O que aconteceu mesmo? As respostas são diferentes umas das outras e vêm de todas as camadas sociais, crenças, costumes e regimes políticos do mundo.

Fico com esta opção:

- Já havia acontecido antes, mas ninguém pensou numa prevenção através de uma espionagem bem paga. Tipo... sei que em certas partes do mundo estão acontecendo mortes horríveis por sufocamento causado ninguém sabe porque, ou por quem. Vá lá investigar e volte para nos contar.

Aqui começa a inspiração para uma peça teatral a partir de poucas linhas bem escritas.

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Entra em cena, num palco iluminado, vestido de dourado, o homem bola rolando. Bate na parede, desenrola e espreguiça. Acabava de acordar para a realidade:

 - Certo organismo vivo minúsculo mantem todos os humanos presos em suas casas por tempo indeterminado e eu, o homem bola estava sem o que fazer. Cheguei aqui por puro acaso e tenho que fazer meu número pois há uma distinta plateia, embora de seres esqueléticos, parados e mudos. Parados, mas parecendo esperar algo novo.

Eis que surge no mesmo palco um personagem esquisito falando sozinho. Depois outro, e outro, e mais outro. As conversas deles não fazem sentido por não se encaixarem em idiomas reconhecidos pelos responsáveis pela peça teatral.

- Esta peça não está agradando...

- E, no entanto, nenhum dos esqueletos da plateia se manifesta...

- Claro que não seu Idiota. Não percebe que são de papelão. Todo mundo tá nos assistindo pelo celular. Ninguém pode sair de sua casa em tempos nefastos como os que estamos vivendo Zé Mingué!

_ Hei colega! Muita calma nesta hora. Não queiramos nós, pobres mortais, atrapalhar ainda mais a problemática. Voltemos ao trabalho.

_ Não acho sermos suficientes para a “solucionática”. Quero ajuda da Gisele, a espiã nua que abalou Paris; preciso urgente do sr. Zero Zero Sete aqui, e agora. Tragam também todos os bons detetives desde o que diz: - Elementar meu caro Watson, até o Bolinha de Eugen, com sua lupa e a frase finalizadora de buscas resolvidas... ”O Aranha ataca outra vez”.

Começa a busca dos sinais: onde, como, quando e o porquê do CORONA passar de animais selvagens para humanos. Essa foi fácil:- Na fome, estes engoliam aqueles!

No palco chegou um dragão a ser morto, e devorado por aldeões.

Cena tenebrosa!

Em seguida Gisele, usando seus conhecidos métodos da época em que valiam de alguma coisa, descobriu um grupo de biólogos e cientistas NERDS, que por falta de serviço no ramo foram atuar num seriado televisivo. Ela, Gisele, conseguiu o retorno deles aos laboratórios, buscando a biografia do novo vírus, tipo: onde nasceu, por onde passou, porque se hospedou com humanos. Descobriram tudo que era preciso, mas no exato momento de testar antídoto para liberar produção em massa... o material acabou.

Entra Zero Zero Sete. Foi atrás de quem poderia auxiliar. Precisou do reforço de seus colegas de todo o mundo redondo, achatado nos polos.

 Precisava pagá-los pois sustentavam famílias. Não achou o vil metal em lugar algum que estivesse ao alcance de suas poderosas mãos. Ouviu dizer que estaria na bolsa. Que bolsa? Nunca chegou a saber nem de que material era feita. Melhor dizendo, a coisa demorou tanto que o vírus foi hibernar, a doença esteve sob controle, e ninguém se interessou em investir em algo de lucro incerto, e demorado.

Daí a gente simples da aldeia Palco Iluminado, o Bola vestido de dourado e mais o Bolinha, se juntaram. No Clube do Bolinha meninas já eram aceitas. Uma delas, que comia melancia, ensinou a todos a devorarem vegetais e não animais. A coisa começou a melhorar a partir de então.

Foi a partir da mudança de hábitos, inclusive o pior deles que era juntar dinheiro sendo que ninguém o come... que nosso mundo voltou a florescer.

Escutei esse versinho, ou foi pura impressão minha: “Mundo, mundo, velho mundo. Se eu me chamasse Raimundo, seria uma rima... não uma solução”.


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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora resolveu escrever e já publicou dois livros. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".


dezembro 11, 2020

As gavetas

Por Elisabeth Santos


E chegou o dia de limpar e organizar gavetas. Pensei que levaria um dia. Já nem sei quantos dias estou a desenvolver essa tarefa. Só em uma gavetinha de penteadeira levei vinte e quatro horas divididas em dois dias. Primeiramente tenho que confessar que a tal gaveta já se encontrava entupida a ponto de nem fechar direito. Tirei pentes e escovas de cabelo pendurando-os onde pudesse usa-los sempre que pretendesse sair de casa. Tenho cabelos rebeldes. Se o tempo está úmido ficam ouriçados. Se o tempo está seco pioram, porque levantam voo ao primeiro vento. Em dias normais, submetendo-os às hidratações regulares, até que ficam assentadinhos. A “moça do tempo” falou na televisão que vem chuva lá na serra? Tenho que passar as dez escovadelas na cabeleira para que os fios agradeçam e fiquem com as ondas nos lugares certos, e não como se fosse dia de ressaca na orla. Por essa, e mais outras, onde vou compro outros tipos de escovas de cabelo, para teste. Também gosto de trocar por modelos novos, cores diferentes.

Voltando à arrumação da pequena gaveta achei: mini secador e chapinha. Será que ainda funcionam? São próprios para levar em viagens, e nem sei há quanto tempo não saio em excursão. Testei. Precisam de uma arribada. Separei-os para levar ao consertador qualquer dia desses, e volta-los aos devidos lugares.

E assim fui separando maquiagens, de pomadas e cremes hidratantes. Presilhas, elásticos, tiaras e tique taque próprios para os penteados, combinando com roupa e ocasião.

 Para o Serviço? Tudo discreto.

 Festividades e comemorações à noite? Brilhos, sedas e veludos.

 Tenho que explicar por que não tenho, nem uso prendedor de cabelo conhecido como piranha? Ainda bem que não.

 Enfim cheguei ao fundo da gavetinha para retirar e trocar o forro emborrachado que não deixa os pequeníssimos objetos como tarraxas de brincos, ficarem rolando pra cá e pra lá no abre e fecha diário, e constante, daquele esconderijo. Surpreendi-me com as miudezas ali encontradas: de grampos a parafusos caídos de algum lugar, uma gama de objetos, que eu já havendo dado como desaparecidos, havia comprado outros em substituição. Eram coisas que comumente se ganha de brinde ou no serviço de bordo do avião. A pasta dental para uso único, tinha virado pedra; Clipes para papel, enferrujados; gominhas grudadas umas nas outras; Fones auriculares, com fio enrijecido, e tantas outras coisas indispensáveis numa pochete de turista, que nunca sabe ao certo, a dificuldade a encontrar pela frente.

Saiba o leitor, que um simples grampo é capaz de destravar uma fechadura. Uma pastilha de menta substitui o creme dental para se dar “bom dia” à vizinha de poltrona ao amanhecer no ônibus, que leva a excursão. Uma gominha de borracha tem mil e uma utilidades. Uma moeda decide quem ganha no “Cara ou Coroa”. O colírio que substitui a lágrima poderá até desentupir narinas numa emergência.

E de gavetas médias, a grandes e pequenas, retirei coisas que poderiam ser hoje obsoletas das quis muita gente nem irá lembrar-se. Para que servem mesmo os enormes guardanapos de tecido igual ao da toalha, que outrora limpavam bocas sem batom? Substituídos por guardanapos descartáveis em diversos feitios e cores, poucos sabem do uso deles no colo em hora de refeições. Afinal muitos banquetes foram preteridos por churrascos à beira da piscina.

 E nos quartos estavam os peignoirs, literalmente abandonados às traças! Ainda são usados para recompor quem está acordando em pijamas de listras?

As gavetas dos armários da cozinha foram as que mais surpreenderam-me pelo enorme número de ferramentas de usos bem específicos mesmo. Os anúncios televisivos que me levaram a adquiri-las certamente foram muito tentadores. Cheguei a reconhecer alguns objetos como: furador de coco, ralador de pimenta, concha de servir sorvete, saca tampinhas de garrafas, e escorredor de arroz. Os demais separei em duas turmas. De um lado utensílios culinários que fizeram por merecer aquele espaço quando havia crianças, e idosos na casa. Os que nem eu, que marquei presença naquela cozinha por longos anos, consegui lembrar-me para que serviram um dia, se é que foram usados.

Essa atividade de hoje me levou a pensar:

- Há mais coisas engavetada aqui, do que a maior imaginação supõe!

- Só um isolamento social forçado haveria de fazer-me pegar uma tarefa dessas com bom humor!

Diriam meus descendentes:

- `Bora pro novo tempo!



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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora resolveu escrever e já publicou dois livros. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia"

dezembro 04, 2020

É peça teatral

Por Elisabeth Santos


Sempre estive curiosa para saber como, que jeito, de uma história singela, romance de trinta páginas no máximo, pode ser criada uma peça de teatro emocionante. Já vi muitas, mas levei algum tempo para optar pelo item é “olho clínico”. Sabe aquele texto, que o especialista olha uma única vez e diz: já estou imaginando o cenário, os atores (amadores e profissionais), diálogos, figurino dos personagens, o elemento surpresa e quem ficará com quem?

Pois é!

Pode ser, que assim de cara “o gênio” da encenação profissional ainda não tenha um final para a peça. Também, né gente, ele terá que ter algum trabalho. Caso contrário todos nós poderíamos fazer, no mínimo, uma peça de teatro. A da nossa vida, pô!

Então vou atrás de sugerir. Ninguém pediu, mas estou afim, e faço o que quero da minha quarentena e da sexta-feira santa confinada.

...

Entrou o Zé Mané afobado, suado e gritando:

- O mundo tá virado de cabeça pra baixo.

- Plantando bananeira? É isso que você quer dizer Zé?

- Não. Quem vira de ponta cabeça, e a gente fala “plantou bananeira”, é mulher vestida de saia. Esta roupa é atraída pela gravidade, então fica parecendo o pé da banana. É o mundo mesmo que tá virado!

- Vou ver.

Chegando na sala, Márcio olhou o quadro de cinco mil pecinhas de quebra cabeça pendurado na parede e... estava mesmo de ponta cabeça (se é que aquele mapa em forma de esfera pudesse ter Ponta e Cabeça). Tudo linguagem simbólica, pois o dono da casa já tinha matado a charada:- Dia anterior fora dia da faxineira que retirou o quadro enorme, cujo prendedor na parede era um barbante sedoso e comprido por detrás. Sem perceber, porque circunferência não sinaliza qual lado deverá ficar para cima... Enfim o mal entendido estava apenas começado.

Só que não, para espanto dos outros moradores da casa. Zé Mané afirmava ter visto coisas. Cada qual tinha sua opinião e tratou de externar.

O cenário muda.

A situação no mundo mudou emudecendo rostos estupefatos. Quem não saia, teve que sair para acudir. Quem saia a dar voltas ao mundo, teve que ficar morando no veículo condutor por terra, ar ou mar!

Falavam em corona-vírus. Ouvia-se coroa viva. Não existia plano B ou carta de baralho na manga. Todos prisioneiros de um contingente desconhecido queriam descobrir o que seria aquilo. Nostradamus? Apocalipse? Nova era? Era nova? Tudo junto misturado?

O maior dos curiosos foi consultar o oráculo sabendo de antemão que ele sim respondia perguntas. Quero dizer, o curioso arguia: - É isso? É aquilo? Aquilo outro?

Tipo vestibular e suas múltiplas escolhas.

Dessa vez o oráculo dizia, sem responder, e repetia sem parar:

_ Só dessa primeira e última vez, eu quem faço a pergunta que não quer calar: - O que vocês, os racionais, andaram aprontando aí no planeta Terra hein? Hein? Podem dizer que eu perdoo. “Quem diz a verdade não merece castigo” (o oráculo citava por não estar inspirado para usar sua sabedoria). Continuando deu a sentença: - Tratem de consertar o mal feito, e rápido!

Cada qual pegou sua vassoura varredora, não voadora para outro planeta, e foi arrumar a casa das gentes.

Voltando ao aconchego do lar, sr. Márcio e família, viram as pecinhas do quebra-cabeças, existente na sala de estar, esparramadas no assoalho. Começaram a catar para tentar recompô-lo.

...  

Não sei se ficou igual porque cochilei.





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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora resolveu escrever e já publicou dois livros. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".


novembro 27, 2020

Tempo Colegial

Por Elisabeth Santos

Foto: Marcelo Di Carli

Quem teve o tempo de colégio interno, algumas lembranças há de ter. Muito estudo, disciplina rigorosa, horário definido para cada atividade, professores exigentes, recreios curtos, longas esperas para feriados prolongados em casa, e amigos fiéis sempre prontos a burlar as regras gerais e aprontar alguma arte que nada tinha a ver com atividade artística.

Começando a descrever do último andar do prédio colegial, meu tio de idade avançada e memória nem tanto, contava aos sobrinhos netos ao seu redor:

“Lá no alto, perto da caixa d’água e do para-raios, tínhamos de espantar urubus da escada metálica existente do primeiro telhado ao seguinte e descermos de costas, segurando nos próprios degraus.

Ali era o nosso posto de sondar através de duas claraboias: a que iluminava o altar da capela; a da escadaria dupla a descer ao andar seguinte. Da primeira, espionando de cima para baixo e de fora para o interior do colégio, visualizávamos nossos colegas contritos decerto a orar pelas boas notas nas provas. Da segunda claraboia, chegávamos a ficar tontos observando as fileiras de alunos subindo ou descendo que nem correição de formigas ou desenho de Maurits Cornelis Escher.

Agora é hora de entrar sorrateiramente pela varanda e descer mais um ou dois lances de escada para acabar com a espionagem quase secreta, e adentrar na sala de aula como se nada tivesse acontecido. Se houvesse perguntas por parte do professor a resposta estaria na ponta da língua. O primeiro: - Estive no reservado. _ O segundo: - Fui à enfermaria. O último: - Fui buscar a caneta esquecida no dormitório.

Nas cabecinhas ocas, ideias para as próximas escapadelas:        

- Visita ao terreiro e caseiro.

- Banho nas águas do ribeirão onde ainda não era despejado esgoto.

- Uma pulada de muro para o bairro, e diversão com outros meninos a cabular aulas em:

_ disputa de Bafo (jogo de perde ganha de figurinhas); bolinha de gude; finca e até carrinho de rolimã emprestado, ladeira abaixo.

A frase que resumia tudo era uma tradução jocosa de ”Coeur contritum e umilliaatum Deo no espichet”.

- Couro curtido e molhado nem Deus espicha.



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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

novembro 20, 2020

Além da Imaginação

Por Elisabeth Santos


Discutiam certo dia, dentro da cabeça de alguém, “A PERGUNTA QUE NÃO QUERIA CALAR” versus “O QUE SERIA SE NÃO TIVESSE SIDO”. Já adiantarei ao leitor ansioso, que poderá baixar a ansiedade porque a contenda não deu em nada, ou seja... “NECA DE PITIBIRIBAS”.

Simplesmente eu no meu dever “de ver” e escrever para que eu mesma elucide, solto as rédeas da imaginação, que sai galopando por aí.

Direto ao caso que causou o maior furor, não sei aonde...

Parece-me que a tal PERGUNTA INCALÁVEL vem junto com as pessoas ao nascerem, pois TAM TA RAM a gente ouve ao fim de uma explanação alguma indagação inesperada que a ninguém dali é dada tanta sapiência a obter a assertiva resposta.

Crianças já nem querem saber como foram feitas, mas buscam onde se apegar. De vez em quando se interrogam “onde estariam” se conosco não estivessem. Para quem estiver achando que não conheceu infante assim, devolvo A PERGUNTA:

_ Por que são tão curiosos esses pequenos seres que não param um segundo sequer de OBSERVAR, MEXER, REMEXER buscando algo sem demonstrar ter noção do quê? – concluí depois de observar que crianças não demonstram satisfação de suas buscas. Não param quietas nem quando dormem. Sonham...

E onde estaríamos nós, o que estaríamos fazendo se não tivéssemos vindo a despalmilhar este chão?

Ao tornarmo-nos adultos poderemos perguntar:

_ E se eu tivesse seguido outro caminho estaria melhor de vida? - Não saberemos! Ao renunciarmos àquele trajeto poderíamos nem ter como, por que e a quem indagar. A fila anda, o tempo voa, retomar um caminho um dia preterido na opção de outro, é sem chance para muitos. Assim como a ponte a atravessar o caudaloso rio, as águas não serão as mesmas também.

Há quem concluiu da discussão proposta no primeiro parágrafo que o melhor mesmo é aproveitar o que nos é dado aproveitar, pois “reinventar” nem sempre será provável ou possível.

Há quem escolha viver de ilusão, e “TUDO BEM”.

E existem pessoas que amam uma polêmica e sempre estarão questionando o inquestionável. Pode ser que encontrem seu par pensando “o que seria se não tivesse sido”.

De acordo com minha experiência... o que existe mesmo é muito “SE” nas cabeças e falas das pessoas.

Desde Rudyard Kipling a chegar à conclusão de... Poderes “da existência a que dás brilho/ aproveitar todo o minuto teu/ sem desperdício algum, então, meu filho, / és um Homem de bem e o mundo é teu!”






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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".