No Brasil eu vi mulheres usando véus, em São Paulo você vê algumas, em Foz do Iguaçu mais. Ouvi falar de mulheres usando burcas, vi fotos em revistas e imagens pela TV, mas este ano foi a primeira vez que estive perto da situação.
No caso, não posso dizer que vi a mulher que usava a vestimenta, pois estaria mentindo. Sei que era uma pessoa por causa dos movimentos, mas ali não havia sequer um pedaço de pele visível. Nem mesmo a região dos olhos, pois estava coberta por um delicado tule preto. Usava luvas grossas nas mãos e meia preta apesar do calor da tarde de primavera.
Era difícil não olhar. Eu não queria, ninguém que estava comigo queria, mas simplesmente não conseguíamos ignorar. E foi por isso que trocamos alguns comentários. Poucos na verdade, porque a cena nos constrangia ao infinito. Eu pelo menos me sentia muito mal pelo ser humano debaixo daquele traje. Difícil também era não imaginar como seria ver o mundo através aquele véu. Ou não ver.
Pensar como devia ser limitada a vida de alguém que precisava se apresentar em público daquela maneira. Me recuso a acreditar que todas queiram, mas aceito que algumas possam ser capazes de preferir usar aquilo ao risco de prisão ou apedrejamento e morte por rebeldia.
A maioria delas é obrigada pelo marido religioso (fanático) a usar a burca. Outras usam por: pressão familiar (às vezes da sogra), obrigação religiosa e pressão social por causa do local onde moram.
Esta pessoa da foto tinha dois filhos, um menino e uma menina e andava atrás do marido que está ao lado dela na foto.
--
Isabela: designer, estudou psicologia clínica, especialista em tecidos automotivos, trabalha inclusive com análise de tendências de design e comportamento humano. Está morando fora do país, por isso tem coisas interessantes para compartilhar.



















