agosto 30, 2019

Pensamento Livre

Por Elisabeth Santos

    
Quando você está em lugares escuros você tende a pensar que foi enterrado.
Talvez você tenha sido plantado. Floresça.

Pensamento livre, leve e solto é o livre pensar, você pensa, logo existe então se manifesta. Se alguém o interpela deixe-o dizer livremente o que pensa. Por mais estapafúrdia e desconexa que lhe pareça a ideia ouça, e diga o que quiser a respeito, com todo respeito sempre. Se tem medo de dizer, escreva, gesticule, encene, faça a mímica que souber. Contanto que a mensagem seja passada, estará tudo bem. Caso contrário, tudo bem estará para o outro. É assim que funciona.

Há quem manifeste seu livre pensar sem ser arguido. Sendo uma provocação ou maneira de agredir verbalmente outra pessoa, vai levar o troco: poderá receber uma resposta à altura; ser ignorado; ou até mesmo deixado à vontade, pela insignificância de seu comentário diante daquela plateia.

Difícil mesmo é plateia ignorar provocação.

Livre arbítrio é o direito que temos de uma escolha que será sempre da nossa responsabilidade. O que é escolha do(a) outro(a) a ele(a) pertence e não cabe a nós decidirmos.

Adaptação, à situações difíceis, é uma arte. A montanha se apresenta em nosso caminho e resta-nos contorná-la e continuar caminhando. Para se atingir objetivos é o que se tem a fazer. “Quem não sabe onde pretende chegar, poderá acabar chegando onde não quer...”

Você continua livre, leve e solto em pensamentos e escolhas, desde que aceite consequências. Consequências não tem que ser boas ou más. Inesperadas, inadequadas, inoportunas, sim. Elas poderão preencher linhas e mais linhas de “in”. O tempo passando, ideias irão clareando, e pensantes terão oportunidade de repensarem.

Por isto mesmo dizem que “há males que vêm para o bem”. Os que repetem a frase devem ser pessoas que viveram momentos de difícil superação, para então descobrir: amigos solidários; ajudas de onde nem esperavam; oportunidades; chances de inovação, etc.

Há quem tenha paciência para esperar.

Enquanto aguarda, vive plenamente. Vai fazendo suas tarefas, cuidando da sua vida, convivendo em paz, aceitando as diferenças, não prejudicando o meio ambiente, etc e tal.

Aqui manifestei livremente meu pensamento sobre o que vivi e vivo desconhecendo o que viverei, ou não. Do futuro ninguém sabe!



Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".


agosto 23, 2019

Dia Especial

Por Elisabeth Santos



Hoje será o dia especial da “sobrinhada” comparecer ao atelier de artesanato dos tios, tios avós, e dos avós corujas legítimos, postiços e recém-ingressados na família que já triplicou de tamanho. Ufa!

Nada mal para um início de ano que teve réveillon na sala de jantar do Solar Carvalho com presença de sessenta familiares, sendo o mais novo com oito e o mais velho com oitenta anos de idade.

Começamos o dia com a adequação do ambiente para quem viesse participar do aprendizado e da confecção de objetos artesanais. Valerão as técnicas repassadas pelos membros mais velhos do grupo, mais as novidades sugeridas, e ainda o que for surgindo no momento de pensamento criativo livre. Será um “vale tudo” de trocas de ideias, técnicas inovadoras, invenciones, gambiarras e quebra-galhos que se fizerem necessárias no momento de confecção.

A turma foi chegando, vestindo as camisetas velhas por cima de suas roupas, escolhendo ferramentas, pondo as mãos de obra nas massas, que podiam ser: folhas de madeira ou de papel; pedaços de fitas, barbantes ou tecidos; argila, telas, tintas e pincéis em profusão; sucatas à vontade e a perder de vista...

À medida que aqueles artesãos davam uma peça como terminada, muitas outras surgiam acrescidas de plumas e paetês fazendo a diferença.

E assim chegou a hora do rancho ou do lanche indo todos de mãos lavadas para a copa/cozinha sovando outro tipo de massa, a comestível depois de assada. Pãezinhos, bolos, biscoitos e bolachinhas cobertas de suspiro; coando café, limonada, laranjada, e vitamina de banana com aveia e mel; fritando bolinhas de queijo para rechear os salgados. Não houve quem não participasse quando a pia ia ficando cheia de “trem para lavar”. Até o pano de prato passou de mão em mão!

_ Barriga cheia, pé na areia?

_ Quem disse Elenice?

A exposição saiu sim! Vieram compadres, comadres, padrinhos e vizinhas para ver! Eram duas estantes de três prateleiras cada, mais uma mesinha, e parede repletas de criatividade!
Em destaque um painel de meios limões e suas cascas simulando rosas.

E lá se foi uma tarde de família unida que jamais será vencida! Outras férias virão com os tradicionais: festival do picolé; campeonato de pingue pongue, pebolim, vôlei e pelada; jogos de tabuleiros, de cartas, e até Bingo quando todos colaboram com as prendas e ainda revezam na tarefa de cantar as pedras sem “marmelada”.





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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

agosto 16, 2019

Babitonga

Por Elisabeth Santos


Seja “terra em forma de morcego” ou “coisa na cor vermelha da pitanga” o nome soa engraçado, divertido como a “tonga da mironga do kabuletê”. Busco o significado para não escrever a bobagem de significado ignoto. Hoje a internet oferece meios de consulta rápida e eficaz. Ninguém precisa preocupar-se em desconhecer assuntos que não fizeram parte de seu currículo escolar. Vai à enciclopédia virtual, solicita ajuda dos demais navegadores, lê opiniões diferentes e faz uma média pessoal e intransferível, posto que, opinião é para ser assim mesmo. Cada qual tem uma, e defende a sua!

Estou tentando escrever sobre minhas idas a Joinville, cidade por onde passei em algum dia de turista, e passeei em dias de visita à pessoas muito queridas nos últimos cinco anos.

Lá eu tenho: onde hospedar-me; guia especial de excursão; tratamento preferencial, diferenciado e carinhoso. Imaginem só quantos motivos tenho, para sair de Minas e chegar ao estado de Santa Catarina numa boa, disposta e feliz seja de ônibus, carro ou avião! Pra que haveria de querer voltar a pé pra Minas Gerais como já cantaram em músicas sertanejas?

Cada vez que chego a Joinville surpreendo-me com uma programação diferente. Só me intriga o fato de estar na cidade e não ver o mar. Até que um dia fomos todos juntos ao Mirante. Do telescópio enxerguei, lá longe, uma faixa horizontal mais clara do que a vegetação. Era o Atlântico! Ainda não me dei por satisfeita.

O guia turístico gostava de surpreender a mim e ao restante da turma. Se ele nos perguntasse “aonde iremos hoje?”, a maioria ia responder: “tanto faz”. Assim sendo, pelas experiências anteriores, ele só dizia: _ Hoje almoçaremos fora!- e lá íamos nós soltando a voz nas estradas.

O restaurante é a beira mar, mas fica em outro município. Tá valendo! Comida muito boa e variada. Churrasco ou peixe, ou churrasco e peixe, como pedir o freguês.

E o mar de Joinville eu vi nesse ano de 2019!

Acho que foi para despistar... Passamos primeiramente no Parc de France. Apreciamos a paisagem do morro Boa Vista, o lago, os jardins bem cuidados, a arquitetura das mansões, e as aves bem à vontade ciscando pelo verde natural ou subindo nas árvores. Tudo perfeito!

Já no Bairro dos Pinheiros, um cheirinho de mar entrando pelo meu nariz, mesmo da janela do carro passei a observar o manguezal. Não sendo época da caça ao siri e caranguejo, havia poucas pessoas observando à beira do bioma ou “grande caldeirão”, o movimento dos bichinhos em crescimento. Se a maré estivesse alta, a água salgada estaria por ali. Como não estava, pude notar flamingos bem vermelhos, garças alvíssimas, outras aves em preto e branco tentando catar algum alimento. Ao meu olhar atento, mas desacostumado de litorais, não escaparam as árvores magras, desfolhadas, escuras contrastando com outras ainda verdes.

As construções, do lado oposto a esse, margeando a avenida, diferenciam bastante do que vira há pouco. Esse trecho é bem comercial com restaurantes, lanchonetes e bares para todo gosto. A maioria dos residentes por ali presta algum serviço nas marinas lotadas de embarcações, nos estacionamentos, pontos turísticos etc.

Almocei com apetite depois de andar pelo local, conversar com pescadores no píer, mirar a baía da Bitonga, idealizar outras visitas à localidade que é muito interessante. 

Tenho que ressaltar o bom atendimento recebido no restaurante de deliciosos pratos de frutos do mar. A variedade e fartura oferecida no cardápio bem temperado.

Afinal eu não fui ali só para ver e ouvir o mar de Joinville, mas também sentir seu aroma e gostinho peculiar.

Valeu!




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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

agosto 13, 2019

Bons livros


Por Elisabeth Santos


Recebi de presente dois bons livros de poesias e curti ambos. Bráulio Bessa é o autor de “Poesia que Transforma”. Ele poeticamente fala de um recomeço para todos que desejam um novo tempo em suas vidas. Inicia pela vontade de fazer diferente, de não ficar somente na vontade, e realmente tentar! Bem próprio do nordestino brasileiro que nunca desiste.

O poeta apareceu nas redes sociais para valorizar as diferenças da população brasileira, a ocupar enorme território. Todos tão semelhantes, assim mesmo vítimas de desconfortável preconceito que tentava fracionar a Nação, jogando uns contra outros por nada de concreto.
Tive um pouco de experiência em ver, ou sofrer preconceito por ter família vinda de Aracaju (SE) para Campanha (MG).

Aconteceu de eu ter nascido no Sul de Minas. Poderia ter nascido em Sergipe, pois dois de meus irmãos pouco mais velhos são naturais de lá, e o seguinte foi trazido no ventre de minha mãe. Enfim... meus pais trouxeram muito de onde estiveram: um pouco da cultura, boas recordações do povo, transmitindo aos filhos o que aprenderam de melhor no período em que moraram no menor dos estados brasileiros. E ainda ensinaram a mim e minhas irmãs mais novas: o alfabeto de lá, o sotaque e linguajar comum; sobre as belezas do nordeste, a maneira livre de bem viver numa cidade litorânea, a simplicidade de conviver junto à natureza, o tanto que tudo isto pode ser verdadeiramente saudável para o corpo e a alma de cada um de nós!

Acho que isso me tornou meio nordestina, apreciando cordel, tapioca, coco, rapadura; o balanço de uma rede, o canto do corrupião se juntando à gritaria do papagaio; até a sobrevivência com trabalho farto e água potável escassa aprendi!

Li com muito gosto “Poesia com Rapadura” (2017), e não saberia escolher um texto para citar aqui. Então, e por tudo descrito acima, uso de permissão poética para compor meu versinho:

Pode ser que eu vá pra frente devido a uma topada,

Mas não me esqueço de ser feliz por vitória conquistada,

Mesmo sendo sonhadora, e meu sonho não ter preço,

Quero que chegue a mensagem que lá vai sem endereço:

Acredito na amizade, que é amor com fraternidade,

Quando todos se dando as mãos

Fazem do cordel uma canção...

Em formato de coração!




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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".   

agosto 11, 2019

Dia dos Pais no Brasil

11 de agosto de 2019

Hoje é domingo, Dia dos Pais no Brasil e uma frase chamou a minha atenção quando passava os olhos numa rede social.

"Vocês são a ração do meu viver."

Eu sei bem o que são essas agruras de um corretor ortográfico que não sabe bem o inglês, nem o português, e muito menos quando uma palavra estrangeira é colocada no meio da frase escrita na língua nativa.





***

Há uns 25 anos atrás, quando a culpa dos equívocos era só nossa, uma menina em idade escolar (não eu) escrevia no dever de casa.


"O cão comeu a razão."

Durante a correção dos cadernos a professora foi ao âmago da consciência psicológica para responder à criança.

_ Atenção, pois se o cão comer a razão ele fica doido!



ID 954545
 
 

Uma boa noite aos pais brasileiros!




Convivendo com um passivo-agressivo, o livro, capítulo 7



agosto 09, 2019

De supetão


Por Elisabeth Santos

Pegaram-me de surpresa hoje. Ouvi e atendi o interfone: _ Oi Arlete, sou eu Cristina. Preciso muito falar com você!

Não acionei o trinco eletrônico do portão, mas fui ver se era a Cristina que eu estava pensando. Pela tela do circuito fechado pela câmera de segurança seria difícil identificação sem zoom. Era uma desconhecida. Aproximei-me dela através do portão e escuto esta:

“_ Pelo amor de Deus, me ajude. Minha filha tomou veneno, foi levada pro hospital de Varginha e eu preciso ir pra lá. Não tenho trinta reais pro ônibus, o Serviço Social da prefeitura já fechou. Pedi naquele comércio ali e eles disseram para eu pedir emprestado à senhora, que me socorreria.”

Eu tinha reparado que ela tremia muito, pois seus braços estavam bem perto de mim, atravessados na grade de metalon da entrada do jardim. A única coisa que consegui responder com lucidez foram as seguintes palavras: _ Não precisa pedir pelo amor de Deus. Vou ajuda-la.

Entrei em casa a procurar uns trocados porque costumo usar débito em cartão. Gastei uns minutos, voltei a entregar os trinta reais à desesperada pedinte, que ainda nervosa mostrou-me a perna com uma veia “pulando” e... sumiu.

_ Deus lhe pague, Deus lhe pague! – Foi o que consegui ouvir. O esperado: _Devolverei qualquer dia desses!- Eu não ouvi não!

Aí... o pessoal de casa perguntou-me sobre o que aconteceu e respondi-lhes o que escrevi acima. Também falei para olharem a gravação na câmera.

_ Conheço essa larápia velha de guerra. Vive de trambique. - disse um.

E eu, a vítima, tive de ouvir algumas admoestações, reprimendas ou pitos mesmo.

O que vimos juntos na câmera foi a veracidade dos fatos por mim narrados; e mais o antes, e o depois do “conto da vigarista”. Antes de tocar o interfone no portão da casa, posto que, veio preparadíssima pro golpe de mestra, comprimiu com as duas mãos a veia da panturrilha direita. Está lá no filme. Isto deve ter causado a tremedeira necessária para que eu cresse em seu palavrório, talvez tenha até provocado as lágrimas que brilharam em seus olhos.

E eu?

Eu fiquei naquela de: _E agora Maria José? Você, tão experiente, tão alertada pra esse tipo de coisa... cair que nem uma patinha na lagoa?

Não tenho justificativa a não ser esta: _ Fui pega de supetão!


Elisabeth Santos / Fevereiro de 2019




Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".   

agosto 02, 2019

Pois é e Sei lá

Por Elisabeth Santos 




_ Meu bem, a luz do porão dormiu acesa.


_ Então não dormiu.


_ Pois é...


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_ Meu bem, por que você saiu da sua oficina à noite,e não apagou a luz?


_ Sei lá...


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Num certo dia o “SEI LÁ” e o “POIS É” resolveram ficar amigos e andarem juntos na mesma frase, ditos pela mesma pessoa. Não deu certo. Soavam contraditórios.


Depois de inúmeras tentativas frustradas pareceu que aquela amizade haveria de vingar.


_ Será?


_ Pois é...


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“Pois é” é uma afirmação inconformada!


Quem a diz aceita, que aquilo não vai mudar mesmo, então sacode os ombros num “QUE IMPORTA-ME LÁ”. Quem é entendido de colocação de pronome e sabe que o “que” o atrai, tem que saber também das minúcias do linguajar popular. Nunca que um _ “TÔ NEM AÍ” (acompanhado de chacoalhar de ombros) será o mesmo do “QUE ME IMPORTA LÁ”! Até mesmo porque ali, naquele determinado momento, ninguém está na importação ou exportação de alguma mercadoria.


“Pois é”... ou Pois foi... ou Pois será... Enfim, a língua é móvel (e os odontólogos que o digam) acompanha o povo, o momento histórico e a região em que cada qual nasceu.


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Se algum dia, alguém nascido e criado na tradição mineira estiver a escrever um Cordel, e o nome dele for José... logo, logo poderá também ser conhecido por ZÉ do CORDÉ. Então um forasteiro chegando ali nas Minas Gerais a indagar do senhor José do Cordel provocará risos na rodinha de indivíduos a prosear na pracinha da igreja.


Vai bem aí um “sei lá” ou caberia melhor a expressão “pois é” ?


_Vai saber...





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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

 




julho 26, 2019

Na feira

Por Elisabeth Santos

Cena do filme infantil Charlotte's web (1973).

As crianças assentadas no sofá da sala assistiam juntas “A aranha e o Porquinho” e a mãe na cozinha estourava as pipocas ouvindo a história do Uilber. De tanto ver o filme todos da família, já cantavam juntos as músicas do sucesso cinematográfico. A preferida era “A feira é uma verdadeira gostosura, que fartura!”


Aliás que feira não é? Entretanto no filme, que tem uma menina com importante papel, quem rouba várias cenas é o Tempton, um rato divertido com uma voz rouca. Vilão dos animais da fazenda torna-se amigo para manter-se na boa vida. Afinal vai alimentar-se das sobras de ração do estábulo, da pocilga, granja etc.


São muitos os tipos de feira no mundo e a mais comum no Brasil é conhecida como “Livre”. Nela feirantes ocupam barracas desmontáveis para vender hortifrutigranjeiros, cada dia da semana num dos bairros da cidade.


A feira que aparece no filme citado tem de tudo, pois o produtor sai do campo levando produtos e animais para expor, negociar, e até participar de alguma competição. O fabricante de implementos rurais exibe as últimas máquinas agrícolas lançadas no mercado. As famílias têm diversões à vontade nesse tipo de feira. Nas barracas de alimentação também há diversas opções, pois um evento desses pode durar um dia ou a semana inteira.


A extensão das feiras nacionais e internacionais de produtos industrializados não se compara com as de cidades turísticas que mostram arte e artesanato, por exemplo. Entretanto pessoas que apreciam novidades podem gostar, tanto de umas quanto de outras. Numa feira se tem oportunidade de “ver com a ponta dos dedos” que não tem olhos, e até de provar ou fazer teste drive. Para completar, os visitantes vão-se embora com duas sacolas: a primeira com as compras efetuadas; a outra lotada de amostras grátis, ou simplesmente de brindes.


As ditas amostras servem para a gente testar efeito positivo... e anotar na lista das próximas compras.


O brinde serve para a gente estar sempre lembrando... “A feira é uma verdadeira gostosura, que fartura, que fartura!”

Cena do filme infantil Charlotte's web (1973).

Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

julho 19, 2019

O escritor e o leitor

Por Elisabeth Santos




Às vezes sou leitora, outras sou escritora, quando não tenho as duas funções de uma vez só. É possível sim! Tenho como obrigação ler de maneira atenta o que escrevi numa revisão de texto, provável modificação ou até mesmo correção. É aí que entra meu olhar crítico e perscrutador de escritora (Aquela que é, sem nunca ter sido... profissionalmente no caso). Gosto de ler e também de escrever. Para as devidas alterações nos meus textos não dispenso auxílios. Peço ajuda ao corretor de textos, mas não vou aceitando tudo que ele sugere. Aprecio uma ponderação ou simples análise contextual. Tenho um estilo ou mais. A mim nem interessa saber se ora escrevo de um ou de outro jeito. Escrevo o que gosto, tenho vontade, oportunidade ou inspiração momentânea. E sobre esta última reforço meu esforço: não perder nenhuma a mais do que as numerosas vezes que me senti inspirada, veio a vontade, faltou oportunidade e aí... “dancei”!

Outro tipo de auxílio que utilizo é a anotação do que me veio à cabeça, para desenvolver o tema posteriormente, mas nunca vem do jeito que pensei primeiro. Não dou importância também a este detalhe, senão nada escrevo nunca. A engrenagem é misteriosa em seus meandros então é tratar de dar início à atividade. Incrível como funciona! Sento em frente ao computador (não escrevia em máquina) e dou início até sem saber pra onde sigo. Nas primeiras frases é que fico sabendo o rumo a tomar. Presto atenção ao que já tenho, busco o que preciso e acrescento o que ouvi aqui e ali. Guardo para o desfecho uns lances que surgem de supetão. É o elemento surpresa, imaginativo, jocoso, moralista, ou seja lá o que vem em minha ideia. A verdade, que pode não ser inteira, é que nem sempre sei de antemão “pra que lado vai o desfile e o que a banda tocará”. Dizem por aqui: quem não sabe o caminho a seguir, poderá acabar chegando onde não quer. Comigo não, pois me policio devidamente. Aprendo todo dia e cada dia mais um pouco. Com o radialista Boechat aprendi que as pessoas tem que ouvir coisas do seu interesse. Vou variando assuntos, mas os temas se repetem, pois estou atenta ao momento que vivencio. Não adianta focar, por exemplo, só no que os políticos estão aprontando. Tenho que deixar ser visto o facho de luz no fundo do túnel da vida dos seres vivos. Sinto que posso levar ânimo e esperança apenas repetindo: 

“_Toque o barco”!

Elisabeth Carvalho Santos/ 2019        


Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".    


julho 16, 2019

O Castelo e o São Jorge


Por Elisabeth Santos

Estátua de São Jorge na praça do Castelo e a Beth admirando a magnitude da construção.

Na noite em que as crianças pediram ao pai que lhes contasse a história do São Jorge residente na lua cheia, e quanto devia sentir-se apertado na minguante, aquele adulto ficou sim sem saída: ou contava tudo o que ocupava sua memória, ou inventava uma nova história para o Santo Mártir do catolicismo que teve seu título cassado, e depois devolvido.

O que não poderia acontecer de maneira alguma: as crianças ficarem sem a hora da história antes de dormirem profundamente. Caso não fossem embaladas por história verdadeira, ou fruto da criatividade do contador, poderia acontecer de simularem tourada com um cobertor, guerra de travesseiros, ou cabaninha do colchão de espuma, impedindo que os adultos da casa dormissem com tanta algazarra.

Ninguém ali poderia perder hora de escola ou trabalho na manhã do dia seguinte!

_ Jorge, que nasceu e foi criança que nem vocês- começou o papai sem saber como daria desfecho ao assunto- cresceu aprendendo o catecismo, quando jovem escolheu ser soldado, e assim conseguiu ser ótimo guerreiro na defesa do reino onde morava.

Era uma pessoa de bom coração, e dois ou três episódios da sua vida confirmam isto: Era fiel à família real; doou aos necessitados a enorme herança recebida do seu falecido pai; e certa vez salvou pobres indefesos aldeões dos ataques de um dragão do mal, que exigia sacrifício de vidas não sabemos para que tanta maldade.

Assim era o homem, e o mito, denominado Jorge.

A igreja o reconheceu naquela vida de santidade, fazendo o bem, e só muito depois ficou sabendo que povos da África identificaram as manchas na lua cheia como retrato de Ogum também guerreiro.

A Inglaterra escolheu para sua bandeira a cruz de S. Jorge; muitas cidades o têm de padroeiro, e o time do Corinthians o elegeu seu patrono.  Muitas homenagens são prestadas em todo o mundo por povos que pediram a intervenção do Santo em momentos de luta contra algum mal e obtiveram a graça.

E eu, afirmou “O melhor contador de histórias para crianças dormirem como Arcanjos”, fui visitar o Castelo de São Jorge em Lisboa. Não encontrei o anfitrião. Seus vestígios devem ter sumido a cada reconstrução através dos séculos! Acontece que o imaginário coletivo leva muita gente a procura-lo lá, e acha-lo somente popularmente, em suas crenças, lembranças passadas por gerações a gerações.

E assim São Jorge resiste bravamente até hoje!   

...

Mas ali, naquele quarto de seis crianças, nenhuma ficou acordada para questionar o pai.

_Ainda bem que dormiram! Eu não saberia dizer se no tempo em que Jorge nasceu na Capadócia ainda existia um dragão de sangue e osso...
Em sentido horário: arcos e colunas do salão principal do Castelo de São Jorge, o teto de uma das salas, o portal de entrada, dinheiro e os azulejos da época em Portugal.


Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".