outubro 16, 2012

Reciclando roupas nos States

Em geral, brasileiros vem aos Estados Unidos para comprar. Chegam com as malas vazias e voltam com elas estufadas de coisas, sem contar os que precisam comprar malas extras para colocar todas as compras.

Muitas vezes deixam para trás roupas e sapatos velhos, trazidos especialmente para jogar fora na terra do tio Sam e driblar a cota de 500 dólares... ops, contei.

A minha dica é, ao invés de jogar fora no lixo do hotel, deixar nos clothing drop off espalhados por todos os cantos das cidades americanas. Aqui eles fazem o que chamam de reciclar.

O que consiste basicamente em agrupar por categoria e público para vender nos países desafortunados. Por exemplo, "podemos entregar um par de tênis limpo para um africano necessitado por 34 centavos de dólar... um casaco pode encontrar seu destino em alguém que passa frio no Paquistão por 12 centavos. Este valor inclui o transporte para chegar ao destino final."

No caso do container da foto, o dinheiro arrecadado vai para uma instituição que ajuda famílias que estão em situação de risco.



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Isabela: designer, estudou psicologia clínica, especialista em tecidos automotivos, trabalha inclusive com análise de tendências de design e comportamento humano. Está morando fora do país, por isso tem coisas interessantes para compartilhar.

setembro 18, 2012

Mudança de Carreira

© Bellemedia | Dreamstime Stock Photos

“Siga seus sonhos” é a resposta que Ron Clark dá a seus alunos no filme que é baseado na vida desse professor americano. Pensando sobre suas aspirações, ele decide seguir seu próprio conselho e assim entra para a história trabalhando em uma escola no Harlem, o bairro negro de Nova Iorque.

Mas a decisão da mudança de carreira vai muito além de respostas românticas. O dilema é profundo e diz respeito a seguir o coração ou o bolso? Quando deve-se correr atrás de um sonho? Por quanto tempo deve-se insistir?

Na internet, encontra-se muito mais histórias de pessoas que mudaram radicalmente suas vidas. Quase ninguém fala daquelas que fizeram pequenas correções de rota na profissão. Mas ao mesmo tempo que os blogs mostram pessoas que seguiram a vocação com sucesso, a internet gerou tantas possibilidades que tudo ficou muito mais difícil. Nunca houve tantas opções, nem tantas dúvidas. Sendo assim, desista de respostas fáceis.

Algumas das melhores dicas do momento tem relação com a personalidade. Se a pessoa é criativa ou independente vai ter mais sucesso seguindo seu próprio caminho, ou seja, trabalhando em algo que possa se expressar mais livremente. Se lida bem com circunstâncias novas, vai ter menos problemas ao mudar de profissão. O mesmo vale para os mais flexíveis ou resilientes, eles tem mais chance de alcançar seus desejos seguindo uma intuição.

Ao contrário, uma pessoa com baixa tolerância deve recorrer a uma solução mais segura. Buscar algo próximo do seu desejo dentro da empresa atual. Pode também começar com uma consultoria ou terceirização. Deve realizar este sonho sem a preocupação de “fazer dinheiro”, como um passa-tempo ou voluntariado. Assim é possível sentir se o plano é viável e conquistar a confiança necessária para mudar de vez.
     
Lembrando que, nenhuma das sugestões acima torna fácil o começo de qualquer profissão. Ao que se sabe, a satisfação no trabalho tem mais a ver com a criatividade da pessoa, a autonomia e o domínio que ela tem da função. Um trabalho perfeito que pague o quanto você quer, não passa de um mito.

 * A História de Ron Clark, EUA, 2006.


Escrito por Isabela, publicado no blog R|R Gestão de Pessoas em setembro de 2012.

setembro 11, 2012

Mudar de emprego, será que é a hora? - parte 2

© Alex Kirichenko | Dreamstime Stock Photos

O sentimento de tristeza das noites de domingo indica que você está angustiado com o começo da semana. Este pode ser um alerta do seu corpo para quando as coisas não vão bem no trabalho. A dificuldade em acordar ou sair da cama nos dias de semana também é outro sinal. Fique atento a esses avisos e comece a pensar numa mudança profissional.

Mas antes de se inscrever em sites de vagas, faça uma revisão nas emoções relacionadas ao trabalho que faz hoje. Identifique o que te deixa insatisfeito ou infeliz. Por que fica irritado? Em que momento se sente bem? Quais são as tarefas que te dão prazer?

Algumas pessoas precisam de um bom clima organizacional para serem criativas, outras precisam de reconhecimento pelo que fazem. Para escolher bem é importante que você saiba quais as suas necessidades. Para alguns, esses fatores são tão importantes quanto o salário ou o cargo.
Se você já tem em vista uma empresa específica, comece perguntando por que está atraído em ir trabalhar lá? Depois pergunte às pessoas que são importantes para você o que elas pensam dessa empresa? Isso vai lhe ajudar com questões subjetivas como: sua auto-imagem e a ideia que seus amigos tem de você.

Procure saber sobre as metas, a missão e os valores da empresa; veja se seguem a mesma linha dos seus pensamentos. Se a meta da empresa vai contra seus valores, por exemplo, divulgar uma tradição regional por exemplo os rodeios, e você não concorda porque maltrata animais. Considere que trabalhando lá, você vai contribuir, no mínimo, para que isso continue existindo por muito mais tempo.
Lembre-se também de pontos específicos como os horários de trabalho, eles combinam com seu estilo de vida? Eles "emendam" os feriados? Ficam abertos até o último cliente vá embora? São flexíveis com horários de chegada ou deverá “passar o crachá” sem atrasos? Ainda sobre estilo pessoal, se você não suporta padronizações, pense bem antes de aceitar uma vaga onde terá de usar um uniforme, EPI (Equipamento de Proteção Individual), corte de cabelo ou maquiagem.

O ideal é conhecer as intalações da futura empresa. Se possível, vá até a cidade ou bairro e considere o trânsito em dias de semana na ida e na volta. Peça para ver o escritório e entre na sala onde vai ficar, veja como se sente. Conheça também os futuros colegas, converse com as pessoas do lugar, observe se sente empatia por eles e se fica à vontade ao lado deles.

Agora faça um exercício simples se projetando no futuro. Feche os olhos (sim, você deve fechar os olhos para ouvir seus sentimentos). Tente lembrar ou imaginar a empresa, o ambiente e tente se ver ali dentro. O que você está fazendo? Consegue ver outras pessoas com você? Como elas estão?

(pausa)

Agora veja como se sentiu depois da experiência. Bem? Conseguiu “se ver” na empresa? Conseguiu ver outras pessoas? Como elas estavam? Houve interação entre você e elas? Se você, conseguiu por alguns minutos fazer o exercício e ainda se divertiu... este parece ser um bom lugar para você trabalhar!
Não leu a 1a parte? Veja aqui.

Escrito por Isabela, publicado no blog R|R Gestão de Pessoas em setembro de 2012.

setembro 04, 2012

Mudar de emprego, será que é a hora? - parte 1

© Jyn Meyer | Dreamstime Stock Photos

As pessoas mudam de emprego por diversos motivos que vão desde o salário até os conflitos pessoais. Nos tempos de crise econômica, as empresas fazem os famosos “cortes de pessoal” e nessa hora não sobra muito mais que atualizar currículo, sites de contratação, se preparar para filas, salas de esperas e entrevistas.

Situações de desemprego estão sendo vivenciadas por muitas pessoas nos Estados Unidos, que tem hoje uma taxa de desemprego de 8,2%. Na Europa, a taxa já passou dos 10%2. Enquanto isso, o Brasil, vive tempos de economia crescente, com as menores taxas desde 2002, em maio ficou em 5,8%3. Na fase atual do país, onde se tem mais e melhores oportunidades em muitos setores, o que deve ser considerado para deixar uma empresa? Ou mudar de departamento? Será que vale a pena mudar de carreira?

A listagem de pontos à favor e contra ainda é muito eficaz quando se trata de decisões importantes, seja para mudança ou para a escolha entre duas ou mais vagas. Mas as pessoas mais racionais, como os engenheiros, vão gostar de saber que também podem usar uma fórmula para diminuir a ansiedade da dúvida.  No final de uma simples equação chega-se a um número que pretende minimizar os riscos de sair de um emprego ruim e ir para outro ainda pior.

A fórmula considera inicialmente 4 fatores principais: aprendizado ou o quanto pode aprender na função, a valorização pessoal, o salário com todos os benefícios e o potencial de crescimento. Primeiro pense no emprego atual e atribua valores de 1 a 10 para cada um desses fatores. Some todos os números, por exemplo 2 + 5 + 7 + 5 = 19. Esse resultado é a pontuação para o emprego atual. Agora faça o mesmo para novo emprego ou o cargo que tem em vista, 7 + 7 + 7 + 9 = 30.


Somente para o novo emprego, você ainda deve usar o resultado encontrado (30) e subtrair outros 2 fatores. A mudança, ou seja, a dificuldade que você tem para sair de onde está hoje e o medo de novidades. Por exemplo, 4 se você acha que terá pouca dificuldade para sair e 5 se tem pouco medo do desconhecido. Subtraia do resultado encontrado para o novo emprego (30) a mudança e o medo 30 - 4 - 5 = 21. Esse último resultado será o guia para a sua decisão.


Assim você tem 19 pontos para trabalho atual 21 pontos o novo emprego. Segundo Ben Michaelis4, quando o valor encontrado para o novo emprego é maior que o valor do emprego atual, você deve se preparar para uma mudança profissional.


Mas se você é do tipo sensorial, intuitivo ou do tipo que precisa ter um portfólio nas mãos para a entrevista... aguarde o próximo post.




Escrito por Isabela, publicado no blog R|R Gestão de Pessoas em agosto de 2012.

agosto 28, 2012

Os tipos raivosos vão trabalhar.

Mel Gibson e Naomi Campbell são dois tipos raivosos.
As pessoas com esse perfil são explosivas, exageradas, reativas e desagradáveis. Usam linguagem hostil e raiva para gerenciar os subordinados. Dominadores e desconfiados, eles não gostam de parecerem errados.

Alguns exemplos de pessoas famosas que exibem esse comportamento são Naomi Campbell e Mel Gibson. A furiosa Naomi é conhecida por bater em assistentes com seu celular cravejado de diamantes e o intenso Mel Gibson coleciona acusações jurídicas de violência doméstica.

Nas empresas, essa atitude do chefe sobre seus funcionários é chamada de mobbing – assédio moral ou abuso verbal. Por se sentirem imunes às punições, os gerentes abusam do poder humilhando verbalmente os subordinados com críticas generalistas e injustas. Normalmente esta atitude se espalha, contagiando os colaboradores que reagem às ofensas.

Um chefe hostil faz com que bons profissionais se sintam envergonhados e culpados. Ele não percebe como age, não pensa claramente e não considera a opinião dos outros. Pode ser difícil para um diretor ou profissional de RH convencer uma pessoa desse tipo a mudar suas maneiras, mas é importante tentar antes de desistir ou demitir.

Faça uma intervenção direta, calma e profissional, mas nunca em público. Seja específico, diga que não aceita essa postura, dê exemplos claros do que está falando. Explique que as diferenças de pensamento devem ser discutidas com educação e respeito, sempre!

Se quiser mais dicas veja o post que trata de outra conduta parecida, o comportamento passivo-agressivo.

A título de curiosidade, Naomi Campbell deu uma resposta clichê ao dizer em entrevista que seu jeito hostil é consequência dos problemas familiares da infância. Mel Gibson terminou este ano o tratamento psicológico para gerenciamento da raiva, mas ainda precisa de dois anos fora de conflitos para sair da condicional.

E você, trabalha com algum tipo raivoso? Conte para nós.

Escrito por Isabela, publicado no blog R|R Gestão de Pessoas em outubro de 2012.

agosto 21, 2012

Micromanager, um tipo controlador na liderança.

© Medaphoto | © Olga Vasilkova | Dreamstime Stock Photos

As conversas entre gerente e subordinados são tensas? O supervisor sabe os detalhes das tarefas do departamento e todos esperam ele chegar para decidir qualquer coisa? Se nas reuniões os funcionários ficam calados sem sugerir respostas aos problemas e a moral da equipe está baixa, você encontrou um micromanager.

Micromanager é um termo americano usado para definir um chefe centralizador. Aquele que observa tudo de perto, às vezes ficando de pé, atrás e olhando sobre os ombros o que está na tela do computador do colaborador. Aliás, essa é a piada clássica com esse tipo de gerente.

Micromanagement é o comportamento de fiscalizar o funcionário, pedir para ser copiado em todos os e-mails, verificar cada etapa do processo, monitorar cada reunião, limitar autonomia, refazer ou corrigir as decisões do grupo e não dar liberdade para decisões.

Nada de confundir as situações, controlar não é o mesmo que supervisionar o treinamento de uma pessoa nova, porque isso é necessário e importante. É assim que o chefe mostra as normas, tarefas e prioridades da empresa.

Um micromanager determina tarefas desnecessárias e pede relatórios detalhados. Duvida da capacidade dos funcionários e não delega funções ou poder. Quando passa uma tarefa, ele acompanha todas as etapas a cada minuto. Um gerente controlador recebe o trabalho do funcionário, critica e refaz.

Isso porque o serviço precisa ser feito exatamente como ele quer. Seja porque ele é um perfeccionista, porque está sobre pressão por melhores resultados ou porque quer reafirmar o poder sobre os subordinados. O pensamento das pessoas é um só: “Ele não tem nada mais importante para fazer”.

Algumas desculpas comuns dessa atitude fazem parecer certo conferir o trabalho da equipe para ajudar no projeto. Ou que é ético dar bons exemplos, começando o trabalho pelo subordinado. Então nessa hora você devia perguntar: quem faz o trabalho de coordenar os projetos, as datas ou conciliar as demandas das outras gerências? Ou então, enquanto o gerente faz o trabalho do grupo, o que os outros fazem?

O rendimento da empresa cai porque funcionários limitados não têm vontade de trabalhar. Nenhum talento resiste à falta de ânimo e um funcionário não consegue fazer sozinho tudo o que uma empresa precisa.

Escrito por Isabela, publicado no blog R|R Gestão de Pessoas em novembro de 2012.

agosto 14, 2012

5 dicas para lidar com pessoas difíceis.

Mimi e Eunice cartoons.

1. Antes de se encontrar com esse tipo de pessoa reveja alguns assuntos que facilitam os conflitos e pense como pode evitá-los.

2.  Diminua o tempo de contato com essas pessoas, mas não as evite. Mantenha os encontros necessários, nem que seja para aprender a conviver com elas.

3. Mantenha a comunicação lógica e sem muitos detalhes. Evite expor detalhes da sua vida ou levar a conversa para o lado pessoal. Assim elas vão ter menos chances de manipular ou distorcer suas informações.

4. Crie situações que vão te tirar do foco da conversa dessa pessoa. Se distraia com outra atividade ou envolva outra pessoa no assunto. Evite beber para não perder o controle da situação.

5.  Desista do sonho de que um dia elas vão entender seu ponto de vista. Esse tipo de pessoa não consegue se colocar no lugar do outro e sempre desaponta ou machuca quem está por perto.

Aceitar essas pessoas como elas são e entender que elas não vão mudar por você traz um grande alívio.

Quer saber se você é um tipo difícil? Leia aqui.
Quer conhecer um tipo difícil? Leia aqui.

Cartoon Mimi and Eunice ♡2010 by Nina Paley. Copying is an act of love. Please copy and share.

Escrito por Isabela, publicado no blog R|R Gestão de Pessoas em novembro de 2012.

agosto 07, 2012

Como posso ajudar um negativista?

Mimi e Eunice cartoons.

No contexto corporativo, o comportamento negativista é difícil de ser determinado e por isso, fonte de muitos problemas. Fazer um teste para saber se a pessoa é a fonte dos problemas nem sempre dá certo porque o teste vai ter as respostas politicamente corretas. Isso acontece porque raras vezes uma pessoa com o comportamento passivo-agressivo tem noção dos próprios atos.

Existem homens e mulheres com esse comportamento. Para quem trabalha com um colega passivo-agressivo, os dias são como pesadelos onde você tenta fugir de algo que não sabe o que é. Nas reuniões é difícil acreditar no que ouve e nas outras situações você se irrita ou se sente passado pra trás. Quando menos espera, o desespero virou um sentimento comum.

Nestas horas, é bom saber que: usar a indiferença ou silêncio funciona, por um tempo, até você precisar interagir novamente com essa pessoa. Saiba que fazer com ela o que ela faz com você é chamar para um confronto direto. Isso é perigoso e o caminho mais curto para a sua loucura.

Se este colega omite informações, acusa, agride, mas consegue fazer as tarefas e atingir as metas, ajudar é uma boa opção. Principalmente se você quer ou precisa continuar na empresa.

Esse tipo de comportamento foi aprendido pelo seu colega na infância. Acontece por causa do medo de se expressar abertamente, por isso a pessoa espera que você entenda os sinais que ela está emitindo. Quando ela fecha as gavetas com força fazendo barulho, quer mostrar, por exemplo que está com raiva porque o chefe pediu para fazer algo que ela não gosta.

Se você decodificar essa mensagem sem perguntar o que se passa ou se oferecer para fazer a tarefa, está “entrando no jogo”. Ao invés de falar e pedir para você fazer algo, ela usou “indiretas” para conseguir o que queria. Este é um dos motivos pelos quais os passivos-agressivos são conhecidos por  manipular os outros.

Na família dessa pessoa as situações de conflito eram tratadas desta maneira e esse colega aprendeu a “pedir” sem falar. Na vida adulta ele continua agindo como se fosse proibido falar sobre assuntos desagradáveis.

Para ajudar, você deve contribuir para a criação de um ambiente onde é seguro falar.

A melhor maneira de agir no exemplo acima é falar que notou que ela está fazendo barulhos e perguntar o porquê, sem entrar no jogo de adivinhação. Se ela falar o motivo, sugira que ela converse com quem a deixou com raiva. Se ouvir um “não é nada”, mas perceber um rancor na voz, informe o que percebeu e recomende que ela não reprima o que sente.

Se ainda assim ela não quiser falar, não tente desvendar a situação. Continue fazendo suas tarefas. Se puder, fique longe um tempo. Deixe essa pessoa com a própria raiva, não se aproprie do que não é seu.

Quer ver o primeiro post sobre o assunto? Clique aqui e leia sobre Uma atitude negativista no trabalho.

Cartoon Mimi and Eunice ♡2010 by Nina Paley. Copying is an act of love. Please copy and share.

Escrito por Isabela, publicado no blog R|R Gestão de Pessoas em novembro de 2012.

julho 31, 2012

Será que eu sou uma pessoa difícil?

O assunto do último post deixou várias pessoas em dúvida. Por isso listei algumas situações para os que querem fazer uma autoinvestigação. Leia os tópicos abaixo e veja se fazem parte da sua realidade.

1. Depois de um ano participando de um grupo as pessoas ainda te ignoram.

2. No trabalho você tem poucos amigos e quando sai da empresa perde todos eles.

3. Todos se calam ou mudam de assunto quando você chega.

4. A sua autoestima é muito baixa, ou seja, você costuma ser pessimista  sobre si ou sobre os outros.

5. Seus problemas pessoais interferem no seu comportamento no trabalho.

6. Você se irrita com facilidade e quando isso acontece você reage com raiva.

7. Exagera no consumo de bebidas ou outras substâncias quando se sente pressionado.

8. Seus colegas pedem para o seu chefe conversar com você sobre algum comportamento ou algo que você tenha feito.

9. Você costuma estar envolvido em situações complicadas ou confusões.

10. Algumas pessoas falam que você é exigente ou difícil.

Você se identificou com mais da metade das frases? Considere a possibilidade de você ser uma pessoa difícil. Para ter certeza, pergunte a um colega sincero o que os outros pensam e falam sobre você.

Depois de ouvir os comentários, se você preferir não mudar nenhuma das suas atitudes... SIM, você é uma pessoa difícil!

Cartoon Mimi and Eunice ♡2010 by Nina Paley. Copying is an act of love. Please copy and share.

Escrito por Isabela, publicado no blog R|R Gestão de Pessoas em outubro de 2012.

julho 17, 2012

Uma atitude negativista no trabalho

Mimi e Eunice cartoons.

Quando um funcionário se atrasa repetidas vezes para as reuniões importantes e ao ser repreendido coloca-se no papel de vítima. Quando se compromete a fazer um trabalho em equipe e não participa ou se costuma adiar tarefas tornando-se hostil às suas cobranças... desconfie de um problema de interação social. Esta é uma atitude muito estudada nos Estados Unidos, mas pouco falada nas empresas brasileiras.

O comportamento, chamado passivo-agressivo, é comum em alguns trabalhadores e pode ser muito prejudicial a uma empresa. Nos funcionários, pode ser a causa da criação de um ambiente hostil e nos gerentes, pode acabar com a criatividade de uma equipe. Outros sinais desse problema podem ser: a teimosia, a procrastinação, a resistência ao realizar tarefas, a ineficiência propositada, a oposição velada, os esquecimentos frequentes, a sabotagem, o mal-humor contínuo, o cinismo, a ironia, as brincadeiras incriminatórias, a crítica irracional, o pessimismo, a queixa por incompreensão, a desconfiança e o desdém em relação ao superior e às normas da empresa.

Se essas atitudes não estiverem ligadas a motivos reais, como por exemplo, a falta de treinamento ou uma doença na família, suspeite de um comportamento chamado passivo-agressivo. Esse transtorno ocorre tanto em homens quanto em mulheres e pode ser a causa da dificuldade nos relacionamentos interpessoais no ambiente de trabalho.

Em geral, estas pessoas cresceram em famílias com pouca habilidade de lidar com os sentimentos de raiva, desde então ocultam o que sentem. Podem ser alcoólatras, drogadictos ou tiveram pais com esses problemas, por isso não desenvolveram formas maduras de auto-expressão. As consequências de uma conversa aberta e assertiva as assusta, por este motivo pode ser bem difícil que venham a ser bons funcionários, mesmo tendo potencial para serem.

Agora você se pergunta, como tudo isso passou pela entrevista de contratação? Então considere a capacidade diplomática dos passivos-agressivos como uma clássica sedução e então será fácil se lembrar das vezes que você aceitou uma das muitas desculpas dele(a) pelo atraso na entrega de outro importante projeto.

As pessoas com esse comportamento agem intencionalmente alternando entre o controle sobre os outros (agressão) e o jeito educado, gentil de agir (passividade). Isso acontece porque escondem a agressividade no momento em que ela deveria aparecer ficando difícil identificá-las num primeiro (ou segundo) momento.

De fato, um funcionário com estas atitudes faz com que você fique inseguro e irritado. Entretanto, eles não pensam que estão atrapalhando a sua carreira, apesar de estarem, porque são adultos imaturos. Veja algumas dicas para lidar com alguém do tipo passivo-agressivo(a), antes de pensar em demití-lo(a).

1. Fique atento ao que fazem, não só ao que falam.
2. Mostre a diferença entre o que você vê e o que ouve.
3. Questione as reais intenções por trás da atitude.
4. Conte somente os resultados, não as promessas.
5. Não pressione, mas mostre que você é forte e sabe do que se passa.
6. Diga “ok” quando ele(a) se fizer de vítima de um colega.
7. Divida as tarefas importantes, tenha um plano B.

Pode não funcionar na primeira conversa, pois os passivos-agressivos contam com o seu silêncio sobre as atitudes contraditórias para continuarem te manipulando. Quando você avisa que não vai mais ser manipulado, você pode até mesmo acabar com este comportamento no local de trabalho.

Cartoon Mimi and Eunice ♡2010 by Nina Paley. Copying is an act of love. Please copy and share.

Referência: Living with the Passive-Aggressive Man: Coping with Hidden Aggression - From the Bedroom to the Boardroom , Scott Wetzler.

Escrito por Isabela, publicado no blog R|R Gestão de Pessoas em julho de 2012.

julho 10, 2012

Gerente facilitador

Os gerentes brasileiros sempre me pareceram despreparados para lidar com as pessoas e suas ideias. Algumas vezes tenho a impressão de que foram escolhidos pela maior quantidade, e não pela qualidade, dos gráficos e das planilhas que apresentaram alguns meses antes da promoção.
Esta semana, lendo o artigo1 de uma universidade, descobri que os brasileiros são mesmo classificados como maus gerentes. Guardadas as diferenças da regulamentação trabalhista, que no caso de muitos países também contribui para as más práticas, algumas estatísticas mostram que os países em desenvolvimento tem pior gerenciamento do que os países desenvolvidos. Esta pesquisa incluiu empresas de varejo, escolas e hospitais localizadas em mais de 20 países.

Em geral, tratando-se de modos de gerenciamento, as empresas brasileiras se posicionam junto às chinesas (2,71 pontos) enquanto Inglaterra, Austrália e França ficam em torno dos 3,02 pontos. Neste quesito os Estados Unidos têm os melhores estilos e pontos (3,35). Falando especificamente da manufatura, a indústria no nosso país se iguala à indiana tendo as piores práticas gerenciais, que incluem a falta de metas, melhorias ou promoções e ainda, nenhum sistema para lidar com o repetitivo mau desempenho dos funcionários. Interessante notar que em todos os países pesquisados os altos níveis educacionais estão relacionados com os melhores níveis de gerenciamento.

Entretanto, muito tempo antes de ler esta pesquisa eu consegui por mim mesma reconhecer uma grande diferença de comportamento de um gerente americano em relação ao funcionário. Aconteceu quando comecei a trabalhar nos Estados Unidos, foi um fato simples, mas marcante que relato aqui com a clara intenção de instigar e, quem sabe, incentivar algumas mudanças de comportamento dos líderes brasileiros.
Em um dia comum dentro da rotina do escritório meu chefe me chamou para uma conversa (não uma reunião) e disse que seria breve. O começo já parecia estranho e meu histórico me fez pensar que receberia algumas instruções de trabalho, o que faria a partir de agora, como proceder em certos casos, com quem falar certo?! Nada disso! Ele me surpreendeu dizendo que eu deveria pedir-lhe tudo o que eu precisava para desempenhar melhor minha função e que queria muito ouvir as minhas ideias, fossem elas relacionadas à melhoria do meu trabalho, o trabalho de outras pessoas ou outra sugestão que eu tivesse.
Naquele momento eu me senti como qualquer ser humano ao ver um sonho realizado, “Uau! Isso existe mesmo e foi sincero.”. A surpresa não me permitiu lembrar ou falar nada específico naquele momento, mas tranquilamente ele disse que estaria esperando as minhas ideias no momento que fosse possível ou necessário.
Precisei de um tempo para reformular meu posicionamento em relação às minhas tarefas e só então apresentei o que achava interessante implementar. É claro que minhas ideias e pedidos foram avaliados, sendo alguns aceitos de imediato, outros reformulados e outros não foram adiante por vários motivos. Mas eu não poderia deixar de comentar como foi ouvir algo tão diferente do que conheci trabalhando no Brasil por tanto tempo.
A respeito das tais instruções de trabalho, posso dizer que essa conversa nunca aconteceu e que não acontece mesmo por aqui. O gerente espera que o funcionário tenha uma posição ativa em relação ao trabalho que desempenha e dificilmente vai dizer o que fazer ou como fazer uma tarefa de modo tão específico como vemos no Brasil.

1. Harvard - Management Practices Across Firms and Countries, Dezembro, 2011.


Escrito por Isabela, publicado no blog R|R Gestão de Pessoas em julho de 2012.

julho 03, 2012

Geração Y e trabalho

Marc Beaudet, published at Journal de Québec on January 22, 2008.

Se a frase “quando eu não estou na empresa eu não eu estou trabalhando” combina com sua vida profissional, eu posso então afirmar que você não é da geração Y. Nascidos entre os anos de 1977 e 1998, agora eles estão sendo chamados de “nativos digitais”, ou seja, alguém que nasceu na era digital. Também por esse motivo, eles se relacionam (se conectam) de modo diferente com o trabalho.

A geração mais estudada até o momento não é do tipo que busca conforto no emprego, eles estão em busca de reconhecimento, aliás essa característica ficou clássica, virou piada e nome de livro americano de gerenciamentosobre essa geração. Ela diz respeito ao comportamento nos jogos de equipe: “todos jogam; só um time vence, mas todo mundo recebe medalha”. Se você é das gerações anteriores deve estar sorrindo (ou com inveja), pois sabe muito bem que isso não acontecia de jeito nenhum no seu tempo. Entretanto você reconhece que isso faz parte das vivências dos seus filhos e/ou dos seus netos.

As consequências dessa atitude acompanham toda a existência de uma pessoa e vão com ela para o local de trabalho. Aliás, o local de trabalho é um fator importante, porque às vezes você está trabalhando, mas você não está “no trabalho”, na empresa. Soa estranho para alguns, gera fadiga mental em outros, mas quando um nativo digital pensa em trabalho ele está vinculado à vida dele, ou melhor, são a mesma coisa. Eles não tem problema em ir à um evento de moda no final de semana para ver de perto a coleção do estilista que vai ajudar no trabalho da empresa.

Enquanto você tenta gerenciar sua vida pessoal com os relatórios de fechamento do mês,  é tranquilo para eles ficar duas horas a mais no escritório. Porque amanhã vão querer chegar mais tarde para fazer algo pessoal e o trabalho simplesmente “não funciona” para eles se atrapalhar os encontros com os amigos. A propósito, entenda que, para eles, amigo é família e não adianta você tentar exercer seu poder de chefe. Se forçar, vai ouvir “nem com aumento, ou melhor, pode até fazer um corte que eu não venho amanhã mesmo!”

O trabalho para eles não é algo sobre “fazer dinheiro”, mas como obter dinheiro fazendo algo bom. Eles (de verdade) se importam com as causas nobres, por exemplo, com os cuidados com o nosso planeta. Lembre-se que ouviram isso na escola desde o primeiro dia de aula. Inclusive eles começaram a frequentar estas instituições muito cedo, pois são filhos de pais e mães que trabalharam fora.

Outras vezes filhos de pais separados, usaram a criatividade para se desenvolverem e agora são mais espertos e confiantes que você. Eles também tem facilidade na visão de conjunto, incorporam a tecnologia como sendo eles próprios, reinventam regras, não se importam com as instituições, são individualistas apesar de trabalharem bem em equipe. Trabalhar em grupo é outra característica aprendida na escola, porque professores com jornada dupla (ou tripla), não conseguiam corrigir avaliações individuais.

O tempo vivido com os colegas da escola e o tempo na frente de algum aparelho eletrônico consolidaram a facilidade que tem nos relacionamentos interativos e virtuais. Eles também convivem bem com a diversidade, são rápidos em várias tarefas, tem altas expectativas e aprenderam tudo sobre sustentabilidade.

Então considere que você detectou a necessidade de implementar a reciclagem de lixo na empresa, então você fala “precisamos fazer um planejamento para engajar as pessoas nessa ideia”. Nada de errado, mas um nativo digital escuta isso e logo pensa “Hum, eles precisam fazer um plano pra isso? Essa empresa não parece boa para mim!”

1. Livro: Not everyone gets a trophy, how to manage Generation Y, Bruce Tulgan.

Escrito por Isabela, publicado no blog R|R Gestão de Pessoas em agosto de 2012.