abril 18, 2016

Sabia que em Minas Gerais também havia Cangaceiro?

Já ouviu falar sobre o 7 Orelhas?
 Ilustração: Paulo Coruja click para entrar em contato com o ilustrador

Januário Garcia Leal, o 7 Orelhas (1761 -1808), viveu  no interior brasileiro na época das capitanias e conquistou fama de Herói- bandido e cangaceiro mineiro.

O termo cangaceiro remete a um fenômeno ocorrido no Nordeste brasileiro que teve início por volta de 1870, onde homens - na maior parte das vezes camponeses insatisfeitos com a fome e injustiças que pairavam em suas terras - saiam aos bandos em uma vida basicamente nômade e agiam por suas próprias leis. Alguns tentavam fazer justiça com as próprias mãos, outros saqueavam e matavam... O que todos tinham em comum era o comportamento de não obedecer às leis do Estado, agindo contrariamente ao que era aceitável pela sociedade na época, criando leis exclusivas.

Januário foi um caso particular dentro do cangaço brasileiro. Vivia com sua família onde atualmente é localizada a cidade de Alpinópolis em Minas Gerais. Em 1802 foi nomeado capitão de ordenanças nas localidades que formaram a cidade de Alfenas. Teve uma vida tranquila até o assassinato brutal de seu irmão João Garcia Leal por 7 irmãos que o amarraram em uma árvore e tiraram o couro do seu corpo. Isso ocorreu pelas bandas em que fica hoje a divisa entre Luminárias e São Bento Abade - Sul de Minas (o motivo teria sido, muito provavelmente, briga por demarcação de terras, mas também há relatos de envolvimento de João com a mulher de um dos 7 irmãos, porém ainda vemos divergências quanto a isso).

Não havia polícia e advogados na época.  A lei era controlada de forma lenta e burocrática, por regentes da colônia que diante da situação ficaram de braços cruzados. Não houve punição alguma para os assassinos. Então Januário se juntou a seu irmão caçula e a um primo para se vingar dos 7 irmãos responsáveis pela morte monstruosa de João. Escolhida a Lei de Talião (morte aos matadores), seguiram cerca de 6 anos de buscas e matanças, onde os “assassinos-justiceiros” exibiam uma orelha de cada um dos 7 irmãos de quem se vingavam com a morte em um cordão. Daí o nome do chefe do bando de “ 7 Orelhas”.

Sim, ele carregava um cordão com as orelhas dos assassinos de seu irmão enfileiradas, orelhas dos homens de quem se vingou. Diz a lenda ainda que o último dos irmãos fugitivos  foi encontrado onde  hoje é a cidade de Diamantina – MG e que Januário ainda lhe deu uma chance de sair vivo, permitindo com que ele desse 100 passos antes de que Januário atirasse e se errasse então este homem ficaria livre. 

Esse bando de justiceiros aterrorizou a capitania de Minas Gerais no período oitocentista, ameaçando a própria soberania do Estado Português, que depois da vingança, se viu obrigado a submeter os “justiceiros” a lei por conta de diversas denúncias que chegaram a Portugal, conseguindo prender somente o irmão de Januário, desse modo, alguns historiadores e escritores indagam sobre a notoriedade da figura do cangaceiro mineiro sobre ao Lampião “rei do Cangaço” do Nordeste, personagem que criou a própria imagem/mito dispondo de fotografias e meio de comunicação da época. Pelo que consta em alguns documentos, Januário, para não ser capturado, foi morar em Lages, em Santa Catarina.

Foto: Divulgação internet, Monumento do 7 Orelhas em São Bento Abade, Sul de Minas.

É comum que ao escutarmos o termo cangaceiro lembremos apenas do Nordeste brasileiro, pois é a única referência que foram nos passando por meio de histórias, filmes e novelas, através de canais midiáticos. É importante pensar e admitir sobre o quão importante e responsável é a mídia pela construção da consciência sobre nossas próprias culturas, histórias, raízes e valores... ou até mesmo pela desconstrução das mesmas.

Outra observação a se fazer é sobre o aparato de Justiça e Segurança... Isso não muda; quando cidadãos se percebem sem o apoio governamental devido, quando não há uma verdadeira repressão à criminalidade, acabamos por assistir pessoas querendo fazer justiça com as próprias mãos, isso é evidente na lenda do 7 Orelhas, tão quão em quadrinhos que viraram séries como “Demolidor” e em telejornais que relatam nossa realidade cotidiana.

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As informações desse post foram obtidas a partir do documentário 7 Orelhas - Herói Bandido, veja o trailer do doc aqui e complementadas através de pesquisas pela internet em sites que disponibilizam e discutem o assunto como esse e esse outro:

São Bento Abade é uma cidadezinha que fica muito próxima a São Thomé das Letras. Para ver o Post sobre a cidade de São Thomé clique aqui.


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Amanda estuda Filosofia e mora em Ouro Preto – MG. Lança no mundo um olhar contemplativo e é por isso que gosta trocar informações e curiosidades sobre tudo o que admira e experimenta. Acredita que as perguntas movem o mundo e o conhecimento pode ser um remédio para a alma. Escrever no Caderno de Perguntas é uma forma de passar um pouco da sua bagagem adiante.

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