setembro 07, 2018

Ideias

Por Elisabeth Santos
Tenho muitas ideias de como salvar animais, apenas nem sempre tenho meios de executá-las. Para salvá-los de algum sufoco em que se envolveram inesperadamente, até que é fácil para mim que gosto desse ofício de salva-vidas.

Muitas vezes os próprios procuradores de encrenca não colaboram na operação salva bichinhos e aí... não tenho meios para tira-los do enguiço. Ao vir morar na casa onde moro, encontrava pássaros atordoados, caídos próximos ao muro pintado de azul céu. Pegava o binóculo para observar: eles vinham voando, voando, e distraídos pelo alimento que vislumbravam ao longe... TUM! Batiam a cabeça no suposto céu azul a murar meu pedacinho de chão!

E lá ia eu acudir mais uma vítima de uma miragem, ilusão de ótica ou qualquer outro nome que se possa dar ao fenômeno. Muito que bem, ‘garrei a pensar, chegando à conclusão que seria melhor mudar a cor do muro. Raciocinei por eliminação, imaginando-me um pássaro:

_ Verde? Não, pois ia assemelhar-se a vegetação. Amarelo? Também não, pois com a claridade do sol poderia ofuscar-lhes a vista. Vermelho vivo eu é que não haveria de querer no muro da minha residência! Então me decidi pelo marrom tijolo e ainda simulei com tinta branca, limitações parecidas com pedras e tijolões.

_ Quem haveria de arriscar-se? Ninguém, não é mesmo?

Deu certo o estratagema até que começaram a aparecer bichinhos afogados na piscina. Só poderiam estar com sede! Comprei uma fonte de concreto armado, própria para jardim, e mandei instalar. A água não seria desperdiçada naquele constante fluir, pois através de uma engenhoca, vinha a cair novamente.

Deu certo! Pelo menos por uns tempos...

Dalí a alguns dias os passarinhos começaram a vir visitar-me na minha própria casa! Tudo bem? Não! Eles entravam facilmente e não achavam por onde sair. E eu matutando:

_ O que vieram fazer aqui dentro, com tanta opção no meu (ou nosso) território?

Algo me dizia que tentavam encurtar o caminho do multicolorido jardim para o verde pomar, e se perdiam no labirinto de corredores e demais cômodos da casa. E agora?

A vassoura tinha cabo curto, mas dei um jeito de estendê-lo, e fui atrás para direcionar a saída ao intruso.

Algumas vezes a “operação salva aves” foi acertada e outras vezes não. Tive de fazer o enterro com honras e glórias para um batalhador valente.

Por que estou acrescentando isto? Porque, embora colocando quirela aos pássaros da natureza, eu observava que eles disputavam entre si com bicadas, uns querendo o quinhão do outro.

Ainda não entendi, pois havia água, alimento e espaço para todos. Acho que ainda terei muito a desvendar...




Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

agosto 31, 2018

Realidade e Sonho IV


Por Elisabeth Santos


Bordei de dia e cochilei bordando. Vi um nó de linhas no bordado, peguei a tesourinha, cortei o nó sem perceber o pique dado no tecido. Agora restava pegar agulha de crochê para tentar pegar a malha escapulida. Teria que levantar-me da poltrona reclinável, e ir buscar a ferramenta necessária no cestinho de costuras. No exato momento em que me levantava... vi a malha solta, num efeito dominó, ir prosseguindo o caminho ponto a ponto fazendo um grande estrago.

Desesperei-me ao pensar que seria impossível sair dali sem que o meu movimento desfizesse o lindo casaquinho bordado.

Levantei-me assim mesmo!

Só não fui buscar agulha de crochê nem nada! Encontrava-me em outro ambiente, e a situação também era outra, e bem diferente.

Acordando do rápido cochilo, aliviada percebi não haver estrago nenhum no meu bordado.
Mas fiquei inculcada com o sonho. Por que vinha trazer-me aflição?

Acabei sossegando-me: _ Preferível um sonho, que uma realidade aflitiva!

“_ S’embora” tocar a vida pra frente, pois lá atrás vem gente! _ Ordenaria minha bisa; e que Deus a tenha.  




Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

agosto 24, 2018

Realidade e sonho llI

Por Elisabeth Santos




As pessoas estavam chegando de longe para inesperada visita familiar. Era muita gente entrando, e cumprimentando os muitos que ali estavam. A criança ali perdida, só enxergando pernas indo, pernas voltando na sala de jantar assustou-se por não entender nada.

Um dos jovens tentava adivinhar o motivo daquela caravana de visitantes bem no horário de ser colocado o almoço na mesa, e chegou a preocupar-se com a demora da empregada em trazer a comida. O dono da casa, enxergando pouco devido à idade, distinguia os familiares que há tempos não via através de gestos e atitudes que permaneceram em sua memória:

Tio Juca é aquele que abanou o pó da cadeira com seu chapéu, antes de sentar-se.

Sinhazinha deve ser a que reparou a mesa de toalha alvíssima antes mesmo dos cumprimentos.

Quem fez um muxoxo, só poderia ser a megera da tia avó da turma.

As crianças correndo de cá pra lá... eram de uns que ali estavam, e de outros que não vieram. Certamente primos.

E chegado o momento, elas mesmas ofereciam petiscos de pepino picadinho com fatias de limão. Algumas deixavam escorregar do prato aquela salada, e eram ajudadas pelos maiorzinhos.

Todos aguardavam o almoço, que não vinha da cozinha silenciosa, e sem cheiro que pudesse despertar apetites... ou só davam a impressão, que algo haveria de acontecer em seguida?

Mas afinal, pergunto-me o porquê de tanta roupa de festa branquíssima num dia comum. Perguntaram-me agora por que alguém devolvia aos reais proprietários as joias retiradas do cofre aberto na estante do corredor.

E aquele silêncio o tempo todo que durou a visita, era impressionante!

Assim como apareceram, sumiram...

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Dia seguinte ouço no rádio notícias da festa do Bonfim iniciando naquele janeiro calorento de Salvador: a multidão vestida de branco percorrendo a pé os oito quilômetros de distância do Largo da Conceição ao Largo do Bonfim; as carroças enfeitadas conduzindo tanto os mais novos quanto os mais velhos; a lavagem da escadaria da igreja católica pelo povo do Candomblé, com muita água de cheiro; uns indo para agradecer, outros para pedir Paz, Saúde e Prosperidade, quando não vinham para os dois atos de Fé.

E a multidão não desapareceu... apenas misturou-se a todas as outras cores, sons, cheiros, crenças, num corpo a corpo de suor e ritmos pagãos adentrando noite e madrugada sem fim.         




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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

agosto 17, 2018

Realidade e sonho II

Por Elisabeth Santos
Gatinhos fofinhos também sonham?


Fatos e fotos fazem parte da realidade, mas há sonhos tão próximos do real, que só não podem mesmo ser fotografados. Talvez, algum dia, poderá sim existir instrumento preciso para tal.

Necessário é o sonho, preciosa é a lembrança dele. Há quem afirme nunca sonhar, pois ao despertar não se lembra de nada.

Há sonho que se sonha dormindo e torna-se realidade ao acordar. É raro! A realidade pessoal sim, vai sempre aparecer num sonhar dormindo, mesmo que camuflada. Tipo: _ Sonhei com um parente, e ele veio visitar-me.

Estudiosos do assunto não desistem de suas pesquisas. Desejam saber o quanto alguém pode ser ajudado pela interpretação dos seus próprios sonhos. Também se importam com o contrário. Isto porque, algumas pessoas, podem fixar na ideia de vivenciar na realidade o seu sonho, e com isso se esquecerem da vida.

O sonho faz parte do bom sono recuperador das forças para o amanhecer ativo. Lembrar- se ou não de um sonho nem faz diferença na disposição de trabalhar no dia seguinte...

Para quem não gosta do seu trabalho recomenda-se não ficar parado, sonhando acordado em horário de serviço. Fazer e seguir um planejamento de mudanças, aprender mais, tentar adaptar-se às inovações pode sim ajudar o insatisfeito a tomar novo rumo e fazer as pazes com seu “ganha pão”.

Quanto ao malandro, aquele que aprecia sombra e água fresca... Alimentando-se de desejos inalcançáveis sem buscar meios honestos de obtê-los... Não se sabe o que lhe aconselhar! 

Existe sim, a pergunta que não quer calar: _ E adiantaria indicar-lhe algo de bom? Levará a sério?

O conselho vai então para os desavisados:_ Não acredite em fortuna rápida, “vida boa” sem custo, negócios vantajosos sem garantias, amigos que aparecem quando tem interesse e somem logo mais.

Não é de hoje que se ouve a frase: Não tenho tudo que gosto, mas gosto de tudo que tenho.

_ Bons sonhos a todos!





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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

agosto 10, 2018

Realidade ou sonho l

Por Elisabeth Santos


Você aí que pensava não ser possível escolher sonho, saiba que na Confeitaria existem várias opções.

Brincadeira a parte, ouvi de certa amiga relatos de sonhos perigosos dos quais escapou ilesa raciocinando assim:

_ Sei que estou sonhando... então que venha a montanha intransponível; o urso feroz; o abismo ao final da estrada, ou seja lá o que for de ruim. Sempre hei de acordar bem, na minha cama, com a cabeça no meu travesseiro!

Estudos a respeito dizem que pode não ter sido só um sonho, a partir do instante em que o raciocínio lógico interviu.

Pior!

Conheço alguém que afirma gostar de sonhar dormindo, pois sonha em 3D, enxerga em tamanho real, e ainda em cores naturais. Passeando por lugares diferentes, lê placas, ouve músicas, conversa, e faz contas de quanto gastou no restaurante! Lembrar-se depois de acordado é que são elas. Talvez o último episódio do “filme” seja o mais lembrado, pois os olhos se movimentam muito em comparação com o pouco que se consegue lembrar.

Se aquele “sonhado dormindo” era real, se a pessoa sem sonambular saiu de sua cama... taí um mistério misterioso, a merecer investigação.


Poderíamos estar em dois lugares diferentes? Vivemos outra vida além dessa?

  



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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".



agosto 03, 2018

Esqueça

Por Elisabeth Santos


© Nejron


O que se chamava caduquice, e vinha com a terceira idade, hoje tem nome de Alzheimer. Tudo bem que os sintomas foram cientificamente esmiuçados, as causas investigadas, os doentes observados devidamente nas fases que iam surgindo.

A cura, tanto daquela caduquice quanto do que vemos agora, com muitas pesquisas realizadas, ainda não está ao alcance dos pacientes por tratar-se de uma doença degenerativa; de desgaste mesmo, ou do envelhecimento, como preferirmos denominá-la enfim.

Conversando com pessoas idosas recém-conhecidas, por não estarem no meu âmbito familiar, demorei a distinguir as que mereciam mais atenção nos lembretes de atividades bem simples, que dependiam da memória recente. Dando sequência a uma conversa normal, aparentavam estar bem. Dali a pouco, do nada, surgiam perguntas assim:

_ Quem é mesmo você? Mora aqui? O que faz?

E às minhas indagações rotineiras de eventual cuidadora delas:

_ Quer almoçar? Tomar um banho? Dar uma volta lá no jardim? Respostas convictas e semelhantes:

_ Já fiz isto hoje!

Se assim continuássemos, não chegaríamos a lugar algum. Resolvi fazer uma modificação na abordagem.

Minha estratégia, para atingir os objetivos imprescindíveis, agora era:

_ Está na hora do lanche, vamos lá!

Tomava eu mesma a iniciativa, colocando Don’Ana na postura de seguir minha ideia do que era necessário fazer naquele momento. Só assim consegui não deixar para trás nenhum dos seus saudáveis hábitos diários.

E minha amiga pegava as agulhas de tricô e tecia... para dali a pouco desmanchar duas ou três carreiras e nunca terminar a peça começada. Tricotava, desmanchava uma parte, para em seguida refazê-la, sem perceber que não avançava no rendimento do trabalho assim feito e refeito incansavelmente. Ou será que percebia?

Eu não queria que ela fizesse sempre a mesma coisa, estando numa única postura corporal, assentada diante de um aparelho de TV ligado, então insistia:

_ Don’Ana, por que desfez um trabalho tão lindo? - e ouvia a mesma resposta:

_ Tinha um erro. Precisava corrigí-lo!

Aos meus olhos, nada de erro.

Seria perfeccionismo ou uma lembrança dos tempos de aprendizado de trabalhos manuais, quando a suposta exigência seria da mestra que permaneceu inesquecível? Então seria assim: tudo que foi muito repetitivo em algum período daquela vida estaria memorizado “ad eternum”? (- Que ruim esse tal de alemão registrado Alzheimer - eu não deixava de ironizar interiormente.) E assim resolvi que ia trocando a cor da lã, para que ela pudesse fazer alguma observação. Às vezes sim... às vezes não... Don’Ana pedia o seu tricô original conseguindo distinguí-lo em meio de tantos outros novelos e agulhas de diferentes espessuras e tonalidades.

Os primeiros dias do inverno passando, meu estágio quase terminando...

As conversas em momentos de lucidez eram bem interessantes:

_ "Tive uma infância feliz na fazenda de minha família em Engenho Novo, estado de Minas Gerais. Tenho saudades daqueles tempos. Meus irmãos e eu brincávamos em meio de tanta vegetação, inventávamos brinquedos em horários não escolares, mas ajudávamos também. Depois do café da manhã, papai saia para a lavoura e eu o seguia para ajudar. Se ele fazia a cova para os grãos eu a fechava com o pé. Se ele colhia eu auxiliava carregando o que dava conta.

Aos treze anos tive a incumbência de pajear minha irmã mais nova, porém ela morreu cedo me deixando pesarosa e só. Em meus pensamentos procurava, sem achar, uma causa para a morte precoce da maninha. Sem ter alcance para um raciocínio lógico satisfatório, ouvindo dos mais velhos, que ela se foi pela vontade de Deus, sem compreender porquê Ele a tirou de mim, acabei por sentir-me culpada de alguma negligência no cuidado com a criança.

Aos dezesseis anos apaixonei e fiquei noiva de um rapaz bom e trabalhador. Só não tive coragem suficiente para o casamento. Desisti de última hora, achando que não conseguiria, principalmente, ser boa mãe. Escolhi a carreira de professora, mas estando com emprego fixo num Colégio, fui convidada a trabalhar na tesouraria. Ali fiquei até a aposentadoria por meu próprio gosto e mais uns dez anos por insistência da diretoria. Fui ensinando meu serviço, passando as responsabilidades para funcionários mais jovens, pois percebi que “um certo alemão” começou a se declarar demente por mim, interferindo nas minhas lembranças recentes, atrapalhando meu dia a dia no serviço. Resolvi aposentar-me de vez, consciente de já poder parar, antes de comprometer negativamente a tarefa que desempenhei com tanta seriedade, dedicação e amor."

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Em outros momentos, minha amiga coloca no bolso do casaco de frio a caixinha do medicamento diário. Tricota mais duas carreiras de ponto Segredo e a desmanchar as três últimas carreiras lembra-se que ganhou um presente. Enfia a mão no bolso e pegando a caixinha agradece-me assim:

_ Gostei muito deste lindo presente que você me deu, viu?

E guarda-o no mesmo bolso.

Hoje sim tive a certeza que Don’Ana não poderá ficar sem alguém responsável por ela.

Inicio uma sessão musical de tempos colegiais, composta de cantoria de várias vozes e observo olhinhos brilhando ao meu redor até que uma lágrima caia.

Esqueça tudo o que seu estudo acadêmico ensinou-lhe para chorar também.



Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

julho 27, 2018

Capítulo da Capital

Por Elisabeth Santos

Escolher um assunto para focar a capital do Brasil numa crônica dá muito trabalho, pois a variedade é grande, há quem pense ser nossa capital tudo de ruim porque só enxerga a corrupção, mas não é bem assim...

Brasília é uma cidade com ótimas condições de vida, chances de estudos, oportunidades de trabalho, entretenimentos, esportes, gastronomia etc.

O plano piloto é só sexagenário, e representa o que há de mais tradicional! O restante dos grupos habitacionais denominados cidades satélites, são repletos de novidades e também de gente nova. O pós- moderno predomina, e a consciência ecológica salta aos olhos de quem chega de outros pontos do Brasil.

 As vastas áreas verdes distribuídas no Distrito Federal estão bem cuidadas e tem como atender o desejo das famílias brasilienses de proximidade com a natureza, ar puro, e de juntarem-se a outros grupos afins. Por ser planalto, a paisagem se estende a perder de vista. Chega-se a ver como curtas, as longas distâncias de um ponto a outro.

Visitei amigos em Águas Claras e encantei-me! Não só pelo planejamento urbano da cidade, ou do bairro, ou ainda Região Administrativa do D.F. desde oito de abril de mil novecentos e noventa e dois.


Tive oportunidade de experimentar metrôs que me conduziram de norte a sul a todos os lugares que quis, ou precisei ir: aeroporto, terminal rodoviário, shopping, feira e plano piloto da capital de meu país. Constatei que Águas Claras oferece segurança aos seus moradores, possibilidades de novas amizades no parque, praças, e áreas de lazer dos prédios. Sim, diferente de Brasília propriamente dita, os prédios podem ter mais de dez andares, com porteiros físico e eletrônico, hall de entrada espaçoso, esquinas facilitando convívio saudável de vizinhanças.

A maioria de seus habitantes pratica a consciência ecológica separando seu lixo, evitando sujar as vias públicas, o córrego, mantendo hortas comunitárias que produzem sem agrotóxicos.

Até espaço para os cachorros se exercitarem diante do olhar atento dos donos existe no parque reserva que protege nascentes!

Em Águas Claras não faltam opções de alimentação pronta com características de outros estados brasileiros, predominando a deliciosa cozinha goiana, com toques nordestinos. São pratos variados, com ingredientes bem conhecidos nossos, acompanhados de água de coco fresquinha.

A população brasiliense é gente boa! Isto é o que nos interessa e devolve a esperança de uma mudança de mentalidade que venha “de baixo para cima” buscando valores perdidos.
Vi e gostei:

Bem próximo à entrada do prédio no qual fiquei, um freezer horizontal cheinho de picolés, e a tabuleta informando: Por apenas dois reais você escolhe o sabor preferido e deixa o dinheiro na caixinha. Se, preciso for, faça você mesmo seu troco.

É um bom começo!



Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

          

julho 20, 2018

Dia de feijoada


Por Elisabeth Santos


Tadinho do porco...

Acho que as feijoadas mais gostosas são as bem feitas com a morte do porco. Nada de embutidos sofisticados, feitos à moda de países do velho mundo.

“Mundo, mundo, vasto mundo: se eu me chamasse Raimundo, seria uma rima, não seria uma solução (Drummond)”. Pelo menos para a feijoada que aprecio!

Primeiro aparece o matador e preparador oficial do porco de engorda que está no chiqueiro. Este sim vai dar ótimos embutidos, torresmo e carne nobre para ser apurada e depois mantida na banha. As orelhas, língua, pés e rabinho serão aferventados e conservados no freezer até o dia “D”.

À véspera do tão aguardado almoço especial com familiares, amigos, colegas de serviço, compadres e vizinhos, escolhe-se o leitão para completar as carnes da feijoada que há de ter carnes frescas. Às porções que ficaram no freezer, serão juntadas suas semelhantes para se cozer em panela de pressão.

O feijão em quantidade adequada deve ser preto, mas como feijão é feijão, pode ser usado aquele da última colheita local.

Idem, idem o arroz branco que deverá acompanhar o prato principal: Arroz cateto, integral, parboilizado ou não acompanharão muito bem minha feijoada.

No sábado dessa tal feijoada, aí sim: apanha-se a couve verdinha no canteiro da horta que fica atrás da casa, pertinho da porta da cozinha. Bem de jeito estão também, pimenta, salsa e cebolinha.

Limão para o preparo da caipirinha e da limonada das crianças; laranja pra ‘cascá, retirar a pele branca sem feri-la, e servir fatiada nas travessas; muito caldo do feijão já refogado e temperado para, em separado, ser acrescido de pimenta malagueta só para os autênticos apreciadores de um molho picante.

Farinha torrada, ou farofa mexida na hora, enfeitada com pedacinhos da linguiça do fumeiro.

Agora sim! Só quem provou sabe como tudo isto é bom principalmente num dia de temperatura amena ou fria...

Um enorme caldeirão com as carnes previamente fritas ou cozidas, misturadas ao feijão borbulhante, espalha o aroma convidativo.

Desconfia-se que vai aparecer mais gente do que o previsto...

Almoço cuja sobremesa é uma rede na varanda, e a rebatida é uma pilha de pratos pra lavar, enxugar, guardar, até a próxima chamada geral:

_ Vai ter feijoada no quintal do Sontonho!



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julho 18, 2018

Sanduíche sem glúten do Chick-fil-A

Veio aos Estados Unidos para uma viagem econômica?

Quer manter a dieta sem glúten?

Quer comer com os colegas como se fosse uma pessoa normal?

Isso tudo sem gastar muito dinheiro?

Veja umas fotos da opção sem glúten do restaurante fast food queridinho dos americanos, o Chick-fil-A. (pronuncia tik-fi-lei)

Sanduíche de frango

Esse tipo de pão é chamado bun e vem dentro de um saco plástico separado do restante do produto.

Na outra embalagem você recebe o recheio que neste caso foi o tomate, o alface e o frango grelhado; sem queijo.

Um bilhete amigável avisa que o sanduíche grelhado é servido com pão sem grãos, mas que a cozinha não é livre de glútem porque alguns ítens que eles usam no preparo de outros alimentos contêm glúten.

 


Conclusão:

É delicioso? Não, ele é bonzinho.

Mas afinal, ele cumpre o prometido? Financeiramente, sim; socialmente, sim; saudável, mais ou menos - depende muito do problema de saúde que você tem.

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Gostou do texto? Curte e compartilha.

Até a próxima viagem.

julho 13, 2018

Turista em Lambari MG

Por Elisabeth Santos


Águas virtuosas, Lambarizinho, Lambari...

Água mineral natural e gasosa com propriedades curativas de muitos males.

Água apreciadíssima pelos de casa, por turistas, por pessoas do país inteiro, pois engarrafada na fonte, é a mesma do parque local.

O Sul de Minas tem o belo Circuito das Águas que nada fica a dever aos existentes em outros continentes. As águas de Lambari qualificadas e nomeadas de: sulfurosa, férrea, picante, magnesiana, são todas virtuosas em tratamentos da saúde.

E a cidade, cercada de montanhas é bonita e acolhedora.

O que deixa o turista intrigado é a belíssima arquitetura de um prédio à beira do lago. Seguindo moldes de castelo alemão antigo, espelha-se na água de qualquer ponto da margem, tanto de dia quanto iluminado, na escuridão da noite Fora construído para abrigar um cassino, ao que parece jamais abrigou.

Idealizado por uma equipe de muito bom gosto, com dinheiro sobrando para um investimento de alto nível, se teve clientela algum dia... “ninguém sabe ninguém viu”. Numa época de jogo permitido o cassino recebeu suas mesas sob encomenda, do exterior, assim como todos os móveis, espelhos e objetos decorativos. Artesãos e artistas vieram de fora do país para os entalhes e fino acabamento de teto, portais e janelas. Dizem que tudo está lá dentro até os dias de hoje...

Muita gente gostaria de visitar as dependências do Cassino do Lago, nem que fosse só uma espiadinha de constatação, matando uma curiosidade bem humana, mas as portas estão fechadas. Quem faz a limpeza e manutenção não poderia fotografar? Pelo menos dissipar a dúvida atroz: _ É ou não assombrado?

Enquanto isto ciclistas, esportistas, exercitam ao seu redor margeando o lago que tem barragem encachoeirada de rara beleza; famílias fazem pique nique por ali; pescadores de fim de semana buscam o complemento da cervejinha; turistas passeiam e fotografam...
Há também quem fique matutando sobre o mistério do Cassino da cidade de Lambari, no sul das Gerais, Brasil, América Latina, planeta Terra.

_ No mínimo, um grande investimento sem retorno!   

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julho 06, 2018

Nosso casarão


Por Elisabeth Santos


Em 1948 chegaram de Aracaju a Campanha, sul de Minas, Milton, Margarida e nove filhos. Alugaram esse casarão onde residiram, tiveram e criaram mais seis filhas. A casa não era nova, conservava no porão umas peças de ferro usadas para manter presos negros escravizados.

Logo de chegada ao interior do estado, os meninos mais velhos da família recolheram esses objetos e doaram ao museu local.

Lá existe até hoje boa quantidade de coisas desse tipo, e visitantes sensíveis nem visitam o setor “tempo da escravidão” por não se sentirem bem. Outros passam rapidamente. Crianças olham curiosas e perguntam que parte do corpo esses ferrolhos prendiam: Pescoço, punhos, canelas?

Nosso casarão passou a ser nosso, com escritura e planta baixa registrada no final dos anos cinquenta, e aí sim pode ser reformado para comportar a família, a babá, além de outros serviçais esporádicos, muitos parentes, amigos, conhecidos e mendigos. Observem bem na porta de entrada um coraçãozinho com os dizeres “Assistência aos Pobres”. Aquela plaquinha ali era levada a sério.

Nessa reforma a casa ganhou mais dois banheiros, dois quartos, lavanderia no porão, e o depósito de água com bomba elétrica para suprir duas caixas, e ainda reservar.

Posteriormente o fogão de lenha foi substituído pelo fogão a gás, e chuveiros que ainda tinham água aquecida na serpentina, foram trocados por elétricos.

Embora já tivéssemos ganho do Tarcísio um moderníssimo fogão de cinco bocas e dois fornos... não achávamos cozinheira que quisesse aprender, e perder o medo de manejá-lo.

Mamãe não dispunha de tempo para tal, pois trabalhava no Correio com o papai. Se me perguntam hoje como é que ela dava conta de todos seus afazeres de dona de casa, esposa de executivo que viajava bastante, mãe de quinze filhos, e todos os demais compromissos sociais, religiosos, culturais etc. eu responderia:

_ Com serenidade, ciente de estar cumprindo sua missão na Terra.

Enquanto criança foi marcante para nós, as seis campanhenses, as brincadeiras e jogos no quintal. Na adolescência tivemos uma quadra de vôlei que permanece, e a mudança da “eterna” mesa de pingue pongue transportada para o “rancho” que permitia recebermos amigos e amigas a formar equipes e times.

Essa casa foi muito importante para todos nós da família: dos Marques e dos Carvalhos, e de outros sobrenomes que se foram juntando em uniões matrimoniais, e gerando descendência até os dias atuais.



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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia". 

Three phases of Spinal Degeneration - photos