agosto 28, 2020

A criança é a esperança

Por Elisabeth Santos


Nosso “bebezão” completou oito meses fazendo um tanto de estripulia. Agora resolveu gargalhar sem nenhum incentivo que não seja este: ele grita vogais em vários tons e a babá repete, imitando-o. É semelhante a uma conversa onde um fala e o outro responde. Pelo visto... o neném acha um barato! No ponto de vista dele deve ser bem interessante.

Seja lá o que estiver expressando o adulto repetir no mesmo tom poderá ser um entendimento no idioma próprio da criancinha. Isso justificaria as gargalhadas!

Vai que esteja tentando dizer: - Estou alegre com sua presença. O adulto imitá-lo está sendo entendido como: - Eu também com a sua!

Fico imaginando...

Depois do banho é a hora do lanche. Assentado bem firme com cinto de segurança em sua cadeira de menininho abre a boca com satisfação sem deixar de acompanhar tudo à sua volta com o olhar esperto: é a vovó juntando brinquedos que os dois espalharam; é o relógio de parede que faz tique-taque; o papai em home office; a panela sendo mexida no fogão ou os latidos de um cãozinho lá na rua. Nada disso chega a distrair o bebê de sua agradável refeição. Quando a barriga está cheia, aí sim, põe pra fora a última colherada com uma careta. Ainda não sabe dizer, mas se expressa bem: - Aqui não cabe mais nada!

E ali assentado, ele permanece uns minutos, para a cuidadora trocar os apetrechos da refeição por uma lata colorida que o distrai. Gosta de movimentá-la tirando sons. Como gosta de fazer barulho!

E chega a hora de uma soneca: coça os olhos, choraminga, estica o corpo como se estivesse brigando com o irresistível sono.

 Dá um pouco mais de trabalho aguardar que o neném durma. Parece não querer perder nada daquela vida boa.

E assim dormindo não parece mais o molequinho sapeca que não tem sossego.

É um anjo caído do céu para renovar as esperanças na Terra!




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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora resolveu escrever e já publicou dois livros. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia"

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