agosto 03, 2020

Convivendo com um passivo-agressivo, o livro, capítulo 9

Atendendo a pedidos, cá estou eu dando continuidade ao resumão do livro do Dr. Scott no qual ele combina experiências de consultório, de amigos e observações sociais sobre a convivência com um passivo-agressivo.

Lembrando que nada substitui a leitura do livro do próprio autor. Esse texto tem a intenção de ser a base introdutória para um assunto complexo que merece ser relido várias vezes durante o longo e duro processo de amadurecimento.

Aqueles que cresceram com pais passivo-agressivos podem ter dificuldade de comunicação.


Casamento e paternidade

O casamento para o passivo-agressivo representa um lugar para intimidade e relacionamento sincero, mas também um campo de batalhas. Ele pode tanto se resolver com seus problemas ou continuar jogando com seus problemas de intimidades e comunicação. Pode decidir ser amigo e deixar de jogar ou mirar sua raiva e inseguração na direção de quem o ama.

Durante a lua de mel até mesmo o passivo-agressivo pode parecer romântico, forte e do tipo silencioso. MAS quando a vida real começa você vai descobrir que o silêncio dele não é heróico e as confusões e esquecimentos não passam em branco, bem como a insistência dele em isolamento e controle. Logo você vai perceber que ESTÁ VIVENDO COM UM PASSIVO-AGRESSIVO.

Aqui vai uma regra para todos os casamentos: é preciso aprender o que vai deixar passar, quais manias deixar de lado, ou como dizemos hoje, escolher as brigas que você vai querer lutar.

Seu casamento tem boas chances de dar certo SE você identificar os pontos chaves do comportamento do passivo-agressivo marido (e também do pai).

Aqui o autor decide começar com você então, aperte os cintos!


Adotando o estilo dele

Você vai se perceber usando as táticas dele para ficar em paz. Inferências, sugestões, desvios, comer pelas beiradas, dar voltas para falar o que pensa e tantas outras maneiras que não ajudam.

Nas séries americanas esses problemas se resolvem antes do capítulo acabar, mas na vida real não é bem assim. Desentendimentos podem levar dias ou meses para se resolverem enquanto ele está te usando. Imagine a cena abaixo:

Depois de alguns anos de casados, Joana sugere ao marido que façam uma segunda lua de mel, mas ele responde de maneira difusa, ambígua e evasiva. Diz ele: "é uma ideia, mas temos que saber quanto custará. Quanto tempo você pode tirar de férias? E as crianças vão também, você não acha?"

Essa resposta deixa Joana com raiva, afinal ele quer ir ou não? Para evitar conflitos ela para de esmiuçar as respostas dele, ou seja, ela não mais insiste em respostas se contentando com os pretextos dele. Ela vai se tornando enviezada como ele.

Como isso começou? Bem no início do casamento e foi crescendo exponencialmente.

Ela se lembra de quando falava sinceramente com ele e ele não a respondia. Isso a deixou vulnerável e isolada. Depois passou a se sentir segura não falando de seus sentimentos também. Não deixe isso acontecer, insiste o autor.


Suporte e críticas: a percepção errada dele sobre os motivos

Ele é conhecido por desapontar sua esposa o tempo todo e assim ela vai se encher dele (em português bem claro). Ela vai criticá-lo e quando o fizer vai ser vista como uma mãe controladora. A mulher que ele achava que ia o salvar se transforma na mulher que ele teme, a sua carrasca. 
     
Há ainda um duelo entre ser tolerante com a falta de comprometimento dele e parar por completo por esperar que ele faça algo, responda diretamente uma pergunta, pare de manipular, etc. No final das contas, quando uma decisão precisa ser tomada ele vai achar que ela o está pressionando demais. 

Ao contrário, lembre a ele o quanto ele também quer e precisa do que você está propondo. O mesmo deve ser feito em relação ao sexo que foi discutido no capítulo passado. 

Eu sou seu presente do dia dos pais.
Mamãe disse "de nada".


Do meu jeito... ou de jeito nenhum

Algumas mulheres reclamam de quanto o passivo-agressivo autoritário espera que tudo seja binário, preto no branco. Ele não acredita em tratos, acordos, meio-termo. O passivo-agressivo não vai decidir, mas vai reclamar de todas as suas decisões. Se você escolher o restaurante, ele vai com você, mas vai reclamar o tempo todo e fazer cara de quem não está gostando. Entretanto, se ela fizer um comentário saber ele estar sendo grosseiro ele vai bancar a vítima dizendo que foi obrigado a ir com ela, que não estava com fome, não teve escolha... 

Quando ele não consegue o que quer você vai ouvir todas as respostas imagináveis. O também autoritário passivo-agressivo quando não consegue o que quer vai te punir com mais passividade agressiva.

O jeito é fazer ele se envolver nas decisões, mas ainda estar pronta para apontar que quando ele se omitiu ele "votou" em algo, por isso deve parar de fazer pirraça e começar a se comportar socialmente. Quando ele estiver se comportando muito mal mesmo mostre o quanto ele está afetando o grupo, fazendo o dia ficar insuportável para todos. Fale que o ama, mas que preferia não o amar quando algo assim acontece. (Se isso não é ser mãe, eu não sei o que é - comentário meu... run, baby, run) Se depois de tudo isso ele continuar "de mau" dê espaço para ele esfriar a cabeça.

Se, por acaso, ele não fizer birra durante o evento, mas dois dias depois, mostre que ele não está sendo maduro. Que você e seus amigos gostam dele, mas que ele não está sendo razoável sobre o assunto, era só um filme, um passeio e não o fim do mundo. "O filme ainda está em cartaz e você está se fazendo de vítima".


Fugindo das responsabilidades

Depois de dois anos de casados, Lúcia perdeu a paciência com Ricardo. Ele sempre promete ajudar em tarefas da casa, mas quando ela o lembra de fazê-las ele responde "depois", mas nunca chega a realizá-las. Lúcia começou a deixar a louça suja na pia até o dia seguinte, contudo pela manhã ele já estava atrasado para sair. Assim a louça foi se acumulando, bem como a frustração dela.

Finalmente ela decide lavar a louça, o que não é nunca uma boa coisa para fazer com um passivo-agressivo. Ele passou a ter menos respeito por ela, pelo tempo e pelas coisas dela. Ele passou a se atrasar e ela começou a fazer piada dos constantes atrasos dele. Enquanto ela esperava por atitudes responsáveis dele, ele estava se aproveitando da situação.

Uma vez ele pegou o cartão de crédito dela e esqueceu de devolver. Depois de várias justificativas para não encontrar o cartão, desccobriu-se que o mesmo havia sido perdido dias atrás.

Quando foi advertida pelo banco, ela o confrotou, mas novamente só ouviu desculpas: "qual o problema? Ninguém fez nada de errado com o cartão. Você ainda economizou dinheiro sem o cartão, devia me agradecer." Lúcia decidiu não mais emprestar coisas para o marido e essa pode ser uma de suas decisões também.


Alcoolismo

É um problema comum entre vários passivo-agressivos. A desculpa "eu estava bêbado"vai ser uma resposta comum na sua vida.

Lembre-se que qualquer ato de violência NÃO é passividade-agressiva. Ao contrário, é uma atitude clara, deliberada, intencional de agressividade! Não tem nada de passivo nisso aí, viu!

As esposas de alcoólatras passivo-agressivos diariamente se confundem com a dualidade do marido e se perguntam sobre os dois lados e as duas personalidades que veem no cotidiano. Qual é o real marido delas? A reposta é: os dois! 


Solidão

Se isolar é outro tipo de droga.

Casar-se com um passivo-agressivo pode se tornar uma experiência bem solitária, pois se sentirá congelada fora da vida dele. Quando você é calorosa ele foge, quando você precisa de atenção, ele não estará lá. Alguns maridos vão deixar pouco ou nenhum tempo do dia para passar com você, deixando você de lado. Outros vão passar horas vendo programas de TV inúteis ao invés de ajudar a esposa que precisa dele. Algumas acabam aceitando a solidão que o casamento as trouxe, outras vão continuar tentando.

Porquê ele entende que você está tentando se comunicar com ele para o aprisionar, você precisará entender o que se passa. Se ele fala que tem trabalho para fazer por isso prefere ficar sozinho, ou se está isolado no escritório porque não quer contato. É uma linha tênue e você ai precisar descobrir do que se trata.

Se você perceber que está vivendo com um estranho na sua casa fale isso para descobrir o que realmente está acontecendo. Todo casamento tem fases, altos e baixos, mas só depois de saber o que se passa você pode agir.

Fale para ele o que você quer. Jantar junto duas vezes na semana, quantos finais de semana juntos e por quanto tempo, sempre enfatizando o quando você sente falta dele. Mostre para ele o que o relacionamento significa para você e pergunte o que ele acha que está faltando. Pode ser que ele responda e isso vai dar ao menos uma noção do que o está chateando. 

O seu ideal aqui é não pedir mais do que o solitário está disposto a te dar de boa vontade.


Mensagens de uma mãe passivo-agressiva.
Operador de empilhadeira não é carreira.
Eu não sei porque o seu escaninho fede.
Eu também não vou esperar você para dirigir.
 Faça de conta que veio do restaurante.
Saia do celular.
Durma cedo.
Você precisa cortar o cabelo.



Fazendo as coisas funcionarem entre vocês

O problema com esses casais é que mesmo depois do "eu aceito" eles não são parceiros de verdade. O passivo-agressivo vai precisar muito de você para articular seus sentimentos

E aqui o autor escreve quase duas páginas sobre o que é ter um relacionamento de verdade, mas acho que você já deve saber o que falta no seu então, já sabe, mesmo que por excludente, o que é isso que você não tem. Se não souber, leia outros livros para descobrir.


E se nada funcionar? 

Muitos relacionamentos podem mudar com o tempo, outros não - essa é a notícia ruim que o autor tem para nós. Sair desse relacionamento pode ser a única solução para esse relacionamento. Se com o passar dos anos a sua energia está sendo usada com problemas essenciais, banais, reparos ineficientes no relacionamento, ao invés de vivendo as coisas boas e ruins dele... É tempo de cair fora.

Se o seu relacionamento é baseado em como-o-seu-relacionamento-não-funciona e você não vê melhoras, então o seu movimento saudável é abandonar a canoa furada. Você merece mais! Se o passivo-agressivo não consegue te dar o que você quer, procure em outro relacionamento.

Essa é uma decisão realística que deve ser tomada levando em conta o que ele pode ou não pode te proporcionar, pensando no quanto ele pode cumprir com as promessas.


O passivo-agressivo enquanto pai

Bem, o homem passivo-agressivo não muda quando vira pai. Pode ser que ele comece uma competição aberta ou sutil com seu filho, Em geral, os problemas dele com seu pai vão ser refletidos no seu filho.

O apreço pela solidão e pela falta de intimidade podem ser ruins para as crianças mesmo quando quiser pasar mais tempo com as crianças. Ele também não vai gostar das demandas que vão cair sobre ele, demandas normais de um pai de família.


Olhando a situação de perto

O aspecto mais difícil será disciplinar as crianças. Pode ser que ele assuma uma posição de autoridade, mas vai ter dificuldade em confrontar uma criança que está testando seus limites nele. Aqui será comum ver ele procrastinar, esperando que os problemas se resolvam sozinhos, sem que ele precise se posicionar.

Outros passivo-agressivos vão descontar nas crianças o tipo de relacionamento que tiveram com seus pais. Em psicologia isso se chama "identificação com o agressor". Entretanto, dificilmente vão bater nas crianças, (lembre-se, eles são passivo-agressivos e não agressivos diretos). 

Estando com raiva ele vai os fazer sentirem não amados, como alguém que ele mau tolera e que nasceu por acidente ou fatalidade. Vão fazer exigências impossíveis de serem cumpridas em termos de tarefas de casa, comumente adicionando afazeres extras na lista. Ao invés de fazerem eles se sentirem amados, ele vai abusar emocionalmente deles.

Pode ser que a vida em família que ele crie com você seja muito parecida com a vida dele na infância.

Ele pode mudar? O que você pode fazer para difundir o que ele vai trazer de bagagem para o relacionamento familiar? 


Ajudando o passivo-agressivo com a paternidade

Mesmo que ele goste de parecer que está no controle, ele vai ter dificuldade em assumir esse papel. Ele vai querer criá-los do jeito dele, não como está escrito nos milhares de livros sobre como criar filhos que existem por ai. Pode ser igualmente difícil para ele lidar com bebês e suas emoções aparentemente desconexas. Ele não vai saber o que fazer e não vai pedir ajuda.

Como nenhum pai quer ser um pai ruim, caberá a você decidir qual será o papel dele na criação dos seus filhos. Ele vai precisar de seu encorajamento. Fale o que espera dele diretamente explicando o que cada idade precisa receber de seus pais. Por exemplo: "foi ótimo você ter levado o bebê para tomar um sol durante sua caminhada." 

Não fique ao lado dele assistindo tudo dar errado com ele e seu filho. Não deixe que uma tarefa se transforme num drama, mas interfira de maneira tática. "Jonas, é pouco realístico você sair com a criança nessa chuva. Por que você não espera o tempo melhorar? VAi ser melhor para todos."

"DESCULPAS ACEITAS,
CONFIANÇA NEGADA."

Enfim

O passivo-agressivo tem vários problemas no seu passado, às vezes ele vai vencê-los com você, outras vezes não. Ele não perdoa fácil, mas suas ações são o que contam para isso acontecer, ou não.  

***

O livro: Living with the Passive-Aggressive man; Coping with the Personality Syndrome of Hidden Aggression - from the Bedroom to the Boardroom, de Scott Wetzler, Ph.D. Em tradução livre Vivendo com o homem passivo-agressivo; Lidando com a Síndrome de Personalidade da Agressão Encoberta - da Cama à Sala de Reuniões. Autor: Scott Wetzler, Phd., New York, 1992.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Leave your comments here.