junho 26, 2020

Em tempos de COVID19


Aqui pegou feio! Ninguém esperava que fosse ser da maneira que está sendo. A população obedeceu a quarentena antes do Corona vírus colocar os pés para dentro do país. Foi prescrito o isolamento para que Hospitais de campanha ficassem prontos, e ficaram. Entretanto faltou a tempo: equipamento específico; profissionais da Saúde especializados ou não; vagas nos necrotérios; tumbas, e principalmente empatia entre o governante mor e seus eleitores.

Em cada cidade pesquisada metade da população segue as instruções de enfrentamento a pandemia, e a outra metade não. As notícias falsas proliferam nas redes socias e na mídia existente a mais tempo.

Sendo que nosso país já não fazia o dever de casa, mantendo altos: a ausência do saneamento básico; a taxa de desemprego (com tanta coisa boa a ser construída); o crescimento diário das comunidades e da população de rua nos grandes centros; o descaso com saúde, educação e segurança; a corrupção que evidencia riqueza demais para um lado, miséria total para o outro... e tantas outras falhas que a gente nem consegue listar.

Não bastasse o isolamento social, a parada no crescimento econômico, ainda nós, simples mortais numa terra de ninguém, somos obrigados a ver e ouvir, um jogo de poder, ou guerra de egos, ou deem o nome que queiram dar. Pobres de nós brasileiros que trouxemos o país que se salvou a si mesmo décadas atrás até o ponto que esteve há uns dias. Sim, quem pensa assim é quem trabalhou por um Brasil melhor!

Querem saber? O país celeiro do mundo tendo: o agro negócio à frente; a floresta Amazônica em sua maior extensão; a água doce jorrando em rios que poderiam ser fracionados na boa; clima privilegiado até então; riquezas no sub solo; um povo batalhador e crente num futuro melhor... não merecíamos tanta enganação.

Já tivemos eleição séria do povo pelo povo, hoje votamos acreditando em promessas que nem sempre são cumpridas, e pagamos pela nossa ingenuidade.

Liberdade antes que tardia, é o lema de Minas Gerais, que teve coração de ouro batendo num peito de ferro, e até hoje luta para conservar sua verdadeira riqueza: princípios, valores, crenças e tradições.



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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora resolveu escrever e já publicou dois livros. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia"

junho 12, 2020

Convite do Covid-19

Por Elisabeth Santos


Quando alguém pensou em comparecer sem aviso prévio ou convite deram-lhe o nome de Covid19 para disfarçar a intromissão.

- O Covid19 chegou. Tampem o rosto. Lavem-se bem. Escondam-se em suas residências, não saiam para se aglomerarem seja no serviço, escola, igreja ou local público onde o risco de o vírus atacar é, e será maior!

E o álcool em gel sumiu das prateleiras juntamente com a máscara cirúrgica descartável e outros itens. Ao reaparecerem, com preço alterado para mais, foi um corre-corre para se adquirir no comércio em geral.

Ninguém esperava a Covid19 ou de qualquer outro ano. Chegou de supetão, arrasando e tem gente que ainda duvida de seus malefícios. Há também outros que temem que o vírus tenha vindo para se instalar definitivamente.

 Os cuidados a serem tomados são tantos, e tão minuciosos que existem populações que se veem impossibilitados de seguir a todos. Fora estas existem outras pessoas, que se sentem moribundas com tantas restrições na vida.

Cada qual vai dando seu jeito, buscando alternativas para não perder o ânimo, e a esperança numa vacina eficaz, por exemplo.

Lembrando aqui de uma minoria, que não aceita essa solução até hoje válida para a sobrevivência da humanidade.

Em meio a tanta gente sofrendo com a infecção, tendo que se expor ao contágio por força do trabalho, há os que sofrem a perda de algum ente querido. É muito triste.

“Só a leve esperança em toda vida disfarça a pena de viver mais nada...” escreveu Vicente de Carvalho que assim finaliza o soneto: “Esta felicidade que sonhamos existe e está onde a pomos...”

 Então nos resta agradecer pela nossa passagem pela vida terrena, cada minuto do jeito que a vida nos oferece.

Amém!




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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

junho 10, 2020

Why do Brazilians say "kkkk" when laughing?


Because the letter K is pronounced like CAR (minus the R) in Portuguese, and repeating it many times like kkkk makes the easier onomatopoeia for typing laughing out loud or laugh out loud - LOL.

You also can write hahaha, or rs which is a contraction for risos, that means smile, or smiles if you use more than one - rs rs rs.

Anyway texting kkkk, or kkk is easier, and it doesn’t mean Ku Klux Klan at all, even when Brazilians are using caps lock. I mean that we don’t have a historical connection with the KKK. Some young people in Brazil don’t even know what KKK was.




junho 04, 2020

What's something Brazilians absolutely love, but they can't find in Brazil.

This was a fair question from a friend who was going to visit Brazil. " What they absolutely love?"    

Here is my answer.

Chocolates! It’s hard to find a Brazilian who doesn’t have a sweet tooth, or doesn’t like chocolates. I recommend you buy any recognized brand of chocolate in its new flavor, or shape. You can buy the special edition of some brand they know, like a 4th the July, or Halloween edition Kit Kat bite size.

For example, last year I brought all types of the M&Ms bars for each one in my family to choose by color. They have M&Ms there, but not these! So it was a success.


maio 29, 2020

Sem tempo na quarentena Covid19

Por Elisabeth Santos

O gato Zion tambestá em quarentena.


O enfrentamento ao novo Corona força as pessoas, que têm alto risco de serem contaminadas e não se recuperarem, a ficar em casa. Algumas destas já estavam acostumadas, e não mudaram a rotina diária. Outras tiveram que reinventar a roda para bem sobreviverem como acontecia antes do confinamento.

Se a roda, girando como de costume, as mantinham ocupadas com as visitas a tudo quanto é lugar... Agora ficou parecendo uma roda, dia após dia, aguardando o tempo passar pela janela. Sendo que o tempo não é visível nem audível... tedioso ficou o cotidiano das pessoas vulneráveis a se tornarem pacientes de algum centro hospitalar, sem terem paciência para tal.

 Enfim, roda reinventada, alternativas para uma rotina que já não existe surgiram em todo canto do mundo. Uns cantando em verso e prosa; outros dançando e a maioria procurando o que fazer dentro de um espaço que sempre foi... sua própria e desconhecida casa.

- Introspectivos adentrem! Tem muita coisa a ser feita.

- Trabalhadores do mundo, ouvi-me! Tem muita poeira a ser eliminada.

- Gente criativa, imaginativa, pensantes em geral, mãos à obra!

- A hora é agora!

- Assim recolhidos, cada qual com seu próprio eu, sem mais o que fazer, navegar é preciso! Águas claras ou tumultuosas; caminhos retos ou tortuosos; céu azul ou enuviado... seja lá qual for o percurso perscrutado até então, a gente muda. Entrar pra dentro deixa de ser pleonasmo por representar a volta dos que não foram. O que vão dizer?

- Pirarei na batatinha?

- Nada de novo está sendo dito?

- Nunca, jamais, em tempo algum filosofastes?                

Ouvindo a resposta: - A roda está sendo reinventada. Não há como fazer omelete sem quebrar ovos, ou ... novos paradigmas serão peças de reposição para novos seres?

A primeira pergunta no passado:

- Haveria vida em outros planetas?

E a resposta:

- Bem provável a de micro organismos.

E alunos novatos perguntariam ainda:

- E vida inteligente que nem nós humanos no planeta Terra? Existiria no Universo?

E a última resposta ouvida para se entregar ao trabalho de cada qual reinventar-se:

- Mostremos nossa inteligência agora, nessa pandemia que nos tirou o chão. Chão de saber onde estamos, o que fazemos, para que ou quem vivemos. Crendo só no que vemos e sentimos fisicamente, em que iremos nos firmar agora? A lógica que um dia foi nossa bússola, direcionou nossas vidas, não tem mais sentido se um serzinho de merda, um vírus em forma de coroa, poderá ser o tirano a ordenar o que cada ser humano irá fazer daqui para a frente.

“_ Eu sou o ditador e determino: vocês vão passar o resto das suas existências tentando livrar-se de efeitos nocivos de suas próprias ingerências advindas da tal inteligência supostamente superior!”




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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

maio 22, 2020

4 hábitos americanos que são difíceis de aguentar



Existem coisas que os americanos fazem que são difíceis de aguentar, do ponto de vista de uma brasileira depois de 8 anos morando na Carolina do Sul.

1. Assoar o nariz à mesa na frente de outras pessoas.

Oh Meu Deus... se você está tão doente assim, não saia de casa. Se está com uma super alergia que acomete a todos durante a explosão de pólen na primavera tome remédio, vá ver um médico, fique em casa. Ou então se limite às interações que não vão fazer os outros vomitarem na sua frente.

2. Eles não lavam as mãos antes das refeições.

Esse fato é intrigante para mim porque eles comem com as mãos e sem usar guardanapos. Geralmente  pegam lanches, hamburgeres, asas de frango, fritas, bacon, pizza, tudo com as mãos.

3. Eles arrotam à mesa, elas arrotam também.

Eu entendia que garotos arrotavam alto e na frente dos outros para fazer graça, gerar uma reação de nojo nos outros, homens fazem isso também e pelos mesmos motivos. Acho que minha mãe avaliou bem a situação quando ela disse, "mas eles bebem muito refrigerante (com gás), então eles têm que arrotar". Não me interessa, eu não tenho estômago para aguentar, nem a necessária falta de olfato para ficar por perto...

4. Eles sugam as bebidas quentes fazendo barulho.

Eu entendo que meus amigos asiáticos façam isso, afinal é culturalmente interessante demonstrar que gostou do alimento ou bebida. Entretanto quando um americano faz isso na frente de outros não asiáticos é meio nojento.

***

maio 15, 2020

Pressentimentos I

Por Elisabeth Santos 


Contaram-me que na “minha infância querida que os anos não trazem mais” eu dizia frases premonitórias. Não posso afirmar totalmente. Sei que eu folheava revistas, jornais, livros ilustrados e tudo o mais de leitura diária dos meus pais e demais adultos da minha casa. Daí a “meter o bico” nos diálogos de gente grande com meus palpites... a distância não seria muita.

 Poderia o leitor curioso perguntar-me agora se fui uma criança enxerida, e eu não afirmaria nem negaria. Achava natural tudo aquilo. Acompanhei, e me estarreci com os julgamentos de crimes da guerra; sofri junto com vítimas de todo tipo de crime; acompanhei avanços tecnológicos; cobicei eletrodomésticos que facilitariam em muito o trabalho de donas de casas; “viajei” nos modelos de automóveis recém lançados, nos aviões teco-teco e também nos a jato.

Tudo isso e muito mais, pois eu lia e lia e nunca consegui juntar o verbo ler, ao verbo estudar. Resumindo: estudar seriamente... eu não conseguia. Tinha comigo que na hora da prova final da série escolar algo viria à minha mente para salvar-me. Esta fase durou que durou para desespero de meus pais. Guardei uma carta da mamãe para o meu padrinho Guido:

_Elisabeth Maria continua lendo muito. Estudar que seria bom... nada. Estou sempre repetindo a ela que largue de fantasias e faça o dever de casa. Resultado: o boletim dela do quarto ano primário no Colégio Sion trouxe a vergonhosa nota de cinco vírgula seis!

Completo agora que, passados mais três anos de escolaridade no mesmo estabelecimento... tomei uma bomba redonda, como se dizia em mil novecentos e sessenta e um! Matérias: Matemática, História do Brasil e Inglês.

Só cheguei a melhorar depois desse incidente de percurso e interessar-me verdadeiramente por aprender o que a escola preconizava, após a transferência para uma escola pública.

O detalhe nisso tudo é que eu continuava acreditando ter um Santo muito forte. Funcionava! Era despreocupada, porque o acaso sempre me protegia. Parecia que eu adivinhava facilmente, ou antevia perigos a desviar-me, coisas certas a dizer no momento exato. Sei lá o que poderia ser isto. Dava certo e eu acabava por concluir que não precisava preocupar-me com o que desse e viesse a acontecer a mim, aos meus, ao mundo.

Durou até que perdi minha mãe de um enfarto fulminante. Ela sendo medicada em casa, eu acompanhando tudo, cheguei à janela, olhei o céu repleto de estrelas e pensei: - Amanhã estará tudo bem. Ela não vai morrer e lembrarei desse sonho ruim e das estrelas todas que vejo agora.

Pela primeira vez antevi o impossível e me decepcionei.




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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora resolveu escrever e já publicou dois livros. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia"

abril 24, 2020

Pressentimentos II

Por Elisabeth Santos


Sentia tanto medo de pressentir e depois ver a acontecer coisas ruins nas minhas proximidades que fui censurando meus pensamentos espontâneos. Palavras, imagens, encontros casuais e até presentes ganhos, tinham um significado premonitório.

- Por que haveria de me desfazer de tal objeto, se dois dias depois vinha a precisar dele? Era “trancham”: descartava, necessitava em seguida. Deduzi que o que aparecia ao meu olhar e mãos era sim um aviso: - Você vai precisar disso!

Estendi minhas premonições ao acaso dos fatos ao redor, sem obsessão. Agia como tinha de agir, sem questionar-me, ou às cartas, bola de cristal, oráculo ou horóscopo.

Graças ao meu Santo Protetor, interno e invisível, não acumulei coisas completamente inúteis ou inválidas. Apenas que hoje, em idade senil sinto-me a carregar água em peneira, porque estou sempre a receber peças e tranqueiras aos montes, de destino ignoto, para todo dia lotar minha cabeça: - Quem mesmo estaria precisando de algo assim?

Não conseguindo lembrar de alguém por três horas... despejo na lixeira o que vai fazer a primeira camada terrestre formada pelo ser humano. A ...

Há algum tempo consigo lembrar-me do último sonho que tive dormindo e faço uma interpretação rasa. Não sou estudiosa do assunto, mas já troquei ideias com quem entende. Fiquei com a sugestão que me pareceu mais lógica: sonhos meus são só meus. A mim pertence a interpretação de acordo com o que tenho vivenciado ultimamente. Sonhar com parentes falecidos confabulando costuma ser um aviso de novidade. Poderá ser notícia boa ou nem tanto. Para esta última peço ajuda ao meu Santo Protetor. Assim sendo fico alerta quanto ao conteúdo ou mensagens prováveis dos sonhos que permanecem na memória, alegrando-me ou entristecendo.

Depois dessa introdução vou relatar o sonho constante que tenho tido pouco antes, e pouco depois da chegada do Corona vírus ao Brasil.

Dentre meus sete irmãos falecidos na idade adulta, dois exerceram a medicina, duas foram Assistentes Sociais. Um fundou uma escola com atendimento a crianças com Síndrome de Down, outro dirigiu uma Creche por alguns anos, e o último foi o “pai de todos” nas horas de aperto financeiro de quem precisou. Nesse ambiente vivi infância e adolescência. Depois que foram partindo, vê-los em sonhos, junto com mamãe, era motivo de alegria. Parecia tão real a presença deles diante de mim que eu participava do assunto naturalmente.

Hoje, ao acordar assustada, lembrei-me de onde estive, o que falei, escutei, a apreensão sentida.

Encontrava-me perambulando numa rua, parte iluminada, parte deserta e escura da minha cidade. Parecia procurar alguma casa. Não achando voltei a pé para observar melhor os aspectos das fachadas que naquele instante eu já não conseguia ver, dada à escuridão total, e por se encontrarem no alto de um barranco onde a numeração procurada não se fazia visível.

Veio uma criança, cabelos de anjo barroco, que reconheci algum dia ter sido minha aluna, a oferecer-me auxílio. Expliquei-lhe estar perdida, e ela se dispôs a levar-me à sua casa ali perto e usar o telefone. A casa era toda de pedras, parecendo um pequeno castelo num terreno exíguo. Não consegui esconder minha surpresa, em saber de uma menininha residindo num castelo e ela explicou-me assim: - Esse imóvel se encontrava sem dono pela ausência de alguém que reclamasse sua posse. Minha família não tinha onde morar, arranjou documentos atestando o mesmo sobrenome Lélis, e as autoridades competentes, reconhecendo a legitimidade, liberaram o castelinho para nós.

 Entramos e minha guia agora anfitriã, atravessou a sala apresentando-me:

- Esses são meus pais e irmãos. O telefone está no cômodo depois de subir a escada.

 Lá estava uma tia idosa, vestida de preto, altiva, cara fechada e bastante enrugada. O sofá era grande.

Depois de eu tentar minhas ligações telefônicas para o número do meu pai, sem resultado, resolvi ir a pé sozinha na escuridão que já não era de um lado só. Era total.

A menina, parecendo anjo, de nome Olgaídes, não queria deixar-me ir.

_ Dorme aqui hoje. Tem esse sofá onde tá minha tia.

_ Não. Vou para minha casa onde meu pai e minha mãe me esperam. O relógio da Igreja bateu nove e meia.

Pondo os pés para fora da casa de pedra achei por bem corrigir minha fala:

_ Não. Minha mãe morreu em mil novecentos e sessenta e sete. Meu pai deve estar preocupado comigo.

Dei dois passos na calçada da rua e voltei-me para dizer:

- Não, meu pai também já morreu. Foi no ano de 2002. Não tenho ninguém à minha espera.
Foi nessa que acordei assustada.

Toda vez em que visualizei a casa onde nasci... lá estavam meus sete irmãos junto de mamãe e papai tomando decisões como era de costume.

 Todos falecidos.

...

Enquanto escrevia este, ouvi alguém clamando por socorro. Era minha vizinha que tentava acordar seu neto com umas colheradas de açúcar. Estava desmaiado. Corremos, meu marido e eu a ajuda-la e levar os dois ao Pronto Atendimento da Saúde.

Faz uma hora que estão por lá...

Será que era este o aviso?

A casa deles é em frente à nossa e fica no alto do barranco...

Prefiro acreditar nisso, que ficar pensando no Corona Vírus vindo buscar-me.





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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora resolveu escrever e já publicou dois livros. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

abril 10, 2020

Pressentimentos III


Por Elisabeth Santos


Realmente sinto nem poder escrever sobre pressentimentos, que eles estão à minha porta.

Ainda bem que nem sempre são fatos tristes. Ontem tive de largar a escrita no meu computador por duas vezes: a primeira relatei ao final do texto II. Estive com meu marido a acudir, e levar ao Pronto Atendimento Municipal uma criança com hipoglicemia.

A segunda: estive a ver uma tourada bem à porta de nossa residência na cidade. Somos vizinhos de uma fabricação artesanal de carro puxado por bois, localizada no quintal mais próximo. Moramos na última rua central, confrontando com um pasto de montarias equinas, e bois. Nossa vida nos últimos vinte anos tem sido alegre, animada ou surpreendente como a que ocorreu ontem. Não podemos reclamar de pacatez. Sempre aparece algo novo: “carreata” de carros de bois de diversas localidades em ocasiões festivas; saídas de cavalgadas a lugares sagrados; comemorações do dia dos Santos Reis; criança aprendendo a montar numa égua das mansas; jovens saindo a passeio em grande estilo, cada qual em seu cavalo, seja puro sangue, um quarto de pureza, ou pangaré. Ninguém exibe preconceito: vão enturmados, seguros, cientes de suas responsabilidades num passeio campestre repleto de aventuras, imagino eu daqui do computador com câmera externa, acompanhando e inventando histórias.

Como ia eu narrando... ouvi um mugido e corri a pegar o celular para fotografar. Não deu tempo. O lance foi muito rápido. Achei que ia ver na tela de circuito externo, mas estava apagada pela tempestade noturna que interrompeu a energia elétrica sem que eu percebesse. Estava dormindo a sono solto. Então restou-me ouvir a sequência do ocorrido, ver a movimentada cena tal qual tourada de Madri de filme com Sarita Montiel, e gravar o final do “meu” relato.

Não estou enrolando. Tento fazer uma narrativa lógica acompanhando o que ouvi antes, e vi após o: - Muuuu...

Ouvi um caminhão desligando o motor. Fato comum. O mugido veio em seguida. Fiquei alerta!

- ‘Pera aí! Tem gado no pedaço. Deve estar em frente ao meu portão. Verei o que ele quer. Nooossaaa! O boi não quer descer da carreta!” - Pensei com meus botões.

O transportado teimava em não sair porque desconfiou o que estaria a acontecer do lado de lá daquela porteirinha. Lembrou de seus colegas que iam dar uma volta e não voltavam. Mudavam-se para fora do país em forma de hambúrguer. Aquele boi não sabia que o esperava um pasto espaçoso e verdinho, colegas cornos mansos, atos heroicos dignos de aplausos quando dos desfiles de carros de boi pelo centro da cidade!

Foi por isso que ao descer da condução que o trouxe ali... disparou ladeira abaixo pela extensão da rua comprida, o encarregado do transporte ligeiro atrás dele a pé, o ajudante aguardando-o pronto para jogar o laço.

Dizem que na descida todo santo ajuda, então o boi escapou de verdade. O encarregado entrou na carreta, ligou apressadamente o motor e foi no rastro do fujão. Dali a pouco outro alvoroço bem à porta da minha casa. Era todo mundo voltando.

Traziam o boi laçado pelo pescoço, e aí não teve escapatória. Adentraram pela porteirinha, um camarada puxando, outro empurrando o animal de pelo luzidio de suor.

Ao final do corredor da vida, o verdejante pasto. Acompanhei por cima do muro. Timidamente o novato cabisbaixo se viu rodeado de seus semelhantes, alguns velhos conhecidos de outras pastagens. Indagado sobre como veio parar ali respondeu, que seu coroa vivo o vendeu por ter ficado apertado de grana com a chegada de um tal de corona vírus.”

Acho que não preciso descrever mais nada...




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março 27, 2020

O dia em que A TERRA PAROU

Por Elisabeth Santos

Quem profetizou foi Raulzito, com sentido de ”A ESPÉCIE HUMANA PAROU”.

Animais silvestres e/ou selvagens não pararam. Continuaram pulando de galho em galho; chocando ovos com o olhar; arrastando asas para as fêmeas; bufando para o rival; uivando pra lua cheia; cantando numa nota só; armando o bote; de boa na lagoa; caçando chifre (ou carrapato) na cabeça de égua; voando em círculo sobre carniças; procurando sarna para se coçar, mel no vespeiro, grota para o descanso eterno. E ainda... camuflando, espreitando, fugindo da raia e caçando.

Ou estão avisando aos da sua espécie, que vem vindo tempestade, ou tem inimigo a vista, com seus gritos, assobios, urros, coaxados e até canto melancólico.

Animaizinhos, formigas, abelhas e todos mais que vivem juntos aos seus semelhantes têm maneiras de se ajudarem. Quer seja por comunicação antecipada, estoque de alimentos, preparação e divisão dos mesmos, quer seja pela união no momento do ataque do inimigo comum.

A cadeia alimentar existe. Ouvi do meu atelier um canto de pássaro bem diferente, e insistente, como não havia ouvido antes. Pensei numa nova espécie visitando a árvore que vejo pela janela. Atenta, fui observar quem estaria a cantar daquela maneira. Era uma canarinha desesperada, pedindo por socorro aos colegas, devido ao inesperado ataque de um gavião aos seus filhotes no ninho. Vi a fuga rápida do predador acompanhado do bando de canarinhos de bico em riste, fazendo um barulhão. Mas aquele já havia conseguido o intento.

Fui contar para minha vizinha o fato. Ela respondeu-me com um muxoxo explicando: - Até o filhote da canarinha o gavião levou. E olha que o pequenito se encontrava dentro da casinha que tem porta minúscula!

- E o gavião pegou com o bico?

- Não. Uma pata agarrada firmemente à entrada, a outra enfiada lá dentro a pegar o filhote.
E “O planeta Terra continua girando...”




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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora resolveu escrever e já publicou dois livros. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

março 06, 2020

O desenvolvimento do bebê



Por Elisabeth Santos

Completados quatro meses de vida, o bebê parece outro: as cólicas sumiram; o tamanho e o peso aumentaram significativamente; o repertório dos sons foi acrescido de uma variedade de outros com que tenta conversar com os adultos à sua volta; prefere a posição assentado com apoio; gosta cada vez mais de estar fora de casa; sorri de felicidade ao perceber que está indo passear de carrinho, carro ou carrão.

O bebê interage à sua maneira, e o dia a dia com seus cuidadores está bem mais interessante. Atento aos movimentos e barulhos à sua volta, procura com os olhinhos: as luzes; o ventilador de teto movimentando; os brinquedos coloridos que balançam por ali pendurados; o ambiente diferente em que se encontra...

É como se quisesse dizer:

- Esta não é a minha casa. Que pessoas são essas? Por que ficam me bajulando?

O neném ainda não se encontra na idade de estranhar, mas quando cessa a canção de ninar, o embalo da sua condução, o rumor de pessoas à sua volta, ele resmunga. É tão novinho, mas sabe manifestar gosto por essas coisas que todas as crianças do mundo gostam. A gente acha graça. Se rimos, ele ri também. Parece que nos entende.

Quando ele chora, embora saibamos que é seu jeito de expressar, fazemos de tudo para distraí-lo. Dali a pouco ele para de chorar e deve ficar pensando no tanto de adulto bobo ele tem por perto. Uns a balbuciar imitando-o, outros a estalar os dedos, bater palmas, cantarolar e até revezando colinho bom. Neste ponto parecem até disputar qual vai ser a alquimia a resolver o que acham ser um problema: o choro da criaturinha!

Outra coisa que tentam pausar é o soluço do bebê. Seria o frio? O peito úmido de tanto babar? Qual seria a solução para soluço?

Por enquanto ele não bebe água.

Um susto resolveria?

Quem sabe uma simpatia ensinada pela bisavó?

E o soluço some sozinho, sem explicação.

O bebê?

Tá nem aí.




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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora resolveu escrever e já publicou dois livros. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

fevereiro 28, 2020

Meu vovô

Por Elisabeth Santos

Meu vovô me ensinando a dirigir.

Meu vovô é muito lindo: conversa comigo, faz eu dormir e me leva para dar uma volta de carro. Quando eu vou pegar no sono, por um tempo fico conferindo se ele continua ali pertinho me olhando. É bem assim: meus olhos vão fechando de sonolência pura, tento conservar eles bem abertos para ver se o meu vovozinho ainda está por ali. Se está, eu sorrio. E assim abrindo e fechando os olhos cada vez mais lentamente... Cansado de querer me livrar do sono profundo, eu durmo sossegado.

Dormir é muito bom quando eu acordo. Acordo de bom humor, sorrindo até chegar meu leite. Se atrasa... abro a boca a chorar para dizer à minha mãe, que ela está demorando. Então é esta a ordem do dia:

_ Dormir sob o olhar do vovô, e acordar com a minha mãe já me esperando para mamar.

A hora do meu banho eu não deixo passar. Resmungo e resmungo. Escuto o barulho da água e espero. Para mim é um recreio escolar de tanta felicidade quando meu vovô, ajudado pela vovó, me põe na água. Que delícia!

Eu tenho que me manifestar na hora da saída da banheira, então faço beicinho de choro. Minha vovó, encarregada de me secar faz daquele momento uma farra e eu desisto de reclamar que sair da água, meu ambiente natural antes de nascer, é decepcionante.

Depois... chegando a hora de por roupa, todo mundo já sabe o que não gosto. Choro de verdade se gola e punhos são difíceis de passar. Vovô sempre dá um jeito de amenizar a situação, conversando e rindo para mim.

_ Quer ficar pelado é? Pode não. Olha que roupinha bonita escolhi para você na loja do Turco.

Volto à minha rotina de mamar, dormir, brincar.

O choro é meu modo de dizer que molhei a fralda. No exato momento da troca, muito à vontade assim peladinho, sai um xixi em direção a quem ali está comigo. Acho que já acertei cada um que cuida de mim. Se falta alguém, pode aparecer que ainda acerto.

Os cuidadores habituais estão avisados:

- Feche a fralda limpa rapidamente. Sem querer querendo, lá vai um jato. Vovô é meu alvo preferido porque não reclama. Muito pelo contrário, dá risada. Aliás... tudo que eu faço ele acha engraçado ou bonito. Conta pra todo mundo minhas proezas.

E eu fico feliz!




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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora resolveu escrever e já publicou dois livros. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".