maio 01, 2015

O agito


Um dia agitado começa com o sol explodindo em vermelho, a descoberta de mais um gambá envenenado, pouca água na bica, uma porta encrencada, e más notícias por todo lado. Como não podia faltar o bêbado passa no meio da rua anunciando ser o delegado.

Samaria visita Donasanja lamuriando uma filha sumida. Quer que a vizinha chame o órgão responsável por criança mal criada e nela dê um jeito. Mal sabe que o momento é de chamar a polícia pro pai.

Parece que o dia vai ser de agito em suas vinte e quatro horas! Melhor ficar em casa, cozinhando o arroz com feijão do almoço e da janta, quietinha, quietinha. Se fizer marola, come mosca!

Lá pelas tantas, de reformas de roupas já prontas, arrumada para um velório pega o terço e sai. Na volta, sentada na poltroninha, pés cansados pra cima, liga a TV.

O terrorismo em todos os canais de comunicação! Mataram mais dois? Não. Mataram mais doze! E agora são menos doze mil defendendo a liberdade de expressão.


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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

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