maio 15, 2017

Riqueza, Pobreza e Políticas; a perspectiva internacional de Thomas Sowell.

Wealth, Poverty and Politics, an international perspective.

Ganhei esse livrão do Mestre Thomas Sowell ano passado, 2016 e logo depois disso ele anunciou que ia se aposentar. Como ele mesmo disse, "Não me perguntem, por que me aposentar agora? Pensem que, só agora, aos 86 anos, estou me aposentando."

Eu já havia lido outros livros dele, sendo que o primeiro foi a autobiografia, o outro está aquiRecomendo todos eles, bem como a página de fotografias. Sim, Sowell é também um ótimo fotógrafo (veja aqui). Para quem nunca leu nada dele, Thomas tem um jeito simples de falar sobre assuntos complexos. Ele escreve sobre economia sem usar gráficos complicados. Isso é bom para a minha vivência de designer que estudou artes e psicologia, apesar de que não me incomodaria em ver algumas tabelas. (=

Aviso importante: não sei se vou fazer o resumão do livro todo, pode ser que pare por aqui. Vou primeiro ver como anda a carruagem.

Capítulo 1 - Problemas

Hoje ficamos incomodados com a desigualdade entre países, mas nos esquecemos que elas são comuns desde milênios. O assunto vai muito além do fator riqueza. Considere que na antiguidade, os gregos já possuíam a escrita, a geometria, a arquitetura, a política, a filosofia de Platão e Aristóteles; a Inglaterra era um terra sem um prédio sequer e ainda por cima habitada por analfabetos. Em compensação, os britânicos do século 19 eram muito mais avançados do que os gregos nesta época.

Por muitos anos os chineses estavam à frente de qualquer europeu. Eles tinham inventado o compasso, o papel, a impressão, a escrita, sem contar a porcelana, a panela de ferro, os navios e as grandes navegações. Vemos que depois a situação se inverteu. 

A agricultura chegou a Europa pelo Oriente Médio e atingiu primeiro a Grécia trazendo com ela as benesses da urbanização. Ou seja, a geografia é uma dos fatores de influência na riqueza de um país.

Regiões montanhosas desencorajam o desenvolvimento deixando essas localidades pobres e atrasadas. O fato foi  repetidamente observado  anos antes da revolução dos transportes em diferentes países, das montanhas apalachianas nos USA à cordilheira do Himalaia.


Então a geografia é uma das características a ser considerada na desigualdade e as montanhas são apenas uma parte da geografia. Independente disso, o isolamento cultural ou físico são padrões verificados na pobreza bem como no atraso cultural.

Desigualdade de renda é comum também entre países de uma mesma região como na Europa, com a Suíça e Portugal de hoje em dia. Ainda que as pessoas se revoltem com isso, não há um único fator que possa ser apontado como culpado por tais diferenças. Mesmo que você se sensibilize e esperneie por causa dessa situação, não há nada que possa fazer para mudar essa dura realidade.

Ninguém aqui está negando o fato dos espanhóis terem brutalmente colonizado o continente americano, sugando por anos a produção dos países e dos povos indígenas que ali viviam. Entretanto a pergunta aqui é: em que extensão esta transferência de riqueza das colônias contribui para a riqueza da Espanha hoje em dia?

Veja que a Espanha é um dos países mais pobres da Europa. Enquanto isso, Suíça e Noruega, que nunca tiveram colônias, são hoje as nações mais ricas do continente. Então o ouro que inundou a península ibérica naquela época foi gasto com futilidades ao invés de investimentos na economia ou na população.

Nos anos 1800 um negro americano, que havia deixado há pouco mais de 50 anos a vida de escravo, já era letrado. Enquanto que, na mesma época os espanhóis ainda tinham uma taxa de analfabetismo bem alta. Pelos anos de 1900, um negro americano de baixa renda ganhava um pouco mais que um espanhol. Ou seja, a riqueza não fez muita diferença para essa situação.

"Questões morais não podem ser confundidas com questões causais e também não devem ser combinadas para facilitar entendimento delas."

A diferença econômica é um dos aspectos da desigualdade, mas há uma tendência a se achar que a diferença econômica encontrada dentro de um país é a causa da desigualdade. Se isso fosse verdade o governo podia fazer com que todos ficassem ricos somente imprimindo mais dinheiro. Pensando assim, alguns acreditam que o governo pode simplesmente redistribuir a riqueza repartindo a renda, ou seja, fazendo justiça aos injustiçados.

Algumas instituições e a mídia falam como se riqueza ou renda surgissem do nada deixando de lado a pergunta fundamental, e verdadeiramente interessante. Como a riqueza é distribuída?

Uma das respostas citadas por Sowell foi dada pelo economista americano Henry George. Quer sejam povos, regiões ou nações, o problema da pobreza não é distribuição, mas sim porquê esses povos não produzem o suficiente. Porém essa visão é atípica, principalmente para aqueles que já tem uma interpretação na ponta da língua e uma agenda atrelada a essa explicação.

A missão de Sowell neste livro é mostrar as diferenças de produção dos diversos protagonistas econômicos do mundo e ele vai fazer isso nas 424 páginas da edição revisada e aumentada. (Detalhe: Thomas Sowell é um autor que sistematicamente revisava suas publicações.)

É fundamental para a leitura do livro entender que determinismo não é a mesma coisa que influência. Lembrando que ambos interagem entre si enquanto também interagem com outros fatores.

O exemplo que demonstra um erro comum de determinismo é dizer que regiões ricas geram países ricos. Esse argumento não é verdadeiro e pode ser facilmente rebatido com exemplos como Venezuela e Nigéria, Japão e Suiça. Os dois primeiros países estão situados em regiões com recursos naturais capazes de garantir a riqueza de todos os habitantes do país. Enquanto isso, Japão e Suiça são basicamente desprovidos desse tipo de recursos. (Eu diria que Sowell não conheceu suficientemente o Brasil, esse país rico pra c@ráio onde os políticos fazem sua população viver na M.)

Outros fatores que influenciam e afetam a riqueza podem ser: os rios, o acesso ao oceano, as terras, as riquezas minerais, o clima, a localização geográfica no continente, a genética dos habitantes da região, a cultura, o Q.I. da população, a política, dentre outros fatores. Tudo isso influencia, mas não determina e Sowell detalha cada um desses pontos no decorrer dos 6 capítulos do livro.

Segundo ele, sempre que você falar somente de um fator vai reduzir e simplificar um problema que é muito complexo. Existe sempre uma grande variedade de fatores envolvidos em cada uma das regiões e países a serem considerados. Alguns analistas falham quando deixam de lado os fatores que fizeram, por exemplo os Estados Unidos e o Canadá prosperarem. Lembrando que eles foram colônias britânicas, bem como Serra Leoa e Nigéria. Ambas hoje tem 70% da população vivendo abaixo da linha de pobreza.

Em menos de meio século, algumas nações deixaram de serem atrasadas e pobres, apesar da  manutenção da genética de seu povo. O que mudou então? A resposta é: a cultura!

A correlação e a causa também são dois pontos que devem ser diferenciados. Entender a relação entre as influências é fundamental para a leitura deste livro. Então ele termina o capítulo com a frase abaixo.

"É melhor estar quase certo do que totalmente errado."




Outros textos interessantes para você.

O guia prático do senso comum de economia por Thomas Sowell.

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