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agosto 11, 2020

Convivendo com um passivo-agressivo, o livro, epílogo

Atendendo a pedidos, cá estou eu dando continuidade ao resumão do livro do Dr. Scott no qual ele combina experiências de consultório, de amigos e observações sociais sobre a convivência com um passivo-agressivo.

Lembrando que nada substitui a leitura do livro do próprio autor. Esse texto tem a intenção de ser a base introdutória para um assunto complexo que merece ser relido várias vezes durante o longo e duro processo de amadurecimento.


Epílogo

Poliana está na porta do cinema esperando o namorado quando se dá conta que ele é mais um passivo-agressivo que atravessa a vida dela. Ela geralmente decidia onde iam passar as férias e quanto tempo seria.

Assim como Poliana, muitas mulheres andam agoniadas, frustradas ou com raiva. Elas se devoram em pensamentos e maquinações... Mas eu espero que este livro as ajude a aprender e se proteger desses tipos passivo-agressivos.

Entenda que apesar de gostar e se importar com ele, você não é responsável pelos problemas dele nem mesmo pela maneira com que ele trata você. Mais importante que tudo, você não é responsável pela mudança dele. Embora sua ajuda seja importante, uma mudança de comportamento é trabalho para um terapeuta.

Como deixar de ser passivo-agressivo?

Algumas respostas mais frequentes:

- Por que ele é passivo-agressivo? Tudo começa com a negação da raiva, medo da intimidade, dependência e competição, gerenciamento de conflitos com desculpas, procrastinação e auto-sabotagem. Os pais formaram o caráter dele punindo uns e reforçando e recompensando outros.

- O que você ganha no relacionamento com ele? Por que você cai na rede do passivo-agressivo? Acho que ajudei você a entender o seu jeito de agir perto dele. Você acha engraçado o jeito dele? Acha o jeito evasivo dele algo desafiador? Você pode agir como uma vítima que não age para se defender, uma salvadora que vai o resgatar fazendo tudo para ele assim como sua mãe ou uma gerente que não aceita não como resposta. Assim você pode encontrar seu lugar nessa equação.


* Espero que tenha entendido que:

1. Ele é responsável por tudo o que acontece com ele, mesmo que ele não aceite isso.

2. Ele está no controle de suas escolhas, boas ou más. O mesmo vale para você.

3. Seja clara sobre suas expectativas no relacionamento com ele, fale com ele, coloque limites necessários.

Infelizmente saber não é fazer e mudar dá trabalho, para você e para ele.

Se você realmente gosta dele e vê potencial no relacionamento. Convença ele a fazer terapia, pois haverá o momento que você chegará no seu limite de atuação enquanto namorada, esposa.

O autor decide terminar o livro enfatizando o quanto a terapia com o passivo-agressivo que quer fazer uma mudança de vida, vai funcionar. Além de influenciar seu comportamento no trabalho e em casa com atitudes assertivas.

Para isso acontecer ele deve:

- Estar preparando para tomar contato com seus sentimentos.

- Se livrar de sentimentos do passado que o imobilizaram.

- Entender como ele perpetua situações que o fazem ficar como está.

- Saber que vai ganhar um relacionamento íntimo completo e será um excelente funcionário.




O livro: Living with the Passive-Aggressive man; Coping with the Personality Syndrome of Hidden Aggression - from the Bedroom to the Boardroom, de Scott Wetzler, Ph.D. Em tradução livre Vivendo com o homem passivo-agressivo; Lidando com a Síndrome de Personalidade da Agressão Encoberta - da Cama à Sala de Reuniões. Autor: Scott Wetzler, Phd., New York, 1992.

agosto 10, 2020

Convivendo com um passivo-agressivo, o livro, capítulo 10.2

Atendendo a pedidos, cá estou eu dando continuidade ao resumão do livro do Dr. Scott no qual ele combina experiências de consultório, de amigos e observações sociais sobre a convivência com um passivo-agressivo.


Lembrando que nada substitui a leitura do livro do próprio autor. Esse texto tem a intenção de ser a base introdutória para um assunto complexo que merece ser relido várias vezes durante o longo e duro processo de amadurecimento.


Elogio ou um insulto passivo-agressivo.
É mesmo difícil de saber.


A bordo do trem do insulto

O passivo-agressivo é arrogante e facilmente insulta os outros que geralmente nunca saberão o que ele realmente pensa. Ele precisa ser constantemente persuadido e lembrado de sua importância. Alguns chefes pedem para a secretária interromper reuniões com mensagens urgentes que fazem o visitante achar que está diante de alguém imprescindível.


Se recusando a tomar decisões

Inclinado a ficar em cima do muro, ele vai concordar com você quando estiverem sozinhos. Contudo, vai se fazer de desentendido quando estiverem perto de seus adversários. Ele vai ter muita dificuldade em mandar pessoas embora, pois não quer ser o cara mau. Alguns preferem deixar que o funcionário perceba que não tem mais valor na firma e saia por si mesmo. É um sádico e demorado processo.  

Ele não é um líder, então não peça para ser um.


Fazendo bonito com o chapéu alheio

Esse é outro jogo que ele é muito bom. Vai pegar crédito de outros com coisas que não fez, mas somente quando a ideia dá certo. Claro! Falta-lhe ética ao deixar que o colega seja injustiçado, mas ele age assim por não suportar sua própria impotência.

Mantenha cópias de emails e anotações sobre decisões e ideias que tenham a ver com você e ele. Mesmo que isso seja contra sua natureza, é o melhor a fazer. Essa atitude vai o conter, mas não vai mudar o comportamento dele. 

Às vezes é bem sutil...
Portland recicla!


O desvio eterno   

Mesmo quando ele próprio colocar datas para entrega de seus projetos, é provável que ele as descumpra. São tarefas menores, detalhes que não merecem atenção. Ainda assim ele vai desviar o foco para conversas no corredor e ligações desnecessárias que vão o convencer de que estava muito ocupado. Ele ama desvios e respostas fáceis que vão o levar ao outro grande problema: procrastinação.


Quando o passivo-agressivo trabalha para uma mulher
 
É fato que as executivas têm mais subordinados passivo-agressivos que seus parceiros executivos. Sua autoridade é constantemente testada e os funcionários se magoam mais facilmente do que quando trabalham para homens.

Isso acontece devido à memória que tem de uma mãe autoritária e super controladora comparado com seu pai ausente e fraco. No fundo, ele anseia que o homem seja forte e que a mulher seja fraca. Tanto é que ele acha que não colocar nenhum perigo aos chefes.


A empresa passivo-agressiva

As empresas também podem ser consideradas passivo-agressivas, acostumadas com maneiras indiretas de agir, burocracia e trabalho supérfluo. Para sobreviver dentro delas, você deverá ser o mestre da agressão passiva. É muito comum de se ver em departamentos governamentais onde funcionários pensam somente em termos do dia do pagamento, do plano de saúde e dos benefícios, ao invés do crescimento profissional, comprometimento com o trabalho bem feito e salário merecido.

A maioria dos trabalhos burocráticos estimulam esses comportamentos transformando a empresa em inércia pura. Muitos que lá trabalham "não fazem nada de errado, nunca" apenas obedecendo seus chefes e dizendo não para todo o cliente externo.

Essas são empresas fáceis de identificar pelo tempo improdutivo e a falta de poder de seus funcionários. Agendas egoístas que não se importam em atingir o objetivo a tempo, comunicação confusa, infidelidade e boas ideias que morrem na praia são outras características.

Assim funciona no dia-a-dia, o diretor passa uma ordem passivo-agressivamente para seus subordinados diretos que repassam ao segundo escalão a mesma ordem contaminando toda a empresa. Todos os funcionários se sentirão alienados e infelizes descontando nos colegas.


Finalmente

Apesar de existir em empresas, o comportamento é menos aceito neste ambiente. Esposa, amigos e familiares costumam tolerar muito mais. Devido ao ambiente impessoal, os colegas poderão falar abertamente com o passivo-agressivo para o fazer parar com os jogos ou cair fora.

O livro: Living with the Passive-Aggressive man; Coping with the Personality Syndrome of Hidden Aggression - from the Bedroom to the Boardroom, de Scott Wetzler, Ph.D. Em tradução livre Vivendo com o homem passivo-agressivo; Lidando com a Síndrome de Personalidade da Agressão Encoberta - da Cama à Sala de Reuniões. Autor: Scott Wetzler, Phd., New York, 1992.

fevereiro 06, 2019

Como melhorar a sua relação com o dinheiro - para mulheres.

Isso foi num dia de muita sorte!
Tomar decisões com a cabeça, não com o coração. Essa é a conclusão do que esse texto quer te ensinar.
 
Inteligência e educação formal não têm nada a ver com essa história, não se iluda!
 
Mesmo uma mulher com uma ótima carreira e ganhando um bom dinheiro se confunde colocando o coração na frente de decisões financeiras importantes.
 
O que nos atrapalha, na maioria das vezes é aquela mania feminina de querer ajudar o outro ou, às vezes, de deixar outra pessoa no comando das suas finanças.
 
Mais especificamente:
 
* Mães que falam sim para todo o lançamento de game que a criança vê por aí, mas não conseguem economizar para a própria aposentadoria.
 
* Esposas que deixam o marido cuidar das finanças e depois do divórcio (ou falecimento do conjuge) falam que estão perdidas. Lembre-se que nessas horas tudo piora se você não têm a mínima ideia de por onde começar a se relacionar com seu dinheiro.
 
* Solteiras, de todas as idades que nunca se casaram e acham muito complicado (e chato) lidar com investimentos. Por isso elas simplesmente não o fazem. Ao mesmo tempo elas se sentem aterrorizadas por não terem seguraça financeira.
 
Saiba que saber sobre finanças não é tão difícil assim. Você também não precisa gerar uma pressão no relacionamento com seu marido para saber como anda seu patrimôniio. Tudo o que você precisa é um par de olhos bem abertos e honestidade.
 
Comece sendo generosa com você mesma. Isso quer dizer, por exemplo não fazer dívidas para a faculdade de um filho se você não consegue economizar para sua própria aposentadoria - ainda que isso seja manter os pagamentos do seu carnê de INSS em dia.
 
Diga não por amor; não diga sim por medo!
 
Coloque limites nos gastos familiares. Saiba que isso vai ajudar todo mundo - literalmente. Quando você aceita assinar uma crédito na loja para seu filho pagar as parcelas, você está o ajudando? Ele é responsável para pagar as parcelas? Pagar por todos os gastos que seus filhos fazem - conta de cellular por exemplo - ajuda a eles a serem adultos seguros e inteligentes?
 
Ser financeiramente honesta com você mesma e com as pessoas que você ama não é egoísmo. Mostra que você quer levar sua família para um lugar mais seguro no futuro.
 
 
O guia prático do senso comum de economia por Thomas Sowell.
 
 
 

janeiro 02, 2019

5 dicas para realizar as resoluções do Ano Novo

 
Quais resoluções de 2018 você conseguiu de fato realizar?
Conte para a gente nos comentários.
 
Aqui nos Estados Unidos um grande mercado fez uma pesquisa on line e descobriu que:

5% pararam de fumar,

5% das pessoas conseguiram viajar mais,

16% ficaram mais saudáveis,

16% alcançaram outros objetivos como engravidar, rezar toda noite, serem melhores pessoas,

21% melhoraram a dieta,

37% decidiram não tomar nenhuma decisão de ano novo.

***
 
Para realizar os planos de 2019, aqui está uma lista que vai mandar para o espaço toda a sua procrastinação. Seja persistente e nada de corpo mole na hora de executar as decisões do ano que se inicia.
 
1. Faça resoluções diretas e objetivas. Nosso cérebro entende que as tarefas concretas são mais urgentes e devem ser executadas agora.
 
2. Como dizem por aí, coma o elefante aos bifes. Tome coragem e faça o primeiro movimento, por exemplo, comece com uma caminhada curta.
 
3. Terceirize sua força de vontade. Peça ajuda a um colega, amigo ou familiar para te manter empolgado com a tarefa.

4. Tire as tentações de dentro da sua casa. Uma boa ideia é não ter doces na geladeira de casa, nem no trabalho. Quando quiser comer um doce, vá até a doceria.

5. Um passo para trás para dar dois para frente. A mudança é um processo, isso quer dizer que alguns dias não são tão bons quanto os outros. Entenda a dificuldade que se colocou na sua frente, se perdoe por não ser perfeito, corrija a rota e siga em frente.
 
 
Um abraço e um ótimo 2019!

novembro 05, 2018

Convivendo com um passivo-agressivo, o livro, capítulo 7

Atendendo a pedidos, cá estou eu dando continuidade ao resumão do livro do Dr. Scott no qual ele combina experiências de consultório, de amigos e observações sociais sobre a convivência com um passivo-agressivo.

Lembrando que nada substitui a leitura do livro do próprio autor. Esse texto tem a intenção de ser a base introdutória para um assunto complexo que merece ser relido várias vezes durante o longo e duro processo de amadurecimento.


Eu não gosto do termo "passivo-agressivo" porque parece que eu estou deixando passar a oportunidade de ser agressivo.

Fazendo conexões: intimidade e comprometimento

De todos os problemas que você vai ter com um passivo-agressivo, os mais difíceis de vencer são: estabelecer um longo relacionamento e a expressão de amor, pois ele tem problemas com as bases de qualquer relacionamento. Confiança, intimidade, aproximação, comprometimento e o medo da rejeição.

Algumas mulheres reclamam que os namorados não as deixam saber das coisas ruins que estão acontecendo na vida deles. Criando baixos níveis de hostilidade que as deixam distantes, mas ainda atreladas a eles. Aos poucos você vai se questionar "porque estou buscando intimidade com uma pessoa incapaz de se aproximar?"


Olhando para os homens e a intimidade

Vários livros já foram escritos sobre o assunto e como a masculinidade às vezes se próxima da sexualidade opondo-se à intimidade. Ao se colocar distante de você o passivo-agressivo também sofre as consequências por ser difícil de agradar. 


No relacionamento a intimidade permite a dependência mútua.

Quão desagradável é estar ao lado de alguém que não responde suas perguntas? Que te faz implorar por uma resposta? Ele é como o cavalo no jogo de xadrez, se movimentando duas casas à frente e uma para o lado. Você reduz suas expectativas para estar com ele? Sim e não. Entenda como ele vê a vida e decidir quanto de intimidade você quer num relacionamento e finalmente, aceitá-lo.


Os galinhas e os pesos mortos

Dois tipos de passivos-agressivos são citados nessa parte do livro com exemplos bem comuns. Os primeiros (galinhas) mantêm você por perto enquanto namoram outras garotas fora do casamento, o outro vive com você e está sempre do seu lado, mas nunca com você. Ambos são insatisfatórios.


O assunto delicado que é confiança

As crianças confiam nos que seus pais, eles vão cuidar dela, ao mesmo tempo que eles confiam que a criança será amorosa, leal e obediente. Caim e Abel, Brutus e Judas são exemplos de histórias de traição e o passivo-agressivo vai saber de cor cada um dos que o traíram. 

Ao mesmo tempo, a percepção enviesada dele vai predicar uma traição sua a qualquer momento. Por isso ele não baixa a guarda para você.


Dando e recebendo

Uma criança que vive numa casa onde o amor é distribuído em abundância e se sente plenamente amada é capaz de distribuir amor mais facilmente. Ao contrário, o passivo-agressivo cresceu numa casa onde ele nunca recebeu o quanto gostaria e nunca receberá. Em consequência, ele será menos generoso com suas afeições. Privar os outros da felicidade que ele não teve faz sentido para ele. "Se eu não recebo que quero, por que devo dar para eles o que eles querem?"


O passivo-agressivo nunca agradece.

Uma paciente foi atrás da melhor lasanha da cidade para o namorado e ouviu dele algo assim "Lasanha? A melhor que eu já comi foi num restaurante familiar em Florença". Você revira a cidade procurando um livro para ele para ouvir "Quando eu preciso de livro eu ligo para o sebo do meu amigo". Outras frases são "eu não preciso de nada" ou "eu não gosto de celebrar meu aniversário com vinho barato" quando você acaba de abrir uma garrafa.

Jane e John precisaram chamar o encanador para um conserto no banheiro do casal. Há meses eles receberam a conta do profissional. John falou que ia pagar e falou que havia pago quando perguntado novamente depois de uns dias. Entretanto, Jane continuava recebendo ligações do encanador para efetuar o pagamento. Finalmente ela decide preencher o cheque e entregar para o rapaz. John ficou furioso ao saber que ela pagou pelo serviço, se sentiu traído e mandou ela não se meter nos problemas dele. Jane respondeu que o banheiro era problema dela também.


Rejeitando e sendo rejeitado

Como você já percebeu esse relacionamento é especialmente problemático porque o passivo-agressivo esconde o medo de ser rejeitado e desconta em você as dificuldades que teve no passado. Ainda que ele não demonstre, seus sentimentos são profundos e facilmente feridos.

A paciente do Scott estava saindo com um rapaz por quem se sentia atraída, mas Roberto era efusivo e insistia para que eles se vissem todos os dias. Rebeca um dia falou que apesar de gostar muito dele, ele às vezes "forçava a barra" para que se encontrassem. Ele então desapareceu por uma semana. Quando ela ligou para saber o que havia acontecido, ouviu que ele "não queria ficar implorando". Após o comentário, ela entendeu que o havia machucado.

Muitos passivos-agressivos têm dificuldade em manter amizades e relacionamentos porque assumem que as pessoas não gostam dele. Outros têm baixa auto-estima e empurram as pessoas para longe, antecipando a rejeição. Uma pessoa desse tipo precisa se abrir para a possibilidade de rejeição e entender que sobreviverá.


Fazendo a primeira conexão

Se você está lendo esse livro, diz o autor, você deve saber que não importa o quanto ele se mostra forte por fora, este é um homem assustado. Além disso, lembre-se que nada disso é sua culpa, mas que você faz parte do jogo. E se quer viver com ele deve entender ele não vai mudar enquanto não se sentir seguro. Deixe-o falar, se expressar sem o analisar.

O amor não deve ser confundido com a paixão, nem mesmo com a vontade de mudar o outro. Você não tem responsabilidade de o fazer feliz. A mudança é algo possível, mas é necessário que ambos queiram mudar.


***



O livro: Living with the Passive-Aggressive man; Coping with the Personality Syndrome of Hidden Aggression - from the Bedroom to the Boardroom, de Scott Wetzler, Ph.D. Em tradução livre Vivendo com o homem passivo-agressivo; Lidando com a Síndrome de Personalidade da Agressão Encoberta - da Cama à Sala de Reuniões. Autor: Scott Wetzler, Phd., New York, 1992.

outubro 29, 2018

Convivendo com um passivo-agressivo, o livro, capítulo 6.2

Atendendo a pedidos, cá estou eu dando continuidade ao resumão do livro do Dr. Scott no qual ele combina experiências de consultório, de amigos e observações sociais sobre a convivência com um passivo-agressivo.

Lembrando que nada substitui a leitura do livro do próprio autor. Esse texto tem a intenção de ser a base introdutória para um assunto complexo que merece ser relido várias vezes durante o longo e duro processo de amadurecimento.

- Eu espero que a pessoa que comeu meus morangos hoje tenha aproveitado. Da próxima vez eu vou cobrir eles com chocolate Godiva para o assaltante ficar mais satisfeito.
- Você pode por favor fazer alguns com chocolate branco? Eles são os meus favoritos! Se você também puder comprar no Whole Foods porque os morangos de lá são melhores porque eles são orgânicos. Obrigada =)


Se protegendo

Todo ser humano tem direito a seus sentimentos, mas não tem direito de jogar a culpa sobre você sem sofrer as consequências. Amiga, você não é saco de pancadas!

Lembrando que a raiva que ele destila, não tem nada a ver com você. Ele está bravo com o chefe e a despeja em você quando chega em casa. Nos anos 1960 e 70 vários terapeutas americanos exploraram técnicas de extravasar a raiva represada nos pacientes. Estimulados a dizer várias vezes "estou com raiva", eles batiam em travesseiros no momento de transbordar a fúria sobre algo específico.

Eles se sentiam melhor? Provavelmente. Entretanto sendo o ser humano capaz de produzir ilimitadas quantidades de cólera, o problema não ser resolvia. (Lembre-se disso para os seus próprios momentos de irritação.)

O fato básico é entender que ele é dirigido pelo medo, mas existem dois tipos de medo. 1. o medo de ser machucado por você e isso fomenta a raiva e a passividade-agressiva. 2. o medo de machucar você que quando de fato acontece, reafirma o fato da raiva dele ser algo destrutivo. Sendo assim, limitar o comportamento hostil dele e se proteger, faz com que ele sinta menos medo.

O benefício está também em entender que nem sempre a raiva estraga as coisas, desde que ela seja expressa de maneira aberta e com tato. Desabafar faz sentido para ambos, desde que seja feito de maneira apropriada.


Confrontando-o sem piorar as coisas

Críticas devem ser dirigidas ao comportamento dele, não à pessoa. O confronto é necessário para resolver problemas, então prefira falar: "quando você faz ... , eu sinto ..." ou "você me ofende, tal coisa me machuca". Comportamentos mudam, essência não. Por exemplo, se seu colega de chega super atrasado e cancela no último minuto as caminhadas que fazem juntos você deve cancelar as caminhadas, não a amizade.

Confrotamento tem duas vias: por um lado expõe o passivo-agressivo às consequências de suas atitudes, mas se isso não funcionar, pelo menos é uma maneira de você falar diretamente com ele se colocando fora dessa lógica de comportamento. Nunca caia no jogo da vítima, pois o seu grande erro será se sentir culpada pela reclamação dele. Por exemplo, falando coisas como "me desculpe for falar isso para você" ou "sei que você está ocupado".

Ao contrário, fale "você sempre foi justo e eu sempre contei com você. Eu estou com medo do que está acontecendo agora entre nós (nesse departamento), como eu tenho sido tratada. Vamos conversar durante o almoço porque isso é importante para mim." Enfrentar o passivo-agressivo mostrando as consequências da sua conduta é uma condição necessária para se viver (ou trabalhar) com ele.

Aprenda também que outras horas é melhor nem responder. A não ser que queira acabar com o relacionamento, você não deve o enfrentar dizendo "esta é a última chance para dizer a verdade, ou vou embora  amanhã."


Sendo justa durante as brigas

A raiva é um componente inerente aos relacionamentos entre seres humanos, mas como lidamos com ela e a expressamos determina o sucesso de um relacionamento de longo tempo.

Relacionamentos fortes são aqueles onde a raiva pode ser expressa naturalmente entre ambas as partes sem que essas fiquem pisando em ovos para falar o que sentem. As brigas existem tanto nos relacionamentos saudáveis quanto nos doentios. A diferença é que nos saudáveis as brigas são justas, as pessoas sabem as regras básicas (ainda que implícitas como não xingar a mãe do outro no meio da discussão) e as respeitam, além de verdadeiramente tentar resolver o problema.

O passivo-agressivo não conhece discussões justas nas quais ambos saem ganhando, pois está acostumado ao tudo ou nada do vencer ou perder. As respostas aos seus pedidos trazem vitimizações do tipo: "eu liguei, mas você não atendeu, você pede para eu ligar, mas você nunca atende" ou "eu estou trabalhando dobrado esta semana, eu tenho meus problemas e contas para pagar, então não posso (atender o seu pedido), dá um tempo".

Enfim, ele não aceita criticismo porque internamente escuta a voz de desaprovação de sua mãe. Então o jeito é descobrir como mandar essa mensagem "eu me importo com você, mas eu não sou sua mãe. Se você acha que ela te controlava, lembre-se que eu não estou tentando ser como ela. Se quer alguém para te tratar como sua mãe, encontre outra pessoa, pois somos casados e não sou sua mãe".


Fazendo as pazes

Raramente ele vai tomar a iniciativa de fazer as pazes, sendo assim, pegue a bandeira branca e siga em frente. Raiva e agressão são naturais, para alguns aceitar que isso é fato da vida pode ser a solução. Como o passivo-agressivo somente age em seu próprio interesse você precisará ensiná-lo que o melhor para ele também pode ser o melhor para você.


ALGUNS PASSIVO-AGRESSIVOS CRESCEM E SE MODIFICAM.


***



O livro: Living with the Passive-Aggressive man; Coping with the Personality Syndrome of Hidden Aggression - from the Bedroom to the Boardroom, de Scott Wetzler, Ph.D. Em tradução livre Vivendo com o homem passivo-agressivo; Lidando com a Síndrome de Personalidade da Agressão Encoberta - da Cama à Sala de Reuniões. Autor: Scott Wetzler, Phd., New York, 1992.

outubro 22, 2018

Convivendo com um passivo-agressivo, o livro, capítulo 6.1

Atendendo a pedidos, cá estou eu dando continuidade ao resumão do livro do Dr. Scott no qual ele combina experiências de consultório, de amigos e observações sociais sobre a convivência com um passivo-agressivo.

Lembrando que nada substitui a leitura do livro do próprio autor. Esse texto tem a intenção de ser a base introdutória para um assunto complexo que merece ser relido várias vezes durante o longo e duro processo de amadurecimento.


- Não use! Eu cuspi dentro dele - (já que alguém está usando) Obrigado!
- Eu mijei dentro também! <3 (já que você é um idiota)

Encarando o dragão: o passivo-agressivo e a raiva


"Por que ele não pode admitir que está com raiva?" é outra pergunta que você já deve ter feito várias vezes. "Ele olha para mim como se nada tivesse acontecido e um minuto depois ele me extermina, mas eu nem sei o que eu fiz!"

Esse homem não se irrita facilmente e isso deve te confundir. Não seria infinitamente mais fácil se você soubesse o que o faz ficar zangado? Então a pergunta aqui é: como fazer ele entender que ele está fulo da vida, daí fazer ele se abrir e lidar com a situação?

A hostilidade submersa: como ela se desenrola?

Se tem uma coisa na qual ele é bom é em comunicar agressão. Algumas situações comuns: ele te liga, fala por 5 segundos e te coloca na espera por 5 minutos; ele te pergunta porque você vai usar novamente o vestido que te deixa gorda; ele chega atrasado para o jantar na casa dos seus pais ou na apresentação do TCC; ele te conta que um dos seus amigos não gosta da decoração da sua sala, mas que para ele está bacana. 

Ele se acha inteligente, como um crítico comentarista, mas na verdade ele é colérico, tempestuoso. A raiva é o coração da passividade-agressiva mesmo que ele a negue. Muitos homens vão se emburrar ao invés de gritar, entretanto a mensagem (eu estou p. da vida e é por sua culpa) pode ser ouvida do mesmo jeito.

Quando ele te ataca diretamente ele mais parece um boneco grudento que se adere com toda a forca em você quando leva um soco. No final das contas você se cansa da situação. "Como você pode me acusar de não fazer nada na hora? Os materiais estão aqui na minha mesa. Ninguém trabalha mais duro do que eu!" Comentários desse tipo servem para desviar sua atenção e para te fazer culpada.

Norberto vive falando: "o que eu fiz de errado agora?" sem sentir nenhum remorso por ter tratado mal os outros. Antes que a esposa comece a reclamar de alguma coisa pequena ele fez, ele olha para ela como um cachorrinho que estragou todo o sofá da sala na ausência dos donos. Sem se perceber, minutos depois, ela está pedindo desculpas para ele, mas nunca termina de falar o que queria e nem ouve nenhuma explicação da parte dele.


Lidando com a raiva

O difícil de lidar com a hostilidade abafada é a trazer para superfície. O trabalho mais difícil agora será convencer o passivo-agressivo de que é comum ficar bravo e entender que deve conhecer seus sentimentos e atitudes numa hora dessas.

Algumas frases ajudam "Quando você me interrompe eu não posso falar o que você precisa saber." outras nem tanto "Lá vem você de novo... Não sei porque perco meu tempo falando." A primeira opção comunica o que você quer dizer, mas a segunda tem um componente de retaliação e sarcasmo que demonstram hostilidade freiando qualquer conversa no futuro.

Aqui o autor cita e indica um livro: Anger: The misunderstood Emotion, de Carol Tavris. A agressão verbal geralmente falha porque provoca a outra pessoa e faz com que ela/e retribua na mesma moeda. A outra opcão coloca ambos num estado de espírito que inspira a conversa consciente.

Algumas mulheres usam de humor e ironia "Tá bom querido... você é bom demais para ouvir isso." porque isso as conforta. Por mais contraditório que pareça a agressão direta é o lugar menos seguro para um passivo-agressivo e estas serão interpretadas como uma maneira de você o controlar.

Suprimir a raiva não é uma boa coisa (sublimar sim! - complemento meu mesmo - leia sobre essa última porque sabemos pouco disso). Ele, por um lado, se intimida facilmente e tem medo de confrontações e por outro lado, guarda rancor do seu jeito benevolente de lidar com a raiva dele.

Débora define seu colega de trabalho como manipulador, controlador, engenhoso, não suporta que as coisas não sejam do jeito dele, além de super protetor que reage com exagero e ataque. Ao mínimo criticismo ele contra-ataca por dias seguidos sendo que ela nem sabe exatamente porque está sendo ignorada.

Recentemente ela pediu para ser promovida para uma área que vai de encontro com a área de Roger. Depois que soube disso ele começou a minar a confiança dela sugerindo que as coisas que ela fazia não eram certas ou boas. Entretanto, ela não quer vê-lo demonstrar sua raiva abertamente e para dizer a verdade ela não gostaria de lidar com a raiva dele de jeito nenhum.


Conselhos do Dr. Scott: 1. ajude-o a ser mais direto, 2. aprenda a lidar com a raiva de outras pessoas, 3. aceitar o passivo-agressivo como ele é. Quanto melhor você aceitá-lo, mais fácil será falar com ele sem antipatia ou repulsa. Com o tempo, ele vai apender que criticar um comportamento não é o mesmo que o criticá-lo.

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O livro: Living with the Passive-Aggressive man; Coping with the Personality Syndrome of Hidden Aggression - from the Bedroom to the Boardroom, de Scott Wetzler, Ph.D. Em tradução livre Vivendo com o homem passivo-agressivo; Lidando com a Síndrome de Personalidade da Agressão Encoberta - da Cama à Sala de Reuniões. Autor: Scott Wetzler, Phd., New York, 1992.