Mostrando postagens com marcador Filosofia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Filosofia. Mostrar todas as postagens

agosto 05, 2020

Convivendo com um passivo-agressivo, o livro, capítulo 10.1

Atendendo a pedidos, cá estou eu dando continuidade ao resumão do livro do Dr. Scott no qual ele combina experiências de consultório, de amigos e observações sociais sobre a convivência com um passivo-agressivo.

Lembrando que nada substitui a leitura do livro do próprio autor. Esse texto tem a intenção de ser a base introdutória para um assunto complexo que merece ser relido várias vezes durante o longo e duro processo de amadurecimento.


Campo minado: o passivo-agressivo no trabalho

Intriga, poder e controle, assim é a convivência com o passivo-agressivo no trabalho. Ele é inteligente, complicado, desonesto e ardiloso. Ele planeja e sabe o que deve ser feito para ter sucesso. Em Otello de Shakespeare, Iago é o passivo-agressivo no alto de sua façanha.

Na vida real eles são menos astutos que o personagem e pouco conseguem com seus truques. No geral, tem pouca iniciativa no trabalho e seus conchavos não chegam a lugar nenhum ou até mesmo, se voltam contra ele ao ponto de serem demitidos. (Aqui eu diria que é uma análise americana, mas não sei se seria o mesmo para brasileiros porque já vi alguns ficarem um bom tempo na empresa.)

- Eu decidi ser mais agressivo para culpar os outros da minha falta de sucesso.
Por exemplo, você está atrapalhando o meu trabalho agora.
- Não, eu não estou.
- Eu não tenho tempo para ficar aqui discutindo com você o dia todo! 


Passivo-agressivo no trabalho: o que isso quer dizer? 

É o cara que precisa ser lembrado de pedir aumento e é tão inseguro que raramente obtém sucesso. O grande diferencial dele é o conflito que tem com a competição. Ele vai ficar com eterno medo de ser retaliado por isso não vai competir.

Ele também acha que por ser passivamente competitivo ele oferece menos risco na competição, mas sua falta de objetividade é contrapordutiva para todos. Ele evita os holofotes, apesar de amar a ideia de triunfo. Ao mesmo tempo que perde negócios por evitar reuniões, é também incapaz de fazer o que mandam. 

O passivo-agressivo acha que seus esforços não fazem diferença, então ele nem tenta. 


Cheio de desculpas esfarrapadas

Ele se coloca numa posição onde constantemente deve explicar porque não conseguiu fazer algo. Ele sempre vai colocar a responsabilidade do erro no outro com uma certa histeria, pois nada que faz é errado. 

No começo você vai ficar enrolada nas suas desculpas, até aprender que elas soam iguais a todas as outras. Você vai ser sempre a culpada. Ele pode até mesmo cancelar um evento importante criando a falsa impressão de que algo incrível aconteceu.

Algumas desculpas para não fazer o serviço vão ser bem infantis como: "quem consegue trabalhar com esse telefone tocando o tempo todo?" Quanto mais manipulativo, mais desculpas vai arrumar e quando você não mais aceitar suas desculpas ele vai se tornar agressivo. 

Só há um jeito de consertar situações como essa. Mantenha a responsabilidade dele sobre o que ele fez e não fez. Coloque limites.


O comportamento passivo-agressivo consume temo desnecessário.
Fale o que você quer dizer, vamos resolver o problema e passar para tarefas mais pordutivas.


Obstruindo: construindo um labirinto de barreiras   

Em trabalhos cooperativos ele pode escolher sabotar o que você faz, mesmo que para isso precise estragar o que ele fez. Ele busca áreas de tensão e as acentua. Sendo assim, ele é um tipo destrutivo no ambiente de trabalho que cria empasses, encoraja reclamações, controla e deixa assuntos mal resolvidos por todo lado. 

Ao invés de ser um facilitador, ele cria obstáculos, dificuldades que podem ser sutis, vagas ou pontuais e intencionais, mas sem sentido. De qualquer maneira, você vai sentir a presença dele dentro do departamento.

Você vai ser pega pela rede de má-fé dele logo quando precisar trabalhar em conjunto com ele. Foi o que Karla percebeu quando foi promovida pela empresa. Nos primeiros meses o chefe de equipe que respondia para ela se mostrou acessível e cooperativo. Com o tempo ela percebeu que ele segurava informações que eram essenciais para o trabalho dela. Também contratava pessoas para novos projetos sem designar o local de trabalho desses jovens. Além de  desmoralizar e destruir a criatividade do time.   

Mas por que uma empresa manteria um funcionário como ele? Inércia! (Foi o que pensei em termos de Brasil...) Esse funcionário havia chegado ao pico de sua carreira e o chefe do RH sabia que ele não seria mandado embora, nem tão pouco promovido.

Para Karla e você que lê esse livro, atente-se a frustração de estar lutando contra um muro. O melhor a fazer é minimizar os efeitos das sabotagens sobre você. Se mantenha firme em suas regras, mostre a ele que você sabe o que ele está fazendo. Sempre num tom calmo, ofereça a ele outra chance, fale que ele é importante para o projeto, que sem ele as coisas não andam e que se ele não for fazer, você fará sem ele.


Estragando tudo

O estereótipo da pessoa que estraga as coisas no escritório é a da secretária que sorridente faz tudo errado e não consegue te ajudar nas tarefas que deveria, esquece de anotar o nome da pessoa que ligou e não te ajuda com a agenda. Seja homem ou mulher, a história se confirma quando ele faz uma coisa errada, se desculpa, mas erra novamente. Ele perde arquivos e você não poderá contar com ele. 

As desculpas serão: "eu não sabia se você queria isso ou aquilo (então não fez nada)", "por que você não me falou que queria isso?", "não ouvi você pedindo isso". A uma certa altura você vai pensar que é melhor fazer você mesma, mas é algo que além de dobrar seu trabalho, não vai funcionar.

O estereótipo da secretária ineficiente funciona aqui na aprendizagem porque eventualmente você terá que a demitir para preservar o seu emprego. Quando o passivo-agressivo sabota o trabalho, ele prejudica a si mesmo e estraga o seu trabalho. Lembre-se que esses deslizes não são acidentais!

O empregado passivo-agressivo é um grande desafio para o seu chefe e esse comportamento é muito menos aceitável no trabalho quando comparado com o ambiente familiar. Esse funcionário tem uma capacidade incrível de aceitar incompetência e incompletude. Ele dá três passos para frente e um para trás porque está ansioso e com raiva. Ele tem medo do sucesso.

Se você trabalha com um desses, tente não corrigir os erros dele, não se prenda a detalhes das coisas erradas que ele faz. Elogie o que ele faz bem, afinal se ele ainda está lá, alguma coisa ele deve fazer bem. Não abaixe seu nível, não deixe que a baixa produtividade dele atrapalhe a sua ou a do departamento. 

***

O livro: Living with the Passive-Aggressive man; Coping with the Personality Syndrome of Hidden Aggression - from the Bedroom to the Boardroom, de Scott Wetzler, Ph.D. Em tradução livre Vivendo com o homem passivo-agressivo; Lidando com a Síndrome de Personalidade da Agressão Encoberta - da Cama à Sala de Reuniões. Autor: Scott Wetzler, Phd., New York, 1992.

agosto 03, 2020

Convivendo com um passivo-agressivo, o livro, capítulo 9

Atendendo a pedidos, cá estou eu dando continuidade ao resumão do livro do Dr. Scott no qual ele combina experiências de consultório, de amigos e observações sociais sobre a convivência com um passivo-agressivo.

Lembrando que nada substitui a leitura do livro do próprio autor. Esse texto tem a intenção de ser a base introdutória para um assunto complexo que merece ser relido várias vezes durante o longo e duro processo de amadurecimento.

Aqueles que cresceram com pais passivo-agressivos podem ter dificuldade de comunicação.


Casamento e paternidade

O casamento para o passivo-agressivo representa um lugar para intimidade e relacionamento sincero, mas também um campo de batalhas. Ele pode tanto se resolver com seus problemas ou continuar jogando com seus problemas de intimidades e comunicação. Pode decidir ser amigo e deixar de jogar ou mirar sua raiva e inseguração na direção de quem o ama.

Durante a lua de mel até mesmo o passivo-agressivo pode parecer romântico, forte e do tipo silencioso. MAS quando a vida real começa você vai descobrir que o silêncio dele não é heróico e as confusões e esquecimentos não passam em branco, bem como a insistência dele em isolamento e controle. Logo você vai perceber que ESTÁ VIVENDO COM UM PASSIVO-AGRESSIVO.

Aqui vai uma regra para todos os casamentos: é preciso aprender o que vai deixar passar, quais manias deixar de lado, ou como dizemos hoje, escolher as brigas que você vai querer lutar.

Seu casamento tem boas chances de dar certo SE você identificar os pontos chaves do comportamento do passivo-agressivo marido (e também do pai).

Aqui o autor decide começar com você então, aperte os cintos!


Adotando o estilo dele

Você vai se perceber usando as táticas dele para ficar em paz. Inferências, sugestões, desvios, comer pelas beiradas, dar voltas para falar o que pensa e tantas outras maneiras que não ajudam.

Nas séries americanas esses problemas se resolvem antes do capítulo acabar, mas na vida real não é bem assim. Desentendimentos podem levar dias ou meses para se resolverem enquanto ele está te usando. Imagine a cena abaixo:

Depois de alguns anos de casados, Joana sugere ao marido que façam uma segunda lua de mel, mas ele responde de maneira difusa, ambígua e evasiva. Diz ele: "é uma ideia, mas temos que saber quanto custará. Quanto tempo você pode tirar de férias? E as crianças vão também, você não acha?"

Essa resposta deixa Joana com raiva, afinal ele quer ir ou não? Para evitar conflitos ela para de esmiuçar as respostas dele, ou seja, ela não mais insiste em respostas se contentando com os pretextos dele. Ela vai se tornando enviezada como ele.

Como isso começou? Bem no início do casamento e foi crescendo exponencialmente.

Ela se lembra de quando falava sinceramente com ele e ele não a respondia. Isso a deixou vulnerável e isolada. Depois passou a se sentir segura não falando de seus sentimentos também. Não deixe isso acontecer, insiste o autor.


Suporte e críticas: a percepção errada dele sobre os motivos

Ele é conhecido por desapontar sua esposa o tempo todo e assim ela vai se encher dele (em português bem claro). Ela vai criticá-lo e quando o fizer vai ser vista como uma mãe controladora. A mulher que ele achava que ia o salvar se transforma na mulher que ele teme, a sua carrasca. 
     
Há ainda um duelo entre ser tolerante com a falta de comprometimento dele e parar por completo por esperar que ele faça algo, responda diretamente uma pergunta, pare de manipular, etc. No final das contas, quando uma decisão precisa ser tomada ele vai achar que ela o está pressionando demais. 

Ao contrário, lembre a ele o quanto ele também quer e precisa do que você está propondo. O mesmo deve ser feito em relação ao sexo que foi discutido no capítulo passado. 

Eu sou seu presente do dia dos pais.
Mamãe disse "de nada".


Do meu jeito... ou de jeito nenhum

Algumas mulheres reclamam de quanto o passivo-agressivo autoritário espera que tudo seja binário, preto no branco. Ele não acredita em tratos, acordos, meio-termo. O passivo-agressivo não vai decidir, mas vai reclamar de todas as suas decisões. Se você escolher o restaurante, ele vai com você, mas vai reclamar o tempo todo e fazer cara de quem não está gostando. Entretanto, se ela fizer um comentário saber ele estar sendo grosseiro ele vai bancar a vítima dizendo que foi obrigado a ir com ela, que não estava com fome, não teve escolha... 

Quando ele não consegue o que quer você vai ouvir todas as respostas imagináveis. O também autoritário passivo-agressivo quando não consegue o que quer vai te punir com mais passividade agressiva.

O jeito é fazer ele se envolver nas decisões, mas ainda estar pronta para apontar que quando ele se omitiu ele "votou" em algo, por isso deve parar de fazer pirraça e começar a se comportar socialmente. Quando ele estiver se comportando muito mal mesmo mostre o quanto ele está afetando o grupo, fazendo o dia ficar insuportável para todos. Fale que o ama, mas que preferia não o amar quando algo assim acontece. (Se isso não é ser mãe, eu não sei o que é - comentário meu... run, baby, run) Se depois de tudo isso ele continuar "de mau" dê espaço para ele esfriar a cabeça.

Se, por acaso, ele não fizer birra durante o evento, mas dois dias depois, mostre que ele não está sendo maduro. Que você e seus amigos gostam dele, mas que ele não está sendo razoável sobre o assunto, era só um filme, um passeio e não o fim do mundo. "O filme ainda está em cartaz e você está se fazendo de vítima".


Fugindo das responsabilidades

Depois de dois anos de casados, Lúcia perdeu a paciência com Ricardo. Ele sempre promete ajudar em tarefas da casa, mas quando ela o lembra de fazê-las ele responde "depois", mas nunca chega a realizá-las. Lúcia começou a deixar a louça suja na pia até o dia seguinte, contudo pela manhã ele já estava atrasado para sair. Assim a louça foi se acumulando, bem como a frustração dela.

Finalmente ela decide lavar a louça, o que não é nunca uma boa coisa para fazer com um passivo-agressivo. Ele passou a ter menos respeito por ela, pelo tempo e pelas coisas dela. Ele passou a se atrasar e ela começou a fazer piada dos constantes atrasos dele. Enquanto ela esperava por atitudes responsáveis dele, ele estava se aproveitando da situação.

Uma vez ele pegou o cartão de crédito dela e esqueceu de devolver. Depois de várias justificativas para não encontrar o cartão, desccobriu-se que o mesmo havia sido perdido dias atrás.

Quando foi advertida pelo banco, ela o confrotou, mas novamente só ouviu desculpas: "qual o problema? Ninguém fez nada de errado com o cartão. Você ainda economizou dinheiro sem o cartão, devia me agradecer." Lúcia decidiu não mais emprestar coisas para o marido e essa pode ser uma de suas decisões também.


Alcoolismo

É um problema comum entre vários passivo-agressivos. A desculpa "eu estava bêbado"vai ser uma resposta comum na sua vida.

Lembre-se que qualquer ato de violência NÃO é passividade-agressiva. Ao contrário, é uma atitude clara, deliberada, intencional de agressividade! Não tem nada de passivo nisso aí, viu!

As esposas de alcoólatras passivo-agressivos diariamente se confundem com a dualidade do marido e se perguntam sobre os dois lados e as duas personalidades que veem no cotidiano. Qual é o real marido delas? A reposta é: os dois! 


Solidão

Se isolar é outro tipo de droga.

Casar-se com um passivo-agressivo pode se tornar uma experiência bem solitária, pois se sentirá congelada fora da vida dele. Quando você é calorosa ele foge, quando você precisa de atenção, ele não estará lá. Alguns maridos vão deixar pouco ou nenhum tempo do dia para passar com você, deixando você de lado. Outros vão passar horas vendo programas de TV inúteis ao invés de ajudar a esposa que precisa dele. Algumas acabam aceitando a solidão que o casamento as trouxe, outras vão continuar tentando.

Porquê ele entende que você está tentando se comunicar com ele para o aprisionar, você precisará entender o que se passa. Se ele fala que tem trabalho para fazer por isso prefere ficar sozinho, ou se está isolado no escritório porque não quer contato. É uma linha tênue e você ai precisar descobrir do que se trata.

Se você perceber que está vivendo com um estranho na sua casa fale isso para descobrir o que realmente está acontecendo. Todo casamento tem fases, altos e baixos, mas só depois de saber o que se passa você pode agir.

Fale para ele o que você quer. Jantar junto duas vezes na semana, quantos finais de semana juntos e por quanto tempo, sempre enfatizando o quando você sente falta dele. Mostre para ele o que o relacionamento significa para você e pergunte o que ele acha que está faltando. Pode ser que ele responda e isso vai dar ao menos uma noção do que o está chateando. 

O seu ideal aqui é não pedir mais do que o solitário está disposto a te dar de boa vontade.


Mensagens de uma mãe passivo-agressiva.
Operador de empilhadeira não é carreira.
Eu não sei porque o seu escaninho fede.
Eu também não vou esperar você para dirigir.
 Faça de conta que veio do restaurante.
Saia do celular.
Durma cedo.
Você precisa cortar o cabelo.



Fazendo as coisas funcionarem entre vocês

O problema com esses casais é que mesmo depois do "eu aceito" eles não são parceiros de verdade. O passivo-agressivo vai precisar muito de você para articular seus sentimentos

E aqui o autor escreve quase duas páginas sobre o que é ter um relacionamento de verdade, mas acho que você já deve saber o que falta no seu então, já sabe, mesmo que por excludente, o que é isso que você não tem. Se não souber, leia outros livros para descobrir.


E se nada funcionar? 

Muitos relacionamentos podem mudar com o tempo, outros não - essa é a notícia ruim que o autor tem para nós. Sair desse relacionamento pode ser a única solução para esse relacionamento. Se com o passar dos anos a sua energia está sendo usada com problemas essenciais, banais, reparos ineficientes no relacionamento, ao invés de vivendo as coisas boas e ruins dele... É tempo de cair fora.

Se o seu relacionamento é baseado em como-o-seu-relacionamento-não-funciona e você não vê melhoras, então o seu movimento saudável é abandonar a canoa furada. Você merece mais! Se o passivo-agressivo não consegue te dar o que você quer, procure em outro relacionamento.

Essa é uma decisão realística que deve ser tomada levando em conta o que ele pode ou não pode te proporcionar, pensando no quanto ele pode cumprir com as promessas.


O passivo-agressivo enquanto pai

Bem, o homem passivo-agressivo não muda quando vira pai. Pode ser que ele comece uma competição aberta ou sutil com seu filho, Em geral, os problemas dele com seu pai vão ser refletidos no seu filho.

O apreço pela solidão e pela falta de intimidade podem ser ruins para as crianças mesmo quando quiser pasar mais tempo com as crianças. Ele também não vai gostar das demandas que vão cair sobre ele, demandas normais de um pai de família.


Olhando a situação de perto

O aspecto mais difícil será disciplinar as crianças. Pode ser que ele assuma uma posição de autoridade, mas vai ter dificuldade em confrontar uma criança que está testando seus limites nele. Aqui será comum ver ele procrastinar, esperando que os problemas se resolvam sozinhos, sem que ele precise se posicionar.

Outros passivo-agressivos vão descontar nas crianças o tipo de relacionamento que tiveram com seus pais. Em psicologia isso se chama "identificação com o agressor". Entretanto, dificilmente vão bater nas crianças, (lembre-se, eles são passivo-agressivos e não agressivos diretos). 

Estando com raiva ele vai os fazer sentirem não amados, como alguém que ele mau tolera e que nasceu por acidente ou fatalidade. Vão fazer exigências impossíveis de serem cumpridas em termos de tarefas de casa, comumente adicionando afazeres extras na lista. Ao invés de fazerem eles se sentirem amados, ele vai abusar emocionalmente deles.

Pode ser que a vida em família que ele crie com você seja muito parecida com a vida dele na infância.

Ele pode mudar? O que você pode fazer para difundir o que ele vai trazer de bagagem para o relacionamento familiar? 


Ajudando o passivo-agressivo com a paternidade

Mesmo que ele goste de parecer que está no controle, ele vai ter dificuldade em assumir esse papel. Ele vai querer criá-los do jeito dele, não como está escrito nos milhares de livros sobre como criar filhos que existem por ai. Pode ser igualmente difícil para ele lidar com bebês e suas emoções aparentemente desconexas. Ele não vai saber o que fazer e não vai pedir ajuda.

Como nenhum pai quer ser um pai ruim, caberá a você decidir qual será o papel dele na criação dos seus filhos. Ele vai precisar de seu encorajamento. Fale o que espera dele diretamente explicando o que cada idade precisa receber de seus pais. Por exemplo: "foi ótimo você ter levado o bebê para tomar um sol durante sua caminhada." 

Não fique ao lado dele assistindo tudo dar errado com ele e seu filho. Não deixe que uma tarefa se transforme num drama, mas interfira de maneira tática. "Jonas, é pouco realístico você sair com a criança nessa chuva. Por que você não espera o tempo melhorar? VAi ser melhor para todos."

"DESCULPAS ACEITAS,
CONFIANÇA NEGADA."

Enfim

O passivo-agressivo tem vários problemas no seu passado, às vezes ele vai vencê-los com você, outras vezes não. Ele não perdoa fácil, mas suas ações são o que contam para isso acontecer, ou não.  

***

O livro: Living with the Passive-Aggressive man; Coping with the Personality Syndrome of Hidden Aggression - from the Bedroom to the Boardroom, de Scott Wetzler, Ph.D. Em tradução livre Vivendo com o homem passivo-agressivo; Lidando com a Síndrome de Personalidade da Agressão Encoberta - da Cama à Sala de Reuniões. Autor: Scott Wetzler, Phd., New York, 1992.


novembro 13, 2019

Como me relacionar com um isentão?


Se você já perdeu amizades por sua visão política saiba que inventaram um aplicativo de namoro para os conservadores malvados americanos que foram rejeitados no Tinder. O nome é Righter e uma das dicas essenciais do site pode ajudar muita gente que tenta se relacionar com pessoas da esquerda. Não somente nos casos de paquera e namoro, mas na vida mesmo.

Deslize para a esquerda os...

* O termo liberal abaixo pode ser subistituído por esquerdista, isentão, centrão ou libertário.

1. Liberais que só veem estereótipos

Alguns liberais não conseguem ver as outras pessoas além dos rótulos que eles têm pré-estabelecidos. Por exemplo quando acham todos que não pensam como eles são facistas, machista, homofóbico, racista, etc. Se você está namorando um liberal, veja se ele(a) consegue se esquecer da retórica liberal sobre os conservadores. Você não merece uma pessoa de mente fechada!

2. Liberais que não apoiam suas metas

Se você está envolvido no ativismo político, ou simplesmente gosta de participar do momento político que o Brasil está vivendo deixe os liberais que não aplaudem suas vitórias na zona da amizade (friend zone). A última coisa que você quer é estar com alguém que não sente orgulho de você, apesar das diferenças políticas.

3. Liberais que não consideram uma mudança ideológica 

Você não deve forçar que seus paqueras mudem de partido, entretanto a comunicação é fundamental para qualquer relacionamento. Se o seu parceiro(a) não consegue ouvir e tentar entender seus pontos de vista num assunto que tenha a ver com política, não perca seu tempo com essa pessoa. 




Herbert Marcuse e a classe revolucionária

Expressões de surpresa em inglês caipira.


novembro 05, 2018

Convivendo com um passivo-agressivo, o livro, capítulo 7

Atendendo a pedidos, cá estou eu dando continuidade ao resumão do livro do Dr. Scott no qual ele combina experiências de consultório, de amigos e observações sociais sobre a convivência com um passivo-agressivo.

Lembrando que nada substitui a leitura do livro do próprio autor. Esse texto tem a intenção de ser a base introdutória para um assunto complexo que merece ser relido várias vezes durante o longo e duro processo de amadurecimento.


Eu não gosto do termo "passivo-agressivo" porque parece que eu estou deixando passar a oportunidade de ser agressivo.

Fazendo conexões: intimidade e comprometimento

De todos os problemas que você vai ter com um passivo-agressivo, os mais difíceis de vencer são: estabelecer um longo relacionamento e a expressão de amor, pois ele tem problemas com as bases de qualquer relacionamento. Confiança, intimidade, aproximação, comprometimento e o medo da rejeição.

Algumas mulheres reclamam que os namorados não as deixam saber das coisas ruins que estão acontecendo na vida deles. Criando baixos níveis de hostilidade que as deixam distantes, mas ainda atreladas a eles. Aos poucos você vai se questionar "porque estou buscando intimidade com uma pessoa incapaz de se aproximar?"


Olhando para os homens e a intimidade

Vários livros já foram escritos sobre o assunto e como a masculinidade às vezes se próxima da sexualidade opondo-se à intimidade. Ao se colocar distante de você o passivo-agressivo também sofre as consequências por ser difícil de agradar. 


No relacionamento a intimidade permite a dependência mútua.

Quão desagradável é estar ao lado de alguém que não responde suas perguntas? Que te faz implorar por uma resposta? Ele é como o cavalo no jogo de xadrez, se movimentando duas casas à frente e uma para o lado. Você reduz suas expectativas para estar com ele? Sim e não. Entenda como ele vê a vida e decidir quanto de intimidade você quer num relacionamento e finalmente, aceitá-lo.


Os galinhas e os pesos mortos

Dois tipos de passivos-agressivos são citados nessa parte do livro com exemplos bem comuns. Os primeiros (galinhas) mantêm você por perto enquanto namoram outras garotas fora do casamento, o outro vive com você e está sempre do seu lado, mas nunca com você. Ambos são insatisfatórios.


O assunto delicado que é confiança

As crianças confiam nos que seus pais, eles vão cuidar dela, ao mesmo tempo que eles confiam que a criança será amorosa, leal e obediente. Caim e Abel, Brutus e Judas são exemplos de histórias de traição e o passivo-agressivo vai saber de cor cada um dos que o traíram. 

Ao mesmo tempo, a percepção enviesada dele vai predicar uma traição sua a qualquer momento. Por isso ele não baixa a guarda para você.


Dando e recebendo

Uma criança que vive numa casa onde o amor é distribuído em abundância e se sente plenamente amada é capaz de distribuir amor mais facilmente. Ao contrário, o passivo-agressivo cresceu numa casa onde ele nunca recebeu o quanto gostaria e nunca receberá. Em consequência, ele será menos generoso com suas afeições. Privar os outros da felicidade que ele não teve faz sentido para ele. "Se eu não recebo que quero, por que devo dar para eles o que eles querem?"


O passivo-agressivo nunca agradece.

Uma paciente foi atrás da melhor lasanha da cidade para o namorado e ouviu dele algo assim "Lasanha? A melhor que eu já comi foi num restaurante familiar em Florença". Você revira a cidade procurando um livro para ele para ouvir "Quando eu preciso de livro eu ligo para o sebo do meu amigo". Outras frases são "eu não preciso de nada" ou "eu não gosto de celebrar meu aniversário com vinho barato" quando você acaba de abrir uma garrafa.

Jane e John precisaram chamar o encanador para um conserto no banheiro do casal. Há meses eles receberam a conta do profissional. John falou que ia pagar e falou que havia pago quando perguntado novamente depois de uns dias. Entretanto, Jane continuava recebendo ligações do encanador para efetuar o pagamento. Finalmente ela decide preencher o cheque e entregar para o rapaz. John ficou furioso ao saber que ela pagou pelo serviço, se sentiu traído e mandou ela não se meter nos problemas dele. Jane respondeu que o banheiro era problema dela também.


Rejeitando e sendo rejeitado

Como você já percebeu esse relacionamento é especialmente problemático porque o passivo-agressivo esconde o medo de ser rejeitado e desconta em você as dificuldades que teve no passado. Ainda que ele não demonstre, seus sentimentos são profundos e facilmente feridos.

A paciente do Scott estava saindo com um rapaz por quem se sentia atraída, mas Roberto era efusivo e insistia para que eles se vissem todos os dias. Rebeca um dia falou que apesar de gostar muito dele, ele às vezes "forçava a barra" para que se encontrassem. Ele então desapareceu por uma semana. Quando ela ligou para saber o que havia acontecido, ouviu que ele "não queria ficar implorando". Após o comentário, ela entendeu que o havia machucado.

Muitos passivos-agressivos têm dificuldade em manter amizades e relacionamentos porque assumem que as pessoas não gostam dele. Outros têm baixa auto-estima e empurram as pessoas para longe, antecipando a rejeição. Uma pessoa desse tipo precisa se abrir para a possibilidade de rejeição e entender que sobreviverá.


Fazendo a primeira conexão

Se você está lendo esse livro, diz o autor, você deve saber que não importa o quanto ele se mostra forte por fora, este é um homem assustado. Além disso, lembre-se que nada disso é sua culpa, mas que você faz parte do jogo. E se quer viver com ele deve entender ele não vai mudar enquanto não se sentir seguro. Deixe-o falar, se expressar sem o analisar.

O amor não deve ser confundido com a paixão, nem mesmo com a vontade de mudar o outro. Você não tem responsabilidade de o fazer feliz. A mudança é algo possível, mas é necessário que ambos queiram mudar.


***



O livro: Living with the Passive-Aggressive man; Coping with the Personality Syndrome of Hidden Aggression - from the Bedroom to the Boardroom, de Scott Wetzler, Ph.D. Em tradução livre Vivendo com o homem passivo-agressivo; Lidando com a Síndrome de Personalidade da Agressão Encoberta - da Cama à Sala de Reuniões. Autor: Scott Wetzler, Phd., New York, 1992.