novembro 16, 2018

Surpresa

Por Elisabeth Santos
Ouço o interfone e lá vem a surpresa: _ Aqui é a Celina, de Rio Casca.

Agradável surpresa ao ouvir aquela voz amiga, que há tempos não vem me ver em Belo Horizonte!

E nos encontramos naquele abraço de uma amizade sem fim, ainda no jardim. Quanta coisa mudou! Quanto a amizade não mudou!

E entra Celi tagarelando, observando minha plantinha tão cuidada, comentando a decoração da sala tão mudada...

Explico: _ Recebi de uma tia, cidadã do mundo, quando conheceu a África do Sul. Trouxe-me essas estatuetas e mais o gato modelado à mão, que dormita sobre a mesa de centro.

Nossa conversa inicial aborda notícias das famílias:

Quem nasceu, aniversariou, formou... casou, mudou e nem nos convidou!

O que estivemos fazendo até aquele momento: ginástica, leitura, passeios, cuidados com os animaizinhos de estimação, ou do abandonado na solidão.

As árvores que uma plantou, os frutos que a outra colheu, a muda que sozinha brotou, o vaso que o velho cão cego quebrou...

E eis que um pássaro de voo rasante passa pertinho da gente. Veio buscar, inteligente, os vermezinhos que se multiplicam na caixa de grãos.

Tudo naquela casa favorece o contato sadio com a natureza. Os vermes não transmitem doenças, sendo ricos em proteínas complementam a alimentação da Cacatua, que não se importa em compartilhar o banquete com os nativos (bem ativos).

A prosa das amigas continua na mesa do café, prossegue até o ponto do ônibus, continuará diariamente no zap, email, skipe e face, sem ponto final, pois assunto não falta. Tem de sobra! 

É chegada a hora da despedida e da promessa que sempre se repete, nunca se compromete, virando verdadeiro folclore:

_ Vou pagar a sua vinda aqui com a minha visita cordial qualquer dia desses lá em Rio Casca.

Deve acontecer no dia de São Nunca... Porque nada se altera naquela amizade sincera.
Tanto faz como tanto fez, cumprir ou não o que prometeis.


Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

novembro 09, 2018

Conheci

Por Elisabeth Santos

Conheci gente de todo tipo, e sempre me espantei com aquelas gentes que até esse século acham que toda gente deve seguir um padrão. Para elas, encontrar alguém agindo diferente, é um desafio tão grande, que pretendem ver pessoas diferentes ocuparem outros lugares, sem quererem se misturar!

Para bem conviver num mundo tão pequeno, posto que globalizado, é bom começar a aceitar por perto seres humanos de compleição física diferente: o magro, o gordo e o barrigudo; o fraquinho, e o musculoso; o altíssimo, e o baixinho; cabeludos e carecas, etc. e etc.

O que teríamos de aceitar, e esclarecer para se tornarem mais compreensivos na convivência seriam os que apresentassem comportamentos inaceitáveis, prejudiciais ao desenvolvimento social sadio. Estes sim teriam que passar por um processo educativo, em ambiente propício, que poderíamos reconhecer como um Curso Superior de Mudança de Mentalidade. Ouço isto há bem tempo. Nunca vi, de perto ou de longe, nem soube de tal Fundação, infelizmente.

Também existe outro detalhe: a complexidade do ser humano! E, ao que nos parece, quanto mais se fecham em grupos de seus iguais, outras mil e uma diferenças vão se evidenciando, tornando alguns dos ditos iguais... mais iguais; umas pequenas diferenças, levando a desvantagens enormes; parece que ali a  complexidade torna-se mais complexa devido a minúcias, ínfimos detalhes, intolerâncias com a imperfeição humana. Ora veja, sempre soube que imperfeição é coisa própria do ser humano, e sendo aí a residir sua essência... será mesmo impossível termos o mesmo grau de aceitação um do outro?

Para quem não estaria entendendo onde quero chegar nessa prosa, darei um exemplo simples: _ O Brasil que quero para a posteridade é o mesmo que todos nós do Bem, sempre quisemos: _ Livre, justo, forte, ético, honrado, honesto, sincero, autêntico, confiante, sensível e respeitoso com as diferenças existentes!

Ouvi uma voz de um velhinho neste instante: _ Mas tudo aí escrito é simples obrigação de uma Nação que se diz civilizada! Queremos também: qualidade de vida, pois já está passando da hora de vislumbrarmos no horizonte renascer a esperança, o otimismo, a alegria, a cordialidade, reconciliação, sabedoria, consciência e a generosidade.

Perguntei-lhe então se não achava a lista muito extensa para começar, ao que ele respondeu simplesmente: _ Estou Seguro que não! – e assim caiu morto porque “Seguro morre de velho”. 



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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".



   

novembro 05, 2018

Convivendo com um passivo-agressivo, o livro, capítulo 7

Atendendo a pedidos, cá estou eu dando continuidade ao resumão do livro do Dr. Scott no qual ele combina experiências de consultório, de amigos e observações sociais sobre a convivência com um passivo-agressivo.

Lembrando que nada substitui a leitura do livro do próprio autor. Esse texto tem a intenção de ser a base introdutória para um assunto complexo que merece ser relido várias vezes durante o longo e duro processo de amadurecimento.


Eu não gosto do termo "passivo-agressivo" porque parece que eu estou deixando passar a oportunidade de ser agressivo.

Fazendo conexões: intimidade e comprometimento

De todos os problemas que você vai ter com um passivo-agressivo, os mais difíceis de vencer são: estabelecer um longo relacionamento e a expressão de amor, pois ele tem problemas com as bases de qualquer relacionamento. Confiança, intimidade, aproximação, comprometimento e o medo da rejeição.

Algumas mulheres reclamam que os namorados não as deixam saber das coisas ruins que estão acontecendo na vida deles. Criando baixos níveis de hostilidade que as deixam distantes, mas ainda atreladas a eles. Aos poucos você vai se questionar "porque estou buscando intimidade com uma pessoa incapaz de se aproximar?"


Olhando para os homens e a intimidade

Vários livros já foram escritos sobre o assunto e como a masculinidade às vezes se próxima da sexualidade opondo-se à intimidade. Ao se colocar distante de você o passivo-agressivo também sofre as consequências por ser difícil de agradar. 


No relacionamento a intimidade permite a dependência mútua.

Quão desagradável é estar ao lado de alguém que não responde suas perguntas? Que te faz implorar por uma resposta? Ele é como o cavalo no jogo de xadrez, se movimentando duas casas à frente e uma para o lado. Você reduz suas expectativas para estar com ele? Sim e não. Entenda como ele vê a vida e decidir quanto de intimidade você quer num relacionamento e finalmente, aceitá-lo.


Os galinhas e os pesos mortos

Dois tipos de passivos-agressivos são citados nessa parte do livro com exemplos bem comuns. Os primeiros (galinhas) mantêm você por perto enquanto namoram outras garotas fora do casamento, o outro vive com você e está sempre do seu lado, mas nunca com você. Ambos são insatisfatórios.


O assunto delicado que é confiança

As crianças confiam nos que seus pais, eles vão cuidar dela, ao mesmo tempo que eles confiam que a criança será amorosa, leal e obediente. Caim e Abel, Brutus e Judas são exemplos de histórias de traição e o passivo-agressivo vai saber de cor cada um dos que o traíram. 

Ao mesmo tempo, a percepção enviesada dele vai predicar uma traição sua a qualquer momento. Por isso ele não baixa a guarda para você.


Dando e recebendo

Uma criança que vive numa casa onde o amor é distribuído em abundância e se sente plenamente amada é capaz de distribuir amor mais facilmente. Ao contrário, o passivo-agressivo cresceu numa casa onde ele nunca recebeu o quanto gostaria e nunca receberá. Em consequência, ele será menos generoso com suas afeições. Privar os outros da felicidade que ele não teve faz sentido para ele. "Se eu não recebo que quero, por que devo dar para eles o que eles querem?"


O passivo-agressivo nunca agradece.

Uma paciente foi atrás da melhor lasanha da cidade para o namorado e ouviu dele algo assim "Lasanha? A melhor que eu já comi foi num restaurante familiar em Florença". Você revira a cidade procurando um livro para ele para ouvir "Quando eu preciso de livro eu ligo para o sebo do meu amigo". Outras frases são "eu não preciso de nada" ou "eu não gosto de celebrar meu aniversário com vinho barato" quando você acaba de abrir uma garrafa.

Jane e John precisaram chamar o encanador para um conserto no banheiro do casal. Há meses eles receberam a conta do profissional. John falou que ia pagar e falou que havia pago quando perguntado novamente depois de uns dias. Entretanto, Jane continuava recebendo ligações do encanador para efetuar o pagamento. Finalmente ela decide preencher o cheque e entregar para o rapaz. John ficou furioso ao saber que ela pagou pelo serviço, se sentiu traído e mandou ela não se meter nos problemas dele. Jane respondeu que o banheiro era problema dela também.


Rejeitando e sendo rejeitado

Como você já percebeu esse relacionamento é especialmente problemático porque o passivo-agressivo esconde o medo de ser rejeitado e desconta em você as dificuldades que teve no passado. Ainda que ele não demonstre, seus sentimentos são profundos e facilmente feridos.

A paciente do Scott estava saindo com um rapaz por quem se sentia atraída, mas Roberto era efusivo e insistia para que eles se vissem todos os dias. Rebeca um dia falou que apesar de gostar muito dele, ele às vezes "forçava a barra" para que se encontrassem. Ele então desapareceu por uma semana. Quando ela ligou para saber o que havia acontecido, ouviu que ele "não queria ficar implorando". Após o comentário, ela entendeu que o havia machucado.

Muitos passivos-agressivos têm dificuldade em manter amizades e relacionamentos porque assumem que as pessoas não gostam dele. Outros têm baixa auto-estima e empurram as pessoas para longe, antecipando a rejeição. Uma pessoa desse tipo precisa se abrir para a possibilidade de rejeição e entender que sobreviverá.


Fazendo a primeira conexão

Se você está lendo esse livro, diz o autor, você deve saber que não importa o quanto ele se mostra forte por fora, este é um homem assustado. Além disso, lembre-se que nada disso é sua culpa, mas que você faz parte do jogo. E se quer viver com ele deve entender ele não vai mudar enquanto não se sentir seguro. Deixe-o falar, se expressar sem o analisar.

O amor não deve ser confundido com a paixão, nem mesmo com a vontade de mudar o outro. Você não tem responsabilidade de o fazer feliz. A mudança é algo possível, mas é necessário que ambos queiram mudar.


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O livro: Living with the Passive-Aggressive man; Coping with the Personality Syndrome of Hidden Aggression - from the Bedroom to the Boardroom, de Scott Wetzler, Ph.D. Em tradução livre Vivendo com o homem passivo-agressivo; Lidando com a Síndrome de Personalidade da Agressão Encoberta - da Cama à Sala de Reuniões. Autor: Scott Wetzler, Phd., New York, 1992.

novembro 02, 2018

Envenenados


Por Elisabeth Santos


A solução para animais silvestres invasores noturnos do forro da sua casa de campo não é espalhar isca recheada com veneno.

- A instalação de uma armadilha que pegue gambá, por exemplo, sem machuca-lo, para ser liberto em seguida em seu habitat...

- A vedação total de todas as possíveis brechas existentes no telhado a impedir que os animais entrem, se instalem, façam ninhos...

- A higienização periódica do ambiente poderão ser tentadas antes de uma medida tão drástica quanto a matança indiscriminada.

- Quanto aos gatos sem dono, que mesmo de dia, adentram sua casa em busca de alimento, a solução do problema passa pela reeducação das pessoas que os abandonam.

- Existe castração desses felinos por veterinários itinerantes a preços acessíveis nas cidades onde não há clínicas do tipo.

Cachorros chamados de vira - latas, por não terem raça, perdidos pelas ruas também não devem ser envenenados.

- Podem ser recolhidos num canil e depois de devidamente cuidados, oferecidos à adoção.

No Brasil existem leis a proteger o meio ambiente como um todo. A principal é a Lei Federal 9.605/98 mais conhecida como “Lei dos Crimes Ambientais”. Interessados poderão ler a Declaração Universal dos Direitos dos Animais/ Unesco 1978.




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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia". 

outubro 29, 2018

Convivendo com um passivo-agressivo, o livro, capítulo 6.2

Atendendo a pedidos, cá estou eu dando continuidade ao resumão do livro do Dr. Scott no qual ele combina experiências de consultório, de amigos e observações sociais sobre a convivência com um passivo-agressivo.

Lembrando que nada substitui a leitura do livro do próprio autor. Esse texto tem a intenção de ser a base introdutória para um assunto complexo que merece ser relido várias vezes durante o longo e duro processo de amadurecimento.

- Eu espero que a pessoa que comeu meus morangos hoje tenha aproveitado. Da próxima vez eu vou cobrir eles com chocolate Godiva para o assaltante ficar mais satisfeito.
- Você pode por favor fazer alguns com chocolate branco? Eles são os meus favoritos! Se você também puder comprar no Whole Foods porque os morangos de lá são melhores porque eles são orgânicos. Obrigada =)


Se protegendo

Todo ser humano tem direito a seus sentimentos, mas não tem direito de jogar a culpa sobre você sem sofrer as consequências. Amiga, você não é saco de pancadas!

Lembrando que a raiva que ele destila, não tem nada a ver com você. Ele está bravo com o chefe e a despeja em você quando chega em casa. Nos anos 1960 e 70 vários terapeutas americanos exploraram técnicas de extravasar a raiva represada nos pacientes. Estimulados a dizer várias vezes "estou com raiva", eles batiam em travesseiros no momento de transbordar a fúria sobre algo específico.

Eles se sentiam melhor? Provavelmente. Entretanto sendo o ser humano capaz de produzir ilimitadas quantidades de cólera, o problema não ser resolvia. (Lembre-se disso para os seus próprios momentos de irritação.)

O fato básico é entender que ele é dirigido pelo medo, mas existem dois tipos de medo. 1. o medo de ser machucado por você e isso fomenta a raiva e a passividade-agressiva. 2. o medo de machucar você que quando de fato acontece, reafirma o fato da raiva dele ser algo destrutivo. Sendo assim, limitar o comportamento hostil dele e se proteger, faz com que ele sinta menos medo.

O benefício está também em entender que nem sempre a raiva estraga as coisas, desde que ela seja expressa de maneira aberta e com tato. Desabafar faz sentido para ambos, desde que seja feito de maneira apropriada.


Confrontando-o sem piorar as coisas

Críticas devem ser dirigidas ao comportamento dele, não à pessoa. O confronto é necessário para resolver problemas, então prefira falar: "quando você faz ... , eu sinto ..." ou "você me ofende, tal coisa me machuca". Comportamentos mudam, essência não. Por exemplo, se seu colega de chega super atrasado e cancela no último minuto as caminhadas que fazem juntos você deve cancelar as caminhadas, não a amizade.

Confrotamento tem duas vias: por um lado expõe o passivo-agressivo às consequências de suas atitudes, mas se isso não funcionar, pelo menos é uma maneira de você falar diretamente com ele se colocando fora dessa lógica de comportamento. Nunca caia no jogo da vítima, pois o seu grande erro será se sentir culpada pela reclamação dele. Por exemplo, falando coisas como "me desculpe for falar isso para você" ou "sei que você está ocupado".

Ao contrário, fale "você sempre foi justo e eu sempre contei com você. Eu estou com medo do que está acontecendo agora entre nós (nesse departamento), como eu tenho sido tratada. Vamos conversar durante o almoço porque isso é importante para mim." Enfrentar o passivo-agressivo mostrando as consequências da sua conduta é uma condição necessária para se viver (ou trabalhar) com ele.

Aprenda também que outras horas é melhor nem responder. A não ser que queira acabar com o relacionamento, você não deve o enfrentar dizendo "esta é a última chance para dizer a verdade, ou vou embora  amanhã."


Sendo justa durante as brigas

A raiva é um componente inerente aos relacionamentos entre seres humanos, mas como lidamos com ela e a expressamos determina o sucesso de um relacionamento de longo tempo.

Relacionamentos fortes são aqueles onde a raiva pode ser expressa naturalmente entre ambas as partes sem que essas fiquem pisando em ovos para falar o que sentem. As brigas existem tanto nos relacionamentos saudáveis quanto nos doentios. A diferença é que nos saudáveis as brigas são justas, as pessoas sabem as regras básicas (ainda que implícitas como não xingar a mãe do outro no meio da discussão) e as respeitam, além de verdadeiramente tentar resolver o problema.

O passivo-agressivo não conhece discussões justas nas quais ambos saem ganhando, pois está acostumado ao tudo ou nada do vencer ou perder. As respostas aos seus pedidos trazem vitimizações do tipo: "eu liguei, mas você não atendeu, você pede para eu ligar, mas você nunca atende" ou "eu estou trabalhando dobrado esta semana, eu tenho meus problemas e contas para pagar, então não posso (atender o seu pedido), dá um tempo".

Enfim, ele não aceita criticismo porque internamente escuta a voz de desaprovação de sua mãe. Então o jeito é descobrir como mandar essa mensagem "eu me importo com você, mas eu não sou sua mãe. Se você acha que ela te controlava, lembre-se que eu não estou tentando ser como ela. Se quer alguém para te tratar como sua mãe, encontre outra pessoa, pois somos casados e não sou sua mãe".


Fazendo as pazes

Raramente ele vai tomar a iniciativa de fazer as pazes, sendo assim, pegue a bandeira branca e siga em frente. Raiva e agressão são naturais, para alguns aceitar que isso é fato da vida pode ser a solução. Como o passivo-agressivo somente age em seu próprio interesse você precisará ensiná-lo que o melhor para ele também pode ser o melhor para você.


ALGUNS PASSIVO-AGRESSIVOS CRESCEM E SE MODIFICAM.


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O livro: Living with the Passive-Aggressive man; Coping with the Personality Syndrome of Hidden Aggression - from the Bedroom to the Boardroom, de Scott Wetzler, Ph.D. Em tradução livre Vivendo com o homem passivo-agressivo; Lidando com a Síndrome de Personalidade da Agressão Encoberta - da Cama à Sala de Reuniões. Autor: Scott Wetzler, Phd., New York, 1992.

outubro 26, 2018

Programando o Desapegar

Por Elisabeth Santos



Semelhante àquela brincadeira “Bem me quer, mal me quer...” depois de ler um excelente artigo sobre “Desapego” resolvi experimentar a técnica ali descrita e desfrutar dos amplos benefícios possíveis de virem a ocorrer em minha casa.

Programei-me para cumprir corretamente as etapas, marcando dias, e horários das atividades previstas, num calendário pendurado à parede da copa, em frente ao lugar que costumo tomar à mesa do café da manhã.

A tradicional desculpa que tenho para tarefas enfadonhas:

_ Poxa! Esqueci-me do proposto... não ia ter vez.

Logo no primeiro dia das minhas férias, retirei, separei, encaixotei a tralha empoeirada no quartinho de bagunça. Coloquei tudo onde o caminhão de lixo recolhesse. Limpei bem o cômodo, e dei nota dez para o meu desempenho.

No segundo dia visitei os guarda roupas e descobri um mundo de peças de vestuário desgastadas pelo uso, e vestes sem uso, novinhas. O que estariam fazendo misturadas às roupas do uso diário? Camisetas de tamanho “P” para usar após o regime que haveria de começar na segunda feira. Vestidos de festa, tamanho GG para qual dia sendo que eu não poderia ficar mais gorda do que já estava? Seguindo o lema: “Roupa boa a gente doa” despachei o pacotão para o asilo que mantém um bazar.

Pulei um dia para o meu merecido descanso, criei coragem, adentrei na cozinha. Descartei produtos vencidos, desembalei esponjas novas escondidas no fundo de uma gaveta, vistoriei panos de prato e de mãos, e... despejei o conteúdo de três gavetas entupidas de inutilidades domésticas sobre o balcão de mármore. Analisei uma a uma: ferramenta para desatarraxar bujão de gás; instrumento para retirar a tampa do vidro de conserva; fatiadores diversos; agulha de desentupir o fogão; forminhas já enferrujadas para fazer empadinhas de aniversário; geringonça de manivela para espumar claras de ovos.

A lista era comprida, enchi quatro caixas grandes e perguntei a quem estava ao meu lado quem poderia interessar-se por aqueles objetos. A resposta foi merecida:

_ na “Esquina dos Desesperados”.

A outra pessoa que estava por ali nunca tinha ouvido falar na existência de tal esquina. Tive de explicar que os mais necessitados costumavam se juntar naquele local vendendo ou comprando coisas do “arco da velha”. Este último termo, nem eu sei a origem.

Passados uns dias, encarei a estante de livros, e fiquei lá vários dias por não saber ver letras sem juntá-las de forma a dar uma boa leitura. Meu filho, vendo-me sentada numa almofada do seu tempo de criança, entretida com um livrão filosófico, gracejou:

_ Empacada? Num local de livro “paca”, até paca empaca “paca”!- sem achar graça alguma no comentário, gastei meu sorriso forçado.

Acabei o trabalho separando em duas caixas meus livros queridos: na grande os volumes que haveriam de ser consertados; na pequena os que seriam doados a uma escola próxima da minha residência.

Ganhei, com toda essa movimentação, muita coisa boa: novo visual dos cômodos; facilidade em localizar objetos úteis; gente sorrindo feliz com as doações geradas do desapego; mais espaço, que já não seria para coisas sem utilidade no meu dia a dia, e nem para ir armazenando à toa.

Lembranças significativas do histórico familiar guardei sim, pois pretendo envelhecer e olhar com carinho, por exemplo, alguma peça de louça, mesmo que a memória me falhe no momento de afirmar quem a usou no passado.

Por enquanto não desapeguei de minha origem, nem de trechos importantes na minha caminhada terrena.



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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

outubro 22, 2018

Convivendo com um passivo-agressivo, o livro, capítulo 6.1

Atendendo a pedidos, cá estou eu dando continuidade ao resumão do livro do Dr. Scott no qual ele combina experiências de consultório, de amigos e observações sociais sobre a convivência com um passivo-agressivo.

Lembrando que nada substitui a leitura do livro do próprio autor. Esse texto tem a intenção de ser a base introdutória para um assunto complexo que merece ser relido várias vezes durante o longo e duro processo de amadurecimento.


- Não use! Eu cuspi dentro dele - (já que alguém está usando) Obrigado!
- Eu mijei dentro também! <3 (já que você é um idiota)

Encarando o dragão: o passivo-agressivo e a raiva


"Por que ele não pode admitir que está com raiva?" é outra pergunta que você já deve ter feito várias vezes. "Ele olha para mim como se nada tivesse acontecido e um minuto depois ele me extermina, mas eu nem sei o que eu fiz!"

Esse homem não se irrita facilmente e isso deve te confundir. Não seria infinitamente mais fácil se você soubesse o que o faz ficar zangado? Então a pergunta aqui é: como fazer ele entender que ele está fulo da vida, daí fazer ele se abrir e lidar com a situação?

A hostilidade submersa: como ela se desenrola?

Se tem uma coisa na qual ele é bom é em comunicar agressão. Algumas situações comuns: ele te liga, fala por 5 segundos e te coloca na espera por 5 minutos; ele te pergunta porque você vai usar novamente o vestido que te deixa gorda; ele chega atrasado para o jantar na casa dos seus pais ou na apresentação do TCC; ele te conta que um dos seus amigos não gosta da decoração da sua sala, mas que para ele está bacana. 

Ele se acha inteligente, como um crítico comentarista, mas na verdade ele é colérico, tempestuoso. A raiva é o coração da passividade-agressiva mesmo que ele a negue. Muitos homens vão se emburrar ao invés de gritar, entretanto a mensagem (eu estou p. da vida e é por sua culpa) pode ser ouvida do mesmo jeito.

Quando ele te ataca diretamente ele mais parece um boneco grudento que se adere com toda a forca em você quando leva um soco. No final das contas você se cansa da situação. "Como você pode me acusar de não fazer nada na hora? Os materiais estão aqui na minha mesa. Ninguém trabalha mais duro do que eu!" Comentários desse tipo servem para desviar sua atenção e para te fazer culpada.

Norberto vive falando: "o que eu fiz de errado agora?" sem sentir nenhum remorso por ter tratado mal os outros. Antes que a esposa comece a reclamar de alguma coisa pequena ele fez, ele olha para ela como um cachorrinho que estragou todo o sofá da sala na ausência dos donos. Sem se perceber, minutos depois, ela está pedindo desculpas para ele, mas nunca termina de falar o que queria e nem ouve nenhuma explicação da parte dele.


Lidando com a raiva

O difícil de lidar com a hostilidade abafada é a trazer para superfície. O trabalho mais difícil agora será convencer o passivo-agressivo de que é comum ficar bravo e entender que deve conhecer seus sentimentos e atitudes numa hora dessas.

Algumas frases ajudam "Quando você me interrompe eu não posso falar o que você precisa saber." outras nem tanto "Lá vem você de novo... Não sei porque perco meu tempo falando." A primeira opção comunica o que você quer dizer, mas a segunda tem um componente de retaliação e sarcasmo que demonstram hostilidade freiando qualquer conversa no futuro.

Aqui o autor cita e indica um livro: Anger: The misunderstood Emotion, de Carol Tavris. A agressão verbal geralmente falha porque provoca a outra pessoa e faz com que ela/e retribua na mesma moeda. A outra opcão coloca ambos num estado de espírito que inspira a conversa consciente.

Algumas mulheres usam de humor e ironia "Tá bom querido... você é bom demais para ouvir isso." porque isso as conforta. Por mais contraditório que pareça a agressão direta é o lugar menos seguro para um passivo-agressivo e estas serão interpretadas como uma maneira de você o controlar.

Suprimir a raiva não é uma boa coisa (sublimar sim! - complemento meu mesmo - leia sobre essa última porque sabemos pouco disso). Ele, por um lado, se intimida facilmente e tem medo de confrontações e por outro lado, guarda rancor do seu jeito benevolente de lidar com a raiva dele.

Débora define seu colega de trabalho como manipulador, controlador, engenhoso, não suporta que as coisas não sejam do jeito dele, além de super protetor que reage com exagero e ataque. Ao mínimo criticismo ele contra-ataca por dias seguidos sendo que ela nem sabe exatamente porque está sendo ignorada.

Recentemente ela pediu para ser promovida para uma área que vai de encontro com a área de Roger. Depois que soube disso ele começou a minar a confiança dela sugerindo que as coisas que ela fazia não eram certas ou boas. Entretanto, ela não quer vê-lo demonstrar sua raiva abertamente e para dizer a verdade ela não gostaria de lidar com a raiva dele de jeito nenhum.


Conselhos do Dr. Scott: 1. ajude-o a ser mais direto, 2. aprenda a lidar com a raiva de outras pessoas, 3. aceitar o passivo-agressivo como ele é. Quanto melhor você aceitá-lo, mais fácil será falar com ele sem antipatia ou repulsa. Com o tempo, ele vai apender que criticar um comportamento não é o mesmo que o criticá-lo.

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O livro: Living with the Passive-Aggressive man; Coping with the Personality Syndrome of Hidden Aggression - from the Bedroom to the Boardroom, de Scott Wetzler, Ph.D. Em tradução livre Vivendo com o homem passivo-agressivo; Lidando com a Síndrome de Personalidade da Agressão Encoberta - da Cama à Sala de Reuniões. Autor: Scott Wetzler, Phd., New York, 1992.