agosto 12, 2016

O outro lado da maçã

Por Elisabeth Santos


Minha vizinha plantou uma macieira no seu jardim. Era um desejo seu ter uma macieira. Comprou-a no caminhão, respondia a quem perguntasse sobre aquela raridade num jardim tropical. Onde ela reside todos sabem que o caminhão de mudas pegas vem a cada quinzena. É só contar os dias que lá está ele na praça, devidamente licenciado.

Junto ao seu desejo Melissa recebeu de graça uma porção de amigos: crianças, passarinhos e abelhas, para citar os melhorzinhos. Omitiu as formigas marchando em fila carregando seus fardos, as moscas das frutas, e outros esquisitos de seis perninhas.

A macieira floriu, frutificou e ficou muito bonita. Também Melissa usou a técnica de amarrar uma pedra em cada galho para incliná-los para baixo, deixando os frutos amadurecerem bem fáceis de serem colhidos.

As maçãs não cresciam muito. Isto não fazia diferença. Também caiam do pé sem estarem maduras, mas Melissa pouco se importava. E por fim, num ano de inverno tropical rigoroso (!), verão de muita chuva, a macieira carregou!

Ficou uma beleza!

A dona quis fotografar para as redes sociais o resultado da sua boa colheita.

E aí estão as fotos das maçãs mostrando um lado.

Fotografou-também mostrando o outro lado todo bicado.

Quis perguntar aos passarinhos por que razão não escolhiam uma fruta só e a comiam inteira. Não ia adiantar de nada a indagação.

Ficou desconfiada que maçã bicada de todos os lados caísse no chão sem proveito algum.

Melissa criava um gato que não comia as maçãs caídas.

O gato haveria de caçar os passarinhos que viessem atrás das frutas.

A história da maçã termina com dois lados: o lado claro e o lado escuro agora revelado.



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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

agosto 10, 2016

Como seria a linha do tempo para as Olimpíadas se o Rio fosse um lugar organizado.

10 anos antes

Os comitês olímpicos dos países se declaram interessados em sediar os jogos. São feitos workshops nas cidades que querem participar. Durante um ano são feitos planos e estudos que demonstram a viabilidade. Apresentam visão, estratégias e conceitos. Acontecem referendos para consulta da população (Boston 2014 é um exemplo, Rio não é).

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9 a 8 anos antes

Os comitês selecionam as cidades e estas enviam seus lances. Comitês locais criam rápidas competições para planos gerais e internacionais. Mas isso não foi feito no Rio até 5 anos depois do prazo. Consultas públicas e privadas sobre gastos tomam parte da decisão para avaliação de eficácia, legalidade e planos de entrega começam a ser delineados.


7 anos

O comitê IOC eleje a cidade. O plano começa a ser finalizado e a cidade determina estruturas básicas, construções novas, reformas etc. para o Rio a cidade já estava equipada com muitas coisas de acordo com o Pan Americano de 2007 embora nem tudo seja a mesma coisa… exemplo, um novo velódromo foi construído porque a International Cycling Union não aprovou o anterior e o preço do novo foi equivalente a um novo mesmo.


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6 a 5 anos

Firmas locais de arquitetura são contratadas para ajudar a coordenar a competição de design e leilões sõa feitos para projetos específicos. No Rio eram 59 candidatos de 18 países entraram no leilão para a construção do Centro de Treinamento Olímpico.

4 anos

Arquitetos e engenheiros locais são designados para os planos de viabilidade. Os planos são apresentados ao público, com futuros planos para venues temporários.

3 anos

As construções de venues permanents começam. Times de designers de interiors nas firmas de arquiteura são chamadas para finalizer o complex. O comite olimpico começa a pesquizar items internos que tem a ver com o especificado pelo corpo governamental, inclusive os móveis para a vila olimpica.


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2 anos

As construções permanentes estão quase prontas e as construções temporárias começam.


1 ano

Começam os testes com as instalações do evento e a viabilidade dessas estruturas. Acabamentos são iniciados.

E finalmente começam os JOGOS!!

E o que deve acontecer 1 ano depois dos jogos?

A estrutura é reaberta à populaçào, inclusive escolas, casas e locais de treinamento.

Agora conte como você acha que vão ser as Olimpíadas de Verão que por acaso acontecem no inverno do vibrante e esverdeado Rio de Janeiro?

E para quem chegou até o final, posso contar agora o valor que o Brasil pagou para participar da Olimpíada. 15 bilhões! Reais, não seu bobinho, dólares.




agosto 08, 2016

Como foram as travessias de sua vida?

Foto de uma travessia em Ouro Preto, Minas Gerais.

Já prestou bem atenção na letra da música Travessia do Milton Nascimento? Se identificou? Ou remeteu a algum momento de sua vida? 


Um pouco sobre as travessias da vida, e de Milton Nascimento. 

Milton Nascimento, um completo artista, cantor, mas não só isso, um ser humano que supera expectativas e padrões pré-estabelecidos nessa dimensão em que vivemos, alguém que podemos denominar divindade até por conta de seu desígnio de vida que é o de estar no palco e se apresentar como a própria arte em pessoa, é brasileiro e apesar de ter nascido no Rio de Janeiro, foi ainda pequenino com a família morar em Três Pontas - sul de Minas Gerais, onde cresceu se apaixonando cada vez mais em viver a música e amizades. Quando chegou a grande hora de “ser alguém na vida”, se viu cobrado em cursar uma faculdade para ter algum diploma, caso seus sonhos envelhecessem. Então, assim que se formou em Contabilidade (não, péra, foi isso mesmo? Sim, Contabilidade, contas e números) foi para BH tentar a vida como músico. 

Naquela época - como ele mesmo diz em algumas entrevistas - música boa era música, qualquer música. Toda música era um bom trabalho e agradava a todos, não existia separação entre gêneros e pessoas pelo estilo musical. Nesse sentido, ele tocava de tudo nos barzinhos, de boleros argentinos à MPB ou uma moda, ele era músico e tocava música em um momento que toda música era música e não havia uma separação entre ritmos e pessoas. A música nesse tempo aproximava pessoas e as faziam sentir e bailar. Havia muitos bares-casas de shows, onde as pessoas bebiam, dançavam ao mesmo tempo que apreciavam a música orgânica (e não mecânica).

Na década de 60 Milton, nosso amável Bituca (que aprecia esse apelido de infância), conhece Fernando Brant (também mineiro) e encarrega o menino – que mais tarde viria fazer parte do apaixonante Clube da Esquina – de escrever a música Travessia que em 67 viria ganhar o segundo lugar no II Festival Internacional da Canção no Rio de Janeiro. Ninguém poderia imaginar – tirando, é claro, o Milton, que é uma divindade - que um menino que nunca tivera composto na vida se sairia tão bem na primeira música e então continuaria desenhando canções tão lindamente em sua trajetória de vida com parcerias fabulosas. 

Enquanto ouvimos a música Travessia podemos imaginar inúmeros tipos de travessias em nossas vidas. A TRAVESSIA enquanto caminho percorrido com obstáculos, aquele que exige esforço, vontade e força para “tirar da cartola” é talvez a coisa mais relevante de nossas vidas, o que mais faz sentido e nos faz refletir, olhando para trás e vendo o quanto conseguimos crescer de um ponto a outro, evoluir, mudar, seja em qualquer questão.  

Certa vez disse a Monja Coen em uma de suas entrevistas em analogia a esse mesmo assunto, algo como ter ido ao Monte Fuji e ser abordada por isso, sempre perguntam a ela como é a vista de lá de cima, comentam sobre como parece lindo lá de baixo, mas sobre o caminho, a travessia, a caminhada, poucos desejam saber, fazer, encarar. Ela deixa em evidência que cada ser humano deve passar por esse processo para seu próprio bem e crescimento, sendo que ninguém pode fazer isso pelo outro. Ela chegou ao topo do Fuji, mas para isso precisou de atravessar um grande caminho com muitos obstáculos. 

A música de Bituca e Brant tem um tom melancólico, de tristeza, mas também de superação porque descreve o momento de caída de alguém em um limbo ou fundo do poço, onde se sente sozinho, impotente e sem esperanças. De noite é mais difícil de enxergar e tomar um rumo na vida e nesse momento nenhum lugar é nosso, há um descompasso tão grande que não sentimos bem nem dentro de nós mesmos, pois a situação que provocou todo esse estado mexeu de tal forma em nós que tirou tudo do lugar, até nós de nós mesmos, e ainda que  forte, ao passar um momento desse, chorar nada mais é que demonstração de humanidade e humildade no sentido de reconhecimento de que não podemos controlar tudo o tempo todo, nem as vezes nossos próprios  sentimentos ou como lidamos com eles. Caminho de pedra é aquele cheio de obstáculos, dificuldades, e como sonhar se minha tendência agora é enxergar essas pedras em evidência? Só posso querer me matar. Depois de sentir a tristeza, de sofrer, de acolher esse tipo de vivência -que faz parte da vida e não é tão menos importante que o de desfrutar da vista ao chegar no topo da montanha- os autores da linda canção nos mostra que podemos escolher tomar de volta o rumo de nós mesmos, voltar a caminhar com certa leveza e mais: sem deixar que a mesma intensidade de sofrimento tome conta de nossas vidas outra vez: “vou seguindo pela vida me esquecendo de você. Já não quero mais a morte, tenho muito o que viver. Vou querer amar de novo, mas se não der não vou sofrer”. Isso é a consciência de que apesar de tudo, se fizermos bem uma travessia muito difícil um dia, encararmos ela, as próximas serão menos sofridas e terão menos impactos sobre nós, porque o segredo é estarmos firmes e conscientes de que “temos muito o que viver pela frente” e nada pode nos dar mais segurança do que estarmos com nós mesmos. 

A canção Travessia pode ser vista como a travessia de um sofrimento por um amor que se desfez, ou pela superação da partida de alguém querido dessa vida ou ainda sobre um momento terrível de nós com nós mesmos em alguma fase de depressão, mas o que há em comum em qualquer das variáveis é que a tristeza, a dor emocional, a falta de rumo, o sofrimento, seja ocasionada por agentes externos ou internos, vem para todos, faz parte da vida e é importante, humano e honroso encarar e acolher isso, mas depois podemos escolher caminhar, levando, claro, tudo o que passamos em consideração, mas vivendo da melhor forma possível com nós mesmos. Caminhar para frente e de cabeça erguida! 

Milton Nascimento, dotado de grande originalidade e perspicácia trabalha vários tipos de influências em sua música: algumas como Jazz, Cantigas e Congado mineiros, bem como pegadas afro-brasileiras, indígenas e latino-americanas. Teremos mais curiosidades sobre seu trabalho no Blog Designer Sensible. 

TXAI Bituca, TXAI! 

Dedico esse post aos queridos: Vander Schulz,  Marta Luzie, Renata Angélica, Adriana Lettieri e Deivid Junio.


Outros posts da Amanda você lê aqui.


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Amanda estuda Filosofia e mora em Ouro Preto – MG. Lança no mundo um olhar contemplativo e é por isso que gosta trocar informações e curiosidades sobre tudo o que admira e experimenta. Acredita que as perguntas movem o mundo e o conhecimento pode ser um remédio para a alma. Escrever no Caderno de Perguntas é uma forma de passar um pouco da sua bagagem adiante.

agosto 05, 2016

Dona de Casa II

Por Elisabeth Santos

A legítima dona da casa da Beth.

Escrever sobre as tarefas de uma dona de casa até que é fácil. Desdobrar o dia nas mil coisas que ela tem a fazer não é para qualquer um!

Uma boa dona de casa programa, e memoriza as atividades, horários, trajetos, despesas, da sua agenda diária, semanal, mensal, e por aí afora. 

É capaz de explicar nos detalhes, porque motivo passa primeiro no supermercado antes de pegar as crianças na escola. Argumentos nunca lhe faltam, e todos são mais que convincentes. Se alguém resolve sugerir uma mudança de hábitos na rotina do lar, vai constatar rapidinho que da outra forma o resultado era mais eficaz.

Esta é a boa dona de casa!

Mesmo diante de dificuldades momentâneas consegue se sair bem, pois conta com uma rede de apoio das melhores: a família, a amiga, a vizinha, a colega da academia, ou o pai do coleguinha de escola do seu filho. E a recíproca costuma ser verdadeira. Todos podem contar com ela na hora da precisão.

Hoje em dia Donas de Casa têm um auxiliar de primeira linha que é o celular. O tempo gasto no engarrafamento do trânsito não fica totalmente perdido. Além de ela poder avisar ao consertador do ar condicionado de seu apartamento, que vai atrasar-se um pouco, e ele deve aguarda-la, poderá desmarcar dentista, marcar cabeleireira e acertar com o marido sobre o jantar no restaurante logo mais.

Umas coisas ajudam e outras atrapalham.

O que dizer do racionamento de água encanada, e da economia de energia elétrica? Como proteger a família das doenças transmitidas por mosquitos infectados? Com muito mais coragem, trabalho e dinheiro, está claro.

Imagine só o dilema: tudo deve estar bem higienizado, com pouca água (e certamente muito produto de limpeza); e o eletrodoméstico como o aspirador de pó utilizado com moderação (e mais muque com certeza). E o salário? E o que vai fazer o tempo da dona de casa esticar?

Bom desafio para novíssimo game!

Clique aqui para ler o primeiro conto da série.



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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

julho 29, 2016

Cemitério II

Por Elisabeth Santos


Depois de ouvir contarem curiosidades de personagens, esculturas e túmulos de alguns cemitérios do mundo, resolvi relatar um causo da minha cidade.

O pequeno cemitério estava localizado no alto de um morro, pois em ocorrência de enchente no rio, não seria atingido trazendo danos e tristeza às famílias dos mortos.

Cercado por muro não muito alto, o portão ladeado de palmeiras, oferecia uma nostálgica vista do casario e igreja, ao pôr do sol.

Para a molecada, o interesse voltava-se para os coquinhos das palmeiras. Atirando pedras, acertavam alguns, e tinham de pular o muro para busca-los.

Para enamorados, o interesse maior era pelo local de pouco movimento, principalmente ao anoitecer.

Eis que numa noite sem lua, dois moleques repartiam assim seus coquinhos:

_ Um pra mim, um pra você; um pra mim, um pra você...

Isto do lado de dentro do cemitério, com portão fechado.

E o casalzinho aos beijos do lado de fora, encostado ao muro, ouvindo aquilo sem saber de quem seria a voz a sussurrar:

_ Um pra mim, um pra você...

De início, não se preocuparam em sair dali, mas ao ouvirem a frase:

_ Corre a pegar aqueles dois que vão sumir na cova aberta!

Lívidos, dispararam a correr ladeira abaixo.

E os moleques, a dividirem os frutos redondinhos, que ora escapavam rolando, ouvindo tropel e gritos assustados pularam o muro, correram pra casa, esquecendo o que tinham ido buscar no cemitério.



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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

julho 27, 2016

Ideias simples para os controladores de plantão

Acho que a maioria vai concordar com a frase a seguir. Seja em casa ou no trabalho, as pessoas controladoras sofrem, mas também atormentam quem esta por perto.

Alguns empresários chegam ao ponto de não deixar a secretária organizar a agenda do dia ou mesmo marcar reuniões. Muitos desses chefes só vão delegar tarefas quando já estão biologicamente exaustos (burn out) e com uma equipe totalmente despreparada nas mãos. Uma boa receita para o fracasso!

Então essas são 4 dicas para ajudar o Sr. Mandão a delegar mais tarefas.

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Começando com a mais fácil.

1. Defina as tarefas mais difíceis ou demoradas do seu dia. Contrate alguém para fazer coisas que você sabe que não faz tão bem e seja livre para fazer o seu dia mais produtivo.

2. Conheça as pessoas que trabalham para você!

2.1. Se puder, contrate alguém que seja treinado e experiente no assunto.

2.2. Descubra os talentos da sua equipe e explore isso. Esqueça aquele ideal romântico e dissipador de energia que fala para "desenvolver as qualidades faltantes das pessoas" delegando tarefas que elas não sabem fazer. 

2.3. Entenda os potenciais de cada funcionário, de verdade. Só assim você vai conseguir determinar o tipo de treinamento necessário para que sejam excelentes nas tarefas que executam. Se for esse seu caso... veja o número 3.

3. Seja paciente, com a aprendizagem. Com tempo e muito bom senso seu time vai conhecer suas preferências. Você também vai saber como seu time trabalha e demandar tarefas mais complicadas com melhor retorno. 

4. Mantenha anotações das suas tarefas diárias. Controle o tempo (aqui pode) que você leva para realizar cada trabalho, cada projeto, cada telefonema, etc. Seja muito organizado com as SUAS anotações. Somente assim você vai conseguir aperfeiçoar as dicas anteriores.


E você, tem outras dicas interessantes para deixar de ser controlador? Conte para a gente nos comentários.


Outros textos interessantes para você.

Fábricas exploradoras, moda barata que mata.




julho 25, 2016

Pergunto a vocês: o que é mais inteligente, o livro ou a sabedoria?

A sabedoria, não é?
José Agradecido

Com ela a gente escreve os livros...
Leonardo Guelman


Resolvi estender um pouco mais o assunto do último post sobre o Profeta Gentileza, veja o post aqui, a fim de passar mais algumas curiosidades (baseadas nas pesquisas do Prof. Dr. Leonardo Guelman) sobre essa grande figura que motiva pesquisas, ações, músicas, filmes, e até mostras artísticas em nosso país.

“O que é mais inteligente: o livro ou a sabedoria?” Pergunta retórica do Profeta Gentileza após ter vivido o fato de ter sido preso no início dos anos 70 em Aquidauana - Mato Grosso, em sua peregrinação, onde o delegado alegou tê-lo preso por estar pregando sem a Bíblia – livro-. Além de ter sido preso por tal motivo, José Agradecido teve seu cabelo e barba cortados e seu estandarte destruído, em seguida o colocaram em um trem para Campo Grande. Depois disso, voltou para o Rio de Janeiro e por estar careca começou a usar uma cartola, sendo então apelidado de “Chacrinha da Calçada” e “Profeta Tropicalista”. A partir daí carregava uma carta de autoridades confirmando que ele era de “ordem” e não um“desordeiro”, para assim poder continuar sua jornada em paz.


Como vimos no post anterior, a tragédia do “Gran Circus” foi algo que mexeu muito com José Datrino, ele relacionava aquela fatalidade particular de um circo com a fatalidade de o mundo estar perdendo seus valores. Desse modo criou uma modinha (tipo essas modas de viola cantadas) que dizia o seguinte:

“Diz que o mundo ia se acabar

Pois o mundo se acabou

A derrota de um circo queimado em Niterói

É o mundo representado

Porque o mundo é redondo e o circo é arredondado

Por esse motivo Gentileza não tenha sossegado

O Profeta do lado de lá passou para o lado de cá

Para consolar os irmãos que eram desconsolados

É isso que aconteceu

E o mundo é redondo e o circo arredondado”

É certo que o circo é uma representação do mundo, e se consideramos isso os pensamentos de Gentileza sequiam uma linha de raciocínio extraordinária, tudo fazia sentido das coisas que fazia, escrevia e falava.

Das sacadas mais legais é a palavra “conhecer” escrita dessa forma: “CONHESER” -> conhecer e ser ao mesmo tempo.

Outro exemplo é em seu segmento místico/religioso onde podemos identificar a simbologia da repetição das letras na palavra “amor” -> “AMORRR” – escrito com 3 “Rs”: a cada R era atribuída uma parte da Santíssima Trindade, sendo o primeiro R ao Pai, segundo ao Filho e terceiro R ao Espírito Santo.


Por ter o costume de andar em lugares onde havia mais circulação de pessoas, trânsito, centros e, portanto mais falta daqueles valores. Ficou caracterizado como um autêntico profeta urbano e para alguns estudiosos um reformador contemporâneo que vem questionar os caminhos tortos que a sociedade tem tomado e mostrar algumas novas trilhas mais iluminadas.

Gentileza também foi o primeiro artista urbano do Rio de Janeiro reconhecido nacionalmente e por isso:

Até dia 31 de julho acontece no Parque das Ruínas no Rio de Janeiro – RJ uma Exposição em sua homenagem chamada: “GENTILEZA – o verde e amarelo do Rio - Uma releitura contemporânea da arte mural do profeta” onde foram reunidos trabalhos de 11 artistas, entre eles grafiteiros, escultores e ilustradores. A visitação à Mostra está aberta de terça a domingo, das 10h às 18h com entrada gratuita.





Outros posts da Amanda você lê aqui.


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Amanda estuda Filosofia e mora em Ouro Preto – MG. Lança no mundo um olhar contemplativo e é por isso que gosta trocar informações e curiosidades sobre tudo o que admira e experimenta. Acredita que as perguntas movem o mundo e o conhecimento pode ser um remédio para a alma. Escrever no Caderno de Perguntas é uma forma de passar um pouco da sua bagagem adiante.