setembro 18, 2020

Os nove meses do neném

 Por Elisabeth Santos


Depois de nove meses no ventre materno o neném se desenvolve mês a mês em berço esplendido, repleto de amor e cuidados. Chegando aos nove meses de idade crescendo, e desenvolvendo habilidades surpreende a todos, que não puderam acompanhar de perto as etapas. Agora ele reconhece cada pessoa que lhe é mais próxima. Para cada uma delas balbucia coisas ininteligíveis para adultos inábeis. Estende os bracinhos, sorri, apronta uma gritaria de pura satisfação ou... muito pelo contrário. Vira o rostinho, esconde-se, faz charme de quem não identificou aquela pessoa que se apresenta depois de “looongooo” tempo de ausência.

O bebê em questão, engatinha para pegar seu brinquedo preferido, fica em pé segurando na grade do berço e ensaia uns passinhos, balbucia gritando para ouvir sua própria voz, ameaça chorar e fazer birra se não apareceu quem ele quer que apareça. Essa pessoa pretendendo tirá-lo da jaulinha, digo, do bercinho, primeiramente lhe faz festa. Reconhece seu esforço de comunicação à distância. É tudo que a criança quer após o soninho da tarde e as atividades por ali mesmo: -Ter a fralda trocada, mudar de ambiente, esbanjar alegria com sua prosa. Adultos em torno na tentativa de decifrar seu idioma, puxam “a brasa para sua sardinha” afirmando:

- Falou babá!

- Falou papa!

- Mamã, apa, aba, dé e... dgidjei! – todos riem das gracinhas do bebê e ele assim incentivado vai aumentando o repertório de sons reconhecíveis ou indecifráveis.

É o centro das atenções!

Ele tem certeza disso!





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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora (não de Português) resolveu escrever. Colabora com o jornalzinho da família, participa de concurso cultural e coleciona seus textos para publicar oportunamente. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

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