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| © Jon Helgason | Dreamstime Stock Photos |
Em 2007 anunciaram que o Brasil seria sede da Copa do Mundo de Futebol de 2014. Ninguém imaginava o que mais essa decisão poderia trazer ao país. Pensaram que seria fonte geradora de investimentos liderados pelo Programa de Aceleração do Crescimento - PAC. Haveria desenvolvimento e infra-estrutura suficientes para resolver as condições do povo e para receber os turistas. Nas palavras do presidente da época, Luiz Inácio da Silva "os investimentos permitirão que a Copa no Brasil seja inesquecível". Verdade! De fato, já se configura um episódio memorável.
Faziam anos que o Brasil não recebia tamanha atenção mundial. Sem a preocupação de uma confirmação histórica, desde Carmen Miranda, JK ou da enorme dívida externa. Mas agora, percebendo-se a atração principal do show e na possibilidade de receber muitos estrangeiros, acendeu-se o grande alerta vermelho. Na cabeça da tal classe média talvez? "Imagina na Copa" foi uma frase que primeiro representou o constrangimento do brasileiro em relação à negligência, à impunidade, ao desrespeito, ao nepotismo e ao desleixo.
Nação hospitaleira, somos do tipo que guarda o conjunto talher de prata e os copos de cristal para usar com as visitas. Neste dia, também a louça mais bonita vai para a mesa e o cafezinho é passado no final da refeição. Não se serve café de véspera, não senhor. Sinais de uma colonização escravizadora que deixou grandes marcas no nosso ser. Talvez agravada pela ditadura?
A hipótese do outro vir até o Brasil; alguém melhor que nós e ver de perto o nosso cenário incapaz fez aflorar a vergonha, a vulnerabilidade e a baixa auto-estima. Se iludem os que pensam que os estrangeiros não nos conhecem. Vamos lembrar que existem tantos brasileiros fora do país que o governo tem até um programa dedicado a trazer de volta esses expatriados*. Mas como uma criança que fecha os olhos pensando que ninguém a vê, esse povo acha que ninguém conhece a nossa brasilidade. Mas os gringos sabem como são os brasileiros. Alegres, espontâneos, falantes, receptivos, desligados, apaixonados, debochados, malandros, festeiros, informais, religiosos, criativos, pouco pontuais, sensuais, coloridos, mal educados, mais outras tantas qualidades e defeitos.
Os forasteiros não esperam ver no país algo de "primeiro mundo" ou uma nação industrializada. Não. Ponto final. Mas entendo que os compatriotas queriam recebê-los em aeroportos proporcionais à demanda, transitando em rodovias descentes como as que veem pela internet ou quando vão à Miami fazer compras.
Compreensível, mas esclarecendo a confusão... os que hoje se aventuram no território brasileiro sabem o que buscam. Procuram por toda a propaganda direta e indireta feita sobre o Brasil desde sempre. É isso o que querem ver. E é possível assumir que quem for ao evento de 2014 vai ver isso e o reflexo de nossas atitudes. Quais? Todas! Desde sempre!
Desanimador? Para quem nunca chegou perto de um espelho pode ser. Para os preguiçosos e conformados também, mas ao contrário tem se mostrado um grande estímulo à reflexão consciente. Principalmente dessa gente nova, da geração Y que pode fazer disso tudo um trampolim para a mudança comportamental do Brasil.
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Isabela: designer, estudou psicologia clínica, especialista em tecidos automotivos, trabalha inclusive com análise de tendências de design e comportamento humano. Está morando fora do país, por isso tem coisas interessantes para compartilhar.




















