junho 23, 2013

O que a Copa fez pelos brasileiros.

© Jon Helgason | Dreamstime Stock Photos
Em 2007 anunciaram que o Brasil seria sede da Copa do Mundo de Futebol de 2014. Ninguém imaginava o que mais essa decisão poderia trazer ao país. Pensaram que seria fonte geradora de investimentos liderados pelo Programa de Aceleração do Crescimento - PAC. Haveria desenvolvimento e infra-estrutura suficientes para resolver as condições do povo e para receber os turistas. Nas palavras do presidente da época, Luiz Inácio da Silva "os investimentos permitirão que a Copa no Brasil seja inesquecível". Verdade! De fato, já se configura um episódio memorável.

Faziam anos que o Brasil não recebia tamanha atenção mundial. Sem a preocupação de uma confirmação histórica, desde Carmen Miranda, JK ou da enorme dívida externa. Mas agora, percebendo-se a atração principal do show e na possibilidade de receber muitos estrangeiros, acendeu-se o grande alerta vermelho. Na cabeça da tal classe média talvez? "Imagina na Copa" foi uma frase que primeiro representou o constrangimento do brasileiro em relação à negligência, à impunidade, ao desrespeito, ao nepotismo e ao desleixo.

Nação hospitaleira, somos do tipo que guarda o conjunto talher de prata e os copos de cristal para usar com as visitas. Neste dia, também a louça mais bonita vai para a mesa e o cafezinho é passado no final da refeição. Não se serve café de véspera, não senhor. Sinais de uma colonização escravizadora que deixou grandes marcas no nosso ser. Talvez agravada pela ditadura?

A hipótese do outro vir até o Brasil; alguém melhor que nós e ver de perto o nosso cenário incapaz fez aflorar a vergonha, a vulnerabilidade e a baixa auto-estima. Se iludem os que pensam que os estrangeiros não nos conhecem. Vamos lembrar que existem tantos brasileiros fora do país que o governo tem até um programa dedicado a trazer de volta esses expatriados*. Mas como uma criança que fecha os olhos pensando que ninguém a vê, esse povo acha que ninguém conhece a nossa brasilidade. Mas os gringos sabem como são os brasileiros. Alegres, espontâneos, falantes, receptivos, desligados, apaixonados, debochados, malandros, festeiros, informais, religiosos, criativos, pouco pontuais, sensuais, coloridos, mal educados, mais outras tantas qualidades e defeitos.

Os forasteiros não esperam ver no país algo de "primeiro mundo" ou uma nação industrializada. Não. Ponto final. Mas entendo que os compatriotas queriam recebê-los em aeroportos proporcionais à demanda, transitando em rodovias descentes como as que veem pela internet ou quando vão à Miami fazer compras.

Compreensível, mas esclarecendo a confusão... os que hoje se aventuram no território brasileiro sabem o que buscam. Procuram por toda a propaganda direta e indireta feita sobre o Brasil desde sempre. É isso o que querem ver. E é possível assumir que quem for ao evento de 2014 vai ver isso e o reflexo de nossas atitudes. Quais? Todas! Desde sempre!

Desanimador? Para quem nunca chegou perto de um espelho pode ser. Para os preguiçosos e conformados também, mas ao contrário tem se mostrado um grande estímulo à reflexão consciente. Principalmente dessa gente nova, da geração Y que pode fazer disso tudo um trampolim para a mudança comportamental do Brasil.


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Isabela: designer, estudou psicologia clínica, especialista em tecidos automotivos, trabalha inclusive com análise de tendências de design e comportamento humano. Está morando fora do país, por isso tem coisas interessantes para compartilhar.

junho 22, 2013

Índia e educação

© Phil Date | Dreamstime Stock Photos
Estou participando de projetos em parceria com a Clemson University. São desenvolvimentos de carros e isso é elementar, meu caro Watson! Mas para quem chegou agora, vou explicar que ganho meu dinheiro fazendo tecidos automotivos numa empresa multinacional. Não vou falar dos projetos porque não posso, mas depois posso comentar sobre essa história.

Voltando motivo da conversa... a parceria é entre a universidade e a empresa na qual trabalho, ambas ficam no campus de pesquisas automotivas da Clemson, CU-ICAR (no caso CU não tem nada a ver com o tal, é por causa da Clemson University e a pronúncia é "ci-you" e não como uma sílaba só)No prédio ao lado fica a BMW, eles tem um centro de pequisas tecnológicas ali. O prédio onde estamos tem vários laboratórios e é dedicado às tecnologias emergentes. Deu para percebeu que tudo por aqui é bem avançadinho, neh?

Em uma das reuniões com os orientadores do projeto de 2015, fiquei sabendo que próxima turma com a qual vamos nos encontrar em breve tem 23 alunos. Sendo eles, um americano, um coreano e 21 indianos. Os números são esses que você leu e esta é a realidade das turmas desta e de outras universidades americanas. Vários cursos, em várias faculdades pelo país.

Lembrei que desde o primeiro dia no campus me chamou a atenção a quantidade de indianos andando pela vizinhança. Poucas mulheres, mas ainda assim vi umas gatas pingadas usando véu na cabeça. Então fui pesquisar mais sobre assunto. Não o assunto "véu na cabeça", mas o assunto do título "Índia e Educação".

Eu sabia sobre um indiano que invetou a tecnologia do USB*, de outro que fundou a empresa que faz supercomputadores**, dos fundadores e consultores de empresa de TI, dos indianos na propaganda da Intel. Pensei no empreendedor que fundou a Khan Academy e do apoio que Bill Gates deu às ideias dele sobre mudança de paradigma no ensino (ele não é indiano, mas Bangladesh faz fronteira com a Índia). Lembrei também do Raj da série Big Bang Theory, mas what else is new? Até então, cadê a novidade?

Descobri que o Indian Institute of Technology é a universidade indiana que forma os mais cobiçados profissionais do mundo. Os americanos sabem disso e tratam de importar seres humanos de lá. Depois de um tempo no Vale do Silício, os indianos conseguem ter e gerar muito dinheiro para eles e para a economia americana. Mas é importante lembrar que para conseguir isso, eles precisaram antes estudar muito, muito lá no Vale do Ganges. Neste instituto o empreendedorismo é prática comum desde o início da vida acadêmica por exemplo, os próprios alunos são responsáveis pela seleção do chefe de cozinha do restaurante e do cardápio servido.

Mais do que isso, vi que o país ainda tem graves problemas sociais e grande defasagem educacional, MAS o governo indiano tem investido maciçamente (na mesma proporção do problema) em educação para melhorar o país. A meta deles e construir 50 mil faculdades (por isso eles vão estudar fora) e educar 100 milhões de jovens nos próximos 10 anos. Para isso, estão fazendo reformas econômicas, tributárias e políticas em toda a Índia. Igualmente traçaram
 metas arrojadas para diminuir a desigualdade social, melhorar a saúde e infra-estrutura indiana. 

Neste momento de protestos pelo Brasil, sabendo do que o governo da Índia tem feito pelo seu povo, me despeço.


*http://en.wikipedia.org/wiki/Ajay_Bhatt
**http://en.wikipedia.org/wiki/Vinod_Khosla

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Esse artigo não tem a intenção de divulgar comercialmente produtos de nenhuma marca, até porque não ganho nada com isso. A não ser o fato de compartilhar ideias interessantes que fazem a vida de uma designer tão divertida.

Isabela: designer, estudou psicologia clínica, especialista em tecidos automotivos, trabalha inclusive com análise de tendências de design e comportamento humano. Está morando fora do país, por isso tem coisas interessantes para compartilhar.

junho 21, 2013

American safe product for allergic people.



It was not easy to understand the Mary's Gone Crackers' name. I had to ask an American friend, and also she needed time to get it. This cracker is for unlucky people who cannot eat wheat, gluten, corn, dairy, fats neither nuts. It's also vegan, organic, non-GMO, and Kosher. A good option if you want eat something that salty and safe. 
I still don't know if this name is because everything good in a real cracker was gone from this one.


So Delicious Dairy Free is another funny name for more unlucky people. This time is for who cannot eat or drink any dairy. Somebody lactose intolerant or casein intolerant, milk proteins all those milk proteins. Coconut milk is very good. It's very white bright color with a good smell. Nothing to do remember the milk smell. Anyways, at this point, with all allergies knocking me out. This is so delicious!

(I ended up learning this Coconut milk isn't good for me. The ingredients are not safe if you are very sensitive, and I am. I don't know exactly why it gives me rashes, but right now I don't want to try again.)

(New update from So Delicious: they don't think their natural flavors have corn because it does not have corn protein... Well, this is not what my body tells me. After this, only the name is funny, but the product isn't good.)


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Isabela: Brazilian, designer, works with automotive fabrics in the US. She did psychology college as well and had enjoyed a lot. She is living abroad for while, maybe because this she likes trends, cultures and behaviors.

DISCLAIMER
All material on this Corn Free session is intended for reference only and should not take place of medical advice from a license practitioner. Please use common sense, do your own research, and consult your physician when making decisions about your health.

Nomes dos produtos americanos


Americanos dão nomes diferentes do que estamos acostumados para os alimentos deles. Alguns nomes são engraçados, ainda que sigam o estilo americano de piada. Esta bolacha de sal é uma delas e confesso que levei um tempinho para entender, na verdade precisei perguntar para uma americana que também demorou pra pegar a piada.

Mary's Gone Crackers não tem nada a ver com a bolacha Maria brasileira. Por aqui, usar nomes próprios em comidas significa dizer que o produto é único, especial. Uma receita secreta que só aquela pessoa, a Maria, sabe fazer e agora você também pode comprar. Uau!

Este cracker entra na lista de nomes engraçados tentando animar o público alvo. Feito para pessoas muito azaradas que não podem comer trigo, glúten, milho, leite e derivados, gordura trans, óleos hidrogenados, nozes e castanhas ou transgênicos. Além disso, a bolacha é vegan, orgânica e Kosher, pois o preparo obedece leis judaicas.

Na embalagem ainda falam que a bolachinha é "feita com grãos integrais e amor, proporcionando uma alimentação consciente". Eu digo que a fulana é ruim. Bem ruim mesmo! Me lembra comida de passarinho, mas ela é honesta. Até no nome: "Cracker sem nada da Maria". Porque tudo de bom que você poderia encontrar numa bolacha... se foi (is gone). E que ninguém duvide disso senão eu mando um pacote pelo correio!


So Delicious Dairy Free é outro nome da categoria engraçado que tenta empolgar a pessoa sem sorte que não se dá bem com laticínios. Pode ser uma leve intolerância ao leite ou até uma alergia à caseína, uma das proteínas do leite. Neste caso, a pessoa deve evitar também o estado de Minas Gerais no sudeste do Brasil.

Pelo menos com essa bebida a história é outra, ela tem gosto bom! Bem bom, como diria um gaúcho. A cor é fiel à matéria prima, branco puríssimo e o cheiro... nem lembra o do leite, nem o do coco, mas nessa altura da alergia já foi muita sorte conseguir algo bom para tomar de manhã. Deu até para falar "Tão Delicioso Laticínios free", relaxar e pedir um sorvete.

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Isabela: designer, especialista em tecidos automotivos, estudou psicologia clínica, trabalha inclusive com análise de tendências de design e comportamento humano. Está morando fora do país, por isso gosta de compartilhar as coisas interessantes que encontra pelo caminho.
ATENÇÃO

Todo o material escrito na seção ALERGIA tem somente a intenção de informar com referências. Você não deve de jeito algum deixar de conversar e comunicar seu médico sobre suas decisões de trocar ou parar de tomar qualquer remédio, suplemente ou começar a fazer qualquer tratamento. Por favor use o bom senso, faça sua própria pesquisa. Consulte seus especialistas quando resolver fazer alguma substituição que afete sua vida.

junho 20, 2013

Revestimento de couro


O valor agregado dos produtos de couro é devido à trama psicológica que envolve a história do homem desde os tempos das cavernas. Verdade ou não vou contar a lenda que conheço porque ela faz sentido.

Na idade da pedra lascada, observando os outros animais caçando, o homem percebeu que poderia conseguir mais alimento para si e seu grupo se fizesse como os carnívoros. Fabricando pseudo armas com materiais disponíveis como madeira e pedra, ele saiu para matar os bichos à distância.

Nesta empreitada, a maioria ia, mas não voltava e muitos retornavam machucados com as mãos vazias. Dependendo da habilidade, o sujeito regressava inteiro e trazendo comida para todos os esfomeados do grupo.

Nas regiões frias, este homem (ou a mulher dele que ficava na caverna com as crianças) viu que a pele do bichano poderia ser bastante útil no aquecimento da turma. Consegue imaginar a briga para se esquentar na pele de um urso? Algo parecido com a distribuição do bolo de aniversário da cidade (qualquer cidade do Brasil).

À partir daí foi estabelecida a importância da peça de couro no mercado Neandertal. Igualmente valorizado era o homem que trouxesse a maior quantidade de caça, ou ainda, o maior animal de toda a temporada. Ele também seria o mais cobiçado entre as mulheres (puro instinto de sobrevivência).


Agora dá para imaginar como seria chegar na caverna com um bisão à tira colo? O maior troféu de todos os tempos pré-históricos! Se vestir com essa pele era como andar por aí com um cinturão de vencedor.

Então é fácil perceber porque um produto de couro remete à ideia de força e poder. Ou ainda porque um carro de luxo precisa ter banco de couro, mesmo que não seja couro de verdade (veja aqui essa história).

E só agora as mocinhas entenderam porque um mané usando jaqueta de couro fica mais atraente?!

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Isabela: designer, estudou psicologia clínica, especialista em tecidos automotivos, trabalha inclusive com análise de tendências de design e comportamento humano. Está morando fora do país, por isso tem coisas interessantes para compartilhar.

junho 19, 2013

Grampeador sem grampo

English here.
Madebyhumans website

Esse grampeador sem grampos é o produto de escritório mais bacana que eu uso quase todos os dias. Ideal para 2 ou 3 folhas de papel e você nunca mais vai ver aquela marca de metal enferrujado no papel que guardou por anos. É simples, super elegante, mas ainda não entendo como ele consegue fazer... 


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Isabela: designer, estudou psicologia clínica, especialista em tecidos automotivos, trabalha inclusive com análise de tendências de design e comportamento humano. Está morando fora do país, por isso tem coisas interessantes para compartilhar.

Staple free

MADE BY HUMANS

The staple free is far away the coolest product I've been using every day to attach two/three sheets of paper. It's so simple, but a very elegant way to clip papers with no metal at all. I'm still trying to figure it out how they make it...


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Isabela: Brazilian, designer, works with automotive fabrics in the US. She did psychology college as well and had enjoyed a lot. She is living abroad for while, maybe because this she likes trends, cultures and behaviors.


junho 18, 2013

Presentation binder

1" 3-ring binder business bright - office depot

Nowadays a creative professional has digital portfolio to present in the interview. But in case you need to show some materials (because it can be a huge difference between you and the competitors, or for controlling what the audience see) I recommend a binder similar to your personality. If you want a classy but contemporary look, these binders can be perfect for your situation. Outside it looks like a leather (later I'll explain why leather still so desirable and also because is not real leather) and has color (very youthful and bright!) inside. The colorful stitching gives a unique and refined touch.


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Pasta Portfólio

English here.

Hoje em dia todo profissional criativo tem um portfólio digital para apresentar na entrevista. Em todo o caso, se você quiser apresentar materiais (porque isso enriquece muito a apresentação ou porque não confia que vão ver tudo o que colocou lá) procure uma pasta que transmita uma imagem compatível com a sua personalidade e mostre durante a conversa. Para um tipo contemporâneo e clássico essas aqui são ideais, porque tem a aparência de couro por fora (depois explico porque couro ainda é um material nobre e porque hoje em dia nada é "de couro", tá?) e cor (muita cor!) por dentro. O pesponto colorido dá a dica de um proprietário(a) detalhista e refinado.

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Esse artigo não tem a intenção de divulgar comercialmente produtos de nenhuma marca, até porque não ganho nada com isso. A não ser o fato de compartilhar ideias interessantes que fazem a vida de uma designer tão divertida.

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junho 17, 2013

Holographic nail polish

Every single girl's blog has a photo with the most recommended nail polish. This is a girl's blog... so, this is the most interesting nail polish I've seen. Holographic color from an Italian brand. It really changes from green to purple based on a gray pallete.


Wait a minute... why this photo has naked nails? Because not even Reese Witherspoon has time to do nails every day. ;)

REDBOOK

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Isabela: Brazilian, designer, works with automotive fabrics in the US. She did psychology college as well and had enjoyed a lot. She is living abroad for while, maybe because this she likes trends, cultures and behaviors.

Esmalte holográfico

English here.
Todo blog feminino que se preze tem uma foto de esmalte, então também vou publicar a minha foto. Esmalte holográfico que minha irmã trouxe da Itália. Muito chique!
Peraí... por que a foto não mostra unhas pintadas com perfeição japonesa? Porque nem eu nem a Reese Witherspoon tivemos tempo de fazer as unhas esta semana. ;)
http://www.redbookmag.com/health-wellness/advice/naked-nail-trend#slide-7
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Esse artigo não tem a intenção de divulgar comercialmente produtos de nenhuma marca, até porque não ganho nada com isso. A não ser o fato de compartilhar ideias interessantes que fazem a vida de uma designer tão divertida.

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junho 16, 2013

Protestos de São Paulo


Vou escrever sobre os protestos, mas não sobre o motivo, causas e consequências. Esclarecendo a posição multidimensional de onde eu falo, por muitos anos usei o transporte público da cidade onde morava. Há muito tempo não sou usuária, mas já peguei ônibus lotado me segurando para não cair pela porta e chegar na aula às 7 da manhã. Por um tempo também andei à pé para economizar a passagem. Também experimentei metrô com ar condicionado e estofado novinho. Tive carro usado (não era semi-novo) e também carro zero quilômetro. Exatamente agora não estou morando no Brasil, apesar de poder voltar a qualquer momento, para qualquer cidade que eu goste. Posso ainda, ficar mais um tempo aqui onde estou.

Eu não sou contra nem a favor à questão "aumento de 20 centavos nos bilhetes de ônibus de São Paulo". Nem saberia falar se a causa não é justa pelos motivos acima citados. Não tenho o que dizer sobre os tais "filhos mimados da classe média que pagam o busão com a mesada". Mas não concordo com a violência praticada pela polícia, nem com os tiros e repressão ideológica. Não gosto da cena onde vi policiais avançando sobre pessoas. Tenho muito medo disso. Mas não pretendo me intrometer na questão política "a corrida presidencial começou um ano antes, por isso um partido político instiga a massa contra o outro e o possível candidato às próximas eleições".

MAS eu quero falar sobre um ponto esquizofrênico do povo brasileiro que apareceu nessas disputas de facebook, blogs, jornais e afins.

Para estabelecer uma base de entendimento preciso fazer aqui um parâmetro comparativo. Olhando as fotos de protestos ao redor do mundo vejo que 98% das pessoas carregam cartazes que dizem respeito ao tema principal do protesto. E eu entendo que alguns temas são mais específicos e outros mais amplos.

Estados Unidos, pelo fim da guerra no Afeganistão.

Costa Rica, protesto contra produtos transgênicos.


Estudantes na Itália, sobre os cortes na educação.

No Egito, contra a ditadura e opressão social.

E no Brasil sobre...
Transporte público... só que não! (figura de linguagem passiva agressiva)

Na verdade, essas milhares de pessoas estão a vários dias nas ruas porque elas reivindicam uma coisa diferente de preço de tarifa de transporte? Quer dizer agora precisamos explicar para o mundo (literalmente) que as palavras "tarifa" e "0,20" constam no dicionário da língua portuguesa como: "insatisfação com a violência, inflação, carga tributária ou juros"? Ou "o povo não aguenta mais a falta de investimento em questões sociais básicas e a crescente impunidade"?

Eu estaria num protesto com qualquer um desses temas centrais, pois ainda estou insatisfeita com tudo isso. Então me pergunto por que será que usamos tanto esse "dizer sem falar", essa passividade agressiva? Depois ninguém entende porque não somos levados a sério. Vou explicar, porque divulgamos ao mundo praia,  mulheres, carnaval, mulheres nuas, malandragem, mulheres de biquini, favelas e prostituição, mas queremos que as pessoas entendam outra coisa? E qual seria essa outra coisa? Pois sinto informar que as pessoas entendem bem o que falamos e entendem mal o que fica subentendido, mas isso é outro post.
Então esse é o melhor que tenho dizer: até o momento falta assertividade*.

*Quer ser mais assertivo? Leia e pratique isso.

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Esse artigo não tem a intenção de divulgar a ideologia política de nenhum partido, grupo, aglomeração ou protesto. A ideia é compartilhar um pensamento que me ocorreu.

Isabela: designer, estudou psicologia clínica, especialista em tecidos automotivos, trabalha inclusive com análise de tendências de design e comportamento humano. Está morando fora do país, por isso tem coisas interessantes para compartilhar.

junho 15, 2013

As roupas em After Earth, o filme.


Eu assisti o filme After Earth no último dia, na última seção de um cinema perto de casa. Não me atrevo a comentar interpretações porque meu expertise não permite, mas posso falar do que conheço. Design, texturas e tecidos do filme.

Tudo no cenário tem um ar ultra pós ecológico porque a Terra ficou imprópria aos humanos e eles foram para outro planeta com recursos diferentes ou, simplesmente porque o produtor seguiu as ideias meio malucas do ator principal. O que vi na tela são tendências que continuam avançando, ainda que difusas e mimetizadas conforme alguns vão percebendo os estragos feitos aos seres viventes aqui neste planeta. E estou falando de TODOS os seres, inclusive do que nós fazemos de errado com o nosso corpo! Ou seja, devido à consciência pesada dos seres não sociopatas.

Voltando ao assunto, os tecidos tem um conceito que eu sonhei há anos, mas entre eu sonhar e aparecer num filme do Will Smith... a diferença é estratosférica! No filme, as roupas se adaptam à temperatura externa, às condições fisiológicas e emocionais do usuário. Através de uma leitura desses  fatores e da situação ambiental, as fibras, cores e materiais também se modificam. Uau! É tudo o que precisamos para aquele dia de calor dos infernos pela manhã, chuva e mormaço nojento à tarde e vento frigorífico à noite. Ou se preferir, para um dia normal na saudosa cidade de São Paulo.

Esse é o figurino básico do personagem Kitai.
A mesma roupa quando ele está em condições extremas.

Eu procurei fotos de quando ele quase morre congelado porque o tecido fica de uma cor linda, azul Antártica. Ou do pattern (padrão) do uniforme de aspirante a cadete que seria um belo design de superfície para um produto eletrônico masculino. Ainda das texturas tridimensionais das roupas de couro (ecológico claro!) que outros personagens usavam. Ou ainda uma imagem do fechamento vedado da nave inspirado em algo orgânico gosmento, mas não encontrei. Então você precisa assistir o filme se quiser ver isso, as ideias de novas tecnologias, do raio-X e os efeitos de morph que usaram.

Para te ajudar ou não, posso dizer que a trama tem questões psicológicas como auto-superação, reconciliação e mea culpa ecológica. Se você não percebeu, este é um filme americano, com super herói, mas pouco sangue. E para os poucos detalhistas, volte lá na frase da primeira foto que eu postei... psicologicamente falando, eu curti isso também!

Principais atores: Will Smith (Cypher) e Jaden Smith (Kitai)
Decoração: Rosemary Brandenburg
Design de figurino: Amy Westcott
Mais sobre o filme? Aqui.

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Isabela: designer, estudou psicologia clínica, especialista em tecidos automotivos, trabalha inclusive com análise de tendências de design e comportamento humano. Está morando fora do país, por isso tem coisas interessantes para compartilhar.

junho 14, 2013

Adesivo microfibra limpa telas


Sul coreanos conseguem fazer uns produtos muito fofos. Eles usam um conceito infantil nas cores, nos traços do desenho, só que não. Essa raposa é um adesivo para você limpar a tela do celular. So cute!
Veja o Leaf-it aqui.

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Esse artigo não tem a intenção de divulgar comercialmente produtos de nenhuma marca, até porque não ganho nada com isso. A não ser o fato de compartilhar ideias interessantes que fazem a vida de uma designer tão divertida.

Isabela: designer, estudou psicologia clínica, especialista em tecidos automotivos, trabalha inclusive com análise de tendências de design e comportamento humano. Está morando fora do país, por isso tem coisas interessantes para compartilhar.

junho 13, 2013

Outback B-Day Chair

English here.
B-Day Chair do Outback A cadeira do Chuck, o boneco assassino!
Com a ideia resgatar o calor dos abraços dos amigos, inexistente nas relações virtuais das redes sociais, o Outback lançou semana passada uma ação criada pela Lew’Lara\TBWA e com o apoio da Coca-Cola: A "B-Day Chair".

A proposta é o seguinte! Você resolve ir no Outback com sua turma pra comemorar o seu aniversário e se acabar de comer "Ribs on the Barbie" com "Blooming Onion". Lá terá uma poltrona especial para aniversariante, com bracinhos, iluminação, que estará conectada a um tablet para você acessar a sua conta do Facebook. A cada mensagem de aniversário que postarem no seu perfil, você ganhará um abraço da poltrona. Além disso a B-Day Chair tira foto da reação do aniversariante.



Além de ser um bom exemplo de integração do online com offline, é uma criação muito engraçada e divertida, rendendo boas gargalhadas para os aniversariantes mais extrovertidos e sentimento profundo de vergonha eterna um pouco de timidez para os mais reservados.

Mas eu ainda prefiro a versão "Parabéns" do Porta dos Fundos!




Referências:

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Esse artigo não tem a intenção de divulgar comercialmente produtos de nenhuma marca, até porque não ganho nada com isso. A não ser o fato de compartilhar ideias interessantes que fazem a vida de uma designer tão divertida.

Caroline: Designer gráfico de formação, especialista em superfícies têxteis por experiência e pesquisadora de tendências de design, comportamento e gifs animados (e outras webtosqueiras) por opção. Consertou muitos padrões de estampa quando era estagiária, atende grandes clientes automotivos, mas ainda não comprou um carro. Quase foi para TI, mas escapou por pouco! Ufa!