março 06, 2020

O desenvolvimento do bebê



Por Elisabeth Santos

Completados quatro meses de vida, o bebê parece outro: as cólicas sumiram; o tamanho e o peso aumentaram significativamente; o repertório dos sons foi acrescido de uma variedade de outros com que tenta conversar com os adultos à sua volta; prefere a posição assentado com apoio; gosta cada vez mais de estar fora de casa; sorri de felicidade ao perceber que está indo passear de carrinho, carro ou carrão.

O bebê interage à sua maneira, e o dia a dia com seus cuidadores está bem mais interessante. Atento aos movimentos e barulhos à sua volta, procura com os olhinhos: as luzes; o ventilador de teto movimentando; os brinquedos coloridos que balançam por ali pendurados; o ambiente diferente em que se encontra...

É como se quisesse dizer:

- Esta não é a minha casa. Que pessoas são essas? Por que ficam me bajulando?

O neném ainda não se encontra na idade de estranhar, mas quando cessa a canção de ninar, o embalo da sua condução, o rumor de pessoas à sua volta, ele resmunga. É tão novinho, mas sabe manifestar gosto por essas coisas que todas as crianças do mundo gostam. A gente acha graça. Se rimos, ele ri também. Parece que nos entende.

Quando ele chora, embora saibamos que é seu jeito de expressar, fazemos de tudo para distraí-lo. Dali a pouco ele para de chorar e deve ficar pensando no tanto de adulto bobo ele tem por perto. Uns a balbuciar imitando-o, outros a estalar os dedos, bater palmas, cantarolar e até revezando colinho bom. Neste ponto parecem até disputar qual vai ser a alquimia a resolver o que acham ser um problema: o choro da criaturinha!

Outra coisa que tentam pausar é o soluço do bebê. Seria o frio? O peito úmido de tanto babar? Qual seria a solução para soluço?

Por enquanto ele não bebe água.

Um susto resolveria?

Quem sabe uma simpatia ensinada pela bisavó?

E o soluço some sozinho, sem explicação.

O bebê?

Tá nem aí.




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Elisabeth Carvalho Santos desde alfabetizada lê tudo que aparece à sua volta. Depois de aposentada professora resolveu escrever e já publicou dois livros. Os assuntos brotam de suas observações, das conversas com amigos e são temperados com pitadas de imaginação e bom humor. Costuma afirmar que "escrever é um trabalho prazeroso e/ou um lazer trabalhoso que todo alfabetizado deveria experimentar algum dia".

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